← Início
▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
Cai na Prova 1 · 17/09 Base para a Prova 2 · 03/12

ORL,
na véspera.

Revisão de alto rendimento integrada: o que a prova antiga cobra, como atacar as questões, o conteúdo do ULTIMATE por bloco, as comparações que confundem, os números que caem, um simulado misto e o plano de 3 dias até 17/09.

Prova antiga
30 questões
Simulado inédito
15 questões
Recordação ativa
25 perguntas
Faltam
3 dias
Onde a prova antiga pesou
Rinossinusite7
Zumbido6
Otites/otalgia6
Hipoacusia ★5
Massas cerv. ★5
Geriatria1
★ = tema da Prova 1
01 / Mapa da prova antiga

O que a prova realmente cobra.

A prova antiga (S26) tem 30 questões. Ela foi aplicada numa ordem de módulos diferente da atual, então só 10 das 30 (33%) caem em temas da Prova 1 (hipoacusia e massas cervicais). Surdez na infância, obstrução de via aérea pediátrica e disfonias não aparecem — o que não significa que não vão cair: significa que você deve esperar o mesmo estilo aplicado a esses temas.

Peso por tema

Rinossinusite Prova 2 · Q13–18, Q29
7
Zumbido Prova 2 · Q1–6
6
Otalgia e otites Prova 2 · Q7–12
6
Hipoacusia Prova 1 · Q24–28
5
Massas cervicais Prova 1 · Q19–23
5
Geriatria (fora de ORL) Q30 · truncada
1
Surdez infantil · VA pediátrica · Disfonias Prova 1 · sem questão antiga
0
Leitura estratégica: a prova distribui ~5–7 questões por tema, em blocos sequenciais. Com 5 temas na Prova 1, espere ~6 questões por tema. Os formatos mais usados: assertivas I/II/III (8 questões), vinheta de conduta (9), INCORRETA/EXCETO (4), V/F (2), associação direta (4), interpretação de diapasão/audiometria (4).

Tabela questão → tema → conceito → formato

QTemaConceito cobradoFormato
1ZumbidoEpidemiologia (prevalência, % incapacitante), teoria central, persistência pós-secção do VIIIAfirmativa correta
2ZumbidoDrogas que causam zumbido; pulsátil × não pulsátil; amplificação sonoraAssertivas I/II/III
3ZumbidoAvaliação (ototóxicos) e tratamento (orientação + enriquecimento sonoro)Assertivas I–IV · palavra absoluta
4ZumbidoCausa otológica, dano às células ciliadas, influência emocionalAssertivas I/II/III
5Zumbido85–90 dB, presbiacusia 55 anos, Ménière, otosclerose, etiologia antes da amplificaçãoV/F (números)
6ZumbidoSubjetivo × objetivo; audiometria para todos; zumbido unilateral → retrococlearINCORRETA
7OMAAgentes bacterianos da OMAAssociação direta
8OMAOtite + conjuntivite → HaemophilusAssociação clássica
9OMA< 2 anos com OMA inequívoca → antibiótico (amoxicilina)Vinheta de conduta
10Otite externaOEDA em hígido: analgesia + limpeza + ATB tópicoConduta
11OMAATB de 1ª escolha > 2 anosAssociação direta
12OtalgiaOtalgia com otoscopia normal → otalgia referidaDissertativa
13Rinite/RS alérgicaDiagnóstico clínico; não exige imagemEXCETO
14RinossinusiteIVAS viral de 3 dias → sintomáticosVinheta de conduta
15RinossinusiteNomenclatura; custo; etiologia mais comum = viralAssertivas I/II/III
16RinossinusiteFisiopatologia: óstio, batimento mucociliar, secreçãoV/F
17RinossinusiteCritérios de RSA bacteriana; ATB empíricoVinheta · OCR misturou com Q19
18Complicação RSComplicação orbitária: internar, cultura antes do ATB, TC contrastadaAssertivas I–V · "nunca"
19Massas cervicaisMassa nível II em tabagista de 60 anos: próximo passoVinheta · enunciado fragmentado
20Massas cervicaisMetástase cervical: evitar biópsia excisional isoladaEXCETO
21Massas cervicaisEpidemiologia por idade; nível II → primárioAssertivas I/II/III
22Massas cervicaisNódulo anterior que cresce com IVAS → cisto tireoglossoVinheta diagnóstica
23TireoideCarcinoma papilífero é o mais comumAssociação direta
24HipoacusiaDiapasão: Rinne + bilateral, Weber → E = neurossensorial DInterpretação de exame
25HipoacusiaPAIR: irreversível, >85 dB, 3–4–6 kHz, prevençãoINCORRETA
26HipoacusiaPresbiacusia: definição, otoscopia normal, diapasão, AASIVinheta · correta
27HipoacusiaPerda mista OD: Rinne/Weber esperadosInterpretação de exame
28HipoacusiaLeitura de audiogramaImagem · perdida no OCR
29RinossinusiteDiagnóstico de RS é clínicoVinheta
30GeriatriaTricíclicos × ISRS; benzodiazepínicos e quedasTruncada

Gabarito resolvido

As marcas circuladas da prova NÃO são gabarito. São anotações de um aluno e várias estão erradas (Q2, Q3, Q5, Q9 e a lista da Q18). Abaixo, cada questão foi resolvida por conhecimento. Letras em dourado = questão ambígua ou danificada pelo OCR (leia a justificativa).

No modo treino, toque numa célula borrada para revelar só aquela.

QResp.Justificativa (1 linha)
1c*Reorganização cortical sustenta o modelo central. d) o zumbido persiste na maioria após secção do VIII; e) a associação com presbiacusia é frequente; a/b) as cifras do enunciado (10% incapacitante; 25%) não batem com as usuais (~10–15% de prevalência, dobrando em idosos; incapacitante é minoria). *Questão ambígua.
2bI e III corretas. II é falsa: paraganglioma, anemia, tuba patente e hipertireoidismo são causas de zumbido pulsátil. (Marca circulada "e" está errada.)
3dI, III e IV. II cai pelas palavras absolutas "consagrado" e "independentemente da etiologia". IV (orientação + enriquecimento sonoro) é pilar do tratamento.
4eAs três são verdadeiras: causa otológica predomina com frequência do zumbido ≈ região da perda; dano ciliar; estado emocional modula.
5cV, V, V, F, V: na otosclerose a maioria (não "metade") tem zumbido. A letra "a" tem 6 itens (erro da prova).
6aINCORRETA: o zumbido subjetivo é o mais comum; "sons do próprio corpo" define o zumbido objetivo.
7cPneumococo, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis.
8cSíndrome otite-conjuntivite = H. influenzae não tipável (pista para amoxicilina-clavulanato).
9e< 2 anos com OMA inequívoca → antibiótico; 1ª escolha amoxicilina. A marca em "ampicilina" está errada.
10cOEDA em hígido: analgesia, limpeza do conduto e gotas tópicas (quinolona). ATB sistêmico só se imunossuprimido/extensão.
11dAmoxicilina (cobre pneumococo, prioridade).
12Dissertativa: otalgia com otoscopia normal = referida. Examinar ATM, dentes, orofaringe, laringe/hipofaringe (nasofibrolaringoscopia), coluna cervical, nevralgias; em adulto com tabagismo/etilismo, afastar neoplasia de VADS (via IX/X).
13cEXCETO: rinite/RS alérgica é diagnóstico clínico (prurido, espirros, rinorreia hialina, IgE); não exige imagem.
14e3 dias de sintomas, bom estado geral = IVAS viral → sintomáticos e retorno. ATB prévio há 2 meses não muda isso.
15aSó I. II: gasto é alto. III: a etiologia mais comum é viral.
16dV-V-F-V. Item 3 invertido: agudas são infecciosas; crônicas são inflamatórias.
17e> 10 dias + piora após o 5º–6º dia, febre > 38 °C, secreção unilateral purulenta = RSA bacteriana; ATB empírico (amoxicilina ou amox-clav). OCR intercalou o enunciado da Q19.
18bI, II e V. III cai pelo "nunca" (corticoide pode ser usado); IV: RX não serve, pedir TC contrastada. Letras perdidas no OCR — ordem das opções presumida.
19eAntes de puncionar, completar o exame da VADS (nasofibrolaringoscopia) em busca do primário; se normal, PAAF é o passo seguinte. Nunca biópsia incisional de linfonodo suspeito.
20cEXCETO: biópsia excisional isolada de linfonodo metastático viola o pescoço (piora sobrevida e recorrência). Congelação + esvaziamento no mesmo tempo é aceitável.
21aSó I. II: benignos se igualam aos inflamatórios (45/45), não às metástases. III: nível II → orofaringe/cavidade oral/laringe, não esôfago.
22bNódulo anterior mediano, desde a infância, cresce com IVAS = cisto tireoglosso; clínico + ecografia (confirma tireoide tópica); tratamento Sistrunk.
23aCarcinoma papilífero (~80–85% dos cânceres de tireoide).
24aRinne + bilateral afasta componente condutivo; Weber lateraliza para o lado bom → neurossensorial à D.
25aINCORRETA: PAIR é irreversível (e prevenível).
26cPresbiacusia = NS bilateral simétrica lenta. a) é a 1ª causa; b) otoscopia normal; d) Rinne é positivo; e) AASI ajuda.
27dComponente condutivo OD → Rinne negativo OD, positivo OE; Weber lateraliza para o lado da condução pior (D).
28e?Audiograma perdido no OCR; a anotação indica perda mista OD. Não é possível verificar — treine leitura de audiograma na seção de hipoacusia.
29cDiagnóstico de rinossinusite é clínico (anamnese + exame físico).
30Truncada (só a e b) e fora de ORL; ambas as afirmações são classicamente corretas (Beers). Não gradável.
02 / Estratégia de prova

Como atacar a questão.

Assertivas I/II/III

Julgue cada frase isolada

Marque V/F ao lado de cada assertiva antes de olhar as alternativas. Depois, elimine: uma assertiva que você tem certeza que é falsa derruba todas as opções que a contêm.

Palavras absolutas

"Nunca", "sempre", "consagrado"

Em medicina quase nada é absoluto. "Independentemente da etiologia", "a grande maioria", "imprescindível", "obrigatório" → desconfie. Exceções reais: "nódulo vocal é sempre bilateral", "biópsia de linfoma é sempre excisional".

INCORRETA / EXCETO

Circule a negação

Sublinhe a palavra no enunciado. Transforme cada opção em V/F e procure a única F. Erro clássico: achar a primeira alternativa verdadeira e marcá-la.

V/F em sequência

Comece pelo item mais seguro

Resolva o item de que você tem certeza e elimine as sequências incompatíveis. Muitas vezes 2 itens bastam para achar a única sequência possível (Q5: só "c" tem o item 3 V e o 4 F).

Vinheta de conduta

Idade · tempo · gravidade

Sublinhe idade (< 2 anos? > 50?), tempo de evolução (< 10 dias? > 2–3 semanas?), sinais de alarme (febre > 38,3, toxemia, estridor em repouso, proptose). A conduta sai desses três eixos.

Exames

"Qual o primeiro exame?"

Em ORL a resposta costuma ser o exame clínico armado: otoscopia, diapasão, audiometria, nasofibrolaringoscopia. RX de seios quase nunca. TC só com complicação ou planejamento cirúrgico.

Fluxo de eliminação

1
Passo 01 · 10 s
O que a questão pede?
Correta, INCORRETA, EXCETO, "duas hipóteses", "conduta inicial", "primeiro exame"?
Negação
Circule. Você está procurando a única falsa.
"Inicial"
Pense no primeiro passo, não no tratamento definitivo (Q10, Q19).
2
Passo 02
Responda antes de ler as opções
Na vinheta, formule diagnóstico + conduta mentalmente. Depois procure a opção que bate.
Bateu
Leia as outras só para confirmar que nenhuma é "mais correta".
Não bateu
Vá para o passo 3 (eliminação).
3
Passo 03
Elimine pelo erro mais grosseiro
Números trocados (condutiva × NS, graves × agudos), palavra absoluta, conduta que expõe a risco (examinar orofaringe na epiglotite, biópsia incisional de linfonodo), exame desnecessário (RX de seios).
4
Passo 04
Entre duas: escolha a mais segura e específica
A banca premia a conduta que protege a via aérea, preserva o pescoço oncológico e evita ATB desnecessário. Não troque a resposta sem um motivo concreto.
Pegadinhas recorrentes desta banca: (1) inverter agudo × crônico ou viral × bacteriano (Q15, Q16); (2) listar causas de um grupo dentro de outro (pulsátil × não pulsátil, Q2); (3) trocar "maioria" por "metade" (Q5); (4) antibiótico com nome parecido (ampicilina × amoxicilina, Q9); (5) exame de imagem inadequado (RX na complicação orbitária, Q18); (6) "reversível" num quadro irreversível (PAIR, Q25).
03 / Conteúdo · Prova 1 (17/09)

Os cinco temas da quinta-feira.

Ordem do cronograma: surdez na infância (13/08) → obstrução de VA em crianças (20/08) → disfonias (27/08) → hipoacusia (03/09) → massas cervicais (10/09). Aqui estão reorganizados em ordem lógica: hipoacusia primeiro (base para surdez infantil), depois via aérea, disfonias e massas. Para aprofundar, cada bloco aponta para a nota irmã.

Hipoacusia no adulto.

Prova 1 · 03/09

Nota completa: hipoacusias-e-surdez.html

O mínimo de anatomia que decide a questão

1
Orelha externa + média = condução

Pavilhão, conduto, membrana timpânica e ossículos levam e amplificam o som. Lesão aqui = perda condutiva (cerúmen, otite externa, OMA/efusão, perfuração, otosclerose, disjunção ossicular).

2
Cóclea = transdução (sensorial)

Células ciliadas externas amplificam (geram as emissões otoacústicas); internas transduzem. Base da cóclea = agudos; ápice = graves. Lesão = neurossensorial coclear (presbiacusia, PAIR, ototóxicos, Ménière).

3
Nervo coclear e vias centrais = retrococlear

Schwannoma vestibular, esclerose múltipla, neuropatia auditiva. Pista: perda assimétrica com discriminação de fala desproporcionalmente ruim e zumbido unilateral → RM com gadolínio.

Diapasão (512 Hz): Rinne e Weber

Rinne — compara vias no mesmo ouvido

  • Positivo (normal): VA > VO. Também positivo na neurossensorial (as duas vias caem juntas).
  • Negativo: VO > VA = componente condutivo significativo (gap ≳ 20–25 dB) naquele ouvido.
  • Armadilha: surdez NS profunda unilateral dá "falso Rinne negativo" (o ouvido bom capta a VO pelo crânio).

Weber — compara os dois ouvidos

  • Centro/indiferente: normal ou perda simétrica.
  • Lateraliza para o ouvido afetado: condutiva (o ruído ambiente é mascarado, a VO "sobra").
  • Lateraliza para o ouvido bom: neurossensorial do lado oposto.
  • Mnemônico: "condutiva chama, neurossensorial foge".

Laboratório de diapasão

Escolha os achados e veja a interpretação. Treine com os casos das Q24 e Q27.

Normal ou perda neurossensorial simétrica

Rinne + bilateral e Weber central: sem componente condutivo e sem assimetria. Presbiacusia bilateral simétrica dá exatamente isso.

Audiometria: tipo e grau

PadrãoVia aéreaVia ósseaGap aéreo-ósseoExemplo
Normal≤ 25 dB≤ 25 dB
CondutivaRebaixadaNormalPresenteCerúmen, OME, otosclerose
NeurossensorialRebaixadaRebaixada igualAusente (vias sobrepostas)Presbiacusia, PAIR
MistaRebaixada (pior)RebaixadaPresenteOMC + labirintite, otosclerose avançada
Normal
≤ 25
dB em todas as frequências
Leve
25–40
dB
Moderada
40–60
dB (resumo)
Severa
60–90
dB
Profunda
> 90
dB

As quatro curvas que caem

DoençaTipoFormato do audiogramaChave clínica
PresbiacusiaNS bilateral simétricaRampa descendente; agudos (4–8 kHz) caem primeiro> 55 anos; "ouve mas não entende"; dificuldade de localizar som; 1ª causa de perda em adultos; AASI
PAIRNS bilateral simétricaEntalhe em 3–4–6 kHz (principalmente 4k) com recuperação em 8 kHz> 85–90 dB, 8 h/dia; zumbido é o 1º sintoma; irreversível e prevenível; 2ª causa
Doença de MénièreNS unilateral flutuanteAscendente: graves (125–500 Hz) no inícioTríade: vertigem episódica (horas) + zumbido + hipoacusia flutuante (+ plenitude aural)
OtoscleroseCondutiva (depois mista)Gap aéreo-ósseo; entalhe de Carhart (VO em 2 kHz)Mulher jovem, bilateral, piora na gestação, história familiar; fixação do estribo; timpanometria As, reflexo estapediano ausente; estapedotomia ou AASI

Imitanciometria (timpanometria)

  • A: normal
  • As: baixa complacência — otosclerose
  • Ad: hipercomplacente — disjunção ossicular
  • B: plana — efusão (OME), perfuração
  • C: pico em pressão negativa — disfunção tubária

EOA × BERA (PEATE)

  • EOA: células ciliadas externas; rápida, triagem; ausentes em perda coclear (≳ 30 dB) e também em efusão da orelha média.
  • BERA: atividade elétrica da via auditiva até o tronco; diferencia coclear × retrococlear; detecta neuropatia auditiva (EOA normal!).
?
Acordou com perda auditiva unilateral, otoscopia normal, Weber para o lado bom. É urgência?
Pense em:

Weber foge do lado afetado → neurossensorial. Início em horas.

Resposta:

Sim — surdez súbita neurossensorial (≥ 30 dB em 3 frequências contíguas instalada em ≤ 72 h). Audiometria o quanto antes, corticoide sistêmico precoce (idealmente nas primeiras 2 semanas; intratimpânico como resgate) e RM com gadolínio para afastar schwannoma vestibular. Maioria idiopática (viral/vascular). Não confundir com cerúmen: aí a otoscopia é anormal e o Weber lateraliza para o lado afetado.

?
Perda NS assimétrica + zumbido unilateral + discriminação vocal muito ruim. O que pedir?
Resposta:

RM de ângulo pontocerebelar/CAI com gadolínio — suspeita de schwannoma vestibular (retrococlear). O BERA é alternativa de triagem quando a RM não está disponível. TC de ouvidos sem contraste é para doença óssea (otosclerose, colesteatoma, malformação).

?
Quais drogas são ototóxicas e qual é reversível?
Resposta:

Aminoglicosídeos (irreversível; genta é mais vestibulotóxica, amicacina mais cocleotóxica), cisplatina (irreversível, agudos), diuréticos de alça (geralmente reversível, potencializam aminoglicosídeo), salicilatos e quinino (reversíveis), vancomicina, eritromicina IV em altas doses. Começam pelos agudos → monitorizar com audiometria de altas frequências.

Pegadinhas: "PAIR é reversível" (falso); "presbiacusia é a 2ª causa" (é a 1ª); "presbiacusia tem Rinne negativo" (positivo — é NS); "Ménière começa nos agudos" (graves); "otosclerose é neurossensorial" (condutiva — fixação do estribo); "AASI não ajuda presbiacusia" (ajuda e melhora qualidade de vida).

Surdez na infância.

Prova 1 · 13/08

Nota completa: hipoacusias-e-surdez.html. O ULTIMATE só traz a lista de causas congênitas e as emissões otoacústicas; o restante deste bloco conhecimento consolidado complementa o que costuma ser cobrado.

Por que importa: a linguagem oral depende de estímulo auditivo no período crítico (primeiros 2–3 anos). Perda não detectada = atraso de fala, escolar e social. Por isso a banca adora triagem neonatal, fatores de risco e idade de intervenção.

Etiologia

Genética (~50–60%)

  • Não sindrômica (~70%), maioria autossômica recessiva; GJB2 (conexina 26) é a mais comum.
  • Sindrômica (~30%): Waardenburg (heterocromia, mecha branca), Usher (retinose pigmentar), Pendred (bócio), Alport (nefrite), Jervell-Lange-Nielsen (QT longo), Treacher Collins (condutiva).

Não genética — pré e perinatal

  • Pré-natal: STORCH — CMV congênito é a principal causa não genética; rubéola, toxoplasmose, sífilis, Zika; drogas na gestação.
  • Perinatal: prematuridade, anóxia, hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão, UTI neonatal, ototóxicos.

Pós-natal / adquirida

  • Meningite bacteriana (pneumococo) → risco de ossificação coclear: audiometria precoce e implante coclear urgente se profunda.
  • Caxumba, sarampo, ototóxicos, TCE.
  • Otite média com efusão = causa mais comum de perda condutiva adquirida na infância.

Triagem auditiva neonatal — fluxo

1
Até 1 mês · idealmente antes da alta
O RN tem indicador de risco (IRDA)?
Triagem universal e gratuita (Lei 12.303/2010). IRDA: UTI neonatal > 5 dias, ventilação mecânica, ototóxicos, hiperbilirrubinemia com exsanguíneo, infecções congênitas (STORCH/Zika), malformação craniofacial, síndromes, história familiar de surdez, peso < 1500 g, anóxia grave, meningite.
Sem IRDA
EOA. Falhou → reteste (EOA ± PEATE). Falhou de novo → diagnóstico audiológico.
Com IRDA
PEATE-A (BERA automático) desde o início — EOA não detecta neuropatia auditiva, mais comum nesse grupo. Monitorar até ~3 anos.
2
Até 3 meses
Diagnóstico audiológico completo
PEATE com limiar, imitanciometria, avaliação ORL. Investigar: CMV (PCR em urina/saliva nas 3 primeiras semanas), genética, imagem (TC/RM), ECG (JLN), urina (Alport), oftalmologia (Usher).
3
Até 6 meses
Intervenção
AASI assim que confirmado + terapia fonoaudiológica. Implante coclear na perda severa-profunda bilateral sem benefício do AASI, a partir de ~12 meses (antes se pós-meningite). Condutiva por OME persistente: tubos de ventilação.
Meta 1-3-6
1·3·6
triagem · diagnóstico · intervenção (meses)
UTI neonatal
> 5 d
= IRDA → PEATE-A
Surdez genética
50–60%
70% não sindrômica
Implante coclear
~12 m
severa-profunda bilateral
Sinais de alerta nos marcos: não se assusta com sons altos (0–3 meses); não vira a cabeça para localizar (6 meses); não balbucia (9 meses); não fala palavras isoladas (12–18 meses); fala menos de 50 palavras aos 2 anos. Passar na triagem neonatal não exclui perda progressiva ou adquirida — atraso de fala sempre merece audiometria.

Obstrução de via aérea em crianças.

Prova 1 · 20/08

Nota completa: obstrucao-vias-aereas-criancas.html. Regra de ouro do resumo: ruído respiratório em criança = obstrução até prova em contrário e exige investigação.

Por que a criança obstrui fácil: laringe mais alta, epiglote em ômega, língua proporcionalmente grande, e a subglote (anel da cricoide, 360°) é o ponto mais estreito. Resistência ∝ 1/r⁴: 1 mm de edema numa subglote de 4 mm reduz muito a luz. Associar sintomas digestivos: descoordenação sucção-respiração, engasgo, baixo ganho de peso.

Ronco

  • Baixa frequência, inspiratório, grosseiro.
  • Nariz/faringe: rinite, desvio septal, adenoide (pico 2–4 a, involui), tonsila palatina (pico 2–6 a, não involui), atresia de coana, estenose piriforme, Pierre Robin, faringomalácia.
  • Piora no sono.

Estridor

  • Alta frequência; laringe e traqueia; indica ≥ ~70% de obstrução.
  • Inspiratório: supraglote/glote dinâmica (laringomalácia, paralisia de PV).
  • Bifásico: glote/subglote fixa (estenose, hemangioma, papilomatose).
  • Expiratório: traqueia intratorácica (compressão).
  • Piora com agitação/mamada; melhora no sono.

Congênitas — as que caem

EntidadeQuadroDiagnósticoConduta
Laringomalácia
causa nº 1 de estridor congênito
Estridor inspiratório a partir das primeiras semanas; piora ao mamar, chorar e em supino; bom estadoNasofibrolaringoscopia acordado (colapso supraglótico dinâmico)Observação; resolve até 18–24 m; tratar refluxo; supraglotoplastia se grave (apneia, cianose, déficit de ganho de peso)
Paralisia de pregas vocais
2ª causa
Bilateral: estridor com choro normal (congênita, SNC — Arnold-Chiari). Unilateral: choro fraco, aspiração (pós-cirurgia cardíaca/esofágica — recorrente)Nasofibro acordadoUnilateral: observar. Bilateral com desconforto: traqueostomia
Hemangioma subglóticoEstridor bifásico que piora nos primeiros meses (fase proliferativa); hemangioma cutâneo em "barba"/perioralLaringotraqueoscopia sob anestesiaPropranolol
Estenose subglóticaCongênita ou adquirida (pós-intubação = mais comum); estridor bifásico, "crupe de repetição"Endoscopia em blocoDilatação por balão; reconstrução laringotraqueal (enxerto de costela); traqueostomia como ponte
Atresia de coanasRN respirador nasal obrigatório: cianose cíclica que melhora com o choro (bilateral = urgência); unilateral: rinorreia unilateral crônica. CHARGESonda não passa; nasofibro; TCVia aérea oral (McGovern) → correção cirúrgica
Sequência de Pierre RobinMicrognatia + glossoptose + obstrução (fenda palatina em ~85%, não obrigatória)ClínicoPosição prona; cânula nasofaríngea; distração mandibular

Adquiridas agudas — crupe × epiglotite × traqueíte × corpo estranho

Crupe viralEpiglotiteTraqueíte bacterianaCorpo estranho
AgenteParainfluenzaHib (rara pós-vacina), S. pyogenes, S. aureusS. aureusAlimentos, brinquedos
Idade6 m – 3 a2–7 a (e adultos)Qualquer, pós-viral1–3 a
InícioPródromo coriza, piora à noiteHoras, toxemia, febre altaCrupe que piora, toxemiaSúbito, engasgo testemunhado
ClínicaTosse ladrante, rouquidão, estridor inspiratórioSialorreia, disfagia, voz abafada, posição de tripé, sem tosseTosse, secreção espessa, não responde à adrenalinaTosse, sibilo unilateral, estridor
RXSinal da torre (não precisa)Sinal do polegar (não atrasar via aérea)Irregularidade traquealAprisionamento aéreo
CondutaDexametasona (dose única) ± adrenalina nebulizada se estridor em repousoNão examinar orofaringe, não deitar; via aérea em bloco com anestesista/ORL; ceftriaxonaIntubação frequente; ATB anti-estafilocócicoBroncoscopia rígida

Tabela de crupe/epiglotite/traqueíte: conhecimento consolidado — o ULTIMATE só cita "laringite viral aguda" e "corpo estranho".

Adquiridas crônicas: hipertrofia adenotonsilar é a principal causa de SAOS infantil (ronco, pausas, respiração oral, enurese, déficit de atenção/crescimento, cor pulmonale). Apneia obstrutiva e suspeita de malignidade são indicações absolutas de adenotonsilectomia. Adenoide: RX de cavum ou nasofibro. Papilomatose respiratória recorrente: disfonia progressiva → estridor.

Consultório (acordado)

  • Nasofibrolaringoscopia flexível
  • Estridor inspiratório: avalia dinâmica (laringomalácia, paralisia)

Bloco cirúrgico (anestesia)

  • Laringotraqueobroncoscopia
  • Estridor bifásico/expiratório, subglote e traqueia, corpo estranho, sinais de gravidade
  • Traqueostomia = ponte temporária para ganhar tempo

Disfonias — bloco essencial.

Prova 1 · 27/08sem nota irmã
Atenção à fonte: Disfonias cai na Prova 1 mas não tem nota própria neste conjunto. O ULTIMATE traz só anatomia da laringe e uma lista curta de lesões. Este bloco foi ampliado com conhecimento médico consolidado (não veio do resumo) — confira com a aula e com Rotinas em ORL.

Anatomia que cai (do ULTIMATE)

Estrutura

  • Supraglote (epiglote, bandas ventriculares) · Glote (pregas vocais) · Subglote (até a cricoide — ponto mais estreito, sítio de estenose).
  • Cartilagens: tireoide (maior), cricoide (único anel completo), aritenoides (movem as PV), epiglote (elástica).

Inervação (vago)

  • Laríngeo recorrente: todos os intrínsecos exceto o cricotireóideo → motricidade e fonação.
  • Laríngeo superior: sensibilidade supraglótica (reflexo de tosse) + cricotireóideo (tensão/agudos).
  • Cricoaritenóideo posterior = "músculo da vida": único abdutor.
  • Recorrente esquerdo contorna o arco aórtico → paralisia à E é mais frequente.

Causas por faixa etária

Criança

  • Nódulos vocais (menino, abuso vocal) — causa mais comum
  • Laringite viral aguda / crupe
  • Papilomatose respiratória recorrente (2–5 anos)
  • Paralisia de PV, cistos congênitos, sulco

Adulto jovem / meia-idade

  • Nódulos (mulheres, professoras, cantoras), pólipo, cisto
  • Laringite aguda, refluxo laringofaríngeo
  • Disfonia por tensão muscular
  • Edema de Reinke (mulher tabagista, voz grave)

Idoso / tabagista

  • Câncer de laringe (CEC)
  • Leucoplasia/eritroplasia (pré-malignas)
  • Paralisia de PV (neoplasia de pulmão/tireoide/esôfago, pós-operatória)
  • Presbifonia, Parkinson, AVC

Nódulos × pólipos × cistos

NódulosPólipoCisto
LateralidadeSempre bilaterais, simétricos ("kissing")Geralmente unilateralUnilateral
LocalJunção 1/3 anterior–médio (ponto de maior impacto)Borda livre, séssil ou pediculadoSubepitelial (espaço de Reinke)
CausaFonotrauma crônicoFonotrauma agudo (grito), tabagismo, anticoagulaçãoRetenção glandular (adquirido) ou epidermoide (congênito)
TratamentoFonoterapia (1ª linha); cirurgia raramenteMicrocirurgia + fonoMicrocirurgia + fono
O resumo diz que nódulos vocais são "mais comumente congênitos". A literatura indica que nódulos são adquiridos por fonotrauma crônico (a lesão congênita típica é o cisto epidermoide/sulco). Na prova: nódulo = abuso vocal, bilateral, fonoterapia.

Paralisia de prega vocal

Unilateral

  • Voz soprosa, fraca, cansaço vocal; tosse/aspiração com líquidos
  • Causas: iatrogênica (tireoidectomia, cirurgia cardiotorácica, cervical anterior), neoplasia (pulmão, esôfago, tireoide, mediastino), idiopática/viral
  • Investigar: laringoscopia + TC da base do crânio ao mediastino (trajeto do vago/recorrente)
  • Tratamento: fono, injeção/medialização

Bilateral

  • Pregas em adução (paramediana): voz quase normal, mas estridor e dispneia
  • Causa clássica: tireoidectomia total; em RN, congênita/SNC
  • Urgência de via aérea: traqueostomia ou cordotomia/aritenoidectomia

Câncer de laringe

?
Homem de 60 anos, tabagista, rouco há 4 semanas. Posso tentar IBP por 2 meses antes de examinar?
Pense em:

Qual tumor dá sintoma precoce? Qual o custo de atrasar?

Resposta:

Não. Rouquidão persistente > 2–3 semanas em tabagista/etilista (ou > 4 semanas em qualquer adulto) = laringoscopia (nasofibrolaringoscopia/videolaringoscopia) antes de qualquer tratamento empírico. IBP, antibiótico ou corticoide sem ver a laringe atrasam o diagnóstico de câncer. Lesão suspeita → biópsia (microlaringoscopia) + TC para estadiamento.

SítioFrequênciaSintoma inicialLinfonodosPrognóstico
GlóticoMais comum (~60%)Rouquidão precoceRaros (pouca drenagem linfática)Bom (diagnóstico cedo)
Supraglótico~30–35%Disfagia, odinofagia, otalgia referida, massa cervicalPrecoces e bilateraisPior
SubglóticoRaroEstridor, dispneiaParatraqueais (VI)Pior
Histologia
> 90%
carcinoma epidermoide
Rouquidão em tabagista
> 2–3 sem
→ laringoscopia
Fatores de risco
Tabaco + álcool
efeito sinérgico

Laringite, refluxo e papilomatose

Laringite aguda

  • Viral, pós-IVAS ou por abuso vocal
  • Autolimitada (< 2–3 semanas)
  • Repouso vocal, hidratação, umidificação; sem ATB
  • Crônica: tabaco, refluxo, abuso vocal, álcool/cafeína (ressecam)

Refluxo laringofaríngeo

  • Pigarro, globus, tosse crônica, rouquidão matinal — muitas vezes sem pirose
  • Laringoscopia: edema/hiperemia posterior (interaritenóideo), pseudossulco
  • IBP 2x/dia por 8–12 semanas + medidas comportamentais — após laringoscopia sem lesão suspeita

Papilomatose (PRR)

  • HPV 6 e 11 (baixo risco); lesões exofíticas em cacho
  • Forma juvenil (transmissão perinatal) e adulta
  • Disfonia progressiva → estridor/obstrução
  • Sem cura: remoção repetida (microdebridador, laser CO₂); adjuvantes (cidofovir, bevacizumabe)
  • Vacina HPV previne
O resumo diz que gestante com lesão genital tem "indicação relativa de cesárea". A orientação atual é que a cesárea não é indicada rotineiramente só para prevenir PRR (o risco absoluto de transmissão é baixo e a cesárea não o elimina); fica reservada a indicação obstétrica ou lesões obstrutivas do canal de parto.

Massas cervicais.

Prova 1 · 10/09

Nota completa: massas-cervicais.html. A pergunta que organiza tudo: quantos anos tem o paciente e há quanto tempo a massa existe?

< 2 anos
Congênita
principal origem
< 20 anos
75%
inflamatória/infecciosa
20–50 anos
45 / 45
% inflamatória / tumor benigno
> 50 anos
75%
neoplasia maligna
Linfonodo suspeito
> 2 cm
cresce em todas as dimensões
Primário da metástase
70%
orofaringe/hipofaringe
Frase para tatuar: massa cervical persistente em adulto (especialmente tabagista/etilista > 40–50 anos) é neoplasia maligna até prova em contrário. Alarme: endurecida, fixa, indolor, > 2 cm, com otalgia, disfagia, odinofagia, disfonia, estridor, paralisia de nervos cranianos, perda de peso.

Abordagem do adulto com massa suspeita

1
Passo 01
Anamnese + fatores de risco
Idade, tempo, tabaco/álcool, HPV (jovem, múltiplos parceiros, pouco tabaco), sintomas de VADS, sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso → linfoma/TB), radiação prévia.
2
Passo 02
Exame completo de cabeça e pescoço
Palpação (nível, consistência, mobilidade, pulsatilidade), oroscopia, otoscopia, nasofibrolaringoscopia para achar o primário (rinofaringe, base de língua, tonsila, hipofaringe, laringe).
Achou primário
Biópsia do primário (não do linfonodo) + TC para estadiamento.
Exame normal
Siga para PAAF + imagem.
3
Passo 03
PAAF (guiada por US) + TC contrastada
PAAF: citologia, cell block, imuno (p16 → orofaringe HPV; EBV → rinofaringe; tireoglobulina → tireoide). Evitar biópsia aberta de linfonodo suspeito de metástase (piora sobrevida, recorrência cervical, metástase a distância, necrose de retalho).
4
Passo 04
Resultado da PAAF
CEC sem primário
PET-CT → panendoscopia sob anestesia com biópsias dirigidas ± tonsilectomia → esvaziamento cervical ± RT.
Suspeita de linfoma
Biópsia excisional (nunca incisional) para arquitetura + imuno-histoquímica.

Nível cervical → onde está o primário

NívelRegiãoPrimários mais prováveis
ISubmentoniano / submandibularLábio, cavidade oral anterior, glândula submandibular
IIJugular superiorOrofaringe (tonsila, base de língua), cavidade oral, supraglote, rinofaringe, parótida — nível mais comum de metástase
IIIJugular médiaLaringe, hipofaringe
IVJugular inferiorHipofaringe, tireoide, esôfago cervical
VTriângulo posteriorRinofaringe (II e V precoces), pele posterior do couro cabeludo; linfoma
VICentralTireoide, laringe subglótica
Supraclavicular EVirchowAbdome/TGI (estômago); à direita: tórax

Congênitas — as duas que confundem

Cisto do ducto tireoglosso

  • Linha média, na altura do hioide
  • Sobe com a deglutição e a protrusão da língua
  • Criança/adolescente; cresce ou infecta com IVAS
  • Diagnóstico clínico + US (confirmar tireoide tópica)
  • Cirurgia de Sistrunk (inclui corpo do hioide), fora de infecção

Cisto branquial (2º arco)

  • Lateral, borda anterior do ECM, nível II
  • Adulto jovem (20–40 a); cístico, aumenta/infecta com IVAS
  • Pode ter fístula/seio na borda anterior do ECM
  • US/TC → exérese cirúrgica
  • Armadilha: "cisto lateral" em > 40 anos pode ser metástase cística (CEC de orofaringe HPV+, papilífero de tireoide)

Outras congênitas: cisto dermoide (linha média, não se move com a língua), linfangioma/higroma cístico (triângulo posterior, transiluminável, lactente), hemangioma (cresce no 1º ano, involui; propranolol), cisto tímico, rânula mergulhante.

Infecciosas / inflamatórias

Reacional / aguda

  • Viral de VAS (mais comum), EBV, CMV, HIV, toxoplasmose
  • Bacteriana (S. aureus, S. pyogenes): dolorosa, flogística, pode abscedar
  • Criança com linfonodo < 2 cm doloroso pós-IVAS: observar e reavaliar

Crônica granulomatosa

  • Micobacteriose atípica: criança, pele violácea, fistuliza, indolor → exérese
  • Tuberculose (escrofulose): adulto, sintomas B, PPD/IGRA
  • Arranhadura do gato (Bartonella)
  • Paracoccidioidomicose

Neoplásicas

  • Metástase de CEC: endurecida, fixa, indolor (adulto)
  • Linfoma: emborrachado, móvel, múltiplo (neoplasia cervical nº 1 em crianças; 2ª em adultos)
  • Tireoide: papilífero é o mais comum
  • Paraganglioma carotídeo: pulsátil, move lateral e não vertical — não puncionar
  • Necrose central na imagem = malignidade

Linfonodo metastático

  • > 2 cm, perde forma ovalada
  • Endurecido, fixo, indolor
  • Nível II mais comum; único
  • PAAF → esvaziamento cervical

Linfoma

  • > 2 cm, perde forma
  • Emborrachado, móvel, indolor
  • Único ou múltiplos; febre, sudorese noturna, emagrecimento
  • Biópsia excisional
Correções ao resumo: (1) a tabela do ULTIMATE marca que a TC "não avalia relação com estruturas adjacentes" — na prática a TC contrastada é o exame inicial de escolha no adulto e avalia extensão, necrose e invasão (sobretudo óssea); a RM é superior em partes moles. (2) "Associada a … estribo" nos sinais de alarme é erro de OCR para estridor. (3) Linfadenite: a convenção usual é aguda < 2 semanas, subaguda 2–6, crônica > 6 semanas (o resumo diz "aguda até 12 semanas").
04 / Conteúdo · Prova 2 (03/12)

O resto do ULTIMATE, em versão compacta.

Não é prioridade para quinta-feira, mas 20 das 30 questões antigas vieram daqui — e vários conceitos (condutiva × NS, otalgia referida, crupe) atravessam as duas provas. Leia na diagonal agora; aprofunde depois de 17/09.

Zumbido

Prova 2 · 22/10

Nota: zumbido.html

Fisiopatologia e etiologia

  • Periférico: dano coclear; frequência do zumbido ≈ região da perda auditiva.
  • Central: reorganização cortical após a perda periférica; persiste após secção do VIII.
  • Mais comuns: presbiacusia e PAIR. Emoção modula a percepção.
  • Não pulsátil (mais comum): orelha externa/média/interna, hipoglicemia, hipotireoidismo, autoimunes, dislipidemia, ATM.
  • Pulsátil: vascular (paraganglioma, MAV/fístula, aneurisma, HAS, alça vascular) e não vascular (ATM, anemia, tuba patente, mioclonia).

Investigação e tratamento

  • Audiometria tonal e vocal + imitanciometria em todos.
  • Unilateral → afastar lesão retrococlear (RM). Pulsátil → angio-RM/angio-TC. Suspeita óssea → TC.
  • Revisar ototóxicos: salicilatos, quinino, AINE, aminoglicosídeos, diuréticos de alça, platinas.
  • Tratar: orientação + etiologia + agravantes + amplificação/enriquecimento sonoro (papel preventivo na reorganização cortical; é uma das poucas indicações de AASI em perda unilateral).
  • Antidepressivo não é "consagrado para todos".

Otalgia e otites.

Prova 2 · 08/10

Nota: otalgia-e-otites.html

Otite externaAgenteChaveTratamento
CircunscritaS. aureusFurúnculo, dor localizadaCalor, analgesia, drenagem se flutuante
Difusa aguda ("do nadador")Pseudomonas, S. aureusUmidade, cotonete, verão; dor à tração do pavilhão/tragoAnalgesia + limpeza + gotas de quinolona
FúngicaAspergillus, CandidaPrurido, otorreia, após ATB tópicoLimpeza + antifúngico tópico
Maligna (necrotizante)Pseudomonas (~98%)Idoso diabético/imunossuprimido, dor profunda, granulação no conduto, paralisia facial; osteomielite de base de crânioControle glicêmico, ciprofloxacino sistêmico (VO leve, IV grave), TC temporal, biópsia

OMA — essencial

  • Picos: 6–36 meses (tuba curta e horizontal, imaturidade imune) e 4–7 anos (escola).
  • Agentes: pneumococo, H. influenzae não tipável, Moraxella; OMA + conjuntivite → Haemophilus.
  • Diagnóstico: abaulamento da MT (sinal mais específico), otorreia recente não explicada por otite externa; sem efusão não há OM.
  • ATB se: < 6 meses; < 2 anos com diagnóstico certo; otorreia; bilateral < 2 anos; sintomas graves (febre ≥ 39 °C, otalgia intensa, > 48 h). Nos demais, observação vigilante 48–72 h é opção.
  • Complicações: intratemporais (mastoidite, paralisia facial, labirintite) e intracranianas (meningite, abscesso).
  • Recorrente: 3 em 6 meses ou 4 em 12 meses → tubos de ventilação; sem profilaxia antibiótica.

Antibiótico na OMA

  • 1ª linha: amoxicilina (dose alta, 80–90 mg/kg/dia), 10 dias em < 2 anos.
  • Amoxicilina-clavulanato: amoxicilina nos últimos 30 dias, conjuntivite purulenta associada, OMA recorrente sem resposta.
  • Falha em 48–72 h: amox-clav; se não tolera VO, ceftriaxona IM 1–3 dias.
  • Alergia não anafilática: cefuroxima axetil.
  • Efusão persistente > 3 meses = OM com efusão crônica.
O resumo diz "esquema inicial: amoxicilina + clavulanato VO 10 dias". As diretrizes (e a própria prova, Q9 e Q11) usam amoxicilina como 1ª escolha; o clavulanato fica para situações específicas. Na prova, se aparecer "1ª escolha", marque amoxicilina.
Otalgia com otoscopia normal (Q12) = otalgia referida. A orelha é inervada por V (auriculotemporal), VII, IX (Jacobson), X (Arnold) e C2–C3. Pense em ATM, dentes, faringotonsilite, neoplasia de base de língua/hipofaringe/laringe (adulto tabagista), coluna cervical, nevralgia do trigêmeo/glossofaríngeo. Conduta: exame completo de cabeça e pescoço com nasofibrolaringoscopia e palpação cervical.

Rinossinusites e complicações.

Prova 2 · 05/11

Nota: rinite-rinossinusite-complicacoes.html · tema com mais questões na prova antiga (7).

Diagnóstico e exames

  • Clínico: obstrução/congestão OU rinorreia (anterior/posterior) + dor/pressão facial ou hiposmia.
  • Fisiopatologia: patência do óstio + transporte mucociliar + secreção. Alteração mucociliar viral leva 10–30 dias para resolver.
  • Ideal: anamnese + exame + endoscopia nasal. Punção maxilar = padrão-ouro (invasivo).
  • RX não serve. TC só se complicação ou cirurgia. RM se complicação intracraniana/orbitária não esclarecida. US sem papel.
  • Etiologia mais comum = viral; custo alto para o sistema.

Tratamento

  • Viral e pós-viral: sintomáticos (lavagem salina, corticoide tópico).
  • Bacteriana leve (dor leve, febre < 38,3 °C): observação vigilante possível.
  • ATB: amoxicilina; amox-clav se risco de resistência (< 2 ou > 65 anos, creche, betalactâmico nos últimos 3 meses, falha, frontal/esfenoidal).
  • Falha: avaliar no 7º dia → reavaliar diagnóstico/complicação, escalar (amox-clav ou levofloxacino), considerar cultura.
Complicação orbitária (Q18): edema palpebral + quemose + proptose + dor ocular / alteração de motilidade ou visão → internar, ORL + oftalmologia, TC com contraste de órbitas e seios (RM se suspeita intracraniana), ATB IV de largo espectro com boa penetração no SNC, cultura antes do ATB quando possível. Corticoide pode ser usado — "nunca" é falso. Criança: etmoidite é a origem mais comum.

Faringotonsilites

Prova 2 · 05/11

Nota: faringotonsilites.html

Viral × estreptocócica

  • Viral (maioria; 75% em < 3 anos): início gradual, coriza, tosse, rouquidão, conjuntivite, aftas, diarreia.
  • EBHGA (20–30%, pico 3–15 anos): início súbito, febre ≥ 38 °C, exsudato, petéquias no palato, adenopatia cervical anterior dolorosa, sem sintomas de VAS.
  • Centor/McIsaac: febre, ausência de tosse, adenopatia anterior, exsudato, idade 3–14 (+1), ≥ 45 (−1). ≥ 4 pontos ≈ 51–53% de EBHGA.
  • Mononucleose: linfonodos generalizados, esplenomegalia, linfócitos atípicos, anti-VCA; amoxicilina → rash.

Conduta

  • Teste rápido positivo → trata. Negativo em criança com suspeita forte → cultura; em adulto, negativo basta.
  • Penicilina benzatina ou amoxicilina 10 dias; alérgico → macrolídeo.
  • ATB até 9 dias do início ainda previne febre reumática.
  • Complicações: não supurativas (FR, GNPE) e supurativas (abscesso periamigdaliano, retrofaríngeo).
  • Paradise: ≥ 7 episódios em 1 ano, ≥ 5/ano em 2 anos, ≥ 3/ano em 3 anos. Indicações absolutas de amigdalectomia: SAOS e suspeita de malignidade.
Lacunas do ULTIMATE para a Prova 2: ronco/SAOS no adulto, obstrução nasal, glândulas salivares, urgências em ORL (epistaxe, corpo estranho, trauma), tontura/vertigem e paralisia facial não estão no resumo. Vai precisar de outra fonte depois de 17/09.
05 / Intercalação

Os pares que derrubam alternativas.

Intercalar (comparar entidades parecidas lado a lado) é o que ajuda a escolher entre duas alternativas plausíveis. Toque em cada card, diga em voz alta a diferença-chave antes de expandir.

Perda condutiva P1

Orelha externa/média. Gap aéreo-ósseo.

Rinne: negativo no lado afetado
Weber: lateraliza para o lado afetado
Audiometria: VO normal, VA rebaixada
Exemplos: cerúmen, OMA/OME, perfuração, otosclerose
Tratamento: clínico/cirúrgico possível

Perda neurossensorial P1

Cóclea ou nervo. Vias sobrepostas.

Rinne: positivo (as duas vias caem juntas)
Weber: lateraliza para o lado bom
Audiometria: VA = VO rebaixadas, sem gap
Exemplos: presbiacusia, PAIR, ototóxicos, Ménière, surdez súbita, schwannoma
Tratamento: AASI, implante coclear

Crupe viral P1

Subglote, parainfluenza, 6 m–3 anos.

Início: pródromo de coriza, piora noturna
Sinais: tosse ladrante, rouquidão, estridor inspiratório; aparência não toxêmica
RX: sinal da torre (dispensável)
Conduta: dexametasona; adrenalina nebulizada se estridor em repouso

Epiglotite P1

Supraglote, bacteriana, toxêmica.

Início: horas, febre alta
Sinais: sialorreia, disfagia, voz abafada, tripé, sem tosse ladrante
RX: sinal do polegar — mas não atrase
Conduta: não examinar orofaringe nem deitar; via aérea em bloco; ceftriaxona

Otite externa aguda P2

Conduto auditivo. "Verão, piscina, cotonete".

Dor: piora ao tracionar pavilhão/trago
Febre: ausente
Audição: normal ou leve queda por edema
Idade: todas
Agente/tto: Pseudomonas/S. aureus → limpeza + gotas

Otite média aguda P2

Orelha média. "Inverno, IVAS, criança".

Dor: sem piora ao tracionar trago
Febre: frequente
Audição: hipoacusia condutiva
Otoscopia: MT abaulada, hiperemiada, imóvel
Agente/tto: pneumococo/Hib/Moraxella → amoxicilina

RSA viral / pós-viral P2

A imensa maioria.

Viral: < 10 dias
Pós-viral: piora após o 5º dia ou persistência > 10 dias (< 12 semanas)
Secreção amarelada: não define bactéria
Tto: sintomáticos, lavagem, corticoide tópico

RSA bacteriana P2

≥ 3 critérios.

Critérios: secreção purulenta predominantemente unilateral; dor local intensa unilateral; febre > 38 °C; VHS/PCR elevados; piora após melhora inicial (dupla piora)
Exame: endoscopia com pus no meato médio
Tto: amoxicilina ou amox-clav empíricos (sem punção nem RX)

Cisto tireoglosso P1

Linha média, criança/adolescente.

Movimento: sobe com deglutição e protrusão da língua
Origem: trajeto de descida da tireoide (forame cego → hioide)
Exame: US confirma tireoide tópica
Tto: Sistrunk (com corpo do hioide)

Cisto branquial P1

Lateral, adulto jovem.

Local: borda anterior do ECM, nível II (2º arco)
Movimento: não se move com a língua
Evolução: aumenta/infecta com IVAS
Alerta: > 40 anos, pensar em metástase cística
Tto: exérese

Nódulos vocais P1

Bilaterais, fonotrauma crônico.

Quem: criança que grita, professora, cantora
Local: junção 1/3 anterior–médio, simétricos
Tto: fonoterapia

Pólipo / cisto / câncer P1

Unilaterais — mudam a conduta.

Pólipo: fonotrauma agudo, tabagismo → microcirurgia
Cisto: subepitelial → microcirurgia
CEC: tabagista, lesão unilateral irregular/leucoplásica → biópsia

Laringomalácia P1

Estridor inspiratório, supraglote.

Início: primeiras semanas
Piora: mamada, choro, supino
Exame: nasofibro acordado
Evolução: resolve até 18–24 meses

Estenose subglótica / hemangioma P1

Estridor bifásico, lesão fixa.

Estenose: pós-intubação; balão/reconstrução
Hemangioma: piora nos primeiros meses, lesão cutânea em barba; propranolol
Exame: endoscopia sob anestesia

Metástase de CEC P1

Adulto, tabagista.

Consistência: pétrea, fixa
Diagnóstico: VADS → PAAF
Evitar: biópsia aberta

Linfoma P1

Jovem, sintomas B.

Consistência: emborrachada, móvel, múltiplos
Diagnóstico: PAAF sugere → excisional
Nunca: incisional

Presbiacusia P1

Rampa descendente.

Idade: > 55 anos
Curva: agudos caem progressivamente, sem recuperação em 8 kHz
Queixa: ouve mas não entende

PAIR P1

Entalhe.

Exposição: > 85–90 dB, 8 h/dia
Curva: entalhe 3–6 kHz (4k) com recuperação em 8 kHz
Natureza: irreversível, prevenível

EOA P1

Triagem coclear.

Avalia: células ciliadas externas
Limitação: não detecta neuropatia auditiva; alterada por efusão/vérnix
Uso: RN sem IRDA

BERA / PEATE P1

Via auditiva até o tronco.

Avalia: coclear × retrococlear
Detecta: neuropatia auditiva
Uso: RN com IRDA; suspeita retrococlear
06 / Números que caem

Tudo que é cobrado literalmente.

Cubra o valor com o dedo, diga em voz alta, confira. Os de borda vermelha são os que a prova antiga já cobrou.

Audição P1

PAIR exposição
85–90 dB
8 h/dia
PAIR entalhe
3–4–6 kHz
principalmente 4 kHz
Presbiacusia
> 55 a
agudos 4–8 kHz
Ménière
125–500 Hz
graves; crise de horas
Limiar normal
≤ 25 dB
todas as frequências
Graus
25·40·60·90
leve · moderada · severa · profunda
Surdez súbita
≥ 30 dB
3 frequências · ≤ 72 h
Diapasão
512 Hz
Rinne e Weber
EOA ausentes
≳ 25–30 dB
perda coclear

Surdez infantil e via aérea P1

Meta triagem
1-3-6
meses
UTI neonatal
> 5 dias
IRDA → PEATE-A
Causa genética
50–60%
~70% não sindrômica
Implante coclear
~12 m
severa-profunda
Estridor
≥ 70%
de obstrução da luz
Laringomalácia resolve
18–24 m
observação
Adenoide pico
2–4 a
involui
Tonsila palatina pico
2–6 a
não involui
Pierre Robin
85%
com fenda palatina
Crupe
6 m–3 a
parainfluenza

Disfonias e massas cervicais P1

Rouquidão tabagista
> 2–3 sem
laringoscopia
Ca laringe
> 90%
CEC · glótico ~60%
Papilomatose
HPV 6/11
vacina previne
< 20 anos
75%
inflamatória
20–50 anos
45/45%
inflamatória/benigno
> 50 anos
75%
maligna
Linfonodo suspeito
> 2 cm
metástase/linfoma
Primário oro/hipofaringe
70%
das metástases cervicais
Tireoide
Papilífero
~80–85%

Otites, zumbido, nariz e garganta P2

OMA picos
6–36 m · 4–7 a
tuba · escola
OMA com ATB
< 2 a
diagnóstico certo
OMA recorrente
3/6 m · 4/12 m
tubos de ventilação
Efusão crônica
> 3 m
OME
Falha OMA
48–72 h
escalar
OE maligna
98%
Pseudomonas
Zumbido prevalência
~10–15%
dobra em idosos
Otosclerose
Maioria
tem zumbido (não "metade")
RSA viral
< 10 d
pós-viral: piora > 5 d ou > 10 d
RSAB
≥ 3
critérios
Watchful waiting RSAB
< 38,3 °C
dor leve
Falha RSAB
7º dia
reavaliar/escalar
Mucociliar pós-viral
10–30 d
para normalizar
Resistência RS
3 m
betalactâmico recente
EBHGA
20–30%
das faringites; 3–15 a
Centor ≥ 4
51–53%
probabilidade EBHGA
ATB faringite
10 dias
até 9 d previne FR
Paradise
7 · 5 · 3
1 · 2 · 3 anos
07 / Simulado misto

15 questões intercaladas.

Inéditas, no estilo da banca, com temas misturados de propósito (12 da Prova 1, 3 da Prova 2). Faça em ~25 minutos, sem consultar. Antes de ver o feedback, justifique para você mesmo por que cada alternativa errada está errada.

Hipoacusia
1) Homem de 38 anos refere "ouvido esquerdo tapado" há 10 dias, após resfriado. Diapasão: Rinne negativo à esquerda e positivo à direita; Weber lateraliza para a esquerda. Qual a interpretação?
VA pediátrica
2) Lactente de 7 semanas, a termo, com ruído respiratório agudo, inspiratório, desde a 2ª semana de vida. Piora ao mamar, ao chorar e em decúbito dorsal; melhora dormindo de lado. Ganho de peso adequado, sem cianose ou pausas. Qual a hipótese e a conduta mais adequada?
Massas cervicais
3) Homem de 23 anos, não tabagista, nota massa cervical à direita, anterior à borda do esternocleidomastóideo, na altura do ângulo da mandíbula. É indolor, amolecida, flutuante, e aumentou após um resfriado há 3 semanas. Não se move com a protrusão da língua. Qual a principal hipótese e conduta?
OMA
4) Menino de 14 meses, febre de 39 °C e irritabilidade há 1 dia. Otoscopia: membranas timpânicas abauladas e hiperemiadas bilateralmente. Não usou antibiótico no último mês e não tem alergias. Conduta:
Disfonias
5) Homem de 63 anos, tabagista (50 maços-ano) e etilista, com rouquidão progressiva há 5 semanas. Nega dispneia, disfagia ou massa cervical. Recebeu omeprazol por 3 semanas sem melhora. Qual a conduta?
Surdez na infância
6) Sobre a triagem auditiva neonatal, analise:
I – Deve ser realizada idealmente antes da alta da maternidade e, no máximo, até o 1º mês de vida.
II – RN que permaneceu mais de 5 dias em UTI neonatal deve ser triado com potencial evocado auditivo de tronco encefálico, pois as emissões otoacústicas não detectam a neuropatia auditiva.
III – A criança que passou na triagem neonatal não precisa de nova avaliação auditiva, mesmo que apresente atraso de linguagem.
Massas cervicais
7) Sobre a investigação de massas cervicais, assinale a alternativa INCORRETA:
VA pediátrica
8) Menina de 2 anos e meio com coriza e febre baixa há 2 dias acorda à noite com tosse "de cachorro", rouquidão e ruído inspiratório audível em repouso, com leve tiragem supraesternal. Está alerta, sem sialorreia, SatO₂ 95%. Qual a conduta mais adequada?
Hipoacusia
9) Metalúrgico de 45 anos, 20 anos de trabalho sem protetor auricular, refere zumbido bilateral. Audiometria: vias aérea e óssea sobrepostas, simétricas; limiares normais até 2 kHz, queda para 45 dB em 4 kHz e recuperação para 20 dB em 8 kHz. O diagnóstico é:
Faringotonsilites
10) Menino de 9 anos com início súbito de dor de garganta intensa e febre de 38,8 °C. Sem tosse ou coriza. Exame: tonsilas com exsudato, petéquias no palato e linfonodos cervicais anteriores dolorosos. Conduta mais adequada:
Disfonias
11) Sobre as lesões de pregas vocais, considere:
I – Nódulos vocais são bilaterais, localizados na junção do terço anterior com o médio, relacionados ao abuso vocal crônico, e a fonoterapia é o tratamento inicial.
II – O pólipo de prega vocal costuma ser unilateral e pode surgir após fonotrauma agudo.
III – A paralisia unilateral de prega vocal é mais frequente à esquerda, pelo trajeto mais longo do nervo laríngeo recorrente em torno do arco aórtico.
IV – A papilomatose respiratória recorrente é causada principalmente pelos HPV 16 e 18.
Surdez na infância
12) Sobre as causas de surdez na infância, assinale a INCORRETA:
Massas cervicais
13) Menina de 5 anos com linfonodo cervical anterior de 1,5 cm, móvel, doloroso, surgido há 10 dias após faringite. Afebril, bom estado geral, sem outros linfonodos ou hepatoesplenomegalia. Conduta:
Hipoacusia
14) Mulher de 46 anos acorda com perda auditiva à direita e zumbido, sem otalgia, otorreia ou vertigem. Otoscopia normal bilateralmente. Weber lateraliza para a esquerda; Rinne positivo bilateral. Conduta mais adequada:
Zumbido
15) Homem de 52 anos com zumbido contínuo, não pulsátil, apenas à esquerda, há 6 meses. Audiometria: perda neurossensorial assimétrica, pior à esquerda, com discriminação vocal de 48% à esquerda e 96% à direita. Próximo passo:
08 / Revisão relâmpago

25 perguntas para a véspera.

Responda em voz alta em até 10 segundos cada; só depois toque. Marque mentalmente as que errou e repita só essas antes de dormir e na manhã da prova.

01
Rinne negativo à direita e Weber para a direita: qual perda?

Condutiva à direita.

02
Rinne positivo bilateral e Weber para a esquerda?

Neurossensorial à direita (Weber foge do lado com perda NS).

03
Qual frequência entalha primeiro na PAIR e qual o limiar de exposição?

4 kHz (faixa 3–6 kHz), recuperação em 8 kHz; exposição > 85–90 dB por 8 h/dia. Irreversível.

04
Formato da curva na presbiacusia e na Ménière?

Presbiacusia: rampa descendente (agudos), bilateral simétrica. Ménière: ascendente (graves), unilateral e flutuante.

05
Otosclerose: tipo de perda, timpanometria e cirurgia?

Condutiva (fixação do estribo), curva As, reflexo estapediano ausente; estapedotomia/estapedectomia ou AASI.

06
Timpanometria tipo B significa…?

Curva plana: efusão na orelha média (OME) ou perfuração/tubo (então com volume aumentado).

07
Definição e conduta na surdez súbita?

≥ 30 dB em 3 frequências contíguas em ≤ 72 h; audiometria, corticoide precoce, RM com gadolínio.

08
Meta 1-3-6 da triagem auditiva neonatal?

Triagem até 1 mês, diagnóstico até 3 meses, intervenção até 6 meses.

09
RN de UTI neonatal por 10 dias: EOA ou PEATE-A? Por quê?

PEATE-A — as EOA não detectam neuropatia auditiva, mais frequente nesse grupo de risco.

10
Principal causa não genética de surdez congênita? E o gene mais comum?

CMV congênito; GJB2 (conexina 26), não sindrômica autossômica recessiva.

11
Estridor bifásico sugere lesão onde?

Glote/subglote fixa: estenose subglótica, hemangioma, papilomatose. Inspiratório = supraglote/glote dinâmica; expiratório = traqueia intratorácica.

12
Causa mais comum de estridor congênito e quando resolve?

Laringomalácia; resolve até 18–24 meses. Diagnóstico por nasofibro acordado.

13
RN com cianose que melhora ao chorar?

Atresia de coanas bilateral (respirador nasal obrigatório) — urgência; cânula oral de McGovern. Associação CHARGE.

14
Três achados que diferenciam epiglotite de crupe e o que NÃO fazer?

Toxemia com início em horas, sialorreia/disfagia com voz abafada, posição de tripé sem tosse ladrante. Não examinar a orofaringe, não deitar, não mandar ao RX: via aérea em bloco.

15
Hemangioma subglótico: pista cutânea e tratamento?

Hemangioma em "barba"/perioral; propranolol.

16
Pico de crescimento da adenoide e da tonsila palatina?

Adenoide 2–4 anos (involui); tonsila palatina 2–6 anos (não involui, fica proporcionalmente menor).

17
Nódulo × pólipo: lateralidade e tratamento?

Nódulos: bilaterais, fonotrauma crônico, fonoterapia. Pólipo: unilateral, fonotrauma agudo, microcirurgia.

18
Único músculo abdutor da laringe e sua inervação?

Cricoaritenóideo posterior ("músculo da vida"), laríngeo recorrente. Cricotireóideo é o único intrínseco inervado pelo laríngeo superior.

19
Paralisia bilateral de pregas vocais pós-tireoidectomia: como está a voz e qual o risco?

Voz quase normal (pregas em adução), mas estridor e dispneia — risco de obstrução; traqueostomia.

20
Rouquidão em tabagista: quanto tempo até laringoscopia?

> 2–3 semanas → laringoscopia antes de qualquer tratamento empírico.

21
Massas cervicais por idade: < 20, 20–50, > 50 anos?

< 20: 75% inflamatórias; 20–50: 45% inflamatórias / 45% tumores benignos; > 50: 75% malignas.

22
Linfonodo nível II metastático: primário mais provável?

Orofaringe (tonsila, base de língua); também cavidade oral, supraglote, rinofaringe. Não é esôfago.

23
Metástase de CEC × linfoma: qual biópsia em cada?

Metástase: exame da VADS + PAAF (evitar biópsia aberta). Linfoma: biópsia excisional (nunca incisional).

24
Cisto tireoglosso: sinal ao exame e nome da cirurgia?

Linha média, sobe com a deglutição e a protrusão da língua; cirurgia de Sistrunk (com corpo do hioide), após US confirmar tireoide tópica.

25
Otalgia com otoscopia normal: raciocínio?

Otalgia referida (V, VII, IX, X, C2–C3): ATM, dentes, faringe, laringe/hipofaringe (neoplasia em tabagista), coluna cervical → exame completo com nasofibrolaringoscopia.

09 / Plano de 3 dias

Até quinta, 17/09.

Cada dia combina recordação ativa (escrever de memória antes de ler), questões (errar cedo é bom) e revisão espaçada do dia anterior. Folha em branco antes de abrir a nota: escreva tudo que lembra do tema em 5 minutos.

Dia 1 · seg 14/09

Audição: adulto e criança

25 minFolha em branco: Rinne/Weber, tipos de perda, graus. Depois confira no bloco Hipoacusia e treine o laboratório de diapasão.
60 minEstudo: hipoacusias-e-surdez.html — presbiacusia, PAIR, Ménière, otosclerose, surdez súbita; depois surdez na infância (triagem, IRDA, causas).
30 minQuestões: Q24–28 da prova antiga (modo treino no gabarito) + simulado 1, 6, 9, 12, 14.
15 minErros: para cada erro, escreva por que a alternativa certa é certa e por que a sua estava errada.
NoiteEspaçada: relâmpago 01–10 (5 min).
Dia 2 · ter 15/09

Via aérea pediátrica + disfonias

10 minRevisão do dia 1: relâmpago 01–10 sem olhar; refaça as que errou.
60 minEstudo: obstrucao-vias-aereas-criancas.html — ronco × estridor, laringomalácia, estenose, hemangioma, atresia de coanas, crupe × epiglotite.
45 minDisfonias (sem nota própria): bloco Disfonias desta página — anatomia/inervação, nódulo × pólipo × cisto, paralisia, câncer, refluxo, papilomatose. Faça uma tabela de memória depois.
30 minQuestões: simulado 2, 5, 8, 11 + intercalação (crupe × epiglotite, nódulos × pólipo, laringomalácia × estenose).
NoiteEspaçada: relâmpago 11–20.
Dia 3 · qua 16/09

Massas cervicais + simulado integrado

10 minRevisão dias 1–2: relâmpago 01–20 salteado.
60 minEstudo: massas-cervicais.html — idade, níveis, congênitas, metástase × linfoma, PAAF × biópsia.
20 minQuestões antigas: Q19–23 no modo treino.
30 minSimulado completo (15 questões, cronometrado) + revisão de todos os feedbacks.
20 minNúmeros que caem (cobrir e dizer) + intercalação inteira.
NoiteRelâmpago 01–25 só nos que errou. Dormir cedo — sono consolida memória.
Manhã de 17/09 (20 min): "Números que caem" da Prova 1 + relâmpago dos itens marcados. Nada de conteúdo novo.
Depois da Prova 1 → Prova 2 (03/12): otalgia-e-otites.html · rinite-rinossinusite-complicacoes.html · zumbido.html · faringotonsilites.html. Refaça as Q1–18 e Q29 da prova antiga (20 questões) e busque outra fonte para ronco/SAOS, obstrução nasal, glândulas salivares, urgências, tontura e paralisia facial.
10 / Take-home

Seis frases para a prova.

1

Condutiva chama, NS foge

Weber vai para o ouvido com perda condutiva e foge do ouvido com perda neurossensorial. Rinne negativo = condução comprometida naquele ouvido.

2

Triagem não é salvo-conduto

EOA para RN sem risco, PEATE-A para RN com IRDA. Meta 1-3-6. Atraso de fala sempre merece audiometria.

3

Ruído respiratório em criança = obstrução

Inspiratório = supraglote (laringomalácia); bifásico = subglote fixa. Epiglotite: não examinar, não deitar, via aérea em bloco.

4

Rouco e tabagista? Veja a laringe

> 2–3 semanas → laringoscopia antes de IBP ou antibiótico. Nódulos são bilaterais e vão para fono; lesão unilateral vai para biópsia/cirurgia.

5

Massa em adulto é câncer até prova em contrário

Exame da VADS → PAAF + TC. Nunca biópsia aberta de metástase; sempre excisional no linfoma.

6

Desconfie do absoluto

"Nunca", "sempre", "consagrado", "independentemente". Julgue cada assertiva isolada e circule a negação em INCORRETA/EXCETO.