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▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
Cai na Prova 1 · 17/09

Zumbido,
o som fantasma.

Percepção de som sem estímulo externo correspondente. É um sintoma, não uma doença — quase sempre ligado a dano na via auditiva. Aula da prof. Letícia Rosito (13/08). Seis questões da prova antiga saíram só deste tema.

População geral
17%
Idosos
33%
Incapacitante
5%
Persiste pós-secção VIII
60%
percepção sem estímulo · via auditiva
01 / Conceitos

O que é zumbido.

Zumbido (acúfeno, tinnitus) é a sensação de som sem estímulo sonoro externo que o corresponda. É uma percepção auditiva fantasma — análoga à dor do membro fantasma no amputado: o sistema nervoso central, privado de aferência, "preenche" a falta de estímulo. Por isso o zumbido é, muitas vezes, gerado pela privação auditiva e funciona como marcador de alteração na via auditiva.

Mínimo de anatomia que você precisa

Som → orelha externa → membrana timpânica e ossículos (orelha média, condução) → cóclea: células ciliadas externas (amplificam) e internas (transduzem) → nervo coclear (VIII par) → núcleos cocleares no tronco → colículo inferior → corpo geniculado medial (tálamo) → córtex auditivo. Em paralelo, conexões com sistema límbico (amígdala: emoção) e sistema nervoso autônomo (reação de alerta). É por essa "ponte" que um som neutro vira sofrimento.

O que o livro diz (Semiologia otológica)Rotinas · cap. 1
  • Onde o zumbido "mora" na semiologia: é sintoma cardinal da orelha interna anterior (cóclea), junto com hipoacusia sensório-neural, diplacusia, algiacusia e pressão. Vertigem, tontura e desequilíbrio são da orelha interna posterior (canais semicirculares).
  • Passageiro é comum: após exposição temporária a som intenso (show, danceteria, trabalho). Mesmo transitório, representa algum tipo de dano à orelha interna, mas raramente leva o paciente ao médico.
  • Constante: gera busca persistente por causa e tratamento, com importante desconforto e interferência na qualidade de vida.
  • Subjetivo = só detectado pelo paciente. Objetivo = raro, detectado também pelo médico.
  • O que caracterizar na anamnese: tipo de som (chiado, apito, motor, cigarras), caráter (intermitente ou constante), uni ou bilateralidade, momento do dia em que ocorre, sintomas associados (otológicos ou não) e doenças sistêmicas.
  • Por ser subjetivo e invisível aos outros, o zumbido gera grande ansiedade. Na crise vertiginosa, "aumento do zumbido (quando presente)" entra entre os sinais neurovegetativos.

Duas classificações que a prova cobra

Subjetivo

Só o paciente ouve. É a imensa maioria dos casos.

Mecanismo: atividade neural anormal na via auditiva, sem fonte sonora física.
Causas típicas: presbiacusia, PAIR, Ménière, otosclerose, ototoxicidade, surdez súbita, schwannoma vestibular.
Som: chiado, apito, "cigarra", contínuo, geralmente não pulsátil.
Exame: o examinador não ouve nada.

Objetivo

Raro. Existe um som real, gerado pelo próprio corpo.

Mecanismo: fonte física (fluxo sanguíneo turbulento, contração muscular, movimento de ar na tuba).
Causas típicas: paraganglioma (glomus), fístula/malformação AV, mioclonia palatina ou do tensor do tímpano/estapédio, tuba patente.
Exame: pode ser ouvido pelo examinador (estetoscópio no pescoço, região periauricular, mastoide ou tubo no conduto).
Implicação: quase sempre exige investigação dirigida (imagem).
Pegadinha — Q6 da prova antiga

"O zumbido subjetivo é muito raro e é definido como a percepção de sons provenientes do próprio corpo" — FALSO. A frase descreve o objetivo. O subjetivo é o comum.

Pulsátil (sincrônico ao pulso/rítmico)

  • Vascular: paraganglioma (glomus jugular/timpânico), fístula e malformação AV (inclui fístula dural), aneurisma de ACI, doença aterosclerótica carotídea, alça vascular, hipertensão intracraniana idiopática, deiscência/bulbo jugular alto, HAS
  • Estados hiperdinâmicos: anemia, hipertireoidismo (também gestação, febre)
  • Não vascular (rítmico): mioclonia palatina ou do tensor do tímpano/estapédio (cliques), tuba patente (ouve a respiração, autofonia), alterações de orelha média, disfunção de ATM

Não pulsátil (a grande maioria)

  • Orelha externa: cerume impactado
  • Orelha média: otite média, alteração da cadeia ossicular, otosclerose
  • Orelha interna: presbiacusia, PAIR, trauma acústico, Ménière, surdez súbita idiopática
  • Medicamentos: ototoxicidade
  • Metabólicas/sistêmicas: distúrbio do metabolismo da glicose, tireoidopatia, dislipidemia, doenças autoimunes
  • ATM
  • SNC: AVC, tumores do ângulo pontocerebelar (schwannoma vestibular), esclerose múltipla
  • Normalmente bilateral
?
Por que "pulsátil" muda completamente o raciocínio diagnóstico?
Pense em:

O que produz um som no ritmo do coração?

Resposta:

Som sincrônico ao pulso sugere fluxo sanguíneo turbulento perto do osso temporal — tumor vascular (glomus), fístula AV, estenose/aneurisma, bulbo jugular alto/deiscente, HII, ou estado hiperdinâmico (anemia, hipertireoidismo). A investigação é vascular (angio-RM / angio-TC, TC de ossos temporais) e laboratorial (hemograma, TSH), e não apenas audiológica. O zumbido não pulsátil, ao contrário, aponta para lesão coclear/neural com perda auditiva.

?
Paciente com zumbido pulsátil e otoscopia com massa avermelhada retrotimpânica. Qual a hipótese?
Pense em:

Tumor hipervascular de orelha média/forame jugular.

Resposta:

Paraganglioma (tumor glômico) timpânico ou jugular. Massa vermelho-azulada atrás da membrana, pode empalidecer com pneumatoscopia (sinal de Brown). Pedir TC de ossos temporais + RM/angio-RM. Não biopsiar pelo conduto (sangramento).

Frase do livro: tumores glômicos (jugular ou timpânico) são diagnosticados pela otoscopia (tímpanos azulados, pulsáteis, hipoacusia) e por TC e RM; o tratamento pode ser cirúrgico ou radioterápico. Rotinas · cap. 1

02 / Números que caem

Decore estes.

A Q1 da prova antiga foi inteira construída trocando números (10% × 5%; 25% × 17%; "ablação na maioria" × persiste em 60%). Cada card abaixo é um distrator em potencial.

Câmara anecoica
94%
referem zumbido no silêncio absoluto
Crônico · pop. geral
17%
não 25%
Crônico · idosos
33%
~o dobro (mais perda auditiva)
Procuram médico
25%
dos portadores
Clínica incapacitante
5%
dos portadores · não 10%
Sem incômodo
80%
percebem só no silêncio
Secção do VIII par
60%
mantêm o zumbido
EOA alterada · audiometria normal
64%
casos vs 37% controles · p=0,036
PAIR · ruído
85–90
dB, 8 h/dia
PAIR · entalhe
3–4–6
kHz, recupera em 8 kHz
Presbiacusia
≥55
anos (resumo)
Enriquecimento sonoro
12–18
meses de tratamento
Resposta ao enriquecimento
~3
meses para aparecer
Otosclerose · zumbido pré-op
74%
"maioria" · não "metade"

Causas em 500 pacientes com zumbido crônico (HCPA)

Presbiacusia
27%
PAIR
21%
Ménière
8%
Metabólica
7%
Central
5%
Otosclerose
4%
Ototoxicidade
4%
OMC
3%

Somando, cerca de ~80% têm etiologia identificada e as causas otológicas com perda auditiva dominam (presbiacusia + PAIR ≈ metade). Por isso "na maior parte dos casos identifica-se a causa" é considerado correto na prova.

Correção do OCR

No resumo a tabela aparece como "Prestabacisu", "Metuss" e "Otocóclase" — leia presbiacusia, Ménière e otosclerose. A tabela de emissões otoacústicas veio com números que não fecham 100%; a leitura coerente é EOA alterada em ~64% dos pacientes com zumbido e audiometria normal vs ~37% dos controles (p=0,036).

03 / Fisiopatologia

Da cóclea ao límbico.

Modelo psicoacústico (até os anos 90)

  • Cóclea gera → vias auditivas transmitem passivamente → córtex percebe
  • Origem periférica: associação com doenças com perda auditiva e dano coclear
  • Origem central: zumbido persiste em ~60% após secção do VIII par; RMf e PET mostram alteração central — provavelmente induzida pelo dano periférico

Modelo neurofisiológico (Jastreboff)

  • Interação dinâmica de centros do SNC — vias auditivas e não auditivas
  • Baseado em neuroplasticidade
  • Geração (cóclea) → detecção (subcortical) → percepção (cortical) → associação emocional (sistema límbico) + reação autonômica
  • Sem ligação emocional, o paciente ignora o sinal (80% não se incomodam)
Estrutura da cóclea: rampas do vestíbulo e do tímpano, ducto coclear, órgão de Corti, membrana basilar, gânglio espiral e nervo coclear
Onde começa o zumbido. O órgão espiral (de Corti), apoiado na membrana basilar do ducto coclear (endolinfa), contém as células ciliadas lesadas por ruído, ototóxicos, envelhecimento e hidropisia. A espira basal codifica os agudos, por isso ruído e ototóxicos começam pelas altas frequências. O nervo coclear leva o sinal ao tronco; é a partir dessa desaferentação que o centro "aumenta o ganho". Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 1.3.

A cascata em 6 passos

1
Lesão das células ciliadas

Ruído, envelhecimento, ototóxicos, hidropsia: morrem células ciliadas (sobretudo externas, na base da cóclea = agudos). Pode ser subclínica — audiometria normal com EOA alteradas.

2
Desaferentação

Menos sinal chega pelo nervo coclear na faixa de frequência lesada — a via central fica "sem entrada".

3
Hiperatividade e reorganização central

Perda de inibição, aumento do ganho e da atividade espontânea sincronizada nos núcleos cocleares, colículo e córtex; reorganização tonotópica do córtex auditivo. O zumbido costuma ter a frequência próxima à região de maior perda.

4
Independência da periferia

Uma vez instalado o gerador central, cortar o VIII par não resolve: o zumbido persiste em ~60%.

5
Sistema límbico e autônomo

Se o sinal ganha significado negativo (medo, ameaça), o límbico reforça a atenção e o autônomo gera alerta, insônia, ansiedade — ciclo vicioso.

6
Influência emocional

Estado emocional modula a percepção: estresse, ansiedade e depressão pioram; habituação (quebrar o vínculo emocional) é o alvo do tratamento.

?
Se o zumbido "nasce" na cóclea, por que ele continua depois de cortar o nervo auditivo?
Pense em:

Membro fantasma: o que acontece com o córtex sensitivo após a amputação?

Resposta:

O dano periférico desencadeia plasticidade central (hiperatividade e reorganização). O gerador passa a ser central. Cortar o VIII par aumenta ainda mais a desaferentação — por isso 60% mantêm o zumbido. Frase de prova: "a grande maioria dos pacientes com VIII par seccionado teve ablação do zumbido" é FALSA.

?
Dois pacientes com a mesma PAIR: um mal percebe o zumbido, o outro não dorme. O que explica?
Pense em:

Onde o sinal ganha "valor" no modelo neurofisiológico?

Resposta:

A geração periférica é igual; muda a associação emocional (límbico) e a reação autonômica. Quem não faz ligação emocional habitua. Quem associa ameaça entra em ciclo vicioso. É por isso que orientação/aconselhamento é pilar do tratamento.

Sobre a Q1 da prova antiga

A alternativa aceita fala em "reorganização somatossensorial do córtex". O conceito mais preciso é reorganização do córtex auditivo (tonotópica), mas existe também modulação somatossensorial real (zumbido somático: muda ao mexer mandíbula/pescoço, via núcleo coclear dorsal). Na prova, ela é a única sem número errado — marque-a por exclusão.

04 / Etiologia

Tabela das causas.

Regra de ouro: causas otológicas são as mais frequentes, e a frequência do zumbido fica perto da região de maior perda auditiva na audiometria. Zumbido pode ser o primeiro sinal de uma perda ainda não percebida (PAIR em 4 kHz, presbiacusia inicial).

CausaTipoPista clínicaAudiometria / exameConduta-chave
PresbiacusiaNão pulsátil, bilateralIdoso, "ouve mas não entende", progressão lentaNeurossensorial bilateral simétrica, descendente em agudosAASI + orientação
PAIR Rotinas · 2.12Não pulsátil, frequentemente bilateralExposição crônica >85 dB por ≥8 h/dia (NR-15); zumbido em pelo menos metade; pode vir antes da hipoacusiaNeurossensorial bilateral simétrica; "gota acústica" em 3, 4 ou 6 kHz com recuperação em 8 kHzSem tratamento clínico/cirúrgico: prevenção (PCA, EPI) e AASI
Doença de Ménière Rotinas · 2.16Não pulsátil, geralmente unilateral no inícioCrises espontâneas de vertigem ≥20 min + hipoacusia flutuante + zumbido + plenitude auralNeurossensorial flutuante (classicamente pior em graves no início)Restrição de sal ± diurético, betaistina (manutenção preferida); crise: cinarizina, prometazina, diazepam
OtoscleroseNão pulsátilAdulto jovem, mulher, história familiar; maioria tem zumbidoCondutiva (gap aéreo-ósseo), reflexo estapédico ausente, entalhe de CarhartEstapedectomia/estapedotomia ou AASI — melhora o zumbido
Ototoxicidade Rotinas · 2.13Não pulsátil, uni ou bilateralAminoglicosídeos, cisplatina, diuréticos de alça, salicilatos/AINEs, quinino, betabloqueadores, gotas otológicas em perfuraçãoNeurossensorial começando nos agudos; critério: queda de 25 dB em ≥1 frequência (250–8.000 Hz)Prevenir e monitorar; ajustar dose ou trocar a droga; sequela: AASI/implante
Surdez súbitaNão pulsátil, unilateralPerda em ≤72 hNeurossensorial ≥30 dB em 3 frequênciasUrgência: corticoide; RM
Schwannoma vestibular Rotinas · 2.14Não pulsátil, unilateral, agudo e contínuoPerda unilateral progressiva (95%), zumbido (até 70%), desequilíbrio (até 50%)Neurossensorial assimétrica, discriminação pobre desproporcional; reflexo estapédico pode faltar; PEATE com atraso da onda VRM com contraste (gadolínio); observar, operar ou radiocirurgia
Otite média / cerume / OMCNão pulsátilOtoscopia alteradaCondutivaTratar a causa
MetabólicasNão pulsátilDM/hiperinsulinemia, tireoide, dislipidemia, B12, autoimuneVariávelLaboratório; corrigir fator agravante
Paraganglioma (glomus)Pulsátil, objetivoMassa vermelha retrotimpânicaPode ter perda condutivaTC + RM/angio-RM; cirurgia/radioterapia
Fístula / MAV (dural)Pulsátil, objetivoSopro audível na mastoide/pescoçoNormalAngio-RM / angiografia; tratamento endovascular
Hipertensão intracraniana idiopáticaPulsátilMulher jovem obesa, cefaleia, papiledema, alterações visuais; melhora com compressão jugularPode ter perda em gravesFundo de olho, RM + angio-RM venosa, punção lombar
Deiscência / bulbo jugular altoPulsátil (venoso)Melhora ao comprimir a jugular ipsilateral ou virar a cabeçaNormal ou condutiva leveTC de ossos temporais
Anemia / hipertireoidismoPulsátil (hiperdinâmico)Palidez, taquicardia, perda de pesoNormalHemograma, TSH/T4L; tratar
Mioclonia palatina / tensor do tímpanoRítmico (cliques), objetivoEstalidos rápidos; movimento do palato visívelImitanciometria com oscilaçõesNeurologia; toxina botulínica em casos refratários
Tuba patenteRítmico com a respiraçãoAutofonia, ouve a própria respiração; perda de peso; melhora deitadoMT move com a respiraçãoOrientação, hidratação; procedimentos se refratário
Disfunção de ATMPulsátil ou não (somático)Dor/estalido articular, bruxismo; zumbido muda com a mandíbulaNormalBucomaxilofacial, placa, fisioterapia
Regra de prova

Todo zumbido (e/ou perda auditiva) unilateral ou assimétrico deve ser investigado para lesão retrococlear — tumor do ângulo pontocerebelar (schwannoma vestibular) — com RM (exame de escolha, mostra o nervo). Frase da Q6: "sempre que o zumbido for unilateral, deve-se solicitar exames complementares para avaliar lesão retrococlear" é correta — aqui o "sempre" não é pegadinha.

Drogas que podem causar zumbido Rotinas · 2.13

O livro é direto: "todos os pacientes com queixas de zumbido, hipoacusia uni ou bilateral, plenitude auditiva, vertigem e desequilíbrio que estejam sendo ou foram submetidos a tratamento com drogas ototóxicas devem ser avaliados para possibilidade de ototoxicidade". As lesões ototóxicas são, na maioria das vezes, irreversíveis (destroem células ciliadas externas). As exceções reversíveis são as drogas que agem na estria vascular (diuréticos de alça e salicilatos) e a eritromicina.

Aminoglicosídeos
Irreversível · os mais usados e estudados
Cocleotóxicos: amicacina, neomicina, canamicina, netilmicina (a de menor ototoxicidade). Vestibulotóxicos: estreptomicina, gentamicina, tobramicina.
Antineoplásicos
Cisplatina, mostarda nitrogenada, metotrexato, vincristina
Cisplatina: ototoxicidade em 20–90% dos adultos e 50–90% das crianças.
Diuréticos de alça
Furosemida, ácido etacrínico, bumetanida · reversível
Agem na estria vascular; potencializam o aminoglicosídeo quando associados. Furosemida: 6,4%.
Anti-inflamatórios
Salicilatos, indometacina, ibuprofeno
Aspirina e salicilatos: lesão reversível (estria vascular).
Outros antibióticos
Eritromicina (coclear, reversível) · cloranfenicol tópico
Vestibulotóxicos com poucas referências: ampicilina, cefalosporinas, minociclina, vancomicina, lincomicina, espectinomicina.
Betabloqueadores
Propranolol, proctolol
Citados como causa de alteração coclear com perda auditiva.
Outros
Quinino · contraceptivo oral
Contraceptivos: perda progressiva e irreversível (citados no livro).
Tópicos na orelha média
Clorexidina, benzalcônio, iodo, iodofórmio, álcoois; gotas otológicas
Atravessam a janela redonda quando há perfuração. Gotas: 3,4% de ototoxicidade.
Tabela 2.13.1: grupos de fármacos ototóxicos divididos em cocleotóxicos e vestibulotóxicos
Tabela 2.13.1 · Grupos de fármacos ototóxicos. Decore a divisão dos aminoglicosídeos (coluna do meio × coluna da direita) e note que antissépticos tópicos lesam os dois sistemas. Benzodiazepínicos e antidepressivos não aparecem na tabela. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Tabela 2.13.1.
O resumo diz X; o livro diz YRotinas · 2.13

O resumo de aula lista antidepressivos (amitriptilina, imipramina, fluoxetina, bupropiona, trazodona) como causas de zumbido e chamava AINEs em geral de "reversíveis". O livro não inclui antidepressivos na tabela de ototóxicos, e só afirma reversibilidade para aspirina/salicilatos, diuréticos de alça e eritromicina. Para a prova, use a lista do livro; se a assertiva citar antidepressivos como causa, lembre que isso veio do resumo, não do Rotinas.

Benzodiazepínicos — Q2 da prova antiga

Benzodiazepínicos não estão na lista clássica de ototóxicos que causam zumbido; ao contrário, clonazepam/alprazolam já foram usados (sem evidência robusta) para aliviar zumbido. A retirada abrupta pode desencadear zumbido, mas para a prova a assertiva "BZD, assim como salicilatos, estão entre as drogas que causam zumbido" é tratada como falsa.

05 / Causas que o livro detalha

Quatro causas, pelo Rotinas.

O Rotinas em Otorrinolaringologia não tem capítulo próprio de zumbido: o sintoma aparece dentro dos capítulos de PAIR (2.12), ototoxicidade (2.13), schwannoma vestibular (2.14) e doença de Ménière (2.16). Abaixo, o que cada capítulo diz, com foco no que se liga ao zumbido.

PAIR · zumbido
≥50%
"pelo menos metade", em geral bilateral
Ototoxicidade
25 dB
em ≥1 frequência = critério
Schwannoma · zumbido
70%
2ª queixa; agudo, contínuo, unilateral
Ménière · crise
≥20
minutos de vertigem (AAO-HNS 1995)

1 · Perda auditiva induzida pelo ruído Rotinas · 2.12

Definição: diminuição progressiva da acuidade auditiva por exposição continuada a elevados níveis de pressão sonora. Diferente do trauma acústico (som abrupto de grande intensidade, dano físico imediato, pode romper membrana timpânica e cadeia ossicular). É a doença profissional irreversível mais prevalente do mundo.

Fisiopatologia

  • Comprometimento metabólico das células ciliadas externas e da estrutura neural, começando na região coclear de 3 a 6 kHz.
  • TTS (temporary threshold shift): após exposição intensa e curta (show de rock), reversível em poucos dias. TTS repetidos levam a PTS (permanente) = PAIR.
  • PTS: perda de células ciliadas externas, degeneração de fibras cocleares e cicatriz ("zonas mortas") no órgão de Corti.
  • Pode haver degeneração neural irreversível mesmo com limiares normais (Hirose e Liberman): explica zumbido com audiometria normal.

Quadro clínico e zumbido

  • Principal sintoma: perda auditiva, que pode vir com zumbido.
  • Perda neurossensorial, lenta, progressiva, bilateral e simétrica, dificilmente profunda; discriminação normal ou pouco alterada.
  • Zumbido de intensidade variável, frequentemente bilateral, em pelo menos metade dos pacientes.
  • Na fase inicial, antes da hipoacusia, podem surgir zumbido, cefaleia e tontura temporários; depois de meses a anos, o zumbido se intensifica.
  • Também algiacusia, plenitude aural e efeitos extra-auditivos (sono, irritabilidade, PA, cortisol).
  • A progressão para quando o indivíduo se afasta do ruído.
Audiogramas da PAIR ao longo de 1-2, 5-8, 15-19 e 35-39 anos de exposição, com gota acústica em 4 kHz que se aprofunda e alarga
A "gota acústica" ao longo dos anos. Com 1–2 anos de exposição já há entalhe em 4 kHz com recuperação em 8 kHz. Com o tempo a gota se aprofunda e alarga para 3 e 6 kHz, e só décadas depois atinge 2 kHz. A velocidade de perda é maior nos primeiros 10–15 anos. Isolada, a PAIR raramente passa de 75 dB nos agudos e 40 dB nos graves. O zumbido costuma ter tom próximo da frequência da gota. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.12.1.

Investigação

  • Anamnese convencional + anamnese ocupacional (máquinas, químicos, EPI) + lazer (arma de fogo, instrumentos, shows).
  • Otoscopia normal; acumetria (Rinne e Weber).
  • Exame principal: audiometria tonal aéreo-óssea + LRF, IRF e pesquisa de recrutamento. PEATE e EOA na suspeita de simulação.
  • Repouso auditivo de pelo menos 14 horas antes do exame (afastar TTS).
  • Audiometria ocupacional (só via aérea) serve para acompanhar, não para diagnosticar (sem via óssea não se prova lesão neurossensorial).

Tratamento e prevenção

  • Não existe tratamento clínico ou cirúrgico: a chave é a prevenção.
  • Reabilitação com AASI quando indicado.
  • Programas de Conservação Auditiva (PCA): avaliação de risco, gerenciamento audiométrico, proteção coletiva e individual (EPI), educação.
  • Diagnóstico diferencial: presbiacusia (frequentemente associada), ototoxicidade, infecções, barotrauma, TCE, metabólicas, autoimunes.
  • O nexo causal (diagnóstico definitivo ocupacional) é dado pelo médico do trabalho.
Tabela 2.12.1 · NR-15: limite de exposição diária a ruído contínuo. A cada +5 dB, o tempo cai pela metade.
dB(A)85868788899095100105110115
Máximo/dia8 h7 h6 h5 h4 h 304 h1 h 451 h30 min15 min7 min

2 · Ototoxicidade Rotinas · 2.13

Afecções iatrogênicas por drogas que lesam a orelha interna, auditiva e/ou vestibular. Na cóclea, destroem progressivamente as células ciliadas externas; no vestíbulo, as células ciliadas das cristas ampulares e das máculas de sáculo e utrículo. A lista completa está na seção de causas.

Microscopia eletrônica de cóclea de cobaia com fileiras de células ciliadas normais
A · Cóclea normal. Uma fileira de células ciliadas internas e três de externas, com os estereocílios em "V" intactos. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.13.1A.
Microscopia eletrônica de cóclea de cobaia com lesão extensa das células ciliadas externas após amicacina
B · Após amicacina (400 mg/kg/dia por 10 dias). As fileiras de células ciliadas externas praticamente desapareceram: é o substrato da perda em agudos e do zumbido. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.13.1B (adaptada de Costa et al.).
Microscopia eletrônica da crista ampular do canal semicircular superior com cílios normais
C · Crista ampular normal do canal semicircular superior. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.13.1C.
Microscopia eletrônica da crista ampular com redução acentuada de cílios após estreptomicina
D · Após estreptomicina (700 mg/kg/dia por 10 dias): perda acentuada de cílios vestibulares. A estreptomicina é vestibulotóxica. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.13.1D.
Fluxograma: drogas ototóxicas ligam-se a polifosfoinositídeos e alteram canais de cálcio; metabólito com ferro forma radicais livres; ambos levam à apoptose
Duas vias para a morte da célula ciliada. À esquerda, aminoglicosídeo/cisplatina se ligam aos polifosfoinositídeos da membrana e bloqueiam canais de cálcio. À direita, o metabólito quela ferro e gera radicais livres. Por isso as pesquisas de otoproteção usam quelantes de ferro e antioxidantes (deferoxamina, amifostina, tiossulfato, glutationa), promissores em animais e ainda insatisfatórios em humanos. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.13.2.
Tabela 2.13.2: sinais auditivos (surdez neurossensorial, zumbido, plenitude) e vestibulares da ototoxicidade
Zumbido é sintoma auditivo cardinal da ototoxicidade, ao lado de surdez neurossensorial e plenitude auricular. Do lado vestibular, a pista é a perda do reflexo vestíbulo-ocular: oscilopsia (grafada "osciloscopia" no livro), dificuldade de andar no escuro e marcha atáxica. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Tabela 2.13.2.

Diagnóstico

  • Na maioria, feito na atenção primária pelos sintomas; anamnese perguntando sempre sobre medicamentos.
  • Criança com atraso de fala que recebeu antibiótico EV: pensar em ototoxicidade.
  • Audiometria tonal, vocal, de altas frequências e imitanciometria (maiores de 4–5 anos): perda neurossensorial primeiro nos agudos, com piora da discriminação.
  • Reflexo estapédico mantido com recrutamento de Metz = lesão coclear.
  • Critério: perda neurossensorial de 25 dB em uma ou mais frequências entre 250 e 8.000 Hz.
  • Crianças pequenas: EOA (ausentes em perdas >30 dB) e PEATE. Vestíbulo: eletronistagmografia (hipo a arreflexia).

Fatores de risco, prevenção e tratamento

  • Risco: prematuros, pré-linguísticos e idosos; insuficiência renal/hepática; associação de ototóxicos (aminoglicosídeo + furosemida) ou com ruído; tratamento prolongado; hereditariedade; desnutrição; sintomas prévios.
  • Prevenção é a medida mais segura: exames antes do início e a cada dois dias durante o tratamento, olhando 5.000–8.000 Hz; EOA à beira do leito.
  • Alterou: ajustar a dose ou trocar a droga.
  • Tópicos: proteger a orelha média com algodão hidrófobo; gotas em dose segura, pelo menor tempo, evitando perfuração traumática.
  • Lesão instalada: AASI (perda parcial), implante coclear (perda total); vestíbulo: depressores labirínticos + reabilitação.
Incidências do livroRotinas · 2.13

Aminoglicosídeos 9,4% e 17,24% (conforme o estudo) · cisplatina 20–90% em adultos e 50–90% em crianças · furosemida 6,4% · gotas otológicas 3,4%.

3 · Schwannoma vestibular: o zumbido unilateral Rotinas · 2.14

Tumor benigno das células de Schwann do VIII par, no ângulo pontocerebelar e meato acústico interno. O nome "neuroma do acústico" é incorreto: nasce mais da porção vestibular. É o tumor mais comum do ângulo pontocerebelar (quase 90%) e 6% dos tumores intracranianos; pico por volta dos 50 anos, mulheres 2:1. 95% esporádicos (unilaterais); o restante na neurofibromatose tipo 2 (autossômica dominante, schwannoma bilateral em praticamente todos, média de 31 anos).

Perda unilateral
95%
sintoma principal, progressiva
Zumbido
70%
agudo, contínuo, lado acometido
Como surdez súbita
26%
mas só 1–2% das SS são schwannoma
Desequilíbrio
50%
vertigem verdadeira ~20%
Trigêmeo
8%
dor/parestesia no terço médio da face
TC só vê
>6 mm
RM: sensibilidade 100%

Evolução dos sintomas com o tamanho: intracanalicular → só VIII par (perda, zumbido, vertigem) · ângulo pontocerebelar → piora da perda e desequilíbrio constante · compressão de tronco → trigêmeo · hidrocefalia → alterações visuais e cefaleia intensa. Nervo facial é tardio; sinal de Hitselberger = hipoestesia da parede posterior do conduto e da concha.

TC axial de ossos temporais mostrando alargamento do conduto auditivo interno direito
TC: conduto auditivo interno alargado à direita. Sinal indireto. A TC contrastada só mostra lesões maiores que 6 mm (sensibilidade 36% no conduto e 68% no ângulo). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.14.1.
RM axial com pequeno schwannoma vestibular intracanalicular à direita
RM: pequeno schwannoma intracanalicular à direita. Exame ideal para diagnóstico precoce: T1 com gadolínio mostra captação intensa (sensibilidade 100%). Tumores maiores têm forma de "sorvete de casquinha" (cone no meato, bola no ângulo); até 15% têm pequenos cistos. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.14.2.

Diagnóstico audiológico

  • Audiometria: perda progressiva ou súbita; o mais característico é discriminação pobre, incompatível com o grau da perda.
  • Reflexo estapédico pode estar ausente.
  • PEATE: retardo da onda V, onda I sem as demais, ou ausência completa de ondas.
  • Vectoeletronistagmografia: hipofunção ou arreflexia do lado lesado.
  • Tamanho na RM: intracanalicular · <1 cm pequeno · 1–2,5 cm médio · 2,5–4 cm grande · >4 cm gigante.
  • Diferenciais: meningioma (2º mais comum, cauda dural, hiperostose), cisto aracnóideo e epidermoide (não realçam), schwannoma facial, lipoma (some com supressão de gordura).

Tratamento

  • Três opções: observação com imagens seriadas, cirurgia, radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife).
  • Crescimento lento; o livro afirma que menos de 1% acaba em cirurgia.
  • <2 cm com boa audição: cirurgia com preservação auditiva ou observação (decisão do paciente). Audição ruim: tendência a observar.
  • >2 cm, <65 anos, saudável: cirurgia. Idoso só com sintomas auditivo-vestibulares: pode observar.
  • Compressão de tronco ou hidrocefalia: cirurgia em qualquer idade.
  • Radiocirurgia (objetivo: parar o crescimento): >65 anos, contraindicação clínica, tumor <3 cm, único lado com audição.
Fluxograma do acesso cirúrgico: boa audição e menor que 1,5 cm fossa média; 1,5 a 2,5 cm retrossigmóideo; maior que 2,5 cm ou audição ruim translabiríntico
Escolha do acesso cirúrgico. Com boa audição: <1,5 cm → fossa média; 1,5–2,5 cm → retrossigmóideo; >2,5 cm → translabiríntico. Com audição ruim: translabiríntico, que não preserva audição (fossa média, retrossigmóideo e retrolabiríntico tentam preservar). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.14.3 (adaptada de Jackler e Pfister).
"Teoria versus prática" do capítuloRotinas · 2.14

A maioria dos casos ainda chega avançada, sem chance de cirurgia com preservação auditiva, porque os profissionais valorizam pouco os sintomas iniciais: assimetria auditiva e zumbido unilateral, que devem sempre ser investigados quando presentes. É o respaldo do livro para a frase da prova antiga.

4 · Doença de Ménière Rotinas · 2.16

Alteração da orelha interna com sintomas vestibulares e auditivos. Os sintomas clássicos, que costumam ser cobrados como "tríade + plenitude", são quatro: vertigem episódica, perda auditiva flutuante, zumbido e plenitude auricular. Variantes: coclear (predomínio auditivo) e vestibular. Alguns autores separam síndrome (causa conhecida) de doença (idiopática).

  • Epidemiologia: adultos, início médio na 4ª década (20–60 anos); igual entre sexos e entre orelhas direita e esquerda. Incidência real desconhecida: a forma coclear inicial costuma ser atribuída a outra causa ou ao envelhecimento.
  • Otopatologia: hidropisia endolinfática (cóclea e sáculo), mastoide hipopneumatizada, aqueduto vestibular hipoplásico, fibrose perissacular, atrofia do saco endolinfático e da estria vascular.
  • Genética: até 20% com história familiar; fatores hereditários em 10–50%.
Conceito clássico: etiologias atuam no saco endolinfático, causam hidropisia, que causa vertigem, hipoacusia, zumbido e plenitude
Conceito clássico (Kiang, 1990). Várias etiologias → disfunção do saco endolinfático → hidropisia → os quatro sintomas, incluindo o zumbido. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.16.1.
Conceito atual: etiologias levam a mecanismo desconhecido que produz os sintomas e a hidropisia endolinfática como mais uma manifestação
Conceito atual. O mecanismo central é "?" e a hidropisia vira mais uma manifestação (marcador histológico), não a causa dos sintomas. Base: todos os 28 casos clínicos de Merchant tinham hidropisia, mas 19 casos de hidropisia não tinham Ménière. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.16.2.

Etiologias e associações citadas: otite média (labirintite serosa/supurativa), otosclerose (envolve aqueduto vestibular), trauma acústico ou físico, vasopressina elevada perto das crises, alergia (inalante 41,6% × 27,6% nos controles; alimentar 40,3% × 17,4%), teoria viral e autoimunidade (imunocomplexos circulantes em 32–50%).

Diagnóstico: eminentemente clínico Rotinas · Quadro 2.16.2

Classificação (AAO-HNS 1995)Critérios
CertaDM definida + confirmação histopatológica
DefinidaDuas ou mais crises de vertigem de pelo menos 20 minutos · surdez documentada audiometricamente pelo menos uma vez · zumbido ou pressão auricular
ProvávelUm episódio definido de vertigem · surdez documentada ao menos uma vez · acufenos (zumbido) ou pressão auricular
PossívelEpisódio de vertigem sem surdez documentada, ou surdez sensorioneural flutuante/fixa com desequilíbrio, mas sem episódios definidos

A vertigem que conta é espontânea, rotatória, ≥20 minutos, acompanhada de desequilíbrio (que pode durar dias).

Estadiamento (Quadro 2.16.3)

  • Média dos limiares em 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz (pior audição nos 6 meses antes do tratamento).
  • Estádio 1: até 25 dB
  • Estádio 2: 26–40 dB
  • Estádio 3: 41–70 dB
  • Estádio 4: >70 dB
  • Mudança significativa após tratamento: 10 dB no tonal e/ou 15% na discriminação.

Controle da vertigem (Tabela 2.16.1)

  • (crises/mês 2 anos após ÷ crises/mês nos 6 meses antes) × 100
  • 0 = classe A · 1–40 = B · 41–80 = C · 81–120 = D · >120 = E
  • Exames de apoio: teste do glicerol, eletrococleografia (relação PS/PA aumentada), PEMV/VEMP (sáculo e nervo vestibular inferior; 500 Hz é a frequência mais sensível), RM 3 T com gadolínio intratimpânico (hidropisia em 95% × glicerol 55% e EcoG 60%).
Teste PEMV: estímulo sonoro, resposta captada no esternocleidomastóideo, onda com picos P1 e N1
PEMV (VEMP). Som (clique ou tom) estimula o sáculo; a resposta inibitória segue pelo nervo vestibular inferior e é captada no esternocleidomastóideo (picos P1 e N1). Serve para Ménière, deiscência do canal superior, neurite, schwannoma e controle após gentamicina intratimpânica. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.16.4.

Tratamento: empírico Rotinas · 2.16

Nenhum tratamento mudou prospectivamente o curso da doença. Motivos: etiologia desconhecida, grande efeito placebo, recaídas e remissões espontâneas, e a vertigem desaparece em ~70% ao longo dos anos. O alvo principal é a vertigem.

1
Crise aguda

Sedar o eixo vestíbulo-tronco: cinarizina, prometazina, diazepam. Evitar cinarizina prolongada (efeitos extrapiramidais, sobretudo em idosos).

2
Manutenção

Restrição de sal + diuréticos (furosemida, amilorida, hidroclorotiazida): base histórica, não científica. Betaistina, com ou sem diurético, é o meio preferido; estudos mostram melhora a curto prazo de vertigem, perda auditiva e zumbido. Refratários: cinarizina, propranolol (se enxaqueca), corticoide.

3
Ablativo químico: gentamicina intratimpânica (GIT)

DM unilateral com audição ruim e vertigem incapacitante. Controle da vertigem ~90%; cocleotoxicidade em 15–25%. Protocolo: 40 mg/mL, intervalos semanais (até 3–4 aplicações), audiometria semanal, VENG antes e ao final, anestesia tópica, repouso de 1 h. É a primeira opção invasiva, menos agressiva.

4
Cirurgia (~10% que seguem com crises)

~90% entram em remissão longa. Não destrutivas: descompressão do saco endolinfático (Moffat: controle em 81%, sem grupo-controle) e neurectomia vestibular (90–95%, preserva audição, risco de fossa posterior). Destrutiva: labirintectomia (audição inútil; anacusia certa). DM bilateral com surdez severa a profunda: implante coclear.

Gráfico de sintomas após gentamicina intratimpânica: estáveis até o dia 3, pico entre os dias 7 e 10, reavaliação após 1 mês
O que avisar ao paciente antes da GIT. A partir do 3º dia começa a desaferentação vestibular e os sintomas pioram, com pico entre o 7º e o 10º dia. É esperado (destruição química da aferência), não falha do tratamento. Reavaliar após 1 mês. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.16.6 (recortada do PDF).
Tabela 2.16.2 comparando cirurgia do saco endolinfático e gentamicina intratimpânica
Saco endolinfático × GIT. GIT é ambulatorial e controla mais a vertigem (95% precoce, 70% tardia × 60%/60%), ao custo de mais perda auditiva (20–25% × 5–10%). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Tabela 2.16.2.
Tabela 2.16.3LabirintectomiaNeurectomia vestibular
Internação3–5 dias3–5 dias
Controle da vertigem95–98%90%
Perda auditiva100%15%
Lesão do facial<1%<1%
Fístula liquórica<1%5–7%
Hipertensão intracraniana<1%5%
Diagrama de Venn entre enxaqueca com aura, enxaqueca associada a disfunção auditivo-vestibular e síndrome de Ménière
Ménière × enxaqueca vestibular. Zumbido, plenitude e perda flutuante puxam para o lado auditivo-vestibular (Ménière); cefaleia e aura, para o central. No meio fica a enxaqueca com disfunção auditivo-vestibular, que também pode ter zumbido. Tratamento dela no livro: migraine lifestyle por ≥1 mês (cortar aspartame, chocolate, cafeína, álcool; sono e exercício); se falhar, nortriptilina 10 mg à noite (alvo 30–70 mg) e, em 2º lugar, propranolol 40 → ~80 mg/dia. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 2.16.7.
O livro diz X; diretrizes mais recentes dizem Y

Critérios: o livro usa a AAO-HNS 1995 (certa/definida/provável/possível, crise ≥20 min). A Bárány Society/AAO-HNS (2015) passou a usar só definida (≥2 crises de 20 min a 12 h + perda neurossensorial em graves/médias documentada + sintomas auditivos flutuantes) e provável. Betaistina: o livro a coloca como manutenção preferida, mas já cita a Cochrane (2001) sem prova suficiente; o ensaio BEMED (2016) não mostrou benefício sobre placebo. Para a prova, fique com o livro.

06 / Investigação

Fluxograma de investigação.

Anamnese + otoscopia + audiometria para todos. Depois, duas perguntas mudam tudo: é pulsátil? e é unilateral/assimétrico?

1
Passo 01 · todos
Anamnese dirigida
Início e tempo de duração · fatores desencadeantes · exposição a ruído · tipo de som (pulsátil? cliques? contínuo?) · localização (uni ou bilateral) · patologias associadas (vertigem, hipoacusia, plenitude, DM, tireoide, HAS, ansiedade/depressão, insônia) · medicamentos em uso (ototóxicos) · grau de incômodo.
Ototóxico?
Revisar/suspender com o prescritor.
Vertigem + plenitude?
Pensar Ménière.
2
Passo 02 · todos
Exame físico ORL
Otoscopia (cerume, otite, massa retrotimpânica, MT que se move com a respiração) · acumetria · exame neurológico (pares cranianos) · ATM · ausculta de pescoço/periauricular/mastoide · oroscopia (mioclonia palatina) · PA.
Achado local
Cerume, otite: tratar e reavaliar.
Sopro audível
Zumbido objetivo vascular: imagem.
3
Passo 03 · todos
Audiometria tonal e vocal + imitanciometria
É o exame mais importante e deve ser feito em todos, mesmo sem queixa auditiva. Complementares conforme o caso: acufenometria (frequência/intensidade do zumbido), limiar de desconforto (hiperacusia), EOA (se audiometria normal) e BERA (triagem retrococlear).
Perda simétrica
Presbiacusia, PAIR, ototoxicidade: tratar/amplificar.
Audiometria normal
EOA podem mostrar dano coclear subclínico.
4
Passo 04 · bifurcação
Pulsátil? Unilateral/assimétrico?
Estas duas perguntas decidem se precisa de imagem.
Unilateral / assimétrico
RM de ângulo pontocerebelar/condutos auditivos internos com gadolínio — excluir schwannoma vestibular (retrococlear). No livro: perdas neurossensoriais unilaterais "devem ser investigadas para a exclusão de tumores de ângulo pontocerebelar", e a RM com gadolínio é o exame de escolha para CAI e APC. Rotinas · 1 e 2.14
Pulsátil
Angio-RM (ou angio-TC) + TC de ossos temporais; fundo de olho se suspeita de HII; hemograma e TSH. O livro cita angiorressonância ou arteriografia na suspeita de afecção vascular, e TC para trauma, otite crônica e fístula. Rotinas · cap. 1
Bilateral, não pulsátil, simétrico
Em geral sem imagem; seguir para laboratório dirigido e tratamento.
Sinais neurológicos
RM de encéfalo (AVC, esclerose múltipla, tumor).
5
Passo 05 · dirigido
Laboratório e consultorias
Livro · rotina laboratorial da avaliação otoneurológica Rotinas · cap. 1
HemogramaGlicemia de jejumPerfil lipídicoFunção tireoidianaSorologia para sífilisProvas reumatológicas se a história sugerir
Básico (resumo)
HemogramaGlicemiaVitamina B12Perfil lipídicoVSGVDRLTSH e T4 livreFunção renalZinco
Suspeita autoimune
PCRFator reumatoideFANComplemento
Suspeita de distúrbio de carboidratos
Curva glicêmicaCurva insulinêmica
Consultorias
Bucomaxilofacial (ATM)PsiquiatriaEndocrinologiaReumatologiaNeurologia
Exames complementares por causa, segundo o livroRotinas · 2.12–2.16
  • PAIR: audiometria tonal aéreo-óssea após 14 h de repouso auditivo + LRF/IRF/recrutamento; PEATE e EOA se suspeita de simulação.
  • Ototoxicidade: audiometria incluindo altas frequências; EOA e PEATE em crianças pequenas; monitorar antes e a cada 2 dias.
  • Schwannoma: audiometria (discriminação desproporcionalmente ruim), PEATE (onda V atrasada), RM com gadolínio.
  • Ménière: diagnóstico clínico + audiometria documentada; apoio com glicerol, eletrococleografia, PEMV e RM 3 T com gadolínio intratimpânico.
Correção do resumo

O resumo diz "para zumbido pulsátil utiliza-se a antirressonância" — erro de OCR/digitação: é angiorressonância (angio-RM), para avaliar alterações vasculares. O resumo também não cita HII nem bulbo jugular deiscente entre as causas pulsáteis — acrescentados aqui por serem clássicos.

?
"Qual o exame mais importante em paciente com zumbido?" × "Qual exame pedir no zumbido unilateral?" — as respostas são as mesmas?
Pense em:

Um é universal, o outro é condicionado a um achado.

Resposta:

Não. O exame mais importante e universal é a audiometria (tonal, vocal + imitanciometria). A RM é o exame de escolha quando há assimetria/unilateralidade para excluir tumor do ângulo pontocerebelar. Leia o enunciado: se pergunta "para pacientes com zumbido" em geral, é audiometria.

07 / Tratamento

Tratar a causa, depois habituar.

1
Investigação etiológica

Zumbido é sintoma. Etiologia definida e tratável → tratamento específico (a atuação na etiologia precede a amplificação). Não tratável ou idiopático → seguir os próximos passos.

2
Orientação / aconselhamento

Explicar o que é, as causas e que não é sinal de doença grave (quando for o caso). Desfaz o vínculo de ameaça (límbico). Pilar do tratamento.

3
AASI e enriquecimento sonoro

Com perda auditiva: amplificar (AASI, cirurgia, implante coclear). Sem perda relevante: gerador de som ou som ambiental neutro contínuo.

4
Fatores agravantes

Exposição a ruído, ATM, tireoide, HAS, perfil lipídico, diabetes, hipoglicemias, depressão, ansiedade, hiperacusia. Revisar medicações ototóxicas.

5
Considerar TCC

Terapia cognitivo-comportamental: a intervenção com melhor evidência para reduzir o incômodo e o impacto na qualidade de vida (não necessariamente a intensidade).

Amplificação sonora

No zumbido com perda auditiva, melhorar a audição tem efeito mascarador: o zumbido ocorre nas mesmas frequências da perda, e ao ouvir os sons ambientes o zumbido fica menos perceptível. Além disso tem papel preventivo na reorganização cortical — por isso a indicação cada vez mais precoce. Opções: AASI convencional, cirurgia (ex.: estapedectomia) ou implante coclear (surdez profunda, sobretudo com zumbido incapacitante associado a surdez neurossensorial).

Enriquecimento sonoro e TRT

Baseado em orientação + enriquecimento sonoro (gerador de som ou som ambiental): um som neutro contínuo, de baixa intensidade, reduz o contraste entre zumbido e silêncio e ajuda a bloquear a chegada do sinal ao nível cortical/límbico → habituação. A TRT (Tinnitus Retraining Therapy, Jastreboff) é a versão estruturada: aconselhamento diretivo + terapia sonora.

Duração
12–18
meses
Primeiros resultados
~3
meses
Exige
Adesão
aparelho de alto custo
Neuromonics
Música
relaxante + banda larga, individualizado

Atuando na etiologia — o exemplo da otosclerose

Ayache et al. · 62 pacientes · estapedectomia

  • 74% com zumbido pré-operatório; 24% com grande incômodo
  • Pós: abolição 55,9%, diminuição 32,4%
  • Inalterado 8,8%, pior 2,9%
  • Nenhum surgimento de zumbido em quem não tinha

Oliveira CA · 48 pacientes · estapedotomia

  • 39% com zumbido severo incapacitante
  • Pós: melhora 90%
  • Inalterado 10%, piora 0
O que o livro propõe para o zumbido, causa a causaRotinas · 2.12–2.16
CausaO que o livro fazEfeito esperado no zumbido
PAIRAfastar do ruído, PCA/EPI; AASI quando indicado. Sem tratamento clínico ou cirúrgico.Progressão para ao cessar a exposição; lesão irreversível
OtotoxicidadePrevenir e monitorar; ajustar ou trocar a droga; sequela: AASI ou implante coclearRegride nas lesões de estria vascular (salicilatos, diuréticos de alça); persiste nas de célula ciliada
SchwannomaObservação seriada, cirurgia ou radiocirurgia conforme tamanho, idade e audiçãoO livro não quantifica; o ponto é diagnosticar cedo pelo zumbido unilateral
MénièreSal/diurético, betaistina; crise: cinarizina/prometazina/diazepam; GIT; cirurgiaBetaistina reduziu zumbido a curto prazo em alguns estudos (evidência fraca)
Frase-armadilha — Q3 da prova antiga

"Está consagrado o uso de antidepressivos para o tratamento do zumbido, independentemente da sua etiologia" — FALSO. Antidepressivos não são tratamento consagrado do zumbido em si (revisões sistemáticas não mostram benefício consistente). Tratam depressão/ansiedade comórbidas, que são fatores agravantes — isso sim ajuda o paciente.

O resumo diz X; a literatura indica Y

O resumo afirma que "o tratamento para depressão [é] fundamental para a melhora do zumbido". Ajuste: tratar depressão/ansiedade quando presentes é importante para o sofrimento, mas não é tratamento do zumbido. Também sem comprovação: reposição de zinco e vitaminas, suspensão de cafeína e chocolate. Sem medicamento aprovado especificamente para zumbido.

08 / Pegadinhas de prova

Leia a palavra absoluta.

Número trocado

"Incapacitante em 10%" → é 5%. "Prevalência de 25%" → é 17% (33% idosos). 25% é quem procura médico.

"Grande maioria"

"A grande maioria teve ablação do zumbido após secção do VIII par" → falso: 60% persistem.

Subjetivo × objetivo

Subjetivo = comum, só o paciente ouve. Objetivo = raro, som real do corpo. A prova inverte.

Pulsátil × não pulsátil

Paraganglioma, anemia, tuba patente e hipertireoidismo não são causas de não pulsátil (Q2-II). ATM aparece nos dois grupos.

"Consagrado"

Antidepressivos não são consagrados para zumbido, muito menos "independentemente da etiologia".

Otosclerose

"Metade desenvolve zumbido" → falso: a maioria (74%). E cirurgia não cria zumbido novo.

Presbiacusia

"Associação com presbiacusia não é frequente" → falso: é a causa nº 1 (27% no HCPA).

Ordem do tratamento

"Atuação na etiologia precede amplificação sonora" → verdadeiro.

PAIR · "audiometria ocupacional"

Só via aérea: serve para acompanhar, não para diagnosticar PAIR. Repouso auditivo de 14 h. Rotinas · 2.12

Ototóxicos · reversível?

Regra do livro: lesões ototóxicas são na maioria irreversíveis. Reversíveis: salicilatos, diuréticos de alça, eritromicina. Estreptomicina, gentamicina e tobramicina = vestibulotóxicas. Rotinas · 2.13

Schwannoma · "neuroma do acústico"

Nome incorreto: nasce da porção vestibular, é benigno e 95% esporádico/unilateral. Bilateral = NF2. TC só vê >6 mm; RM com gadolínio é o exame. Rotinas · 2.14

Ménière · definida × provável

Definida = ≥2 crises ≥20 min + audiometria + zumbido/pressão. Provável = 1 crise. Possível = sem surdez documentada. Certa = histopatologia. Rotinas · 2.16

"Sempre" que é verdade

"Sempre que unilateral, investigar lesão retrococlear" e "audiometria em todos" → verdadeiros.

Causa mais prevalente

No HCPA, presbiacusia (27%) > PAIR (21%). Muitos livros citam ruído como nº 1; na prova antiga essa frase (Q6-c) não era o gabarito da INCORRETA, que era a de subjetivo/objetivo.

09 / Questões da prova antiga

Seis questões, resolvidas.

Reescritas da prova antiga (Q1–Q6). As marcas circuladas no PDF são de um aluno e várias estão erradas (Q3 e Q5, por exemplo) — resolva pelo conteúdo.

Prova antiga · Q1
Sobre o zumbido é correto afirmar:
Prova antiga · Q2
Considere as afirmativas corretas:
I – Benzodiazepínicos, assim como salicilatos, estão entre as drogas que podem causar o zumbido.
II – Entre as etiologias do zumbido não pulsátil, podemos citar o hipertireoidismo, o paraganglioma, a disfunção de ATM, a anemia e a tuba patente.
III – A amplificação sonora tem papel preventivo na reorganização cortical e efeito mascarador sobre o zumbido.
Prova antiga · Q3
Sobre a avaliação e o tratamento do zumbido, assinale a alternativa correta:
I) Na maior parte dos casos, por uma anamnese detalhada e investigação por exames complementares, identifica-se a causa do zumbido.
II) Está consagrado o uso de antidepressivos para o tratamento do zumbido, independentemente da sua etiologia.
III) É fundamental que se avaliem os medicamentos em uso, na busca de possíveis agentes ototóxicos.
IV) Um dos pilares mais importantes no tratamento do zumbido se encontra na orientação e enriquecimento sonoro.
Prova antiga · Q4
Sobre a etiologia e fisiopatologia do zumbido, assinale as assertivas corretas:
I) As causas otológicas são as mais frequentes e geralmente a frequência do zumbido está próxima à região de maior perda auditiva na audiometria.
II) Danos às células ciliadas da cóclea parecem fazer parte da fisiopatologia do zumbido.
III) A percepção do zumbido pode ser influenciada por mudanças no estado emocional.
Prova antiga · Q5
Atribua "V" para as assertivas corretas e "F" para as falsas:
( ) Exposições contínuas a níveis de ruído que excedem 85 a 90 dB podem causar zumbido permanente.
( ) Perda auditiva neurossensorial lenta e progressiva a partir dos 55 anos pode vir acompanhada de zumbido.
( ) O zumbido é um componente importante na sintomatologia associada à doença de Ménière.
( ) Entre os pacientes com otosclerose, metade desenvolve zumbido.
( ) A atuação na etiologia precede o tratamento com amplificação sonora.
Prova antiga · Q6
Sobre o zumbido persistente, assinale a alternativa INCORRETA:

Bônus · questões do resumo da Liége

Resumo · Q1
Paciente de 35 anos apresenta zumbido e perda auditiva progressiva em orelha direita. Refere piora do zumbido nos últimos 3 meses, associada a sonolência excessiva, desânimo e falta de apetite. Qual é o exame mais importante a ser solicitado para pacientes com zumbido?
Resumo · Q2
J.M.B., 59 anos, diabético em uso de metformina, refere dificuldade para ouvir os familiares ("escuta, mas não entende"). Mesmo no trabalho, com as máquinas desligadas, tem dificuldade de acompanhar conversas. Audiometria:
kHz0,250,5123468
OD (dB)1010102040503010
OE (dB)1010152040455055

Qual o diagnóstico MAIS PROVÁVEL?

Resumo · Q3
Mulher, 66 anos, com perda auditiva, tontura e zumbido. Audiometria: OD — via óssea sobreposta à aérea, média quadritonal 17 dB. OE — via óssea sobreposta à aérea, média quadritonal 40 dB. Etiologia MAIS PROVÁVEL?
10 / Quiz inédito

No estilo da banca.

Inédita · assertivas
Sobre a classificação do zumbido, considere:
I – O zumbido objetivo pode, em alguns casos, ser auscultado pelo examinador.
II – O paraganglioma é causa clássica de zumbido não pulsátil unilateral.
III – No zumbido pulsátil, a angiorressonância é útil para avaliar alterações vasculares.
Inédita · INCORRETA
Sobre a epidemiologia do zumbido, assinale a alternativa INCORRETA:
Inédita · vinheta de conduta
Mulher, 29 anos, IMC 36, refere zumbido "no ritmo do coração" em ambas as orelhas há 4 meses, cefaleia diária e episódios de borramento visual transitório. O zumbido diminui ao comprimir levemente o pescoço. Otoscopia normal. Qual a melhor conduta?
Inédita · V/F
Atribua V ou F:
( ) O zumbido causado por altas doses de salicilatos tende a regredir com a suspensão da droga.
( ) Aminoglicosídeos podem causar lesão coclear permanente.
( ) Após estapedectomia, é frequente o surgimento de zumbido em pacientes que não o tinham.
( ) No enriquecimento sonoro, os resultados costumam aparecer após cerca de 3 meses.
Inédita · vinheta de exame
Homem, 47 anos, zumbido contínuo em orelha esquerda há 8 meses e sensação de "ouvir pior ao telefone" desse lado. Audiometria: perda neurossensorial em agudos à esquerda, com índice de reconhecimento de fala desproporcionalmente baixo; orelha direita normal. Qual o próximo exame?
Inédita · assertivas
Sobre a fisiopatologia do zumbido:
I – No modelo psicoacústico, o zumbido é gerado na cóclea e transmitido passivamente pelas vias auditivas até o córtex.
II – O modelo neurofisiológico envolve vias auditivas e não auditivas, incluindo sistema límbico e sistema nervoso autônomo, baseado em neuroplasticidade.
III – Pacientes com zumbido e audiometria normal não têm dano coclear.
Inédita · CORRETA
Sobre o tratamento do zumbido, assinale a alternativa correta:
Inédita · associação clássica
Mulher, 24 anos, perdeu 15 kg em 3 meses. Queixa-se de ouvir a própria respiração e a própria voz "ecoando" na orelha direita; o sintoma alivia quando deita ou abaixa a cabeça. À otoscopia, a membrana timpânica se movimenta com a respiração. O diagnóstico mais provável é:

Pelo livro · Rotinas em ORL Rotinas · 2.12–2.16

Rotinas · assertivas
Sobre o schwannoma vestibular, considere as afirmativas:
I – O zumbido é a segunda queixa mais comum, presente em até 70% dos casos, geralmente agudo e contínuo na orelha acometida.
II – A tomografia computadorizada contrastada é o exame de escolha para o diagnóstico precoce, pois identifica lesões a partir de 2 mm.
III – Na audiometria, o achado mais característico é a discriminação vocal pobre, não compatível com o grau da perda auditiva.
IV – Por nascer das células de Schwann da porção coclear do VIII par, o termo "neuroma do acústico" é o mais adequado.
Rotinas · V/F
Sobre ototoxicidade, atribua V ou F:
( ) Estreptomicina, gentamicina e tobramicina são predominantemente vestibulotóxicas.
( ) Diuréticos de alça causam lesão coclear reversível e potencializam a ototoxicidade dos aminoglicosídeos.
( ) As lesões ototóxicas são, na maioria das vezes, reversíveis após a suspensão da droga.
( ) O critério diagnóstico é perda neurossensorial de 25 dB em uma ou mais frequências entre 250 e 8.000 Hz.
Rotinas · INCORRETA
Sobre a perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), assinale a alternativa INCORRETA:
Rotinas · vinheta de classificação
Mulher, 42 anos, teve três episódios espontâneos de vertigem rotatória nos últimos 6 meses, cada um com cerca de 2 horas, acompanhados de zumbido e sensação de ouvido cheio à esquerda. A audiometria mostrou perda neurossensorial à esquerda. Pela classificação da AAO-HNS (1995) adotada no Rotinas, trata-se de doença de Ménière:
Rotinas · vinheta de conduta
Homem, 55 anos, com doença de Ménière unilateral direita há 8 anos, audição ruim à direita (estádio 4) e crises de vertigem incapacitantes apesar de restrição de sal, diurético e betaistina. A orelha esquerda é normal. Segundo o Rotinas, qual a próxima opção mais adequada?
Rotinas · semiologia
Sobre a semiologia do zumbido segundo o capítulo de semiologia otológica do Rotinas, assinale a alternativa correta:
11 / Revisão relâmpago

Véspera em 10 minutos.

Responda em voz alta antes de tocar. Se errar, volte à seção.

1
Definição de zumbido em uma frase.

Percepção de som sem estímulo externo correspondente — percepção auditiva fantasma.

2
Prevalência na população geral, em idosos e % incapacitante?

17% · 33% · 5%. (25% procuram médico; 94% na câmara anecoica.)

3
Subjetivo ou objetivo: qual é raro e qual é o som real do corpo?

Objetivo = raro, som real do corpo, às vezes audível pelo examinador. Subjetivo = imensa maioria.

4
Cite 6 causas de zumbido pulsátil/rítmico.

Paraganglioma (glomus), fístula/MAV, HII, bulbo jugular deiscente, anemia, hipertireoidismo — além de mioclonia palatina/tensor do tímpano, tuba patente, ATM.

5
O que acontece com o zumbido após secção do VIII par?

Persiste em ~60% — prova de componente central.

6
Cascata fisiopatológica em 4 palavras.

Lesão ciliada → desaferentação → hiperatividade/reorganização central → límbico/autônomo.

7
Duas causas mais frequentes no HCPA e seus percentuais?

Presbiacusia 27%, PAIR 21%. Depois Ménière 8%, metabólica 7%.

8
Onde fica a frequência do zumbido em relação à audiometria?

Próxima à região de maior perda auditiva.

9
Seis classes de drogas que causam zumbido.

Pelo livro: aminoglicosídeos, antineoplásicos (cisplatina, vincristina, metotrexato, mostarda nitrogenada), diuréticos de alça, anti-inflamatórios (salicilatos, indometacina, ibuprofeno), betabloqueadores (propranolol), quinino/contraceptivo oral, antissépticos tópicos. (Resumo inclui antidepressivos. BZD não.)

10
Qual avaliação audiológica é feita em todos?

Audiometria tonal e vocal + imitanciometria, mesmo sem queixa auditiva.

11
Zumbido unilateral: o que pedir e para quê?

RM (com gadolínio) para lesão retrococlear — schwannoma vestibular.

12
Zumbido pulsátil: exame de imagem?

Angiorressonância (ou angio-TC) + TC de ossos temporais; hemograma e TSH.

13
Otosclerose: quantos têm zumbido e o que a cirurgia faz?

Maioria (74%). Estapedectomia: abolição 55,9% + diminuição 32,4%; nenhum zumbido novo.

14
Pilares do tratamento e o que NÃO é consagrado?

Tratar causa → orientação → AASI/enriquecimento sonoro → fatores agravantes → TCC. Não consagrados: antidepressivos para o zumbido em si, zinco, vitaminas, suspender cafeína/chocolate.

15
Enriquecimento sonoro: duração e quando aparecem resultados?

12–18 meses; resultados após ~3 meses; exige adesão e aparelho caro.

16
Schwannoma vestibular: % com zumbido, exame de escolha e achado audiométrico típico?

Zumbido até 70% (agudo, contínuo, unilateral); perda unilateral 95%. RM com gadolínio (TC só >6 mm). Discriminação pobre desproporcional; PEATE com onda V atrasada.

17
Ménière definida pela AAO-HNS 1995?

≥2 crises de vertigem ≥20 min + surdez documentada na audiometria ao menos uma vez + zumbido ou pressão auricular. Estádios pela média de 0,5–1–2–3 kHz: ≤25 · 26–40 · 41–70 · >70 dB.

18
PAIR: zumbido em quantos, exame diagnóstico e tratamento?

Pelo menos metade, geralmente bilateral. Audiometria aéreo-óssea após 14 h de repouso auditivo (gota em 3–4–6 kHz, recupera em 8 kHz). Sem tratamento clínico/cirúrgico: prevenção e AASI.

12 / Take-Home

Pontos essenciais.

1

Sintoma de via auditiva lesada

Percepção fantasma por desaferentação. Subjetivo é a imensa maioria; objetivo (som real do corpo) é raro.

2

17 · 33 · 25 · 5 · 60

Geral, idosos, procuram médico, incapacitante, persistem após secção do VIII par.

3

Periferia dispara, centro mantém

Lesão ciliada → reorganização central → límbico/autônomo. Emoção modula a percepção.

4

Otológicas lideram

Presbiacusia 27%, PAIR 21%, Ménière, otosclerose (maioria tem zumbido). Frequência do zumbido perto da maior perda.

5

Audiometria para todos; imagem se...

Unilateral/assimétrico → RM com gadolínio (schwannoma: zumbido em até 70%). Pulsátil → angio-RM/TC. Sempre revisar medicações ototóxicas.

7

Quatro causas do livro

PAIR (zumbido ≥50%, gota 4 kHz, só prevenção) · ototoxicidade (25 dB, maioria irreversível) · schwannoma (zumbido unilateral, RM) · Ménière (≥2 crises ≥20 min, betaistina, GIT).

6

Causa, orientação, som, TCC

Tratar etiologia primeiro; orientar; AASI/enriquecimento sonoro (12–18 meses). Antidepressivos não são tratamento consagrado do zumbido.