Da dor de ouvido com otoscopia normal (metade das vezes a orelha é inocente) até a criança de 18 meses com tímpano abaulado. Aula de Sady Selaimen — roteiro orientado à prova.
Otalgia é dor percebida na orelha. Divide-se em dois grupos com raciocínios opostos:
A orelha recebe fibras sensitivas de quatro pares cranianos (V, VII, IX, X) e dois ramos do plexo cervical (C2–C3). Qualquer foco nociceptivo no território desses nervos pode ser interpretado pelo córtex como dor de ouvido (convergência central).
"Todo tabagista > 50 anos com otalgia e otoscopia normal tem câncer de VADS até prova em contrário." Carcinoma de nasofaringe (~56% cursam com otalgia), hipofaringe (~26%), orofaringe (até 16%), laringe e língua. Otalgia + rouquidão, disfagia, odinofagia, perda de peso ou linfonodo cervical = nasofibrolaringoscopia obrigatória.
| Causa | Pistas | Nervo | Conduta |
|---|---|---|---|
| DTM / artralgia da ATM provavelmente a mais comum | Dor pré-auricular, piora ao mastigar, estalido/crepitação, bruxismo, desvio/limitação de abertura; plenitude, zumbido. Palpação dolorosa da ATM, masseter, temporal; pterigoide (via oral) é o achado mais consistente. Rara em crianças | V3 | Conservador: analgesia, calor local, massagem, placa oclusal (alívio em até 75%); tricíclico se ansiedade |
| Dentária | Cárie/abscesso de 3º molar, pulpite, doença periodontal, fratura; em criança: erupção dentária | V | Odontologia |
| Faringe/tonsilas | Amigdalite, abscesso periamigdaliano, pós-tonsilectomia, faringite | IX | Tratar causa |
| Glândulas salivares | Sialolitíase (dor que piora ao comer), parotidite (edema, trismo), hipertrofia do masseter/bruxismo | V | Tratar causa |
| Coluna cervical | Cervicalgia, osteoartrose C2–C3, contratura, dor com movimento do pescoço | C2–C3 | Fisioterapia |
| Neuralgia do trigêmeo | Dor em choque, paroxística, segundos a minutos, gatilho; V2/V3; ramo auriculotemporal | V | Carbamazepina; descompressão se refratária |
| Neuralgia do glossofaríngeo | Rara; dor excruciante em base de língua, palato, faringe lateral, irradia à orelha e ângulo da mandíbula; gatilho deglutição | IX | Anticonvulsivante |
| Síndrome de Eagle | Processo estiloide alongado / ligamento calcificado: otalgia, odinofagia, sensação de corpo estranho, dor ao girar o pescoço | IX | TC; ressecção se sintomático |
| DRGE / laringe | Pirose, pigarro, globus | X | IBP, investigar |
| Neoplasia de VADS | >50 anos, tabagismo, etilismo, CA prévio de cabeça e pescoço; rouquidão, disfagia, linfonodomegalia, emagrecimento; OME unilateral no adulto (nasofaringe) | IX / X / V | Nasofibrolaringoscopia, biópsia, TC/RM, EDA |
Qual nervo inerva a hipofaringe e também tem um ramo auricular?
O vago (X) inerva hipofaringe/laringe e dá o ramo auricular (nervo de Arnold) para concha e CAE. As aferências convergem nos mesmos neurônios de segunda ordem no tronco (núcleo do trato espinal do trigêmeo) e o córtex "atribui" a dor ao território cutâneo mais bem mapeado — a orelha. Por isso a otalgia pode ser o único sintoma de um tumor de hipofaringe ou supraglote.
Piora matinal + mastigação = hábito noturno parafuncional.
DTM por bruxismo (V3 · auriculotemporal). Palpar ATM (dor, estalido, crepitação), masseter, temporal e pterigoide pela boca; observar desvio e limitação da abertura. Tratamento conservador: analgesia, calor, placa oclusal (odonto).
Inflamação da orelha externa (pele, anexos, subcutâneo, pericôndrio, cartilagem e osso do CAE/pavilhão), predominantemente infecciosa. O CAE tem pele fina aderida ao osso na porção medial e cerume ácido e hidrofóbico que protege — umidade + trauma (cotonete) + pH alcalino quebram essa barreira.
O resumo escreve "A otite média difusa (ou orelha de nadador)". O correto é otite externa difusa aguda — celulite da pele e subcutâneo do CAE.
Remoção do cerume + umidade → edema do estrato córneo, obstrução das unidades apopilossebáceas → prurido, plenitude, ciclo coceira-coçar.
Infecção progressiva: dor, mais prurido, eritema, edema, debris, otorreia.
Dor intensa à movimentação do pavilhão, estenose do CAE, otorreia purulenta, envolvimento de partes moles periauriculares.
Resolução incompleta: pouca dor, prurido intenso, secreção persistente, agudizações.
O resumo cita apenas a gentamicina como ototóxica. Neomicina (também aminoglicosídeo) segue a mesma regra: com MT perfurada ou não visualizada, prefira quinolona tópica.
Foliculite da unidade pilossebácea no terço cartilaginoso (lateral) do CAE.
Até 20% das otites externas. Prurido > dor.
Osteomielite do osso temporal e base do crânio a partir de uma otite externa. Idoso diabético.
Reativação do VZV no gânglio geniculado (VII).
Inflamação do pericôndrio do pavilhão: dor, calor, edema, eritema — poupa o lóbulo (não tem cartilagem).
A OEN começa como OEDA. O que acende o alerta?
"Paciente hígido com OEDA → antibiótico via oral" está errado. O tratamento é limpeza + gota tópica + analgesia. ATB oral isolado nem atinge concentração útil no CAE. Oral/EV entra só com extensão, DM/imunossupressão ou OEN.
Onde existem células caliciformes/glândulas mucosas?
A mucosa da orelha média é respiratória e produz muco; a pele do CAE, não. Secreção mucopurulenta (filante, às vezes sanguinolenta) = orelha média com MT perfurada. Secreção descamativa, sem muco = otite externa.
Otite externa que não cura + DM + nervo craniano = osso envolvido.
Otite externa maligna/necrotizante com paralisia do VII. Pedir TC de osso temporal com contraste, VSG/PCR, cultura e biópsia da granulação (excluir carcinoma). Internar: ciprofloxacino EV (ou betalactâmico antipseudomonas), ≥ 6 semanas, controle glicêmico, limpeza, analgesia, debridamento se preciso.
A OMA é a inflamação aguda da mucosa da orelha média com efusão, de início súbito, com sinais e sintomas inflamatórios. Pode ocorrer em adultos, mas é essencialmente doença da infância: ~80% das crianças terão ao menos um episódio até os 24 meses (dado do resumo), com pico entre 6 e 36 meses e um segundo pico clássico aos 4–7 anos (entrada na escola), hoje menos evidente pela ida precoce à creche.
Rinovírus, VSR, influenza A/B, adenovírus, parainfluenza, coronavírus, enterovírus. A orelha média é uma extensão da faringe: inflamação, lesão epitelial e colonização por bactérias da nasofaringe (adenoide = reservatório).
A tuba protege, ventila e drena. Na criança ela é curta, horizontalizada e pouco funcional → edema obstrui, pressão negativa, refluxo de secreção/bactérias da nasofaringe.
Transudação da mucosa → efusão que cresce → vasos da MT ingurgitados → otalgia, febre, abaulamento.
A pressão pode romper a MT: otorreia mucopurulenta e alívio característico da dor.
Reabsorção lenta pela tuba: a efusão pode persistir de 1 semana a 3 meses sem ser falha terapêutica.
O resumo coloca pneumococo > hemófilo > moraxela, que é a resposta esperada em prova. Estudos na era da vacina pneumocócica conjugada mostram H. influenzae não tipável tão ou mais frequente. Na dúvida, a trinca é o que importa; S. aureus, Streptococcus beta-hemolítico do grupo A e Neisseria são distratores.
Sintomas: otalgia de início abrupto (mais frequente, sobretudo em crianças maiores); febre (característica, não obrigatória); no lactente: irritabilidade, choro, recusa alimentar, mexer/puxar a orelha; otorreia recente; IVAS concomitante. MT normal: perolada, semitransparente, com triângulo luminoso, em posição neutra e móvel.
O resumo lista "intensa hiperemia timpânica" como critério isolado. Pela AAP (2013), a hiperemia intensa entra junto com abaulamento leve/dor recente. Hiperemia isolada não fecha OMA: choro, febre e IVAS viral deixam a MT vermelha e opaca. O achado mais específico é o abaulamento.
| Estágio | Sintomas | Otoscopia |
|---|---|---|
| Hiperemia | Desconforto, febre baixa, alimentação ok | Hiperemia/vascularização da MT |
| Exsudação | Dor importante, febre alta (38–39 °C), recusa alimentar | Abaulamento da MT |
| Supuração | Alívio da dor, alimentação volta | Perfuração + otorreia purulenta; hiperemia |
| Complicação (raro) | Dor intensa, febre alta, toxemia, sinais do sítio | Abaulamento, sinais retroauriculares |
| Critério | Otite externa difusa | Otite média aguda |
|---|---|---|
| Estação | Verão, água | Inverno, IVAS |
| Idade | Todas | Crianças (6–36 m) |
| Tração do pavilhão / tragus | Dói muito | Não dói |
| Secreção | Frequente, sem muco, descamativa | Só se perfurar: mucopurulenta |
| Febre | Geralmente afebril | Frequente |
| Audição | Normal (salvo edema oclusivo) | Hipoacusia condutiva |
| Tratamento | Limpeza + gota tópica | Analgesia ± ATB sistêmico |
O quadro comparativo do resumo diz "OMA: sem secreção" e "OE: audição ok". São tendências, não regras: a OMA supurada tem otorreia (e a dor melhora), e a OE com CAE ocluído causa hipoacusia condutiva.
A decisão depende de certeza diagnóstica, gravidade, idade, lateralidade e otorreia. Analgesia é para todos — e costuma ser esquecida.
Paracetamol, ibuprofeno ou dipirona (podem ser associados). A dor é o principal fator incapacitante.
Válido para crianças sem síndromes, imunodeficiência, fenda palatina ou implante coclear — nessas, conduta mais intervencionista.
| Idade | OMA grave* ou com otorreia | Não grave · bilateral | Não grave · unilateral |
|---|---|---|---|
| < 6 meses | ATB | ATB | ATB |
| 6–23 meses | ATB | ATB | ATB ou observar |
| ≥ 24 meses | ATB | ATB ou observar | ATB ou observar |
*Grave: otalgia moderada/intensa, otalgia ≥ 48 h ou febre ≥ 39 °C (AAP 2013).
O quadro do resumo (Rotinas) aceita amoxicilina 40–50 mg/kg/dia como tratamento inicial. A AAP recomenda 80–90 mg/kg/dia (dose alta) por causa do pneumococo com resistência intermediária; a dose de 50 mg/kg/dia é usada em alguns protocolos brasileiros para regiões de baixa resistência. Em questão de prova que peça "dose alta" ou siga AAP, marque 80–90. O resumo também risca azitromicina como alternativa na alergia e coloca cefuroxima: correto para alergia não anafilática.
Ampicilina (pior absorção oral, 4×/dia — não é a resposta), SMX-TMP e macrolídeos (resistência do pneumococo), cefalexina (1ª geração, não cobre H. influenzae), estreptomicina (absurdo). Amox-clav de primeira em criança > 2 anos sem ATB recente/conjuntivite = errado.
OMC = processo inflamatório da orelha média com dano tecidual irreversível; classicamente perfuração timpânica, otorreia recorrente e hipoacusia (a perfuração é típica, mas não obrigatória). Fatores de risco: creche, fumantes em casa, mãe com história de otorreia, IVAS de repetição; disfunção tubária crônica.
Perfuração central (há bordo/anel timpânico nos 360°) · otorreia intermitente.
Epitélio escamoso queratinizado na orelha média, osteolítico e migratório · otorreia contínua e fétida.
Perfuração central = "segura" (tubotimpânica). Perfuração marginal ou atical + otorreia fétida contínua = colesteatoma ("perigosa", atico-antral) → TC e cirurgia.
Raras na era antibiótica, mais comuns na OMA em crianças (mastoidite) e no colesteatoma (erosão óssea). Suspeitar diante de: febre alta persistente, toxemia, otalgia intensa, cefaleia, vômitos, vertigem, paralisia facial, rigidez de nuca, alteração de consciência.
O fluxograma do resumo saiu truncado no OCR. A classificação usual é: intratemporais (dentro do osso temporal) e extratemporais, estas divididas em extracranianas e intracranianas.
TC de ossos temporais/crânio com contraste; RM se suspeita intracraniana (abscesso, trombose — angio-RM/venografia). Punção lombar se meningite e sem efeito de massa.
Ceftriaxona (± vancomicina, ± metronidazol se intracraniano/colesteatoma; cobertura antipseudomonas se OMC).
Miringotomia/timpanotomia com tubo de ventilação + cultura. Na paralisia facial por OMA: ATB EV + miringotomia/TV (corticoide pode ser associado); não é indicação de descompressão de rotina.
Mastoidectomia se abscesso subperiosteal que não resolve, falha clínica em 48 h, colesteatoma, complicação intracraniana; neurocirurgia para abscessos; anticoagulação na trombose é individualizada.
Pavilhão deslocado anteroinferiormente + apagamento do sulco retroauricular.
Mastoidite aguda (± abscesso subperiosteal). Internar, TC com contraste, ATB EV (ceftriaxona ± clindamicina/vanco), miringotomia com tubo e cultura; drenagem/mastoidectomia se abscesso ou sem melhora em 48 h. Descartar complicação intracraniana.
Mecanismo: inflamação por deiscência natural × erosão óssea por massa.
Na OMA, o nervo inflama por contato através de deiscência do canal; drenando a orelha (miringotomia/TV) + ATB EV, a maioria recupera. No colesteatoma, há erosão e compressão por doença que só sai com bisturi → mastoidectomia precoce.
Exclui doença da orelha, não a causa da dor. Metade das otalgias é referida — e tumor de VADS pode se apresentar só assim.
Falso. ≥ 6 meses e não grave: observação é opção (6–23 m só se unilateral). O absoluto vale só para < 6 meses.
Falso. Choro e IVAS deixam a MT vermelha. O achado-chave é abaulamento (com efusão).
Falso, a menos que: ATB nos últimos 30 dias, conjuntivite purulenta, OMA recorrente refratária ou falha em 48–72 h.
Falso. Efusão pós-OMA persiste até 3 meses. Falha = sintomas que não melhoram/pioram em 48–72 h.
Falso. Limpeza + gota tópica + analgesia. Sistêmico: extensão, DM/imunossupressão, OEN.
Falso. Com perfuração ou tubo: quinolona (não ototóxica).
Falso. Tratamento eminentemente cirúrgico; otorreia fétida que não melhora com clínico é pista.
Falso. Espera vigilante 3 meses; tubo se persistente com perda auditiva.
Questões 7 a 12 da prova antiga de MED06663. As marcações do aluno no PDF não são gabarito — na Q9 ele circulou ampicilina, e está errado.
Por quê: a orelha média é extensão da rinofaringe; as bactérias da OMA são as que colonizam a nasofaringe da criança: S. pneumoniae, H. influenzae não tipável e M. catarrhalis.
Otite média = germes respiratórios (pneumo/hemófilo/moraxela). Otite externa e OMC = germes de pele e água (Pseudomonas/S. aureus).
Por quê: em crianças com OMA e conjuntivite purulenta, o H. influenzae não tipável é o patógeno mais comum. Implicação terapêutica: como pode produzir betalactamase, a escolha passa a ser amoxicilina + clavulanato.
Olho vermelho com pus + tímpano abaulado = Haemophilus = amox-clav.
Por quê: 18 meses está na faixa 6–23 meses, em que ATB é indicado para OMA grave ou bilateral; a observação só é opção para unilateral não grave e com reavaliação garantida. Diante de "quadro bem determinado" sem esses dados, a conduta mais segura e a esperada é tratar, e o ATB de primeira escolha é a amoxicilina.
< 2 anos: duração de 10 dias. Se usou amoxicilina nos últimos 30 dias ou tem conjuntivite → amox-clav.
Por quê: a limpeza meticulosa do CAE é a medida isolada mais importante; em seguida, gota antibiótica tópica (quinolona ± corticoide) que atinge concentração altíssima no local; e analgesia. "Hígido" é a palavra que tira o ATB sistêmico.
Se a MT não é visível ou há perfuração, a gota deve ser quinolona — nada de aminoglicosídeo.
Por quê: eficaz, barata, segura, espectro estreito, boa palatabilidade. A primeira escolha independe da idade (> ou < 2 anos): o que muda a escolha é ATB recente, conjuntivite, alergia ou falha.
Criança > 2 anos com OMA não grave pode até ser observada — mas se a pergunta é "qual ATB", é amoxicilina.
Otoscopia + microscopia normais, sem hipoacusia, 6 meses, unilateral.
Otalgia secundária (referida/reflexa). A doença está fora da orelha, no território de V, VII, IX, X ou C2–C3. A causa mais comum é DTM; a que não pode ser perdida, sobretudo por ser unilateral e persistente, é neoplasia do trato aerodigestivo superior.
Percorra cada nervo e seu território.
Caracterizar a dor (início, intensidade, duração, tipo — choque/queimação/pressão, gatilhos, fatores de melhora/piora). Depois: ATM (dor ao mastigar, estalidos, bruxismo, cefaleia matinal), dentes (dor, cáries, 3º molar, prótese), nariz (obstrução, epistaxe, rinorreia unilateral), faringe/laringe (odinofagia, disfagia, rouquidão, sensação de corpo estranho, DRGE), pescoço (massa, cervicalgia, dor à rotação), sintomas otológicos sutis (plenitude, zumbido) e fatores de risco oncológico: idade > 50, tabagismo, etilismo, CA de cabeça e pescoço prévio, perda de peso.
Com otoscopia e microscopia normais e audição preservada, a otalgia primária é pouco provável; o quadro deve ser conduzido como otalgia referida, que responde por cerca de metade das otalgias. A orelha recebe inervação sensitiva de V (auriculotemporal), VII (intermédio), IX (Jacobson), X (Arnold) e C2–C3 (grande auricular e occipital menor); a dor pode ter origem em qualquer estrutura desses territórios.
Audiometria tonal e timpanometria (excluir disfunção tubária/efusão sutil). Se normais, reforça otalgia referida.
Características e gatilhos da dor; sintomas de ATM, dentários, nasais, faringolaríngeos (disfagia, odinofagia, rouquidão), cervicais, DRGE; e fatores de risco para carcinoma (> 50 anos, tabagismo, etilismo, CA prévio, emagrecimento).
Com fatores de risco ou achado suspeito: TC e/ou RM de cabeça e pescoço (base de crânio, nasofaringe, parótida), endoscopia digestiva alta e biópsia de qualquer lesão. Radiografia/TC de ATM, avaliação odontológica ou imagem cervical conforme a hipótese; TC para processo estiloide se suspeita de Eagle.
DTM (mais comum: analgesia, calor, placa oclusal, fisioterapia), causas dentárias, sialolitíase/parotidite, faringotonsilites, DRGE, doença da coluna cervical (fisioterapia), neuralgias do trigêmeo e do glossofaríngeo (carbamazepina), síndrome de Eagle e neoplasias de nasofaringe, orofaringe, hipofaringe, laringe e língua. Trata-se a causa; não se prescrevem gotas otológicas ou antibiótico empírico. Sem causa identificada, manter seguimento e reinvestigar, especialmente em paciente de risco — otalgia unilateral persistente é tumor até prova em contrário.
I – Trata-se de osteomielite do osso temporal e base do crânio, sendo idosos diabéticos o grupo mais suscetível.
II – O agente mais frequente é o Staphylococcus aureus, o que justifica o uso de cefalexina oral.
III – Tecido de granulação no assoalho do CAE e paralisia facial são achados que reforçam o diagnóstico.
IV – Sendo a otalgia inespecífica, o tratamento com gotas tópicas por 7 dias é suficiente na maioria dos casos.
I correta (definição + perfil). II errada: P. aeruginosa em mais de 90%; tratamento com quinolona/antipseudomonas EV. III correta: granulação na junção osteocartilaginosa e VII são marcos. IV errada: internação, ATB sistêmico ≥ 6 semanas, controle glicêmico.
Idoso diabético + otite externa que não cura + dor noturna = TC de temporal e internação.
( ) Na otite externa difusa aguda, a dor à tração do pavilhão e à compressão do tragus é característica.
( ) A otomicose costuma surgir após uso prolongado de gotas antibióticas e cursa com prurido mais do que dor.
( ) Gotas com gentamicina são seguras mesmo na presença de perfuração timpânica.
( ) A pericondrite do pavilhão acomete classicamente o lóbulo.
( ) Secreção com muco sugere origem na orelha média.
1) V. 2) V — Aspergillus/Candida, prurido intenso. 3) F — aminoglicosídeo tópico é ototóxico com perfuração. 4) F — o lóbulo não tem cartilagem e é poupado. 5) V — células produtoras de muco só existem na mucosa da orelha média.
Pericondrite que poupa o lóbulo = cartilagem. Celulite que inclui o lóbulo = pele.
Por quê: choro, febre e IVAS causam hiperemia da MT. Sem abaulamento/efusão, não há OMA. O resto está correto.
"Vermelho" não é critério; "abaulado" é.
Por quê: a opção de observar existe só a partir de 6 meses. Abaixo disso, OMA confirmada = antibiótico, independentemente de lateralidade e gravidade.
< 6 m: sempre ATB. 6–23 m: ATB se grave ou bilateral. ≥ 24 m: ATB se grave.
Por quê: OMA grave (dor intensa, febre ≥ 39 °C) → ATB em qualquer idade. Dois motivos independentes para amox-clav: amoxicilina nos últimos 30 dias e conjuntivite purulenta (Haemophilus produtor de betalactamase).
Gatilhos de amox-clav: 30 dias · conjuntivite · falha em 48–72 h · recorrência refratária.
I – O colesteatoma congênito é encontrado atrás de membrana timpânica íntegra, em paciente sem história de otites.
II – O colesteatoma adquirido secundário resulta da migração epitelial através de perfuração marginal.
III – O tratamento da otite média crônica colesteatomatosa é eminentemente cirúrgico, sendo a TC de ossos temporais o exame de escolha para avaliar extensão.
Congênito (restos epiteliais embrionários, MT íntegra); adquirido primário (bolsa de retração); secundário (perfuração marginal). Tratamento cirúrgico; TC define extensão, ossículos, tégmen, canal semicircular lateral e facial.
Primário = retração. Secundário = perfuração marginal. Congênito = MT íntegra.
Por quê: complicação intratemporal da OMA. Exige internação, imagem (abscesso subperiosteal? intracraniano?), ATB EV e drenagem da orelha média; mastoidectomia se abscesso que não resolve ou ausência de melhora.
Orelha "de abano" + sulco retroauricular apagado = mastoidite até prova em contrário.
Por quê: otalgia referida em paciente de alto risco com sintomas de alarme (odinofagia, emagrecimento) → excluir carcinoma de VADS (hipofaringe/orofaringe/laringe via IX e X).
Otalgia + tabaco + álcool + > 50 anos = endoscopia de VADS.
Por quê: otalgia + vesículas no território do VII + paralisia facial periférica (acomete a testa) = herpes zoster ótico (gânglio geniculado). Antiviral + corticoide precoces; pior prognóstico que Bell.
Olhe a concha em toda paralisia facial periférica: vesícula muda o diagnóstico e o tratamento.
Responda em voz alta antes de tocar. Errou? Volte à seção correspondente.
V (auriculotemporal), VII (intermédio), IX (Jacobson), X (Arnold), grande auricular (C2–C3) e occipital menor (C2).
DTM/ATM. Neoplasia de VADS em > 50 anos, tabagista/etilista.
Pseudomonas aeruginosa nas três (S. aureus é o segundo; S. aureus é o principal da furunculose).
Limpeza meticulosa do CAE (microaspiração), seguida de gota tópica.
Idoso diabético/imunossuprimido; dor noturna desproporcional, granulação no assoalho do CAE, paralisia do VII. TC + internação + antipseudomonas ≥ 6 semanas.
Otalgia + vesículas na concha/CAE + paralisia facial periférica (± VIII). Antiviral + corticoide.
Pneumococo, H. influenzae não tipável, Moraxella. Conjuntivite purulenta → Haemophilus.
Abaulamento moderado a intenso da MT (ou otorreia recente). Sem efusão não é OMA.
< 6 meses; qualquer idade se grave (dor moderada/intensa, dor ≥ 48 h, febre ≥ 39 °C) ou otorreia; 6–23 meses se bilateral.
Amoxicilina 80–90 mg/kg/dia 12/12 h. Amox-clav: amoxicilina nos últimos 30 dias, conjuntivite purulenta, falha em 48–72 h, recorrência refratária.
≥ 3 em 6 meses ou ≥ 4 em 12 meses (≥ 1 nos últimos 6). Tubo se efusão presente na avaliação.
Observar 3 meses, sem medicação; tubo se bilateral ≥ 3 meses com perda auditiva. Adulto unilateral: nasofibroscopia (tumor de nasofaringe).
Simples: perfuração central, otorreia intermitente (água/IVAS), gota de quinolona + timpanoplastia. Colesteatoma: perfuração marginal/atical, otorreia contínua fétida, erosão óssea, TC + cirurgia.
Mastoidite aguda; meningite.
Griesinger: edema sobre a mastoide na trombose do seio sigmoide. Gradenigo: otorreia + dor retro-orbitária (V) + paralisia do VI (petrosite).
~50% das otalgias são referidas (V, VII, IX, X, C2–C3). DTM é a mais comum; tumor de VADS no tabagista > 50 anos é a que não se perde.
Pseudomonas/S. aureus, dor à tração do pavilhão. Limpeza + gota tópica (quinolona se perfuração). Sistêmico só com extensão ou imunossupressão.
Dor noturna, granulação no CAE, paralisia do VII. TC, internação, antipseudomonas ≥ 6 semanas.
< 6 m sempre ATB; grave ou otorreia sempre; 6–23 m bilateral ATB; resto pode observar 48–72 h com retorno garantido.
80–90 mg/kg/dia. Amox-clav se ATB em 30 dias, conjuntivite (Haemophilus) ou falha. Nunca ampicilina, SMX-TMP ou cefalexina.
Perfuração central = simples (gota + timpanoplastia). Marginal/fétida = colesteatoma (TC + cirurgia). Edema retroauricular = mastoidite: internar, TC, ATB EV, tubo.