Da unidade mucociliar à órbita e ao cérebro: rinite alérgica e não alérgica, resfriado, rinossinusite viral × pós-viral × bacteriana, crônica, fístula liquórica e as complicações que mandam internar. Revisada pelo livro dos professores (Rotinas em ORL, 2015).
Antes de qualquer rinite ou sinusite, entenda por que o seio adoece. Os seios paranasais (maxilar, etmoidal anterior e posterior, frontal e esfenoidal) são cavidades aeradas revestidas pela mesma mucosa respiratória do nariz e drenam para a fossa nasal por óstios estreitos. Por isso processos dessa região raramente ficam restritos ao nariz ou só aos seios, e o nome mudou de sinusite para rinossinusite. Rotinas · Semiologia nasossinusal

| Estrutura | Drenagem | Por que importa |
|---|---|---|
| Maxilar, frontal, etmoide anterior | Meato médio (complexo ostiomeatal / hiato semilunar) | "Encruzilhada": um edema pequeno aqui bloqueia 3 seios de uma vez. Secreção purulenta saindo pelo meato médio confirma rinossinusite daquele lado. |
| Etmoide posterior, esfenoide | Meato superior / recesso esfenoetmoidal | Esfenoidite: dor retro-orbitária/occipital, risco de complicação (seio cavernoso, nervo óptico). |
| Ducto nasolacrimal | Meato inferior | Não drena seio. Lacrimejamento na obstrução. |
| Raízes de pré-molares/molares superiores | Assoalho do seio maxilar | Única exceção à origem nasal: sinusite odontogênica (contaminação direta por raízes dentárias contaminadas ou fístulas). |
Maxilar e etmoide já existem ao nascer → sinusite etmoidal é a típica da criança pequena (e a principal fonte de complicação orbitária). Antes do seio frontal se formar, a órbita só faz limite com seios nas paredes inferior e medial; depois, com o frontal também em cima Rotinas · cap. 4.16. Frontal só aparece por volta dos 6–8 anos → tumor de Pott e complicações intracranianas de origem frontal são de adolescentes e adultos jovens. O raio X de seios é ainda pior em menores de 6 anos Rotinas · cap. 4.4.
A unidade mucociliar é formada pelo epitélio respiratório pseudoestratificado ciliado, células caliciformes e glândulas submucosas. O muco é varrido pelos cílios sempre em direção ao óstio natural, depois para a rinofaringe e é deglutido. Segundo o Piltcher, é o grau de lesão dessa unidade e o tempo para ela se recuperar que definem a convalescença do paciente. Rotinas · cap. 4.4

Na RSA o principal fator é a resposta inflamatória aguda à infecção viral, seguida ou não de bactéria. Anatomia e alergia podem participar como indutores.
Destruição ciliar, mais muco, exposição de terminações neurais, edema e fechamento dos óstios de drenagem.
Seio sem ventilação e sem drenagem; muco parado vira meio de cultura.
Evoluem para bacteriana cerca de 2% dos adultos e 5–15% das crianças. Rotinas · cap. 4.4
A resolução dessas alterações pode demorar 10 a 30 dias. Por isso tosse e secreção residual depois de 10 dias nem sempre significam bactéria.
1. Patência do óstio natural · 2. Função/atividade mucociliar · 3. Quantidade e qualidade da secreção. O capítulo do Piltcher resume em dois equilíbrios básicos: funcionamento da unidade mucociliar e ventilação das cavidades nasais e paranasais Rotinas · cap. 4.4. Nos agudos, as infecções (virais e bacterianas) são o principal agente; nos crônicos, manda a resposta inflamatória desorganizada, associada ou não a doenças genéticas do cílio ou do muco (discinesia ciliar, fibrose cística).


Pergunte: há quanto tempo? Varia no dia? Sintomas associados (prurido, espirros, lacrimejamento, dor de garganta)? Anterior ou posterior? Unilateral ou bilateral? Tem odor? Diferenciais: rinite alérgica, rinite não alérgica, resfriado/gripe, rinossinusite aguda ou crônica, corpo estranho e fístula liquórica. A cor da secreção isolada não define etiologia: só ajuda junto com tempo, exame e, eventualmente, exames. Lembre também: obstrução nasal bilateral no recém-nascido é emergência (não sabe respirar pela boca).
Nos fatores locais. Qual deles cada doença quebra?
Fibrose cística altera a qualidade da secreção (muco espesso e desidratado) e discinesia ciliar altera a função mucociliar. Os dois levam a estase no seio mesmo com óstio aberto. No livro, ambas aparecem no "círculo genético" dos fatores associados à rinossinusite crônica (Fig. 4.5.3).
Qual a única exceção à regra de que a rinossinusite começa na fossa nasal?
Rinossinusite odontogênica: contaminação direta do seio maxilar pelas raízes dentárias ou fístula oroantral. Flora com anaeróbios e tratamento da causa dentária. E não esqueça: secreção purulenta unilateral e muito fétida também pode ser corpo estranho ou tumor.
O que acontece com a resistência nasal quando esses vasos enchem?
Obstrução nasal. Mediadores como bradicinina e histamina dilatam o plexo venoso da concha inferior e do septo (área da válvula nasal) e o fluxo aéreo cai. É o alvo dos vasoconstritores; na rinite alérgica o ciclo nasal fica exagerado, com obstrução alternante. Rotinas · cap. 4.3
Rinite alérgica é a inflamação do nariz e estruturas adjacentes por exposição a alérgenos, mediada por IgE (hipersensibilidade tipo I). Clinicamente: um ou mais de rinorreia, espirros, prurido e congestão. É a doença crônica mais comum do mundo, hereditária, sem preferência por sexo ou etnia, com início dos 5 aos 20 anos (pico na infância e adolescência). No Brasil: 25,7% aos 6–7 anos e 29,6% aos 13–14 anos. Rotinas · cap. 4.1
Primeiro contato com o alérgeno → resposta Th2 → IgE específica que se fixa em mastócitos.
Reexposição → degranulação do mastócito → histamina, leucotrienos → prurido, espirros, rinorreia aquosa.
Marco da doença segundo o livro: acúmulo de eosinófilos, aumento de moléculas de adesão, quimiocinas, citocinas, histamina e leucotrienos → obstrução persistente e hiper-reatividade.

| Eixo | Categoria | Critério |
|---|---|---|
| Duração | Intermitente | < 4 dias/semana OU < 4 semanas seguidas |
| Persistente | ≥ 4 dias/semana E ≥ 4 semanas seguidas | |
| Intensidade | Leve | Sono normal, atividades diárias (escola, trabalho, esporte) normais, sem sintomas indesejáveis |
| Moderada/grave | 1 ou mais: sono anormal, comprometimento das atividades, sintomas indesejáveis |


O diagnóstico de rinite é essencialmente clínico; o de rinite alérgica é a fusão da história com testes que demonstram IgE específica na pele (prick) ou no sangue (RAST/ImmunoCAP). Quem realmente precisa de investigação detalhada é o paciente com rinite perene com sintomas moderados a graves, o mais refratário. Rotinas · cap. 4.1
Rinite alérgica não precisa de confirmação radiológica. E lembre a frase do livro: muitos assintomáticos têm IgE específica positiva clinicamente irrelevante (sensibilização sem doença). No "teoria versus prática", o autor critica chamar toda inflamação nasal de "rinite" e tratá-la como alérgica.
Controle ambiental (irritantes, fumaça, ácaros, baratas, animais, pólens, fungos) + lavagem nasal com soro isotônico ou hipertônico (a medida mais conservadora e simples: sem efeitos adversos e muito barata). Depois, medicação: Rotinas · cap. 4.1 e 7.4
| Tipo de rinite | Anti-histamínico | Corticoide tópico | Anticolinérgico | Antileucotrieno |
|---|---|---|---|---|
| Alérgica | ++ | +++ | + | +++ |
| Infecciosas | +++ (só com descongestionante)* | +++ | +++ | + |
| Eosinofílica não alérgica | +++ (só com descongestionante) | +++ | – | +++ |
| Idiopática | +++ (só com descongestionante) | +++ | + | ++ |
| Ocupacional | +++ (se alérgica) | +++ | – | +++ (se alérgica) |
| Do idoso | + | + | +++ | |
| Gestacional | Não aconselhável | Somente no último mês | Não aconselhável | |
| No esporte | +++ (só com descongestionante) | +++ | – | |
| Gustativa | ++ (só com descongestionante) | + | +++ | |
| Medicamentosa | +++ (só com descongestionante) | +++ | – | |
| Por fármacos | – | – | – |
– sem efeito · + pouco eficaz · ++ eficácia média · +++ eficácia alta. *Há estudos com azelastina tópica e desloratadina com efeito sem descongestionante. Fonte: Mion e Mello, em Rotinas (2015).
Antileucotrieno. O livro (Tabela 4.1.1) dá +++ ao antileucotrieno na rinite alérgica, igual ao corticoide tópico. Diretrizes mais recentes (ARIA) colocam o montelucaste abaixo do corticoide tópico e do anti-H1 oral, e a FDA emitiu alerta (2020) de efeitos neuropsiquiátricos. Para a prova: fique com o livro na tabela, mas lembre que o próprio livro diz que o corticoide tópico é a 1ª linha e é mais eficaz que anti-H1 + antileucotrieno juntos.
Herança. O livro diz que, com um dos pais alérgico, o risco dos filhos pode passar de 80%. A literatura costuma citar ~30–50% com um dos pais e ~60–80% com ambos. Para a prova, > 80% (livro).
Duração: dias/semana e semanas seguidas. Intensidade: basta 1 item alterado.
Persistente moderada/grave (sintomas diários há mais de 4 semanas e sono prejudicado). Controle ambiental + lavagem nasal + corticoide tópico nasal diário; associar anti-H1 de 2ª geração se prurido/espirros persistirem. É exatamente o perfil (perene, moderado a grave) que o livro diz precisar de investigação alérgica detalhada e discussão de imunoterapia.
Olhe a Tabela 4.1.1: anti-H1 tem "++" na alérgica. Qual mediador predomina na fase tardia?
A obstrução vem da fase tardia, com infiltrado eosinofílico e edema, não só da histamina. O anti-H1 controla bem prurido, espirros e rinorreia; quem trata a inflamação, e portanto a congestão, é o corticoide tópico ("eficaz para todos os sintomas, incluindo a congestão").
Rinites não alérgicas têm os mesmos sintomas (rinorreia, prurido, obstrução, espirros; às vezes hiposmia e roncos), mas não são mediadas por IgE específica: prick-test e IgE sérica (RAST) negativos. Diagnóstico clínico e de exclusão da alérgica. Começam mais tarde e sem antecedentes familiares. Dividem-se em infecciosas (viral, bacteriana, fúngica; ver resfriado) e não infecciosas (Quadro 4.2.1). A citologia nasal ajuda a diferenciar. Rotinas · cap. 4.2
| Crianças | Adultos | Idosos | |
|---|---|---|---|
| Rinite alérgica | 66% | 56% | 12,4% |
| Rinite idiopática | 15% | 20,5% | 44% |
| Eosinofílica não alérgica | 8,5% | 13,5% | 24,2% |
| Outras rinites | 10,5% | 10% | 19,4% |
| Tipo | Marca registrada | Mecanismo | Tratamento-chave (livro) |
|---|---|---|---|
| Idiopática (ex-vasomotora) | A mais comum das não alérgicas; mulher 40–60 anos; odores fortes, irritantes, temperatura e umidade | Neural | Corticoide tópico; curso curto de corticoide oral se obstrução grave; azelastina tópica |
| Eosinofílica não alérgica (RENA) | Eosinofilia nasal com prick e IgE normais; > 20–30 anos; espirros, rinorreia, prurido persistentes; 50% hiper-reatividade brônquica, ~30% pólipos, alguns intolerantes ao AAS | Eosinofílico | Corticoide tópico; cirurgia dos pólipos se preciso; evitar AAS e AINE |
| Irritativa | Químicos, gases, diesel, poluentes; obstrução, rinorreia aquosa e espirros conforme a concentração | Neural (reflexo parassimpático) | Afastar o agente + corticoide tópico ± descongestionante oral |
| Ocupacional | Irritantes do trabalho: obstrução e ardência, depois rinorreia profusa | Neural | Máscaras, aspiradores e filtros de ar |
| Medicamentosa | Uso prolongado de vasoconstritor tópico; frequência elevada; congestão com mucosa edemaciada, vermelha e friável | Por medicamento (rebote de vasodilatação) | Tratar a causa inicial; suspender o descongestionante; corticoide tópico ou sistêmico; descongestionante sistêmico; cirurgia se alteração anatômica permanente |
| Induzida por fármacos | Alfa e betabloqueadores: reserpina, guanetidina, fentolamina, metildopa, IECA, prazosina; também AAS, AINE, clorpromazina, betabloqueador colírio, anticoncepcional oral | Por medicamento (↓ tônus simpático) | Revisar medicações |
| Hormonal | Menstruação, ACO com estrogênio alto, hipotireoidismo, acromegalia | Hormonal (receptor estrogênico → parassimpático) | Tratar a causa |
| Gestacional | Congestão nas últimas ≥ 6 semanas, sem espirros, prurido ou rinorreia; some 2 semanas após o parto; 30–40% das gestantes; 2º–3º trimestre | Hormonal (estrogênio) | Lavagem nasal; corticoide tópico na menor dose e menor tempo, preferir budesonida; outros só por curto período e com o obstetra |
| Do idoso | Maioria anérgica após 65 anos; rinorreia clara, profusa; sintomas bilaterais | Neural (predomínio parassimpático, acetilcolina) | Lavagem; ipratrópio tópico (não disponível no Brasil); anti-H1 2ª geração, anti-H1 tópico, antileucotrieno; nunca anti-H1 de 1ª geração |
| Do atleta | Rara; rebote de obstrução após exercício longo (corredor, ciclista) | Rebote pós-noradrenalina | Anti-H1 2ª geração e/ou corticoide tópico (não sedativos e permitidos) |
| Gustativa | Rinorreia clara e profusa ao comer comida quente/condimentada; em quem já tem idiopática | Neural (colinérgico) | Anticolinérgico tópico diário ou antes das refeições |
Descongestionante tópico altera a fisiologia nasal e causa efeito rebote de vasodilatação, com mais congestão depois de cada uso. O livro diz evitar por períodos superiores a 7 dias (no cap. 4.1: não usar por mais de 5–7 dias). Conduta em 4 passos: (1) investigar e tratar a causa que levou ao uso (rinite alérgica, desvio septal, hipertrofia de conchas); (2) suspender o vasoconstritor tópico; (3) corticoide tópico nasal ou sistêmico, ± descongestionante sistêmico; (4) cirurgia nasal se a alteração anatômica for permanente.
O que o vasoconstritor faz com o tônus vascular depois que o efeito passa? E por que ela começou a usar?
Rinite medicamentosa. Conduta do livro: investigar e tratar a causa inicial da obstrução (rinite alérgica, desvio septal, hipertrofia de conchas), suspender o vasoconstritor tópico, corticoide tópico nasal ou sistêmico, descongestionante sistêmico se preciso, e cirurgia nasal se a alteração anatômica for permanente.
Qual sistema autonômico predomina no idoso? Quais efeitos adversos pesam nessa idade?
Rinite do idoso (predomínio parassimpático) com componente gustativo. Não prescrever anti-H1 de 1ª geração (sedação, retenção urinária, problemas de acomodação visual) e cuidado com descongestionante sistêmico (cardiovascular, SNC, retenção urinária). Lavagem nasal, anticolinérgico tópico (ipratrópio, que o livro lembra não estar disponível no Brasil) e, se preciso, anti-H1 de 2ª geração. Sempre revisar medicações (rinite por fármacos).
Adultos têm 2 a 4 resfriados por ano; crianças, 6 a 8. O principal agente do resfriado (nasofaringite aguda) é o rinovírus (~metade dos casos); o influenza responde por 5–15% dos resfriados, então resfriado e gripe se sobrepõem. Mais comum no outono e inverno. O diagnóstico é clínico. Rotinas · cap. 4.3

| Sintoma no resfriado (Tab. 4.3.1) | Probabilidade |
|---|---|
| Obstrução/congestão nasal | 80–100% |
| Espirros | 50–70% |
| Dor ou irritação na garganta | 50% |
| Tosse | 40% |
| Rouquidão | 30% |
| Cefaleia | 25% |
| Fadiga/mal-estar | 20–25% |
| Febre | 0,1% |
Não há evidência que sustente usar cor ou pus para prescrever antibiótico. A secreção vai de hialina → amarela → verde durante a própria infecção viral pelo aumento de leucócitos, principalmente neutrófilos. A mudança reflete a gravidade da inflamação, não a etiologia.
| Recomendação | SORT |
|---|---|
| Antibióticos não devem ser usados no resfriado comum | A |
| Antigripais de venda livre não devem ser usados em < 4 anos | B |
| Pelargonium sidoides, lavagem nasal com soro e zinco podem reduzir sintomas em crianças | B |
| Codeína não é eficaz para tosse em adultos | A |
| Anti-histamínico isolado não melhora sintomas em adultos | A |
| Descongestionantes, anti-H1 + descongestionante e ipratrópio intranasal podem melhorar sintomas | B |
| AINE reduz a dor do resfriado em adultos (naproxeno também ajuda na tosse) | A |
| Pelargonium sidoides pode reduzir gravidade e duração em adultos | B |
Trate o sintoma que mais incomoda (não há "receita-padrão"): AINE para quem tem dor no corpo, descongestionante para quem tem congestão. Profilaxia: a principal medida é lavar as mãos (sabonete comum é igual ao antisséptico); vitamina C só encurta a recuperação, não previne; zinco nas primeiras 24 h reduz duração (náusea, gosto metálico).
Capítulo do próprio Piltcher. Rinossinusite é inflamação da mucosa do nariz e dos seios paranasais; o sufixo "ite" só significa inflamação. Prevalência estimada de 10–15% ao ano, doença comum e associada a muitos gastos, porque parte dos resfriados compromete os seios e ~2% dos adultos e até 5–15% das crianças evoluem para bacteriana. Rinossinusite não é sinônimo de bactéria: há RSA viral, fúngica, alérgica etc. Rotinas · cap. 4.4
Dois ou mais sintomas, dos quais um deve ser:
associado ou não a pressão/dor facial e/ou alteração do olfato. Outra proposta usa 1 sintoma maior + ≥ 2 menores (febre, halitose, tosse, pressão nos ouvidos, dor dentária). Todas essas definições são evidência categoria D. Limite do "agudo": até 4 semanas na diretriz canadense e até 90 dias (12 semanas) na europeia.

"Presença de sintomas por mais de 10 dias, isoladamente, não deve mais ser critério para RSAB e para uso de antimicrobiano."
O livro (Rotinas) define pós-viral = sintomas por mais de 10 dias. O EPOS também inclui na pós-viral a piora após o 5º dia, e a IDSA usa como bacteriana "> 10 dias sem melhora", "início grave (febre ≥ 39 °C + pus por 3–4 dias)" ou "dupla piora". Para a prova: viral ≤ 10 dias, pós-viral > 10 dias, bacteriana = 3 dos 5 critérios.
Coriza, obstrução, dor de garganta. Pico dos sintomas por volta do 3º dia.
Esperado. Secreção espessa/amarelada ainda é compatível com viral.
Paciente melhorava e volta a piorar. É 1 dos 5 critérios; somada a febre > 38 °C e dor unilateral intensa, fecha 3.
Por definição, pós-viral. Só vira bacteriana se somar 3 critérios.
A punção maxilar (via meato inferior ou fossa canina) é o padrão-ouro, mas invasiva: só em imunossuprimidos, febre de origem indeterminada, falha terapêutica, complicações. A endoscopia nasal é parte da investigação do especialista. Pense em números a partir da probabilidade pré-teste clínica de 20%: Rotinas · cap. 4.4

O livro cita o H. influenzae primeiro: a vacinação contra cepas de pneumococo tem aumentado a proporção de Haemophilus. Fatores de risco para RSA: inverno e outono, convívio com crianças em idade escolar e fumo passivo. Anatomia (concha bolhosa, células de Haller, desvio septal) e rinite alérgica ainda carecem de evidência inequívoca, mas nos recorrentes o consenso é tratar a alteração anatômica e controlar a alergia de base. Rotinas · cap. 4.4
Tempo de evolução, recaída e os 5 critérios de bactéria.
É RSA viral (≤ 10 dias, sem recaída, sem febre > 38 °C, sem dor unilateral intensa). A cor reflete neutrófilos, não bactéria. Conduta: lavagem nasal com soro, antitérmico/analgésico, hidratação, sem antigripal de venda livre (menor de 4 anos não; ela tem 5, mas o benefício é pequeno), e orientar sinais de retorno (recaída, febre alta, edema palpebral, cefaleia intensa). Explique à mãe que "ite" é inflamação, não bactéria.
O raio X mostra uma sombra no seio. A endoscopia mostra o quê? Pense no que você enxergaria olhando dentro do nariz com uma câmera.
Porque a endoscopia vê o pus; o raio X só vê uma sombra.
Raio X: mostra o seio "velado" (opaco) ou com nível de líquido. Só que isso aparece em quase todo resfriado viral, porque o vírus também enche o seio de secreção e incha a mucosa. Então o raio X não diferencia vírus de bactéria. Na criança (sobretudo abaixo de 6 anos) é ainda pior, porque os seios nem estão totalmente formados.
Endoscopia nasal: uma câmera fina entra no nariz e olha o meato médio, que é a "saída" por onde drenam os seios maxilar, frontal e etmoidal anterior. Se aparece pus escorrendo dali, é sinal direto de infecção bacteriana naquele seio.
O que os números dizem: antes de qualquer exame, só com a clínica, a chance de ser bacteriana é ~20%. Se o raio X vier alterado, essa chance sobe só para ~48% (continua um "cara ou coroa"). Se a endoscopia mostrar pus, sobe para ~78%. VPP de 93% (valor preditivo positivo) quer dizer: quando a endoscopia é positiva, em 93% das vezes realmente existe infecção bacteriana no seio.
Para a prova: raio X de seios da face não serve para diagnosticar rinossinusite. O diagnóstico é clínico; a endoscopia ajuda quando há dúvida; a TC fica para complicação ou cirurgia.
A decisão parte da história natural de cada tipo (viral, pós-viral, bacteriana) e do quanto cada intervenção (expectante, tópica isolada, antibiótico oral) muda de fato essa história e as complicações. Rotinas · cap. 4.4
Medidas para alívio sintomático até a resolução espontânea (média de 7–10 dias, podendo durar mais sem recaída ou complicação). As opções são as do resfriado:
Somando resistência, efeitos adversos e custo, a tendência é conduta mais expectante. A observação ativa ("watchful waiting") exige: dor leve e febre abaixo de 38,3 °C, e a possibilidade fundamental de reavaliação. Educar o paciente sobre prós e contras é primordial.
O livro (Rotinas) lista sulfametoxazol-trimetoprim, macrolídeos ou quinolonas como 1ª linha no alérgico a amoxicilina, ressalvando que só funcionam com pneumococo sensível. A IDSA (2012) não recomenda SMX-TMP nem macrolídeo por alta resistência, e prefere doxiciclina ou quinolona respiratória no adulto. Para a prova: se perguntarem "segundo o livro", as três classes; se a alternativa disser que macrolídeo/cefalosporina têm boa cobertura para pneumococo e Haemophilus na falha, é falsa (o próprio livro diz isso).
Estima-se que pelo menos 60% dos casos tipicamente virais, com poucos dias de evolução, recebem antimicrobiano (no cap. 7.5, "mais de 50%" das IVAS virais). A mensagem do Piltcher: tratar RSA como bacteriana por rotina "não é mais tolerável".
Toque em cada passo. É a sequência que resolve as vinhetas da prova: é rinossinusite? → tem complicação? → há quanto tempo e fecha 3 critérios? → observar ou tratar? → melhorou no 7º dia?
Rinossinusite crônica (RSC): inflamação da mucosa do nariz e seios que persiste por mais de 12 semanas. É considerada a segunda doença crônica mais prevalente: 5–15% por questionário de sintomas (Brasil, Europa, EUA) e 2–4% quando se exige diagnóstico médico. O mito de que toda RSC evolui para pólipo caiu. Rotinas · cap. 4.5

≥ 2 sintomas: obstrução nasal/congestão facial · rinorreia anterior/posterior · hiposmia/anosmia · dor ou pressão facial. Obrigatório: obstrução/congestão ou rinorreia.
Endoscopia: secreção purulenta nos meatos · edema/obstrução do meato médio · pólipos.
Sintomas menores: otalgia, tontura, halitose, dor dental, pigarro, disfonia, tosse, sonolência, distúrbio do sono. Rinorreia costuma ser menor e às vezes só retronasal. Em crianças, tosse com piora noturna é frequente.



"O papel da inflamação na RSC é muito maior que o da infecção." Antibiótico apenas se houver infecção aguda sobreposta, como coadjuvante, cobrindo aeróbios e anaeróbios estritos. O exemplo clássico de erro citado pelo livro: uso repetido e longo de antibiótico numa doença que não tem infecção como fator etiológico. A frase "crônicas guardam relação com agentes infecciosos e agudas com resposta inflamatória" está invertida.


O livro cita anti-IgE (polipose + asma grave) e anti-IL-5 no pós-operatório. Hoje também está aprovado o dupilumabe (anti-IL-4Rα) para RSCcPN grave não controlada. Não é foco da prova.
Círculo genético da Fig. 4.5.3: asma, intolerância ao AAS, polipose. Th1 ou Th2?
RSC com pólipos bilaterais (resposta Th2, eosinofílica). Tratamento clínico do livro: irrigação salina + corticoide tópico nasal + corticoide oral, evitar AAS/AINE; TC para estadiar e planejar; cirurgia se persistir; anti-IgE se asma grave. Antibiótico só se agudização infecciosa.
Fístula liquórica nasal (FLN) é uma comunicação entre o espaço subaracnóideo e os seios paranasais ou a cavidade nasal (abertura em aracnoide, dura-máter, osso e mucosa). O liquor sai pelo nariz: rinoliquorreia, com aspecto de "água de rocha", geralmente unilateral. O risco é a meningite, por isso diagnóstico e tratamento precoces. Rotinas · cap. 4.7
A fluoresceína diluída em água destilada (solução hipodensa) sobe rápido às cisternas com o paciente sentado (minutos); diluída no próprio liquor (hiperdensa) exige Trendelenburg e horas de espera. Nas doses corretas, a complicação é praticamente nula; as descritas vêm de solução inadequada ou dose alta. Marcador radioativo intratecal está em desuso.



Perfil da fístula espontânea primária. O que existe só no liquor e na endolinfa?
Perfil clássico de fístula espontânea primária (mulher, IMC alto, 40–50 anos). Provar liquor: β2-transferrina ou β-traço-proteína (padrão-ouro); alternativa acessível: glicose ≥ 30 mg/dL no líquido coletado em frasco limpo. Não usar glicofita (positiva até com lágrima). Depois, localizar com TC de alta resolução + RM T2; vacina antipneumocócica; cirurgia endoscópica com fluoresceína; atenção à recidiva e à possível hipertensão intracraniana.
Por que o seio "transborda"? O osso entre a mucosa e a órbita é finíssimo (a lâmina papirácea tem poucos milímetros), mais poroso na criança, e há falhas naturais: forames etmoidais anterior e posterior, esfenopalatino, lâmina cribriforme e suturas não consolidadas. Pelo menos 75% das complicações orbitárias vêm de rinossinusite aguda: órbita aguda obriga a investigar o nariz. Outras causas: trauma, infecção de face, picada de inseto, blefarite, conjuntivite, dacriocistite, bacteremia. Rotinas · cap. 4.16

| Estágio | Chandler | Velasco e Cruz |
|---|---|---|
| 1 | Celulite pré-septal | Não é orbitária (é palpebral) |
| 2 | Celulite orbitária | Celulite orbitária |
| 3 | Abscesso subperiosteal | Abscesso subperiosteal |
| 4 | Abscesso orbitário | Abscesso orbitário |
| 5 | Trombose do seio cavernoso | Não é orbitária (é intracraniana) |
Chandler é a mais citada e usada. Mas o capítulo defende a de Velasco e Cruz: o limite anatômico da órbita é o septo orbitário (continuação da periórbita), então pré-septal é palpebral e trombose de seio cavernoso é complicação intracraniana.
Edema e eritema palpebral, olho em si normal. O livro alerta: pela via venosa comum, dificilmente aparece isolada; costuma vir com celulite orbitária ou abscesso. Por isso o capítulo trata pré-septal e orbitária juntas como "orbitopalpebrais", com condutas semelhantes.
Inflamação da gordura intraorbitária, sem coleção: quemose, proptose, dor e calor, ± restrição da motilidade.
Coleção entre a periórbita e o osso (geralmente medial, junto ao etmoide): desloca o globo, limita a motilidade.
Pus dentro da órbita: proptose importante, oftalmoplegia, queda visual, alteração de fundo de olho e reflexo pupilar. Maior risco de sequela visual e de ir ao SNC.
Via veias oftálmicas; olho contralateral acometido em ~48 h. Hoje classificada como complicação intracraniana (seção 11).
Celulite, abscesso subperiosteal e abscesso intraorbitário costumam ser um continuum, e o comprometimento ocular piora conforme forma abscesso. Mas nem todo subperiosteal é mais grave que uma celulite, e quadros graves não precisam passar pelos brandos. Em criança pequena ou com seio muito obstruído, a complicação orbitária pode ser a primeira manifestação, sem queixa nasal.


| Esquemas EV sugeridos no livro (internados) | Criança |
|---|---|
| 1. Clindamicina 600 mg 8/8 h + ceftriaxona 2 g 1×/dia, 14 dias | 25–40 mg/kg/dia + 40–80 mg/kg |
| 2. Oxacilina 1 g 6/6 h + ceftriaxona 2 g 1×/dia, 14 dias | 100 mg/kg/dia + 40–80 mg/kg/dia |
| 3. Amoxicilina-clavulanato 1 g EV 8/8 h | 50 mg/kg/dia |
| 4. Oxacilina 1 g 6/6 h + ciprofloxacino 400 mg 12/12 h, 14 dias | 100 mg/kg/dia + 10 mg/kg |
| 5. Cefuroxima 750 mg 8/8 h + metronidazol 500 mg 8/8 h, 14 dias | 100 mg/kg/dia + 22,5 mg/kg/dia |
Se for colher secreção (swab dirigido do meato médio, punção, material cirúrgico) para cultura e antibiograma, colher antes do antibiótico, desde que não atrase o tratamento; senão, iniciar direto ATB de amplo espectro. E lembre do cap. 4.17: toda complicação orbitária obriga a descartar complicação intracraniana associada, pela clínica e pela imagem.
A pergunta central do fluxograma 4.16.3.
Abra a pálpebra e faça o exame oftalmológico completo: acuidade, motricidade (e dor ao mover), proptose, quemose, pupilas, fundo de olho; e procure sinais de SNC. Faça TC com contraste. Se bom estado geral, sem oftalmoplegia, sem alteração visual e sem sinal de SNC: alguns autores permitem amoxicilina-clavulanato VO 8/8 h por 14 dias com reavaliação em 24–48 h. Qualquer desses sinais, abscesso orbitário ou falta de resposta → internar, ATB EV, e considerar cirurgia. Na dúvida (criança não colabora), trate como grave.
Raras, mas devastadoras. Mortalidade de 4–10% em adultos e 10–20% em crianças; sequelas neurológicas em 25% (epilepsia, déficit cognitivo, perda visual e auditiva). Correspondem a 15–20% das complicações das rinossinusites; 10% dos abscessos intracranianos têm origem sinusal; 3,7–11% dos internados por rinossinusite fazem complicação do SNC. Rotinas · cap. 4.17

Frequência em ordem decrescente (revisão europeia): empiema subdural > abscesso cerebral > meningite > empiema epidural > trombose de seio cavernoso. Definições do livro: empiema = pus dentro de cavidade natural ou virtual; abscesso = coleção parenquimatosa de pus em cavidade formada pela infecção.
| Complicação | Seio de origem | Clínica | Pontos do livro |
|---|---|---|---|
| Meningite | Esfenoide, etmoide, frontal | Febre alta, cefaleia, alteração do estado mental, sinais meníngeos | Germe principal: S. pneumoniae. Diagnóstico pelo LCS; punção só sem sinal de HIC. Cefalosporina de 3ª geração + metronidazol EV. Sequelas comuns. |
| Empiema epidural | Frontal | Expansão lenta; cefaleia, febre, dor e edema do couro cabeludo | Dura aderida ao osso. TC: coleção que não ultrapassa as suturas. S. aureus e Streptococcus. Drenagem neurocirúrgica + cirurgia endoscópica sinusal + ATB EV. |
| Empiema subdural | Frontal, etmoide | Rapidamente progressivo; emergência neurocirúrgica; cefaleia, febre, rigidez de nuca, déficit, rebaixamento, choque séptico | A mais frequente. Punção lombar contraindicada (HIC). TC: crescente hipodenso que pode ultrapassar suturas. ATB EV 2–6 semanas + drenagem do empiema e dos seios. Mortalidade ~25%, morbidade 30%. |
| Abscesso cerebral | Frontal | Fase assintomática → cefaleia, febre, déficit focal; lobo frontal: alteração de humor e comportamento | Tromboflebite e implantação séptica na junção branca-cinzenta. RM: lesão cística com realce anelar. Diferencial: metástase e glioblastoma. Punção contraindicada. Ruptura geralmente fatal. ATB EV + drenagem dos seios. |
| Trombose de seio cavernoso | Esfenoide, etmoide, frontal ou evolução de complicação orbitária | Quemose, edema periorbitário, proptose, papiledema, ↓ acuidade, oftalmoplegia, febre alta | 9% das CICs. Via veias oftálmicas superior e inferior; olho contralateral em ~48 h pelo seio intercavernoso. Mortalidade ~30%, sequela em 50%. ATB em altas doses 3–4 semanas + drenagem dos seios. |
| Trombose do seio sagital superior | Frontal | Estado geral muito comprometido, febre alta, sinais meníngeos, déficits | Geralmente associada a empiema subdural/epidural ou abscesso. |



Osteomielite do osso frontal com abscesso subperiosteal: a infecção do seio frontal (aguda ou crônica) acomete a tábua anterior e gera um edema mole e flutuante na testa (descrito por Percivall Pott, 1775). Germe principal: S. aureus. Mais em adolescentes e adultos jovens. Diagnóstico e planejamento por TC. Tratamento: antibiótico EV por no mínimo 6 semanas + desbridamento do osso + sinusectomia endoscópica para manter a drenagem pérvia. Pode vir com complicação intracraniana: é um dos gatilhos de internação do fluxograma.
Na complicação orbitária, lembre da CIC pouco sintomática concomitante: exame neurológico completo e, conforme o caso, TC e RM de crânio. E no idoso com lesão anelar e edema perilesional, antes de fechar glioblastoma ou metástase, pense em abscesso de origem sinusal: nessa idade o abscesso costuma ser pouco sintomático.
Osso frontal + coleção subperiosteal. Por onde a infecção vai para dentro do crânio? Quantas semanas de ATB?
Tumor de Pott (osteomielite frontal com abscesso subperiosteal), com cefaleia forte sugerindo CIC associada (empiema epidural ou subdural, abscesso frontal) pelas veias diploicas. Fluxograma 4.17.1: internar, colher cultura, ATB EV (cobrir S. aureus, pneumococo e anaeróbios), TC de seios e crânio com contraste, RM se coleção, cirurgia sinusal + neurocirurgia. Para o Pott: ATB EV ≥ 6 semanas, desbridamento e sinusectomia endoscópica. Punção lombar não se houver empiema subdural ou abscesso.
Rotinas · caps. 4.1–4.17
Questões da prova antiga (S26) do seu tema, com gabarito resolvido pelo conhecimento e explicações conferidas no livro dos professores. Na Q18 o OCR perdeu a alternativa E, que foi reconstruída.
Por quê: O enunciado original diz 'rinossinusite alérgica', mas descreve rinite alérgica: diagnóstico clínico (prurido, espirros, rinorreia hialina, obstrução) com mecanismo IgE, confirmado se necessário por prick-test ou IgE específica. Raio X e TC não diagnosticam alergia. O livro ainda lembra que IgE total não auxilia e que assintomáticos podem ter IgE específica positiva irrelevante.
Tétrade da rinite alérgica: prurido, espirros, rinorreia clara, obstrução. Nenhum exame de imagem entra nessa lista.
Por quê: Com 3 dias de evolução, em bom estado e com febre de 38 °C isolada, não se fecham 3 dos 5 critérios de RSA bacteriana do livro (secreção unilateral/purulenta no cavum, dor intensa unilateral, febre > 38 °C, VHS/PCR ↑, recaída): é IVAS/RSA viral. O tratamento prévio há 2 meses é distrator: é outro episódio, e 'betalactâmico nos últimos 3 meses' só serve para escolher o antibiótico quando ele já está indicado.
Na vinheta de IVAS, conte os dias e os critérios. Até 10 dias e sem 3 dos 5 sinais = sintomático. O livro estima que ≥ 60% dos quadros virais recebem antibiótico à toa.
Por quê: I é a definição literal do cap. 4.4 (a única exceção é a odontogênica). II é falsa: é doença comum e cara (consultas, absenteísmo, antibióticos). III começa certa, mas a última frase erra: a etiologia mais comum é viral.
Assertiva que começa certa e termina com uma frase extra é a pegadinha mais comum da UFRGS: leia até o ponto final.
Por quê: 1ª V: os três fatores clássicos. 2ª V: composição da unidade mucociliar, frase literal do cap. 4.4 ("epitélio respiratório pseudoestratificado ciliado com células caliciformes e glândulas submucosas"). 3ª F: está invertida; o livro diz que nos quadros agudos as infecções virais e bacterianas são os principais agentes, e nos crônicos manda a resposta inflamatória desorganizada (na RSC o papel da inflamação é muito maior que o da infecção). 4ª V: a mucosa demora 10–30 dias para se recuperar, por isso sintomas residuais após IVAS não significam bactéria.
Óstio, cílio, secreção. Se a questão falar dos 'três fatores', é isso.
Por quê: Some os critérios do livro: recaída (piora após o 6º dia), febre > 38 °C (38,8), secreção com predominância de um lado e dor/pressão facial intensa unilateral, com pus no meato médio à endoscopia (VPP 93%; leva a probabilidade de 20 para 78%). Passa com folga dos 3 dos 5 critérios. Sem betalactâmico recente e sem comorbidade: amoxicilina (ou amox-clav, dada a crescente resistência do Haemophilus por betalactamase), empírico.
Recaída + febre > 38 °C + pus unilateral no meato médio = 3 dos 5 = RSA bacteriana. Antibiótico empírico (amoxicilina 45 mg/kg/dia), sem imagem.
Por quê: Quemose e proptose com deslocamento do globo = complicação orbitária (celulite orbitária/abscesso subperiosteal, Chandler II–III), a partir de etmoidite. Conduta do cap. 4.16: internação com ORL + oftalmologia (exame oftalmológico completo documentado), cultura antes do ATB se for colher, ATB EV empírico cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios, TC com contraste de órbitas e seios paranasais (mandatória), RM se suspeita de SNC, cirurgia se abscesso orbitário, piora ou ausência de melhora em 48 h. III erra pelo absoluto 'nunca' (o corticoide sistêmico é questionável, não proibido); IV erra o exame.
Olho vermelho + proptose em criança com sinusite: interna, TC com contraste de seios e órbitas, ATB EV, ORL e oftalmo — e procure complicação intracraniana associada.
Por quê: Rinossinusite é diagnóstico clínico (critérios de sintomas + exame). O caso ainda sugere dupla piora (melhorava e voltou a piorar com febre), mas isso não muda o método: anamnese e exame físico.
Qualquer alternativa de imagem para 'confirmar' rinossinusite não complicada está errada.
Questões novas no estilo da prova: assertivas, V/F, INCORRETA e vinhetas de conduta — todas com números e frases do livro dos professores.
Por quê: I é falsa: o RX aumenta a probabilidade de 20% para só 48% e não diferencia etiologia. II lista 3 dos 5 critérios do livro (febre > 38 °C, dor intensa unilateral, recaída). III é a indicação correta da TC (suspeita de complicação, casos crônicos e planejamento cirúrgico).
Imagem na RSA só responde a uma pergunta: há complicação?
Por quê: É o Quadro 4.16.1 do livro, na ordem anatômica de fora para dentro: pálpebra (celulite pré-septal), gordura orbitária difusa (celulite orbitária), coleção junto ao osso (abscesso subperiosteal), coleção dentro da órbita (abscesso orbitário) e extensão venosa ao seio cavernoso. Lembre que o mesmo capítulo defende a classificação de Velasco e Cruz, em que pré-septal é palpebral e trombose de seio cavernoso é complicação intracraniana.
Mnemônico: 'Pálpebra, Gordura, Periósteo, Órbita, Cavernoso'. Subperiosteal vem ANTES do orbitário. E 75% das complicações orbitárias vêm de RSA.
Por quê: IgE total não auxilia o diagnóstico de rinite alérgica (pode estar alta por parasitose, dermatite, tabagismo e normal em alérgicos). O que demonstra sensibilização é IgE específica: prick-test ou IgE sérica específica. E ainda assim o diagnóstico é clínico.
IgE TOTAL não auxilia o diagnóstico. IgE ESPECÍFICA (prick ou sérica) mostra sensibilização, que ainda precisa bater com a clínica — o livro lembra que muitos assintomáticos têm teste positivo irrelevante.
Por quê: 4 dias, febre baixa, sem recaída, sem dor unilateral intensa nem sinal de alarme: não fecha 3 dos 5 critérios, é viral. A cor da secreção reflete neutrófilos, não bactéria. Orientar retorno (recaída, febre > 38 °C, dor unilateral intensa, sinais oculares/neurológicos) faz parte da conduta.
Secreção verde é neutrófilo, não bactéria.
Por quê: Olho com exame normal = quadro orbitopalpebral sem sinal de gravidade. O livro diz que, de preferência, todos seriam internados com ATB EV, mas admite a exceção ambulatorial descrita por alguns autores: bom estado geral, sem oftalmoplegia, sem alteração visual e sem sinais de SNC → amoxicilina-clavulanato 500/125 mg (50/12,5 mg/kg/dia) VO 8/8 h por 14 dias, reavaliando em 24–48 h. Pela via venosa comum, a pré-septal isolada é rara: qualquer sinal orbitário (proptose, quemose, dor à motilidade, queda visual) → internar.
O septo orbitário separa ambulatório de internação, mas quem decide mesmo é o exame oftalmológico completo: acuidade, motricidade, pupilas e fundo de olho.
Por quê: A 2ª é falsa: "o papel da inflamação na fisiopatogenia da RSC é muito maior que o papel da infecção"; o pilar é irrigação salina + corticoide tópico (± corticoide oral na polipose), e o antibiótico só se houver infecção aguda sobreposta, como coadjuvante. Macrolídeo em dose baixa e tempo prolongado é imunomodulador e controverso, indicado sobretudo em quem não tem IgE aumentada.
Crônica = inflamação; aguda = infecção (viral na maioria).
Por quê: Sinusite frontal + edema mole e flutuante na testa = tumor de Pott (osteomielite do osso frontal com abscesso subperiosteal; principal germe S. aureus, típico de adolescentes e adultos jovens). Cefaleia intensa e vômitos sugerem complicação intracraniana associada (empiema epidural ou subdural, abscesso frontal) pelas veias diploicas. Pelo fluxograma 4.17.1: internar, colher cultura, ATB EV, TC de seios e crânio com contraste, RM se coleção, cirurgia sinusal e drenagem neurocirúrgica. Para o Pott, o livro exige ATB EV por no mínimo 6 semanas mais desbridamento e sinusectomia endoscópica.
Sinusite frontal em adolescente com cefaleia importante: pense em SNC. Tumor de Pott é um dos gatilhos de internação do fluxograma do livro.
Por quê: I e II são os números exatos do capítulo 4.4. III erra no final: a especificidade de 92,6% da TC (sensibilidade 95,1%) refere-se à rinossinusite aguda, e não necessariamente à bacteriana — tanto que, em pacientes com resfriado comum, a TC mostra alteração maxilar em 87%, oclusão infundibuloetmoidal em 70%, etmoidal em 70% e frontal em 39%.
Raio X = "cara ou coroa" (48%). Endoscopia com pus = 78% e VPP 93%. TC é sensível demais: enxerga o resfriado.
Por quê: Os cinco critérios são: secreção unilateral/purulenta no cavum, dor intensa unilateral, febre > 38 °C, VHS/PCR elevados e recaída. Sintomas por mais de 10 dias definem a rinossinusite pós-viral e, isoladamente, "não devem mais ser critério para o diagnóstico de RSAB e o consequente uso de antimicrobianos". O que conta é o tipo de evolução (gravidade, recaída) somado ao exame físico.
Criou-se a pós-viral justamente para tirar o relógio da decisão de antibiótico.
Por quê: O livro define falha no 7º dia: "não melhora" é a persistência dos sinais sem nenhuma melhora gradual; "piora" é progressão ou sintomas novos. Nos dois casos, reavaliar para confirmar o diagnóstico e procurar complicações; em quem já usa ATB, ampliar empiricamente para amoxicilina 4 g/dia + clavulanato ou levofloxacino (cobrem H. influenzae produtor de betalactamase, Moraxella, pneumococo resistente, e ainda S. aureus e anaeróbios), julgar a coleta de material ou repensar a etiologia.
Falha terapêutica é também um convite a repetir o exame físico: a complicação pode ter sido o motivo da "falha".
Por quê: O livro cita estudos em crianças com menos de 4 anos: abscessos pequenos (< 1 mL), mediais, sem alteração visual, sem envolvimento sistêmico significativo e que respondem ao antibiótico EV em 24–48 h não necessitam de cirurgia. Internados devem ser avaliados pelo menos 2×/dia quanto a SNC, acuidade, motricidade e pupilas; a troca para via oral só após melhora substancial e 48 h afebril, completando pelo menos 14 dias.
Na órbita, quem decide a cirurgia é a visão e a resposta em 48 h — não o simples fato de existir uma coleção.
Por quê: As quatro são do capítulo 4.17. O empiema subdural é o mais frequente, progride rápido (emergência neurocirúrgica), aparece como coleção em crescente que pode ultrapassar suturas, com mortalidade ~25%; a punção lombar é contraindicada (também no abscesso cerebral). O epidural é lento porque a dura é aderida ao osso, e por isso a coleção não cruza as suturas. A disseminação hematogênica por tromboflebite retrógrada nas veias diploicas é a via mais frequente. A trombose de seio cavernoso passa para o outro olho em ~48 h pelo seio intercavernoso, com mortalidade ~30% e sequelas em 50%.
Epidural = lento e "preso" pelas suturas. Subdural = rápido, crescente e atravessa suturas. Nos dois com coleção, nada de punção lombar.
Por quê: Rinorreia "água de rocha", unilateral, em mulher por volta da quarta década com IMC elevado e meningite prévia é o retrato da fístula liquórica espontânea primária. Primeiro se prova que é liquor: glicose ≥ 30 mg/dL (coletar ~1,5 mL em frasco limpo, envio imediato) ou, como padrão-ouro, β2-transferrina / β-traço-proteína, presentes só no liquor e na endolinfa. Depois vem o topodiagnóstico: TC de alta resolução + RM em T2, que juntas atingem acurácia de 96% (S 95%, E 100%).
Coriza clara de um lado só = prove que é liquor antes de tratar como rinite.
Para rodar na véspera: responda em voz alta antes de tocar.
Patência do óstio natural, função mucociliar, quantidade/qualidade da secreção. O livro resume em dois equilíbrios: unidade mucociliar e ventilação.
Maxilar, frontal e etmoide anterior (complexo ostiomeatal).
Prurido, espirros em salva, rinorreia hialina, obstrução nasal. Mediada por IgE.
Não. Diagnóstico clínico ± prick-test/IgE específica.
Corticoide tópico nasal.
Imunoterapia alérgeno-específica.
Idiopática (ex-vasomotora).
≥ 2 sintomas, 1 obrigatório: obstrução/congestão ou rinorreia; ± dor facial, ± olfato.
Livro: viral até 10 dias; pós-viral > 10 dias. Agudo até 12 semanas (Europa) ou 4 semanas (Canadá).
Secreção unilateral ou purulenta no cavum · dor intensa unilateral · febre > 38 °C · VHS/PCR elevados · recaída. Precisa de 3 dos 5.
Não: leva a certeza de 20 para só 48%. Endoscopia vai a 78% (VPP 93%). TC só se complicação, crônica ou cirurgia.
Amoxicilina 45 mg/kg/dia (adulto 500 mg 3×/dia, 10 dias); dose dobrada ± clavulanato se fator de risco (< 2/> 65 anos, ATB em 3 meses, imunossupressão, creche, institucionalizado, frontal/esfenoidal, > 4 semanas, falha).
Mais de 12 semanas; irrigação salina + corticoide tópico (inflamação > infecção); corticoide oral na polipose.
Pré-septal → celulite orbitária → abscesso subperiosteal → abscesso orbitário → trombose do seio cavernoso.
TC com contraste de órbitas e seios, exame oftalmológico completo, internação com ATB EV cobrindo gram+, gram− e anaeróbios, avaliar 2×/dia; cirurgia se abscesso orbitário, acuidade ≤ 20/60, piora ou ausência de melhora em 48 h.
Osteomielite do osso frontal com abscesso subperiosteal (abaulamento mole na testa), S. aureus, adolescente; ATB EV ≥ 6 semanas + desbridamento + sinusectomia; buscar complicação intracraniana.
Tratar a causa que levou ao uso · suspender o vasoconstritor tópico · corticoide tópico ou sistêmico (± descongestionante sistêmico) · cirurgia se alteração anatômica permanente.
Glicose ≥ 30 mg/dL no líquido nasal; padrão-ouro é a β2-transferrina (ou β-traço-proteína). Glicofita não serve. Topodiagnóstico: TC de alta resolução + RM T2 (acurácia 96%).
Empiema subdural (frontal/etmoide), rapidamente progressivo, crescente na TC que ultrapassa suturas; punção lombar contraindicada, como no abscesso cerebral. Mortalidade ~25%.
Rinossinusite nasce do desequilíbrio entre função mucociliar e ventilação: óstio fechado, cílio destruído, muco espesso. Começa no nariz (exceto a odontogênica) e leva 10–30 dias para se recuperar.
Prurido, espirros, rinorreia clara e obstrução, via IgE. Sem imagem, sem IgE total. Corticoide tópico é o padrão-ouro; imunoterapia (≥ 3 anos) é a única que altera a evolução natural.
Idiopática é a mais comum das não alérgicas (e 44% no idoso). Vasoconstritor tópico por mais de 7 dias = rinite medicamentosa. Unilateral nunca é "rinite": pense em tumor, corpo estranho ou fístula.
Até 10 dias: sintomático, lavagem, AINE. Secreção verde é neutrófilo. Antibiótico no resfriado: SORT A contra. Mais de 10 dias sem critérios = pós-viral, ainda sem antibiótico.
Secreção unilateral/purulenta no cavum, dor intensa unilateral, febre > 38 °C, VHS/PCR ↑, recaída. Amoxicilina 45 mg/kg/dia; dose dobrada ± clavulanato nos fatores de risco. Nada de raio X.
Mais de 12 semanas, com ou sem pólipos (Th1/fibrose × Th2-Th17/edema). Irrigação + corticoide tópico; oral na polipose; TC para estadiar e operar; antibiótico só na agudização.
75% das complicações orbitárias vêm de RSA. Exame oftalmológico completo + TC com contraste de órbitas e seios; ATB EV cobrindo gram+, gram− e anaeróbios; cirurgia por visão, abscesso orbitário ou falha em 48 h.
Cefaleia persistente, febre persistente, alteração mental, déficit focal, tumor de Pott ou celulite orbitária = internar, cultura, ATB EV e TC de seios e crânio com contraste; RM se coleção. Empiema subdural é o mais frequente.