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▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
● Não cai na Prova 1 · provável Prova 2

Massas
cervicais.

Idade primeiro, localização depois. No adulto >40–50 anos, massa cervical é metástase até prova em contrário — e a primeira conduta é olhar a via aerodigestiva, não cortar o pescoço.

Criança
75% inflam.
> 50 anos
75% malig.
Primário oculto
~70% orofaringe
01 / Panorama e regra etária

A idade é o primeiro exame.

Massa cervical = qualquer tumefação (crescimento) na região do pescoço. As causas caem em três gavetas: congênitas, inflamatórias/infecciosas e neoplásicas (benignas ou malignas). Anamnese e exame físico bem feitos já direcionam para uma gaveta — o que reduz exames, custo e tempo.

Frase do resumo que é pergunta de prova: "Diante de qualquer paciente com uma massa cervical, o primeiro ponto a ser considerado é a idade."

Prevalência por faixa etária (Tabela 6.3.1 — Rotinas)

Inflamatórias/infecciosasTumores benignos (inclui congênitas)Tumores malignos
Até 20 anos*até 2 anos: congênitas lideram
75%
20%
5
20 a 50 anosinflamatória ≈ benigna
45%
45%
10%
Mais de 50 anosneoplasia maligna lidera
10%
15%
75%
Pediátrico (até ~15–20a)

Inflamatório > congênito

  • Linfadenopatia reacional (IVAS) é de longe o mais comum
  • Congênitas: tireoglosso, branquial, linfangioma, hemangioma, dermoide
  • Maligno é raro (~5%); o mais comum é linfoma
Adulto jovem (16–50a)

Inflamatório ≈ congênito/benigno

  • Congênitas diagnosticadas tardiamente (cisto branquial: 10–20a e adulto jovem)
  • TB ganglionar, mononucleose, HIV, arranhadura do gato
  • Não esquecer: papilífero de tireoide, linfoma, CEC de orofaringe HPV+
Adulto > 40–50a

Neoplasia até prova em contrário

  • Maioria = metástase de CEC da via aerodigestiva superior (VADS)
  • Tabagismo + etilismo multiplicam o risco
  • Segunda causa maligna: linfoma

Regras mnemônicas (fora do resumo, mas ajudam a julgar assertivas)

"Regra dos 80" — para massa cervical não tireoidiana no adulto:

80%

das massas não inflamatórias/não tireoidianas do adulto são neoplásicas

80%

das neoplásicas são malignas

80%

das malignas são metástases

80%

das metástases vêm de primário acima da clavícula (VADS)

"Regra dos 7" (tempo de evolução): 7 dias → inflamatória; 7 meses → neoplásica; 7 anos → congênita/benigna. Coerente com o resumo: início recente + sinais flogísticos = inflamatório; lesões de anos em adulto = tumor benigno ou congênita diagnosticada tarde.

Números do resumo × regras mnemônicas: a prova usa a tabela do Rotinas (75/20/5 · 45/45/10 · 10/15/75). A "regra dos 80" é aproximação didática de outros textos — use para raciocinar, mas se a questão citar percentual, responda com a tabela. O resumo também divide em 3 grupos com cortes levemente diferentes (até 15 · 16–50 · >50 anos) — mesma lógica.
?
Em adultos de 20–50 anos, a origem inflamatória "diminui e os tumores benignos aumentam, chegando a percentual semelhante às metástases de CEC". Verdadeiro?
Pense em:

Olhe a barra do meio. Com quem os benignos empatam?

Resposta:

Falso. A primeira parte está certa (inflamatória cai de 75% para 45% e benignos sobem de 20% para 45%), mas o empate é entre benignos e inflamatórias (45% × 45%). Malignos são só ~10%. É a assertiva II da Q21 da prova antiga.

?
Criança de 1 ano e meio com massa cervical: qual gaveta é a mais provável?
Pense em:

Tem um asterisco na tabela.

Resposta:

Congênita. Até os 2 anos as massas congênitas são as mais frequentes (linfangioma se manifesta até os 2 anos; hemangioma cresce no 1º ano). Depois disso, na infância, predominam as inflamatórias/infecciosas.

02 / Anamnese e exame físico

Palpar é raciocinar.

O que perguntar e examinar

Anamnese

História

  • Idade e comorbidades (HIV, imunossupressão)
  • Fumo e álcool (carga tabágica); HPV (comportamento sexual)
  • Tempo de aparecimento e velocidade de crescimento
  • Sintomas associados: febre, sudorese noturna, perda de peso, prostração
  • Sintomas de VADS: disfagia, odinofagia, disfonia, otalgia reflexa, obstrução nasal unilateral, epistaxe, trismo
  • Trauma, irradiação prévia, cirurgias; contato com gato
Palpação da massa

Características

  • Localização (nível; linha média × lateral)
  • Tamanho; única ou múltipla; uni ou bilateral
  • Consistência: amolecida, elástica/fibroelástica, cística, endurecida, pétrea
  • Móvel ou aderida a planos profundos/pele
  • Dolorosa ou indolor
  • Pulsátil / sopro → lesão vascular
  • Movimento com deglutição / protrusão da língua

Pistas que mudam a gaveta

AchadoSugere
Febre, odinofagia, tosseIVAS → linfonodo reacional
Sudorese noturna, perda de peso (sintomas B)Infecção crônica (TB) ou doença linfoproliferativa (linfoma)
Febre, fadiga, artralgias"Doenças vasculares" = vasculites/colagenoses sistêmicas
Dor, calor, rubor, início em diasInflamatório/infeccioso (abscesso se crescimento rápido + sistêmico intenso)
Endurecida + aderida + indolor, adultoNeoplasia maligna (metástase)
Fibroelástica, móvel, dolorosa, múltiplaInfecciosa
Emborrachada, móvel, indolor, >2 cm, múltiplaLinfoma
Amolecida, não aderida, bem delimitadaLipoma
CísticaCongênita (criança/jovem) — no adulto, pensar em metástase cística
Pulsátil ± soproVascular: paraganglioma carotídeo, aneurisma, hemangioma, MAV
Evolução de anos, adultoTumor benigno ou congênita diagnosticada tardiamente

Sinais de alarme

Linfonodo suspeito de malignidade (resumo):
  • Maior que 2 cm
  • Perda do formato (arredondado, perde o hilo)
  • Consistência endurecida
  • Fixação às estruturas adjacentes
  • Aspecto cístico (necrose central de metástase volumosa)
  • Ausência de dor

Somam-se: idade >40–50a, tabagismo/etilismo, persistência >2–3 semanas sem causa infecciosa, crescimento progressivo, localização supraclavicular, sintomas B, disfagia/odinofagia, disfonia persistente, otalgia reflexa com otoscopia normal, trismo, sangramento oral, perda de peso, paralisia facial (tumor de parótida).

Pegadinha: "dor exclui malignidade" — falso. Dor sugere inflamatório, mas o resumo é explícito: lesões tumorais malignas podem cursar com dor (infecção secundária, necrose, invasão).

Localização: linha média × lateral × posterior

Linha média

Medianas

  • Cisto do ducto tireoglosso — move à protrusão da língua
  • Cisto dermoide — submentoniano, firme, não move com a língua
  • Rânula mergulhante — cística, estende-se ao assoalho bucal
  • Cisto tímico — porção mais inferior do pescoço
  • Teratoma — RN com obstrução
  • Tireoide (nódulo/bócio) — move com deglutição
Lateral

Laterais

  • Anomalias branquiais — anterior ao ECM
  • Laringocele — compressível, cheia de ar
  • Pseudotumor da infância (torcicolo congênito) — firme, dentro do ECM
  • Paraganglioma (glômus carotídeo), schwannoma
  • Ectasia jugular
  • TB ganglionar (mais posterior)
Posterior / qualquer lugar

Sem sítio fixo

  • Linfangioma (higroma cístico) — trígono posterior, multicístico
  • Hemangioma
  • Lipoma
  • Linfadenopatia inflamatória
  • Metástase (depende do primário)

Massa baixa → pensar no corpo; massa alta → pensar em cabeça e pescoço. Níveis IV, V baixo e VI apontam para tireoide, esôfago e "da clavícula para baixo"; base de língua, rinofaringe, amígdala e epiglote aumentam primeiro o nível II.

03 / Níveis linfonodais

O mapa que aponta o primário.

Quase metade dos linfonodos do corpo está na cabeça e pescoço. Como cada grupo drena regiões específicas, o nível do linfonodo aumentado indica onde procurar o tumor primário (ou a porta de entrada da infecção). Referências: ECM (bordas anterior e posterior), hioide, cartilagem cricoide, clavícula, nervo acessório (XI) e trapézio.

orelha mandíbula hioide cricoide clavícula ← anterior IA IB II III IV VA VB VI
Toque num nível · faixa azul = ECM · trapézio à direita
Nível selecionado

Limites
Drena
Na prova

Tabela dos níveis

NívelNome / limitesDrena principalmente
IASubmentoniano — entre os ventres anteriores dos digástricos, acima do hioideLábio inferior, assoalho bucal anterior, ponta da língua, mento
IBSubmandibular — entre os ventres do digástrico e a mandíbulaCavidade oral, face, nariz anterior, glândulas submandibular e sublingual
II (A/B)Jugular superior — base do crânio até o hioide; IIA anterior e IIB posterior ao nervo XI. Inclui o linfonodo jugulodigástricoCavidade oral, orofaringe (amígdala, base de língua), nasofaringe, laringe supraglótica (epiglote), parótida
IIIJugular médio — hioide até a cricoideLaringe, hipofaringe, orofaringe, cavidade oral, tireoide
IVJugular inferior — cricoide até a clavículaHipofaringe, laringe (subglote), tireoide, esôfago cervical; estruturas abaixo da clavícula (pulmão, abdome)
V (A/B)Trígono posterior — atrás da borda posterior do ECM, à frente do trapézio, acima da clavícula; VA acima e VB abaixo da cricoideNasofaringe, couro cabeludo posterior e retroauricular; VB/supraclavicular: tireoide, pulmão, esôfago, mama
VICompartimento central — hioide até a fúrcula esternal, entre as carótidasTireoide, laringe glótica/subglótica, hipofaringe, esôfago cervical, traqueia
VIIMediastino superior — abaixo da fúrculaTireoide, esôfago, traqueia

Primário → nível de metástase (Tabela 6.3.2)

Tumor primárioOnde metastatiza
Cavidade oralI, II e III
Parede lateral da orofaringe, hipofaringe, laringeII, III e IV (subglote: + VI)
Rinofaringe (nasofaringe)V (e II; frequentemente bilateral e precoce)
ParótidaII e V, pré-auriculares, intra e periparotídeos
TireoideVI e III (depois IV)
Tumores abdominais (estômago)Supraclavicular esquerdo — linfonodo de Virchow (sinal de Troisier)
Pulmão / mediastinoSupraclavicular direito
Pegadinha clássica (Q21-III): "metástase no nível II → primário geralmente no esôfago cervical" é falso. Nível II = faringe (oro/naso), laringe supraglótica, cavidade oral. Esôfago cervical e tireoide drenam para níveis baixos (IV, VI).
Nível I × parótida: no exercício 3 do resumo, "massa no nível I pode corresponder a neoplasia de parótida" é considerada falsa — correto: parótida drena para intra/periparotídeos, II e V. Nível I é cavidade oral, lábio e face. Rinofaringe: a tabela do resumo diz só "V", o texto diz "II e V" — fique com II e V.
?
Homem de 55 anos com linfonodo endurecido de 3 cm no nível V, obstrução nasal e otite média serosa unilateral. Onde está o primário?
Pense em:

Quem drena para o trígono posterior? E o que obstrui a tuba auditiva de um lado só?

Resposta:

Rinofaringe (nasofaringe). O carcinoma de nasofaringe metastatiza precocemente para II e V e, ao ocluir o óstio da tuba, causa otite média com efusão unilateral no adulto. Conduta: nasofibroscopia (associação com EBV).

?
Linfonodo supraclavicular esquerdo endurecido em paciente com emagrecimento e epigastralgia. Nome e significado?
Pense em:

O ducto torácico desemboca à esquerda.

Resposta:

Linfonodo de Virchow (sinal de Troisier) — metástase de tumor abdominal (clássico: gástrico). Massa baixa → pensar no corpo, não na VADS.

04 / Massas congênitas

Embriologia que vira caroço.

Alterações do desenvolvimento embriológico de três tipos:

1
Parada do desenvolvimento / defeito de coalescência

Gera cistos, trajetos e fístulas — ex.: anomalias dos arcos branquiais.

2
Persistência de estrutura que deveria desaparecer

Ex.: cisto do ducto tireoglosso.

3
Inclusão anormal de tecidos

Ex.: teratoma, cisto dermoide.

"Congênito" não é sinônimo de "infância". Podem estar presentes ao nascer, mas frequentemente passam despercebidas até que uma infecção secundária (geralmente após IVAS) aumente o volume. Várias só aparecem na vida adulta. Também podem se manifestar como fístulas (pequenos orifícios na pele, às vezes com secreção).

Tireoglosso × branquial × dermoide — toque para expandir

Cisto do ducto tireoglosso

Linha média, junto ao hioide. Move com a deglutição e a protrusão da língua. A massa congênita cervical mais comum.

Origem: persistência do ducto tireoglosso — trajeto da descida da tireoide do forame cego (base da língua) até a posição cervical, passando pelo hioide.
Epidemiologia: ~70% em crianças e adolescentes (2–10a típico); resumo: cerca de 1/3 das massas cervicais da criança.
Clínica: nódulo cístico mediano/paramediano, indolor, que infecta e cresce após IVAS, regride parcialmente e volta a crescer.
Diagnóstico: clínico + ecografia (confirma cisto e, fundamental, tireoide tópica normal — excluir tireoide ectópica, que pode ser o único tecido tireoidiano).
Tratamento: cirurgia de Sistrunk — retira cisto + porção central do hioide + trajeto até a base da língua. Só cistectomia → recidiva alta. Se infectado: antibiótico primeiro, operar a frio (evitar drenar).
Raro: carcinoma (quase sempre papilífero) no cisto, em adultos.

Cisto branquial

Lateral, borda anterior do ECM, terço superior (nível II). Cístico, amolecido. Não move com a língua.

Origem: 2º arco em 65–90% (≈90%), 1º arco 8–25%, 3º/4º raros.
Idade: cistos crescem devagar → mais diagnosticados entre 10–20 anos e adulto jovem; seios e fístulas aparecem ao nascimento/primeiros anos.
Trajeto do 2º arco: pele da borda anterior do ECM → entre carótida interna e externa (bifurcação), superficial ao IX e XII → fossa tonsilar. Por isso a cirurgia pode incluir amigdalectomia.
Clínica: pode infectar e simular abscesso; abscessos cervicais de repetição; drenagem pelo pescoço (ou CAE no 1º arco).
1º arco: tipo I (só epiderme, face/pré-auricular) e tipo II (ecto + mesoderme, ângulo da mandíbula, relação com o CAE e nervo facial).
Imagem: US diferencia cístico × sólido; TC/RM delimitam relações e planejam cirurgia.
Tratamento: exérese completa (inclusive trajeto). Infecções e drenagens prévias → fibrose → recidiva alta.

Cisto dermoide

Linha média, geralmente submentoniano, firme, móvel com a pele, NÃO move à protrusão da língua.

Origem: inclusão de epiderme em linhas de fusão embrionária; parede com anexos (folículos pilosos, glândulas sebáceas).
Locais: submentoniano (mais comum), região tireoidiana, supraesternal.
Tratamento: ressecção completa do cisto (sem necessidade de ressecar hioide).

Linfangioma × hemangioma

Lesões vasculares da criança; região posterior/lateral ou qualquer parte do pescoço.

Linfangioma (higroma cístico / malformação linfática): presente ao nascimento, manifesta-se até os 2 anos; macio, depressível, multicístico, parede delgada, trígono posterior. Pode comprimir via aérea/digestiva. TC/RM com contraste essenciais para extensão. Tratamento: cirurgia (estética/função) ou escleroterapia (OK-432). Não regride sozinho.
Hemangioma infantil: tumor benigno mais comum da infância. ~1/3 visível ao nascer; crescimento rápido no 1º ano, depois involução espontânea lenta. Conduta: observação na maioria; se complicado (via aérea, olho, ulceração) → propranolol (resultados excelentes; corticoide e esclerosantes eram a opção antiga, resultado pobre).
Correção ao resumo — hemangioma: o resumo chama hemangiomas de "malformações do tecido vascular" e diz que regridem "entre 18 e 24 meses". A classificação atual (ISSVA) separa tumores vasculares (hemangioma infantil — prolifera e involui) de malformações (linfática, venosa, arteriovenosa — não involuem). A involução do hemangioma começa após ~1 ano e se completa ao longo de anos (a maioria até ~4 anos). O trecho do resumo sobre "massas dolorosas em trapézio, escalenos e ECM" parece se referir a hemangioma intramuscular — não é a apresentação típica do hemangioma infantil.
Correção ao resumo — cisto, seio e fístula: o resumo diz "fístula = uma abertura; seio = duas aberturas". É o contrário: seio (sinus) = trajeto de fundo cego com uma abertura (pele ou faringe); fístula = trajeto com duas aberturas (pele e faringe); cisto = sem abertura.
Armadilha de vida real e de prova: massa cística lateral em adulto >40 anos NÃO é cisto branquial até prova em contrário — é metástase cística de CEC de orofaringe HPV+ (amígdala/base de língua) ou de carcinoma papilífero de tireoide. O resumo menciona "epitélio escamoso – risco de malignização" do cisto branquial, mas o "carcinoma branquiogênico" verdadeiro é raríssimo; quase sempre era uma metástase cística de primário oculto. Investigar como massa suspeita (VADS + imagem + PAAF com p16).

Outras congênitas/benignas por localização

LesãoOndePista
Rânula mergulhanteLinha média/submandibularCisto que se estende ao assoalho bucal (glândula sublingual)
Cisto tímicoPorção mais inferior do pescoçoRaro, criança
TeratomaLinha médiaRecém-nascido com obstrução respiratória
LaringoceleLateral (membrana tireo-hióidea)Compressível, cheia de ar, aumenta com Valsalva (tocadores de sopro)
Pseudotumor da infância / torcicolo congênitoDentro do ECMMassa firme no ECM de lactente + torcicolo; fisioterapia
?
Qual manobra do exame físico diferencia cisto tireoglosso de cisto dermoide, e por que ela funciona?
Pense em:

Onde o ducto tireoglosso se prende?

Resposta:

Protrusão da língua (e deglutição). O tireoglosso tem trajeto aderido ao hioide e à base da língua (forame cego) — sobe ao pôr a língua para fora. O dermoide está preso à pele, não ao trajeto: não se move com a língua.

?
Por que a cirurgia de Sistrunk tira o corpo do hioide?
Pense em:

A tireoide desce antes do hioide se formar completamente.

Resposta:

O ducto passa através/intimamente junto ao hioide. Deixar o segmento central do hioide deixa epitélio do trajeto → recidiva. Sistrunk = cisto + porção central do hioide + trajeto até a base da língua. Recidiva cai de ~50% (cistectomia simples) para poucos %.

?
Por que o cisto branquial infectado deve ser tratado com antibiótico antes, e não drenado e operado no mesmo momento?
Pense em:

O que a inflamação faz com os planos cirúrgicos?

Resposta:

Infecção e drenagens criam fibrose, dificultando a exérese completa do cisto e do trajeto → recidiva alta (dito no resumo). Trata-se a infecção (ATB, punção aspirativa se necessário) e opera-se a frio.

05 / Inflamatórias e infecciosas

A causa mais comum na criança.

Suspeite quando: curta duração (dias), dor, febre, prostração, sinais flogísticos, geralmente múltiplos, fibroelásticos e móveis, podem fistular, envolvem partes moles. Hemograma e sorologias são fundamentais; RX de tórax e teste tuberculínico quando se suspeita de granulomatosa.

Linfadenite aguda

Agentes

  • Viral: reacional (IVAS), mononucleose (EBV), CMV, HIV agudo
  • Protozoário: toxoplasmose
  • Bacteriana: S. aureus, S. pyogenes (grupo A), estafilococo coagulase-negativo; arranhadura do gato; abscesso; linfadenite purulenta
Linfadenite crônica / granulomatosa

Agentes

  • Reacional persistente
  • Tuberculose ganglionar (escrófula)
  • Micobacteriose atípica (NTM)
  • Paracoccidioidomicose (blastomicose sul-americana)
  • Doença da arranhadura do gato
  • Toxoplasmose, sarcoidose
Tempo de corte: o resumo diz que a linfadenite aguda dura "até 12 semanas" e que lesões mais prolongadas devem ser investigadas para granulomatosas ou neoplasia. Muitos textos usam cortes menores (aguda <2 semanas; subaguda 2–6; crônica >6). Para a prova, use o do resumo; na prática, no adulto, linfonodo suspeito que persiste >2–3 semanas sem causa já justifica investigar.

Quadros que caem — toque para expandir

Reacional (viral)

Criança com IVAS, linfonodos bilaterais, pequenos, móveis, levemente dolorosos.

Conduta: observação e reavaliação; regride em semanas.
Alarme: >2 cm, endurecido, fixo, supraclavicular, sintomas B, crescimento progressivo ou sem regressão → investigar (hemograma, US, sorologias, eventualmente biópsia).

Bacteriana / abscesso

Unilateral, dolorosa, calor, rubor, febre; pode evoluir com flutuação.

Agentes: S. aureus e S. pyogenes; foco dentário/amigdaliano.
Conduta: antibiótico com cobertura estafilo/estrepto (ex.: amoxicilina-clavulanato, cefalexina, clindamicina). US/TC para ver coleção → drenagem se abscesso.
Alarme: massa de crescimento rápido + sistêmico intenso + trismo/disfagia = abscesso cervical profundo (urgência).

Mononucleose (EBV)

Adolescente/adulto jovem: febre, faringotonsilite exsudativa, linfonodos cervicais posteriores bilaterais.

Outros: esplenomegalia, hepatomegalia, fadiga, edema palpebral.
Lab: linfocitose com linfócitos atípicos, transaminases ↑, anticorpos heterófilos (monoteste) / sorologia VCA IgM.
Pegadinha: rash após amoxicilina/ampicilina. Evitar esporte de contato (ruptura esplênica).
Diferencial: CMV e toxoplasmose dão quadro "mononucleose-like" (toxo: cervical posterior, pouca faringite).

Arranhadura do gato

Bartonella henselae. Criança/jovem com contato com gato (filhote).

Clínica: papula/pústula no local da inoculação → 1–3 semanas depois, linfadenopatia regional (cervical, axilar) dolorosa, geralmente única, pode supurar/fistular.
Diagnóstico: epidemiologia + sorologia/PCR; histologia com granulomas estrelados.
Conduta: autolimitada (meses); azitromicina em linfadenopatia volumosa; punção se supurar (evitar incisão → fístula).

Tuberculose ganglionar

Forma extrapulmonar mais comum. Adulto jovem, Brasil endêmico. Cervical posterior/supraclavicular, indolor, crônica.

Clínica: linfonodos endurecidos que se fundem (conglomerado), amolecem ("abscesso frio"), aderem à pele e fistulizam (escrófula). Pode ter sintomas B.
Investigação: RX de tórax, teste tuberculínico/IGRA, PAAF (BAAR, cultura, TRM-TB/PCR, granuloma com necrose caseosa); biópsia se inconclusivo. Testar HIV.
Tratamento: esquema RIPE (6 meses). Evitar incisão e drenagem → fístula crônica.
Micobactéria atípica: criança 1–5 anos, submandibular/pré-auricular, pele violácea, sem sintomas sistêmicos, RX normal → excisão cirúrgica (não RIPE).

HIV

Linfadenopatia generalizada persistente é comum; mas massa volumosa/assimétrica exige investigação.

Diferencial em HIV+: linfoma (LNH), TB/micobacteriose, sarcoma de Kaposi, cistos linfoepiteliais parotídeos bilaterais.
Exercício do resumo: 25a, HIV mal controlado, massas bilaterais nível IV de 4–5 cm, indolores, 3 meses, febre + sudorese noturna → doença linfoproliferativa (linfoma).
Conduta: PAAF/biópsia (linfoma precisa de arquitetura → biópsia excisional após excluir CEC), cultura para micobactérias.
?
Criança de 3 anos, nódulo submandibular de 3 cm, indolor, pele sobrejacente violácea há 6 semanas, afebril, RX de tórax normal. Qual a hipótese e o tratamento?
Pense em:

Criança pequena, sem sintomas sistêmicos, sem contato com TB, pele "arroxeada".

Resposta:

Micobacteriose atípica (não tuberculosa). Tratamento de escolha: excisão cirúrgica completa do linfonodo (curativa; incisão e drenagem geram fístula crônica). Diferente da TB, que é tratada com RIPE.

06 / Neoplásicas

Metástase, linfoma, tireoide.

Benignos

Tumores benignos

  • Tumores de parótida e glândulas salivares (adenoma pleomórfico)
  • Paragangliomas (glômus carotídeo)
  • Tumores de nervo periférico: schwannoma, neurofibroma
  • Lipoma
Malignos

Tumores malignos

  • Metástases (mais comuns)
  • Linfomas (primário do pescoço)
  • Tireoide e glândulas salivares
  • Sarcomas (lipossarcoma, fibrossarcoma)
  • Neuroepitelioma, neuroblastoma (criança)

Neoplasias são sólidas à palpação. Na imagem, necrose central é indicativo de malignidade — geralmente metástase de carcinoma epidermoide.

Metástase cervical — a neoplasia maligna mais comum do pescoço

Na maioria dos casos vêm de tumores da via aerodigestiva superior (VADS) ou da tireoide. Tipos histológicos:

Carcinoma epidermoide (CEC) — o principal Carcinomas glandulares (mucoepidermoide alto grau, adenocarcinoma, adenoide cístico) Melanoma Carcinoma papilífero de tireoide Carcinoma indiferenciado
Frase-chave: o linfonodo metastático é o principal fator prognóstico do câncer de cabeça e pescoço (a presença de metástase cervical reduz a sobrevida em cerca de metade). Por isso o manejo do pescoço é tão importante — e por isso não se pode "estragar" o pescoço com biópsia aberta.

Primário oculto (desconhecido)

Clássico

CEC tabaco/álcool

  • Homem >50–60a, tabagista e etilista
  • Cavidade oral, laringe, hipofaringe
  • Linfonodo sólido, endurecido
  • Pior prognóstico; segundo primário frequente
Em ascensão

CEC orofaringe HPV+

  • HPV-16; amígdala e base de língua
  • Mais jovem (40–55a), frequentemente não tabagista
  • Primário pequeno, metástase grande e cística (nível II) — imita cisto branquial
  • Marcador: p16 (imuno-histoquímica, inclusive no material da PAAF)
  • Melhor prognóstico que o HPV–
Nasofaringe

Carcinoma de rinofaringe

  • Associado ao EBV
  • Metástase precoce e bilateral para II e V
  • Otite média serosa unilateral no adulto, obstrução nasal, epistaxe

Linfoma — 2ª neoplasia maligna cervical do adulto, 1ª da criança

Quando pensar

Clínica

  • Linfonodo(s) >2 cm, perda do formato
  • Consistência emborrachada
  • Não fixo às estruturas adjacentes (móvel)
  • Único ou múltiplo, frequentemente bilateral
  • Indolor
  • Sintomas B: febre de origem indeterminada, sudorese noturna, emagrecimento
Diagnóstico

Como confirmar

  • PAAF não dá diagnóstico definitivo — seu maior papel é excluir outras lesões (ex.: CEC)
  • Biópsia = diagnóstico definitivo (precisa de arquitetura + imuno-histoquímica)
  • Retirar o maior linfonodo ou grupo; não esmagar (estroma friável)
  • Congelação: excluir metástase e granulomatosa, preparar material para imuno
  • TC/RM (PET-CT) para estadiamento
LNH : LH
5 : 1
LNH mais comum
Sobrevida LH
83%
LNH 53%
Distribuição
2/3
nodais · 1/3 extranodais
Idade (resumo)
Bimodal
20–35 e 75–80a
Nuance: o resumo atribui a curva bimodal (20–35 e 75–80a) aos linfomas em geral; na literatura a bimodalidade clássica é do linfoma de Hodgkin (adulto jovem e >55–60a), enquanto o LNH aumenta progressivamente com a idade. Extranodais de cabeça e pescoço: anel de Waldeyer (amígdala), nariz/seios, laringe, glândulas salivares, órbita.
Exceção à regra "não biopsiar": no linfoma a biópsia excisional é o padrão — mas só depois de VADS examinada, imagem e PAAF sugerindo linfoma/excluindo CEC. Se a congelação mostrar CEC, faz-se o esvaziamento cervical no mesmo tempo.

Tireoide

TipoFrequênciaPistas
Papilífero~80–85% — o mais comumMulher jovem, radiação na infância; disseminação linfática (VI → III/IV), metástase pode ser cística; corpos psamomatosos, núcleos "em vidro fosco"; excelente prognóstico
Folicular~10%Carência de iodo; disseminação hematogênica (osso, pulmão); PAAF não distingue adenoma de carcinoma (precisa invasão capsular/vascular)
Células de Hürthle (oncocítico)~3–5%Variante oxifílica (antes considerada folicular)
Medular~2–4%Células C parafoliculares; calcitonina e CEA; esporádico ou NEM 2A/2B (RET)
Anaplásico~1–2%Idoso, crescimento muito rápido, compressivo; péssimo prognóstico

Nódulo de tireoide = massa na linha média/paramediana que sobe com a deglutição. Investigação: TSH + ecografia + PAAF guiada por US (classificação de Bethesda).

Glândulas salivares

Regra de proporção

Quanto menor a glândula, maior a chance de malignidade

  • Parótida: ~80% dos tumores salivares; ~75–80% benignos
  • Submandibular: ~50% malignos
  • Sublingual e salivares menores: maioria maligna
Histologia

O que é o quê

  • Benigno mais comum: adenoma pleomórfico (2º: Warthin — homem tabagista, bilateral)
  • Maligno mais comum na parótida: mucoepidermoide
  • Submandibular/menores: adenoide cístico (invasão perineural)
  • Paralisia facial + massa parotídea = malignidade
  • Conduta: US/RM + PAAF; tratamento = parotidectomia (nunca biópsia aberta/enucleação)

Benignos adquiridos que exigem cuidado

Lipoma

Amolecido

  • Não aderido, bem delimitado, indolor
  • US confirma; exérese se incômodo
Glômus carotídeo

Paraganglioma

  • Ângulo da mandíbula, pulsátil, sopro
  • Move lateralmente, não verticalmente
  • Exame físico fundamental; imagem (angio-TC/RM: alarga a bifurcação carotídea)
  • Não biopsiar — sangramento
Schwannoma (X, XII)

Neuroma

  • Espaço parafaríngeo/lateral, sólido, lento
  • Resumo: fazer PAAF para evitar retirar e lesar o nervo sem necessidade
  • RM ajuda
07 / Investigação do adulto com massa suspeita

Olhar a VADS antes de cortar.

Ordem que a prova cobra: história + exame completo da VADS (nasofibroscopia)imagem (TC contrastada / US) → PAAF → primário oculto: PET-CT → panendoscopia com biópsias dirigidas. Biópsia aberta do linfonodo só no fim, com congelação e esvaziamento no mesmo tempo.

1
Passo 01 · Triagem clínica
Idade, tempo e características: é provável inflamatório?
Criança/jovem, dias de evolução, dor, febre, IVAS, múltiplos, fibroelásticos?
Sim
Tratar a causa (ATB se bacteriana) ou observar e reavaliar em 2–3 semanas. Hemograma/sorologias conforme suspeita. Regrediu → alta.
Não / persistiu
Adulto >40, tabagista/etilista, endurecido, fixo, indolor, >2 cm, progressivo, sintomas de VADS → massa suspeita: seguir fluxograma. Não dar antibiótico empírico indefinidamente.
2
Passo 02 · Conduta inicial
Exame otorrinolaringológico completo da VADS
Obrigatório
  • Palpação de todas as cadeias cervicais e da tireoide
  • Oroscopia + palpação uni e bidigital da boca e base de língua
  • Otoscopia (efusão unilateral → rinofaringe), rinoscopia
  • Nasofibrolaringoscopia (e/ou endoscopia rígida): rinofaringe, orofaringe, hipofaringe, laringe
Achou o primário
Biópsia do primário (não do linfonodo) + estadiamento com imagem.
Não achou
Imagem + PAAF do linfonodo.
3
Passo 03 · Imagem
TC contrastada do pescoço (ou RM); US quando indicado
ExamePara quê
EcografiaCístico × sólido (cisto branquial × linfonodo); 1ª escolha em criança (sem radiação) e tireoide; guia a PAAF
TC com contrasteCístico × sólido + extensão + vascularização; necrose central; procura primário; padrão no adulto suspeito
RMMesmas informações da TC; melhor para relação com estruturas adjacentes (partes moles, base do crânio, nervos)
PET-CTCâncer com suspeita de metástase à distância; primário oculto; lesões suspeitas de malignidade
4
Passo 04 · Citologia
PAAF (idealmente guiada por US)
Método inicial minimamente invasivo, simples e seguro: sensibilidade ≥95%, especificidade ≥97%. Não viola planos.
CEC
Procurar primário; pedir p16/HPV (orofaringe) e EBV (nasofaringe). Primário não visto → passo 5.
Sugere linfoma
Biópsia excisional do maior linfonodo, sem esmagar, com congelação e material para imuno-histoquímica/citometria.
Papilífero / tireoide
Dosar tireoglobulina no lavado; US de tireoide; tireoidectomia + esvaziamento.
Inconclusiva
Repetir PAAF guiada ou biópsia por agulha grossa (core). Não pular para biópsia aberta.
5
Passo 05 · Primário oculto
PET-CT → panendoscopia com biópsias dirigidas
  • PET-CT antes da endoscopia (biópsias geram captação inflamatória falso-positiva) — guia onde biopsiar
  • Panendoscopia sob anestesia: biópsias dirigidas de rinofaringe, base de língua, seio piriforme
  • Amigdalectomia palatina diagnóstica (ipsilateral ou bilateral) ± mucosectomia de base de língua (cirurgia transoral)
  • Nada encontrado → tratamento do pescoço (esvaziamento ± radioterapia incluindo mucosas de risco)
  • Se todos os métodos falharem em dar diagnóstico → biópsia aberta com congelação, com equipe preparada para esvaziamento cervical no mesmo ato

Por que NÃO fazer biópsia excisional/incisional do linfonodo primeiro

1
Violação de campo

A incisão atravessa planos que seriam removidos em bloco; semeia células tumorais no subcutâneo e na pele — a futura cicatriz vira área de recidiva.

2
Pior prognóstico (resumo)

Biópsias prévias ao tratamento definitivo pioram a sobrevida: aumentam recorrência no pescoço, metástases a distância e necrose de retalhos em comparação com não biopsiados.

3
Não resolve o problema

Confirma "CEC metastático", mas não mostra o primário — que exame de VADS, imagem e PAAF já teriam achado sem violar o pescoço.

4
Complica o tratamento

Fibrose e alteração anatômica dificultam o esvaziamento, a leitura da imagem posterior e o planejamento de radioterapia.

Frase para gravar: antes de qualquer biópsia de massa cervical no adulto, investigar exaustivamente a via aérea e digestiva superior. Biópsia excisional do linfonodo não é conduta aceitável na avaliação inicial de metástase cervical (Q20). "Biópsia seguida de congelação e esvaziamento cervical" no mesmo tempo é aceitável.

Tratamento do pescoço — esvaziamentos

Indicação (resumo)

Quando esvaziar

  • N0: pode ser feito (eletivo, conforme risco oculto do primário)
  • N1 a N3: obrigatório (terapêutico)
Seletivo

Remove níveis de maior risco

  • Supra-omo-hióideo: níveis I–III (boca, orofaringe)
  • Lateral: II–IV (laringe, hipofaringe)
  • Central: VI (tireoide)
Radical (clássico)

Níveis I a V

  • Remove também ECM, veia jugular interna e nervo acessório (XI), glândula submandibular e cauda da parótida
  • Preserva (não inclui): suboccipitais, retrofaríngeos, periparotídeos, perifaciais, paratraqueais
  • Radical modificado: níveis I–V preservando ≥1 entre XI, VJI e ECM

Princípios da cirurgia oncológica de cabeça e pescoço

Técnica

Regras

  • Ressecção em bloco (Halsted e Handley)
  • Dissecção centrípeta do tumor; não cortar tecido tumoral; margens livres
  • Isolar o tumor com compressas
  • Ligar veias antes das artérias
  • Após a ressecção: trocar luvas, campos e instrumental
Conceitos

Ressecabilidade × operabilidade

  • Ressecabilidade = relativa ao tumor (dá para retirar?)
  • Operabilidade = relativa ao paciente (condições clínicas para operar com chance de sucesso)
Correção ao resumo — margens de pele: o resumo diz "carcinoma basocelular: margem de 1–2 cm; carcinoma epidermoide: em torno de 1 cm". Está invertido/exagerado: basocelular de baixo risco usa ~4 mm; CEC cutâneo de baixo risco ~4–6 mm e alto risco ≥6–10 mm (ou cirurgia micrográfica). O ponto válido: margem depende de sítio, histologia e risco. Epidemiologia do resumo (INCA): em homens, cavidade oral 5º e laringe 8º; em mulheres, tireoide 8º.
?
PAAF de linfonodo nível II em homem de 50 anos não tabagista: CEC, p16 positivo. Nasofibroscopia normal. Onde está o primário e qual o próximo passo?
Pense em:

p16 é marcador de HPV. Onde se escondem 70% dos primários ocultos?

Resposta:

Orofaringe — amígdala palatina ou base de língua (tumores pequenos em criptas, invisíveis à endoscopia). Próximo passo: PET-CT (se TC/RM não mostraram) e depois panendoscopia com biópsias dirigidas + amigdalectomia ± mucosectomia de base de língua. Prognóstico melhor que o CEC HPV-negativo.

?
Por que o paraganglioma carotídeo não deve ser puncionado/biopsiado?
Pense em:

Massa pulsátil na bifurcação carotídea.

Resposta:

É um tumor hipervascularizado na bifurcação carotídea: biópsia arrisca sangramento importante e não muda conduta — o diagnóstico é por imagem (angio-TC/RM: alarga a bifurcação entre carótida interna e externa). Por isso o exame físico (pulsatilidade, sopro) é fundamental antes de qualquer punção.

08 / Números que caem

Os valores literais.

Criança · inflamatória
75%
benigno 20 · maligno 5
20–50a
45/45/10
inflam · benigno · maligno
>50a · maligno
75%
inflam 10 · benigno 15
Até 2 anos
Congênita
causa mais frequente
Linfonodo suspeito
> 2 cm
+ duro, fixo, indolor, cístico
Linfonodos no pescoço
~1/2
de todos do corpo
PAAF sensibilidade
≥ 95%
especificidade ≥ 97%
Primário oculto
2–3%
dos cânceres de C&P
Oculto em orofaringe/hipofaringe
~70%
base de língua e amígdala
Anomalia branquial 2º arco
65–90%
1º arco 8–25%
Cisto branquial
10–20a
pico de diagnóstico
Tireoglosso em crianças/adol.
70%
~1/3 das massas cervicais infantis
Linfangioma
até 2 anos
manifesta-se clinicamente
Hemangioma
1/3
presente ao nascer · cresce no 1º ano
Papilífero de tireoide
80–85%
tumor de tireoide mais comum
LNH vs LH
LNH mais frequente
Sobrevida
83 / 53%
Hodgkin / não Hodgkin
Linfadenite aguda
≤ 12 sem
além disso: granulomatosa/neoplasia
Esvaziamento supra-omo-hióideo
I–III
boca, orofaringe
Esvaziamento radical
I–V
+ ECM, VJI, XI
Parótida
~80%
benignos (submandibular ~50%)
09 / Pegadinhas de prova

Frases que derrubam.

"Massa cervical no adulto: iniciar investigação com biópsia excisional para diagnóstico histológico." Errado. Exame de VADS → imagem → PAAF. Biópsia aberta piora sobrevida.
"Metástase em nível II geralmente vem do esôfago cervical." Errado. Nível II = orofaringe, nasofaringe, supraglote, boca. Esôfago → níveis baixos.
"Cisto branquial move-se com a protrusão da língua, na linha média." Errado — isso é o tireoglosso. Branquial é lateral, borda anterior do ECM.
"Congênitas se manifestam exclusivamente na infância." Errado. É um erro associar "congênito" a infância; cistos branquiais aparecem muito em adolescente/adulto jovem.
"Em adultos jovens, benignos chegam a percentual semelhante às metástases." Errado — semelhante às inflamatórias (45 × 45).
"A PAAF fornece o diagnóstico definitivo de linfoma." Errado. No linfoma a PAAF serve para excluir outras lesões; diagnóstico definitivo = biópsia.
"Massa cística lateral em adulto de 50 anos = cisto branquial; indicar exérese." Perigoso. Metástase cística (HPV orofaringe, papilífero) até prova em contrário.
"Linfonodo doloroso nunca é maligno." Errado — tumores podem doer. Palavras absolutas ("nunca", "sempre", "exclusivamente") são suspeitas.
"Cisto tireoglosso: basta retirar o cisto." Errado — Sistrunk (cisto + corpo do hioide + trajeto). E confirmar tireoide tópica na US.
"Linfadenomegalia reacional persistente não precisa de medidas adicionais." Depende: lesão que regride mas não some e cresce a cada IVAS em linha média é cisto infectando, não reacional (Q22).
"Hemangioma e linfangioma são ambos malformações e regridem sozinhos." Errado. Hemangioma infantil = tumor que involui; linfangioma = malformação que não involui.
Leitura: questões com EXCETO/INCORRETA (Q20) — marque a conduta inaceitável. Circule a negação antes de ler as alternativas.
10 / Questões da prova antiga

A prova de verdade.

Questões 19 a 23 da prova antiga de MED06663, reescritas (a 19 foi reconstruída — o OCR embaralhou o enunciado). As marcações do aluno na prova original não são gabarito; aqui cada alternativa foi resolvida pelo conteúdo.

Prova antiga · Questão 19
Homem, 60 anos, natural e procedente de Porto Alegre, relata aumento de volume do pescoço à esquerda há 2 meses. Tabagista há 30 anos (60 maços-ano), bebe socialmente, hipertenso e diabético tipo 2. Nega dor. Ao exame: massa no nível II esquerdo, cerca de 4 cm, única, endurecida, indolor, móvel, sem comprometimento cutâneo. Qual exame complementar é indicado como conduta inicial?
Prova antiga · Questão 20
São condutas aceitáveis na avaliação e tratamento de uma metástase cervical no paciente com câncer de cabeça e pescoço, EXCETO:
Prova antiga · Questão 21
Quanto à epidemiologia das massas cervicais:
  • I – Em crianças, as massas cervicais são predominantemente de origem inflamatória e infecciosa.
  • II – Em adultos jovens, diminui a origem inflamatória infecciosa e aumenta a proporção de tumores benignos, chegando a um percentual semelhante às causas metastáticas de carcinoma epidermoide.
  • III – Em adultos acima de 50 anos, a maior etiologia é de doença metastática. Quando a metástase está situada no nível II, geralmente a origem do tumor primário é do esôfago cervical.
Assinale a alternativa que contém as proposições corretas:
Prova antiga · Questão 22
Menina de 15 anos relata que desde os 7 anos notou um nódulo doloroso na região cervical anterior do pescoço após quadros gripais. Com o tempo a lesão regride, mas não some, até que em nova infecção de vias aéreas o nódulo volta a crescer. A maior suspeita é de:
Prova antiga · Questão 23
Qual o tumor maligno de tireoide mais comum?
11 / Quiz inédito no estilo da prova

Treino com pegadinha.

Inédita 1 · Assertivas
Sobre o cisto do ducto tireoglosso:
  • I – Localiza-se na linha média, próximo ao hioide, e move-se com a protrusão da língua.
  • II – O tratamento consagrado é a exérese simples do cisto, independentemente do trajeto.
  • III – A ecografia pré-operatória é útil para confirmar a natureza cística e a presença de tireoide tópica.
Estão corretas:
Inédita 2 · V/F
Julgue como verdadeiro (V) ou falso (F):
  • ( ) As anomalias do segundo arco branquial são as mais comuns e se situam ao longo da borda anterior do esternocleidomastóideo.
  • ( ) A fístula branquial é um trajeto com apenas uma abertura, cutânea ou faríngea.
  • ( ) O linfangioma cervical costuma regredir espontaneamente até os 2 anos, dispensando tratamento.
  • ( ) Massa cística lateral em tabagista de 55 anos deve ser investigada como possível metástase.
Inédita 3 · INCORRETA
Sobre metástase cervical de carcinoma epidermoide com primário desconhecido, assinale a alternativa INCORRETA:
Inédita 4 · Vinheta de conduta
Homem, 44 anos, não tabagista, casado, nota massa no nível II direito há 2 meses, indolor, 3,5 cm. A ecografia mostra lesão cística de paredes finas. Qual a conduta mais adequada?
Inédita 5 · Associação nível × primário (INCORRETA)
Assinale a associação INCORRETA entre sítio primário e nível de metástase cervical:
Inédita 6 · Assertivas
Sobre linfomas cervicais:
  • I – A PAAF estabelece o diagnóstico definitivo e o subtipo histológico.
  • II – Clinicamente, costumam ser linfonodos de consistência emborrachada, móveis e indolores, podendo haver sintomas B.
  • III – Na biópsia, deve-se retirar o maior linfonodo, evitando esmagá-lo, com envio para congelação.
Inédita 7 · Vinheta infecciosa
Mulher, 28 anos, há 3 meses com massa cervical posterior direita, formada por linfonodos endurecidos que se fundiram, indolor, com pele avermelhada e pequeno orifício drenando secreção. Refere febre vespertina e emagrecimento de 5 kg. A hipótese e a conduta mais adequadas são:
Inédita 8 · Vinheta pediátrica
Menino, 9 anos, com nódulo submandibular direito doloroso de 2,5 cm há 2 semanas, febre baixa. Há um mês ganhou um gato filhote; ao exame, pápula crostosa na bochecha direita. Qual a hipótese e a conduta?
12 / Revisão relâmpago

Véspera em 10 minutos.

Responda em voz alta antes de tocar. Errou? Volte à seção correspondente.

?
Primeiro ponto a considerar diante de massa cervical?

A idade.

?
Percentuais inflamatória/benigna/maligna em <20, 20–50 e >50 anos?

75/20/5 · 45/45/10 · 10/15/75. Até 2 anos: congênitas.

?
Seis características de linfonodo suspeito?

>2 cm, perda do formato, endurecido, fixo, cístico (necrose), indolor.

?
Nível II drena o quê? E o V?

II: orofaringe, nasofaringe, supraglote, boca, parótida. V: rinofaringe, couro cabeludo posterior; VB/supraclavicular: abaixo da clavícula.

?
Limites entre II, III e IV?

II até o hioide; III do hioide à cricoide; IV da cricoide à clavícula. VI = central, hioide à fúrcula.

?
Conduta inicial no tabagista de 60 anos com massa endurecida em nível II?

Exame ORL completo com nasofibrolaringoscopia → TC contrastada → PAAF.

?
Três consequências da biópsia prévia ao tratamento definitivo?

↑ recorrência cervical, ↑ metástases a distância, ↑ necrose de retalhos → pior sobrevida.

?
Onde estão ~70% dos primários ocultos e quanto representam?

Orofaringe (base de língua, amígdala) e hipofaringe; 2–3% dos cânceres de C&P, geralmente CEC.

?
Principal fator prognóstico do câncer de cabeça e pescoço?

Metástase linfonodal cervical.

?
Tireoglosso × branquial: localização, manobra, cirurgia?

Tireoglosso: linha média/hioide, move à protrusão da língua, Sistrunk. Branquial: lateral, borda anterior do ECM (nível II), 2º arco, exérese completa do trajeto (até fossa tonsilar).

?
Cisto dermoide: onde e o que o diferencia?

Linha média, submentoniano, firme, móvel com a pele, não move à protrusão da língua.

?
Linfoma: 4 características e papel da PAAF?

>2 cm, emborrachado, móvel (não fixo), indolor ± sintomas B. PAAF só exclui outras lesões; diagnóstico = biópsia do maior linfonodo, sem esmagar, com congelação.

?
Tumor de tireoide mais comum e sua via de disseminação?

Papilífero (~80–85%), linfática (VI, III, IV).

?
Esvaziamento supra-omo-hióideo e radical: quais níveis?

Supra-omo-hióideo I–III (boca/orofaringe). Radical I–V + ECM + VJI + XI + submandibular + cauda da parótida. N1–N3: esvaziamento obrigatório.

?
Linfonodo de Virchow: lado e origem?

Supraclavicular esquerdo; tumores abdominais. Direito: pulmão/mediastino.

13 / Take-home

Pontos essenciais.

1

Idade manda

Criança: 75% inflamatória (até 2 anos, congênita). 20–50a: inflamatória ≈ benigna. >50a: 75% maligna, sobretudo metástase de CEC.

2

Nível aponta o primário

I boca · II orofaringe/naso/supraglote · III laringe/hipofaringe · IV tireoide/esôfago/abaixo da clavícula · V rinofaringe · VI tireoide. Virchow = abdome.

3

VADS antes de tudo

Massa suspeita no adulto: exame ORL completo com nasofibroscopia → TC contrastada → PAAF → PET-CT e panendoscopia com amigdalectomia se oculto.

4

Não biopsiar o pescoço

Biópsia excisional/incisional prévia piora sobrevida (recidiva cervical, metástase a distância, necrose de retalho). Aceitável: biópsia com congelação + esvaziamento no mesmo ato. Exceção: linfoma.

5

Congênitas por localização

Linha média que sobe com a língua = tireoglosso (Sistrunk). Lateral, borda anterior do ECM = branquial do 2º arco. Submentoniano fixo à pele = dermoide. Posterior multicístico = linfangioma.

6

Cístico no adulto engana

Massa cística lateral >40 anos = metástase de CEC HPV+ de orofaringe (p16) ou papilífero de tireoide até prova em contrário — não é cisto branquial.