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▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
Não cai na Prova 1 · provável Prova 2 Aula 27/08 · Cláudia Schweiger

Disfonias:
ouvir e olhar.

Rouquidão é sintoma, não diagnóstico. A voz dá a pista, mas quem fecha o diagnóstico é a laringoscopia. Na prova e na vida, o erro clássico é tratar sem olhar e deixar passar um câncer.

Olhar a laringe
> 4 semanas
Nódulos
Fonoterapia
Câncer
Tabagista
Questões
12
Sobre a fonte: esta aula não tem resumo próprio da Liége. A nota parte do bloco “Laringe e disfonias” do ULTIMATE RESUMO e completa com literatura consolidada de laringologia. Os erros encontrados no resumo estão sinalizados ao longo do texto. Para a anatomia (camadas da prega vocal, nervo recorrente), veja também o Ciclo básico.
01 / Conceitos

O que é disfonia.

Disfonia é qualquer alteração na qualidade, tom (altura), intensidade ou esforço para produzir a voz, que atrapalha a comunicação ou a qualidade de vida. Rouquidão é o tipo mais comum, mas não o único.

TermoO que éNão confundir com
DisfoniaVoz alterada, produzida com dificuldade
AfoniaAusência de voz (só sussurro)Afonia psicogênica: sussurra, mas tosse com som normal
DisartriaAlteração da articulação das palavrasÉ problema de fala (neurológico), não da laringe
OdinofoniaDor ao falar
Fadiga vocalVoz piora ao longo do usoPensar em miastenia se piora progressiva com esforço

A voz dá pistas sobre a lesão

Rouca / áspera
Massa ou rigidez
nódulo, pólipo, cisto, câncer, Reinke
Soprosa
Fenda glótica
ar escapa: paralisia unilateral, presbifonia
Tensa-estrangulada
Fechamento excessivo
disfonia espasmódica, tensão muscular
Fraca e monótona
Hipofonia
Parkinson
Grave “virilizada”
Mais massa
edema de Reinke na mulher tabagista
Bitonal / diplofonia
Pregas vibram diferente
paralisia, pólipo, cisto
Avaliação perceptiva GRBAS (cada item de 0 a 3): Grau geral, Rouquidão, soBrosidade (breathiness), Astenia, tenSão (strain). É a escala usada por fonoaudiólogos e otorrinos para descrever a voz.

Quem tem mais

Estimativas sugerem que cerca de 1 em cada 3 pessoas terá disfonia em algum momento da vida. Os grupos de maior risco são profissionais da voz (professores, cantores, operadores de telemarketing), tabagistas, idosos e pessoas com refluxo. Crianças que gritam muito formam outro grupo clássico (nódulos).

02 / Abordagem

Não trate sem olhar.

A regra que organiza tudo: rouquidão que não melhora em até 4 semanas precisa de laringoscopia (diretriz americana de disfonia, AAO-HNS). Se houver sinal de alarme, não se espera prazo nenhum. Muitos serviços usam 2–3 semanas como corte para tabagistas.

1
Passo 01
Tem sinal de alarme?
Dispneia, estridor, tabagismo, massa cervical, disfagia, hemoptise, otalgia referida, perda de peso, cirurgia cervical/torácica recente?
Sim
Laringoscopia sem esperar. Estridor ou dispneia = avaliação de urgência da via aérea.
Não
Seguir ao passo 2.
2
Passo 02
Quanto tempo?
É um quadro agudo com contexto claro (IVAS, grito num show) ou persistente?
Agudo e explicável
Laringite viral: hidratação, repouso vocal relativo, reavaliar. Sem antibiótico.
> 4 semanas ou piorando
Laringoscopia.
3
Passo 03
Anamnese dirigida
Como começou, quem é o paciente, o que usa?
Súbito após grito
Pólipo ou hemorragia de prega vocal.
Após tireoidectomia ou intubação
Paralisia de prega vocal, granuloma.
Uso vocal intenso crônico
Nódulos, cisto, tensão muscular.
Pigarro, globus, pior de manhã
Refluxo laringofaríngeo.
Corticoide inalatório
Candidíase laríngea.
Tabagista, progressivo
Câncer, leucoplasia, edema de Reinke.
4
Passo 04
Exame da laringe
Qual exame?
Nasofibrolaringoscopia
Aparelho flexível pelo nariz; paciente fala naturalmente. Ótima para mobilidade e crianças.
Telelaringoscopia
Óptica rígida pela boca; imagem mais nítida da mucosa.
Videolaringoestroboscopia
Luz pulsada que “congela” a vibração e mostra a onda mucosa. Diferencia cisto de nódulo e detecta rigidez (cicatriz, câncer inicial).
5
Passo 05
Tratar a causa
Fonoterapia, cirurgia, medicação dirigida ou oncologia?
Com diagnóstico
Tratamento específico (ver seções seguintes).
Evitar antes de olhar
Antibiótico de rotina, corticoide, antirrefluxo empírico e TC/RM antes da laringoscopia.

Checklist: esse paciente precisa de laringoscopia agora?

Marque o que o paciente tem.

Conduta
Observar
Quadro agudo sem alarme: medidas de higiene vocal e reavaliar em até 4 semanas.
03 / Por idade

A idade muda a suspeita.

FaixaCausas mais importantesNão deixar passar
LactenteChoro fraco ou rouco: paralisia de prega vocal (pós-cirurgia cardíaca, neurológica), membrana laríngea congênitaEstridor associado = investigar via aérea
CriançaNódulos vocais (causa mais comum, meninos que gritam), cistos, laringite agudaPapilomatose respiratória recorrente: rouquidão progressiva que evolui com estridor
Adulto jovemNódulos (mulheres, professoras), pólipos, cistos, laringite, refluxo, disfonia por tensão muscularHemorragia de prega vocal após grito
Meia-idadeEdema de Reinke (mulher tabagista), granuloma, refluxo, leucoplasiaCâncer em tabagista
IdosoPresbifonia (atrofia), paralisia, Parkinson, câncerParalisia por tumor de pulmão/mediastino
04 / Lesões benignas

Nódulo, pólipo, cisto, Reinke.

As lesões benignas da prega vocal nascem quase todas na lâmina própria superficial (espaço de Reinke), a camada gelatinosa que ondula na fonação. A maioria tem relação com fonotrauma: impacto repetido das pregas.

Nódulos vocais bilaterais e pólipo vocal unilateral na laringoscopia
Esquerda: nódulos vocais bilaterais e simétricos na junção dos terços anterior e médio. Direita: pólipo vocal único, pediculado, na borda livre. Imagem: Dr. Domingos Tsuji · domingostsuji.com.br
NódulosPólipoCistoEdema de ReinkeGranuloma
LadoBilateral, simétricoGeralmente unilateralUnilateral (pode ter reação contralateral)Bilateral, difusoUni ou bilateral
LocalJunção 1/3 anterior e médioBorda livre, 1/3 anterior-médioDentro da prega (intracordal)Toda a porção membranosaPosterior: processo vocal da aritenoide
QuemCrianças (meninos) e mulheres adultas, uso vocal intensoAdultos; grito, tabagismo, anticoagulanteProfissionais da vozMulher de meia-idade tabagistaIntubação, refluxo, pigarro
CausaFonotrauma crônicoFonotrauma, muitas vezes agudoCongênito (epidermoide) ou retenção glandularTabagismo (quase sempre)Trauma na mucosa sobre a cartilagem
VozRouca, soprosa, pior no fim do diaRouca, pode ser bitonalRouca, quebrasGrave, “masculinizada”Muitas vezes pouco alterada
1ª linhaFonoterapiaCirurgia (microcirurgia) + fonoCirurgia + fonoParar de fumar; cirurgia se obstrução/vozAntirrefluxo + fono; cirurgia recidiva muito
Correção do resumo: o ULTIMATE diz que nódulos são “mais comumente congênitos” e presentes “desde a infância”. Na verdade nódulos são adquiridos, por fonotrauma crônico (grito, uso vocal excessivo). Quem pode ter origem congênita é o cisto epidermoide e o sulco vocal.
Cistos de prega vocal
Cistos de prega vocal (setas): massa esbranquiçada ou amarelada sob a mucosa, dentro da prega. Na estroboscopia a onda mucosa fica reduzida sobre o cisto, o que ajuda a diferenciar de nódulo. Imagem: Dr. Domingos Tsuji · domingostsuji.com.br
Laringe normal e edema de Reinke
A: pregas vocais normais, finas e brancas. B: pregas vocais volumosas e edemaciadas, padrão de edema de Reinke no tabagista. Imagem: Medicina de Excelência · me.med.br
?
Por que o nódulo aparece exatamente na junção do terço anterior com o médio?
Pense em:

Onde as duas pregas batem com mais força quando vibram?

Resposta

A parte que vibra é a porção membranosa (os 2/3 anteriores). O ponto de maior amplitude e impacto fica no meio dessa porção, ou seja, na junção dos terços anterior e médio da prega inteira. Impacto repetido ali engrossa a mucosa dos dois lados, como um calo. Por isso o nódulo é bilateral e simétrico, e na fonação deixa uma fenda em “ampulheta”.

?
Por que o granuloma fica atrás, e não na borda livre?
Pense em:

O que tem embaixo da mucosa na parte posterior da prega?

Resposta

O terço posterior é a porção cartilaginosa: mucosa fina sobre o processo vocal da aritenoide. O tubo de intubação, o ácido do refluxo e o pigarro ferem essa mucosa contra a cartilagem, e o tecido de granulação cresce ali. Por isso o tratamento é tirar a agressão (antirrefluxo, fono para pigarro), e a cirurgia isolada recidiva.

05 / Mapa da glote

Veja onde cada lesão mora.

Visão endoscópica esquemática: anterior embaixo (comissura anterior), posterior em cima (aritenoides), como nas fotos desta nota.

06 / Inflamatórias

Laringites e refluxo.

Laringite aguda

Quase sempre viral, junto com IVAS. Dura dias a ~3 semanas.

Exame: pregas hiperemiadas e edemaciadas, bilaterais.
Conduta: hidratação, umidificação, repouso vocal relativo, evitar pigarrear e sussurrar com força.
Não: antibiótico de rotina.
Criança com estridor e tosse ladrante: isso é crupe (laringotraqueíte), outro tema: ver Obstrução de vias aéreas.

Laringite crônica

Agressão persistente à mucosa.

Causas: tabagismo, álcool, refluxo, poluição, abuso vocal.
Corticoide inalatório: candidíase laríngea (placas brancas) e alteração muscular. Orientar espaçador e enxaguar a boca.
Raras: tuberculose laríngea, micoses (paracoccidioidomicose no Brasil), granulomatoses. Podem imitar câncer → biópsia.

Refluxo laringofaríngeo

Quadro

  • Pigarro constante, sensação de bolo na garganta (globus), tosse crônica
  • Rouquidão pior ao acordar
  • Pirose muitas vezes ausente (diferente da DRGE típica)
  • Laringoscopia: edema e hiperemia da parede posterior e das aritenoides, achados inespecíficos

Conduta

  • Medidas: não deitar após comer, reduzir álcool, café, gordura e refeições noturnas, perder peso
  • Inibidor de bomba de prótons em teste terapêutico (muitos esquemas usam 2×/dia por 8–12 semanas); a evidência é controversa
  • Não prescrever antirrefluxo empírico para toda rouquidão sem olhar a laringe
07 / Neurológicas

Quando o problema é o nervo.

Paralisia unilateral

Uma prega parada; a outra não consegue fechar a fenda. Voz soprosa e fraca, cansaço ao falar, às vezes engasgo.

Causas: cirurgia (tireoidectomia, cervical anterior, cardíaca/torácica), neoplasia (pulmão, esôfago, tireoide, mediastino), intubação, idiopática (viral).
Esquerda mais comum: o recorrente esquerdo contorna o arco aórtico, trajeto longo.
Sem causa iatrogênica óbvia: TC com contraste da base do crânio até o mediastino/arco aórtico (todo o trajeto do vago e do recorrente).
Tratamento: fonoterapia (a outra prega compensa); injeção ou tireoplastia de medialização se persistir.

Paralisia bilateral

As duas pregas param perto da linha média. Voz quase normal, mas estridor e dispneia.

Causas: tireoidectomia total, intubação prolongada (fixação cricoaritenóidea), doenças neurológicas.
É urgência de via aérea.
Tratamento: garantir a via aérea (traqueostomia se preciso) e depois ampliar a glote (cordotomia posterior, aritenoidectomia), sacrificando um pouco a voz.
Pegadinha clássica: “voz boa” não quer dizer “nervo bom”. Na paralisia bilateral a voz é razoável justamente porque as pregas estão fechadas no meio, e o risco é respiratório. Unilateral = problema de voz; bilateral = problema de ar.
DoençaVozPistaTratamento
Disfonia espasmódica (distonia focal)Tensa-estrangulada, com quebras (tipo adutor)Melhora ao rir, cantar ou sussurrar; laringe estruturalmente normalToxina botulínica no músculo tireoaritenóideo
ParkinsonFraca, baixa, monótona (hipofonia)Outros sinais parkinsonianos; fenda por arqueamentoFonoterapia intensiva (método LSVT LOUD) e tratamento da doença
Tremor essencialVoz trêmula, rítmicaTremor de mãos e cabeçaTratamento do tremor; toxina em casos selecionados
Miastenia gravisPiora com o uso, fadigaPtose, diplopia, disfagiaTratamento da miastenia
ELA / AVC de troncoDisfonia com disartria e disfagiaEngasgo, aspiração; lesão do laríngeo superior reduz tosseSuporte, fono, proteção da via aérea

Presbifonia

Envelhecimento da voz: atrofia do músculo vocal e da lâmina própria deixa as pregas arqueadas, com fenda fusiforme no fechamento. Voz fraca, soprosa, que cansa; no homem tende a ficar mais aguda, na mulher mais grave. É diagnóstico de exclusão no idoso, depois de afastar câncer, paralisia e Parkinson. Tratamento principal: fonoterapia.

08 / Neoplasias

Papiloma, leucoplasia e câncer.

Papilomatose respiratória recorrente

Papilomatose laríngea extensa
Papilomatose laríngea extensa: lesões em “cacho de uva” ou couve-flor, róseas, cobrindo pregas e comissura, estreitando a luz. Imagem: Dr. Domingos Tsuji · domingostsuji.com.br
1
Causa: HPV 6 e 11 (os mesmos das verrugas genitais, de baixo risco oncogênico).
2
Forma juvenil: transmissão da mãe no parto; tumor benigno de laringe mais comum na criança, mais agressiva. Forma adulta: transmissão sexual.
3
Quadro: rouquidão progressiva → estridor → obstrução de via aérea. Criança “com asma que não melhora” e voz rouca: pensar nisso.
4
Tratamento: não tem cura. Remoção cirúrgica repetida (microdebridador, laser de CO₂), preservando a mucosa. Adjuvantes em casos graves (cidofovir, bevacizumabe). Evitar traqueostomia (espalha as lesões).
5
Prevenção: vacina contra HPV. Transformação maligna é rara.
Correção do resumo: o ULTIMATE fala em “indicação relativa de cesárea” em gestante com condiloma. Cesárea não é indicada rotineiramente para prevenir papilomatose: o risco de transmissão é baixo e a cesárea não o elimina. Ela fica reservada para condilomas que obstruem o canal de parto ou causariam sangramento importante. Também é inexato dizer “mais comumente bilateral”: as lesões são multifocais e costumam envolver pregas, comissura anterior e outras áreas da via aérea.

Lesões pré-malignas e câncer

Leucoplasia, papiloma e carcinoma de laringe
Da esquerda para a direita: leucoplasia (placa branca na prega vocal), papiloma (setas) e carcinoma de laringe (lesão vegetante esbranquiçada e irregular). Imagem: DGS Otorrinolaringologia · dgsotorrinolaringologia.med.br

Leucoplasia e eritroplasia

  • Leucoplasia = placa branca; é descrição clínica, não diagnóstico histológico
  • Pode ser hiperceratose simples, displasia ou já carcinoma → biópsia/excisão
  • Eritroplasia (placa vermelha) tem risco maior de malignidade
  • Tabagismo quase sempre presente → parar de fumar

Carcinoma de laringe

  • Carcinoma espinocelular (epidermoide) em mais de 90%
  • Tabagismo é o principal fator; álcool potencializa (efeito sinérgico)
  • Mais em homens acima de 50–60 anos
  • Diagnóstico: laringoscopia + biópsia (microlaringoscopia); TC/RM de pescoço para estadiar
SítioFrequênciaPrimeiro sintomaMetástase linfonodalPrognóstico
GloteO mais comumRouquidão precoce (lesão pequena já altera a voz)Tardia (pouca drenagem linfática)Bom se diagnosticado cedo
SupragloteTardio: disfagia, odinofagia, otalgia referida, massa cervicalPrecoce, muitas vezes bilateralPior
SubgloteRaroEstridor, dispneiaNível VI, paratraquealPior
Tratamento em uma linha: tumor inicial de glote (T1–T2) → radioterapia ou cirurgia endoscópica a laser (cordectomia), com altas taxas de cura e voz preservada. Tumor avançado → laringectomia total ou quimiorradioterapia com preservação de órgão. Depois da laringectomia a voz pode ser reabilitada com prótese traqueoesofágica, voz esofágica ou laringe eletrônica.
A lição da prova: tabagista com rouquidão persistente tem câncer de laringe até prova em contrário. Prescrever antibiótico, corticoide ou IBP e mandar voltar em 2 meses sem olhar a laringe é o erro que a banca quer que você evite.
09 / Funcionais

Laringe normal, voz alterada.

Disfonia por tensão muscular

Uso ineficiente e tenso da musculatura da laringe e do pescoço, sem lesão orgânica que explique.

Exame: estrutura normal; contração exagerada da supraglote durante a fala.
Contexto: estresse, uso vocal intenso, às vezes secundária a laringite ou refluxo.
Tratamento: fonoterapia.
Evolução: se não corrigida, o impacto repetido pode gerar nódulos.

Afonia/disfonia psicogênica

Perda da voz ligada a conflito emocional (transtorno conversivo), geralmente súbita.

Pista de ouro: fala só sussurrando, mas tosse e riso têm som normal → as pregas fecham normalmente.
Exame: pregas se movem bem na tosse, não aduzem ao tentar falar.
Tratamento: fonoterapia, muitas vezes com resposta rápida, e abordagem psicológica.
10 / Tratamento

Três ferramentas: fono, bisturi, causa.

1
Higiene vocal (todos): beber água ao longo do dia, não fumar, reduzir álcool e cafeína (ressecam a mucosa), evitar gritar e competir com ruído, evitar pigarrear, pausas de voz para profissionais.
2
Fonoterapia: 1ª linha em nódulos, disfonia por tensão muscular, presbifonia, paralisia unilateral e Parkinson; complemento obrigatório antes e depois de cirurgia.
3
Fonocirurgia (microcirurgia de laringe): pólipos, cistos, Reinke volumoso, leucoplasia, papilomatose. Princípio: tirar a lesão preservando a lâmina própria, senão fica cicatriz e voz ruim para sempre. Repouso vocal nos primeiros dias.
4
Tratamento da causa: antirrefluxo no refluxo confirmado, parar corticoide inalatório ou tratar candidíase, toxina botulínica na disfonia espasmódica, oncologia no câncer.
O que a diretriz americana desaconselha antes de ver a laringe: antibiótico de rotina, corticoide oral, antirrefluxo sem sinais de refluxo e TC/RM. Todos atrasam o diagnóstico e mascaram lesões.

Números que caem

Laringoscopia
> 4 semanas
ou já, se sinal de alarme
Câncer de laringe
> 90% CEC
tabaco + álcool
Papilomatose
HPV 6 e 11
tumor benigno de laringe mais comum na criança
Nódulo
1/3 ant. × médio
bilateral · fenda em ampulheta
Granuloma
1/3 posterior
processo vocal da aritenoide
Laringite aguda
< 3 semanas
viral · sem antibiótico

Pegadinhas de prova

“Nódulo é unilateral” → falso: é bilateral. Unilateral sugere pólipo, cisto ou câncer.
“Tratamento de primeira escolha dos nódulos é cirúrgico” → falso: fonoterapia.
“Paralisia bilateral causa voz muito soprosa e pouca dispneia” → invertido: voz relativamente boa e dispneia/estridor.
“Edema de Reinke é lesão maligna” → falso: é benigno, mas o tabagismo associado exige vigiar câncer.
“Rouquidão em tabagista: iniciar antibiótico e reavaliar em 60 dias” → errado: laringoscopia.
“Afonia com tosse sonora sugere paralisia bilateral” → falso: sugere afonia psicogênica.
“Tumor glótico metastatiza cedo” → falso: é o supraglótico que metastatiza cedo.
11 / Revisão relâmpago

Responda antes de abrir.

12 / Quiz

No estilo da prova.

13 / Take-Home

Pontos essenciais.

1

Olhar antes de tratar

Rouquidão > 4 semanas ou com sinal de alarme = laringoscopia. Nada de antibiótico, corticoide ou IBP às cegas.

2

Nódulo × pólipo

Nódulo: bilateral, fonotrauma crônico, fonoterapia. Pólipo: unilateral, agudo, cirurgia.

3

Tabagista

Reinke, leucoplasia e câncer. Rouquidão persistente é câncer até prova em contrário.

4

Glote × supraglote

Glote: rouquidão cedo, metástase tarde, bom prognóstico. Supraglote: sintomas tardios e metástase precoce.

5

Nervo

Unilateral = voz soprosa. Bilateral = voz ok e falta de ar. Sem causa cirúrgica: TC da base do crânio ao mediastino.

6

Criança

Nódulos são o mais comum; rouquidão progressiva com estridor = papilomatose (HPV 6/11).