Percepção de som sem estímulo externo correspondente. É um sintoma, não uma doença — quase sempre ligado a dano na via auditiva. Aula da prof. Letícia Rosito (13/08). Seis questões da prova antiga saíram só deste tema.
Zumbido (acúfeno, tinnitus) é a sensação de som sem estímulo sonoro externo que o corresponda. É uma percepção auditiva fantasma — análoga à dor do membro fantasma no amputado: o sistema nervoso central, privado de aferência, "preenche" a falta de estímulo. Por isso o zumbido é, muitas vezes, gerado pela privação auditiva e funciona como marcador de alteração na via auditiva.
Som → orelha externa → membrana timpânica e ossículos (orelha média, condução) → cóclea: células ciliadas externas (amplificam) e internas (transduzem) → nervo coclear (VIII par) → núcleos cocleares no tronco → colículo inferior → corpo geniculado medial (tálamo) → córtex auditivo. Em paralelo, conexões com sistema límbico (amígdala: emoção) e sistema nervoso autônomo (reação de alerta). É por essa "ponte" que um som neutro vira sofrimento.
Só o paciente ouve. É a imensa maioria dos casos.
Raro. Existe um som real, gerado pelo próprio corpo.
"O zumbido subjetivo é muito raro e é definido como a percepção de sons provenientes do próprio corpo" — FALSO. A frase descreve o objetivo. O subjetivo é o comum.
O que produz um som no ritmo do coração?
Som sincrônico ao pulso sugere fluxo sanguíneo turbulento perto do osso temporal — tumor vascular (glomus), fístula AV, estenose/aneurisma, bulbo jugular alto/deiscente, HII, ou estado hiperdinâmico (anemia, hipertireoidismo). A investigação é vascular (angio-RM / angio-TC, TC de ossos temporais) e laboratorial (hemograma, TSH), e não apenas audiológica. O zumbido não pulsátil, ao contrário, aponta para lesão coclear/neural com perda auditiva.
Tumor hipervascular de orelha média/forame jugular.
Paraganglioma (tumor glômico) timpânico ou jugular. Massa vermelho-azulada atrás da membrana, pode empalidecer com pneumatoscopia (sinal de Brown). Pedir TC de ossos temporais + RM/angio-RM. Não biopsiar pelo conduto (sangramento).
Frase do livro: tumores glômicos (jugular ou timpânico) são diagnosticados pela otoscopia (tímpanos azulados, pulsáteis, hipoacusia) e por TC e RM; o tratamento pode ser cirúrgico ou radioterápico. Rotinas · cap. 1
A Q1 da prova antiga foi inteira construída trocando números (10% × 5%; 25% × 17%; "ablação na maioria" × persiste em 60%). Cada card abaixo é um distrator em potencial.
Somando, cerca de ~80% têm etiologia identificada e as causas otológicas com perda auditiva dominam (presbiacusia + PAIR ≈ metade). Por isso "na maior parte dos casos identifica-se a causa" é considerado correto na prova.
No resumo a tabela aparece como "Prestabacisu", "Metuss" e "Otocóclase" — leia presbiacusia, Ménière e otosclerose. A tabela de emissões otoacústicas veio com números que não fecham 100%; a leitura coerente é EOA alterada em ~64% dos pacientes com zumbido e audiometria normal vs ~37% dos controles (p=0,036).

Ruído, envelhecimento, ototóxicos, hidropsia: morrem células ciliadas (sobretudo externas, na base da cóclea = agudos). Pode ser subclínica — audiometria normal com EOA alteradas.
Menos sinal chega pelo nervo coclear na faixa de frequência lesada — a via central fica "sem entrada".
Perda de inibição, aumento do ganho e da atividade espontânea sincronizada nos núcleos cocleares, colículo e córtex; reorganização tonotópica do córtex auditivo. O zumbido costuma ter a frequência próxima à região de maior perda.
Uma vez instalado o gerador central, cortar o VIII par não resolve: o zumbido persiste em ~60%.
Se o sinal ganha significado negativo (medo, ameaça), o límbico reforça a atenção e o autônomo gera alerta, insônia, ansiedade — ciclo vicioso.
Estado emocional modula a percepção: estresse, ansiedade e depressão pioram; habituação (quebrar o vínculo emocional) é o alvo do tratamento.
Membro fantasma: o que acontece com o córtex sensitivo após a amputação?
O dano periférico desencadeia plasticidade central (hiperatividade e reorganização). O gerador passa a ser central. Cortar o VIII par aumenta ainda mais a desaferentação — por isso 60% mantêm o zumbido. Frase de prova: "a grande maioria dos pacientes com VIII par seccionado teve ablação do zumbido" é FALSA.
Onde o sinal ganha "valor" no modelo neurofisiológico?
A geração periférica é igual; muda a associação emocional (límbico) e a reação autonômica. Quem não faz ligação emocional habitua. Quem associa ameaça entra em ciclo vicioso. É por isso que orientação/aconselhamento é pilar do tratamento.
A alternativa aceita fala em "reorganização somatossensorial do córtex". O conceito mais preciso é reorganização do córtex auditivo (tonotópica), mas existe também modulação somatossensorial real (zumbido somático: muda ao mexer mandíbula/pescoço, via núcleo coclear dorsal). Na prova, ela é a única sem número errado — marque-a por exclusão.
Regra de ouro: causas otológicas são as mais frequentes, e a frequência do zumbido fica perto da região de maior perda auditiva na audiometria. Zumbido pode ser o primeiro sinal de uma perda ainda não percebida (PAIR em 4 kHz, presbiacusia inicial).
| Causa | Tipo | Pista clínica | Audiometria / exame | Conduta-chave |
|---|---|---|---|---|
| Presbiacusia | Não pulsátil, bilateral | Idoso, "ouve mas não entende", progressão lenta | Neurossensorial bilateral simétrica, descendente em agudos | AASI + orientação |
| PAIR Rotinas · 2.12 | Não pulsátil, frequentemente bilateral | Exposição crônica >85 dB por ≥8 h/dia (NR-15); zumbido em pelo menos metade; pode vir antes da hipoacusia | Neurossensorial bilateral simétrica; "gota acústica" em 3, 4 ou 6 kHz com recuperação em 8 kHz | Sem tratamento clínico/cirúrgico: prevenção (PCA, EPI) e AASI |
| Doença de Ménière Rotinas · 2.16 | Não pulsátil, geralmente unilateral no início | Crises espontâneas de vertigem ≥20 min + hipoacusia flutuante + zumbido + plenitude aural | Neurossensorial flutuante (classicamente pior em graves no início) | Restrição de sal ± diurético, betaistina (manutenção preferida); crise: cinarizina, prometazina, diazepam |
| Otosclerose | Não pulsátil | Adulto jovem, mulher, história familiar; maioria tem zumbido | Condutiva (gap aéreo-ósseo), reflexo estapédico ausente, entalhe de Carhart | Estapedectomia/estapedotomia ou AASI — melhora o zumbido |
| Ototoxicidade Rotinas · 2.13 | Não pulsátil, uni ou bilateral | Aminoglicosídeos, cisplatina, diuréticos de alça, salicilatos/AINEs, quinino, betabloqueadores, gotas otológicas em perfuração | Neurossensorial começando nos agudos; critério: queda de 25 dB em ≥1 frequência (250–8.000 Hz) | Prevenir e monitorar; ajustar dose ou trocar a droga; sequela: AASI/implante |
| Surdez súbita | Não pulsátil, unilateral | Perda em ≤72 h | Neurossensorial ≥30 dB em 3 frequências | Urgência: corticoide; RM |
| Schwannoma vestibular Rotinas · 2.14 | Não pulsátil, unilateral, agudo e contínuo | Perda unilateral progressiva (95%), zumbido (até 70%), desequilíbrio (até 50%) | Neurossensorial assimétrica, discriminação pobre desproporcional; reflexo estapédico pode faltar; PEATE com atraso da onda V | RM com contraste (gadolínio); observar, operar ou radiocirurgia |
| Otite média / cerume / OMC | Não pulsátil | Otoscopia alterada | Condutiva | Tratar a causa |
| Metabólicas | Não pulsátil | DM/hiperinsulinemia, tireoide, dislipidemia, B12, autoimune | Variável | Laboratório; corrigir fator agravante |
| Paraganglioma (glomus) | Pulsátil, objetivo | Massa vermelha retrotimpânica | Pode ter perda condutiva | TC + RM/angio-RM; cirurgia/radioterapia |
| Fístula / MAV (dural) | Pulsátil, objetivo | Sopro audível na mastoide/pescoço | Normal | Angio-RM / angiografia; tratamento endovascular |
| Hipertensão intracraniana idiopática | Pulsátil | Mulher jovem obesa, cefaleia, papiledema, alterações visuais; melhora com compressão jugular | Pode ter perda em graves | Fundo de olho, RM + angio-RM venosa, punção lombar |
| Deiscência / bulbo jugular alto | Pulsátil (venoso) | Melhora ao comprimir a jugular ipsilateral ou virar a cabeça | Normal ou condutiva leve | TC de ossos temporais |
| Anemia / hipertireoidismo | Pulsátil (hiperdinâmico) | Palidez, taquicardia, perda de peso | Normal | Hemograma, TSH/T4L; tratar |
| Mioclonia palatina / tensor do tímpano | Rítmico (cliques), objetivo | Estalidos rápidos; movimento do palato visível | Imitanciometria com oscilações | Neurologia; toxina botulínica em casos refratários |
| Tuba patente | Rítmico com a respiração | Autofonia, ouve a própria respiração; perda de peso; melhora deitado | MT move com a respiração | Orientação, hidratação; procedimentos se refratário |
| Disfunção de ATM | Pulsátil ou não (somático) | Dor/estalido articular, bruxismo; zumbido muda com a mandíbula | Normal | Bucomaxilofacial, placa, fisioterapia |
Todo zumbido (e/ou perda auditiva) unilateral ou assimétrico deve ser investigado para lesão retrococlear — tumor do ângulo pontocerebelar (schwannoma vestibular) — com RM (exame de escolha, mostra o nervo). Frase da Q6: "sempre que o zumbido for unilateral, deve-se solicitar exames complementares para avaliar lesão retrococlear" é correta — aqui o "sempre" não é pegadinha.
O livro é direto: "todos os pacientes com queixas de zumbido, hipoacusia uni ou bilateral, plenitude auditiva, vertigem e desequilíbrio que estejam sendo ou foram submetidos a tratamento com drogas ototóxicas devem ser avaliados para possibilidade de ototoxicidade". As lesões ototóxicas são, na maioria das vezes, irreversíveis (destroem células ciliadas externas). As exceções reversíveis são as drogas que agem na estria vascular (diuréticos de alça e salicilatos) e a eritromicina.

O resumo de aula lista antidepressivos (amitriptilina, imipramina, fluoxetina, bupropiona, trazodona) como causas de zumbido e chamava AINEs em geral de "reversíveis". O livro não inclui antidepressivos na tabela de ototóxicos, e só afirma reversibilidade para aspirina/salicilatos, diuréticos de alça e eritromicina. Para a prova, use a lista do livro; se a assertiva citar antidepressivos como causa, lembre que isso veio do resumo, não do Rotinas.
Benzodiazepínicos não estão na lista clássica de ototóxicos que causam zumbido; ao contrário, clonazepam/alprazolam já foram usados (sem evidência robusta) para aliviar zumbido. A retirada abrupta pode desencadear zumbido, mas para a prova a assertiva "BZD, assim como salicilatos, estão entre as drogas que causam zumbido" é tratada como falsa.
O Rotinas em Otorrinolaringologia não tem capítulo próprio de zumbido: o sintoma aparece dentro dos capítulos de PAIR (2.12), ototoxicidade (2.13), schwannoma vestibular (2.14) e doença de Ménière (2.16). Abaixo, o que cada capítulo diz, com foco no que se liga ao zumbido.
Definição: diminuição progressiva da acuidade auditiva por exposição continuada a elevados níveis de pressão sonora. Diferente do trauma acústico (som abrupto de grande intensidade, dano físico imediato, pode romper membrana timpânica e cadeia ossicular). É a doença profissional irreversível mais prevalente do mundo.

| dB(A) | 85 | 86 | 87 | 88 | 89 | 90 | 95 | 100 | 105 | 110 | 115 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Máximo/dia | 8 h | 7 h | 6 h | 5 h | 4 h 30 | 4 h | 1 h 45 | 1 h | 30 min | 15 min | 7 min |
Afecções iatrogênicas por drogas que lesam a orelha interna, auditiva e/ou vestibular. Na cóclea, destroem progressivamente as células ciliadas externas; no vestíbulo, as células ciliadas das cristas ampulares e das máculas de sáculo e utrículo. A lista completa está na seção de causas.






Aminoglicosídeos 9,4% e 17,24% (conforme o estudo) · cisplatina 20–90% em adultos e 50–90% em crianças · furosemida 6,4% · gotas otológicas 3,4%.
Tumor benigno das células de Schwann do VIII par, no ângulo pontocerebelar e meato acústico interno. O nome "neuroma do acústico" é incorreto: nasce mais da porção vestibular. É o tumor mais comum do ângulo pontocerebelar (quase 90%) e 6% dos tumores intracranianos; pico por volta dos 50 anos, mulheres 2:1. 95% esporádicos (unilaterais); o restante na neurofibromatose tipo 2 (autossômica dominante, schwannoma bilateral em praticamente todos, média de 31 anos).
Evolução dos sintomas com o tamanho: intracanalicular → só VIII par (perda, zumbido, vertigem) · ângulo pontocerebelar → piora da perda e desequilíbrio constante · compressão de tronco → trigêmeo · hidrocefalia → alterações visuais e cefaleia intensa. Nervo facial é tardio; sinal de Hitselberger = hipoestesia da parede posterior do conduto e da concha.



A maioria dos casos ainda chega avançada, sem chance de cirurgia com preservação auditiva, porque os profissionais valorizam pouco os sintomas iniciais: assimetria auditiva e zumbido unilateral, que devem sempre ser investigados quando presentes. É o respaldo do livro para a frase da prova antiga.
Alteração da orelha interna com sintomas vestibulares e auditivos. Os sintomas clássicos, que costumam ser cobrados como "tríade + plenitude", são quatro: vertigem episódica, perda auditiva flutuante, zumbido e plenitude auricular. Variantes: coclear (predomínio auditivo) e vestibular. Alguns autores separam síndrome (causa conhecida) de doença (idiopática).


Etiologias e associações citadas: otite média (labirintite serosa/supurativa), otosclerose (envolve aqueduto vestibular), trauma acústico ou físico, vasopressina elevada perto das crises, alergia (inalante 41,6% × 27,6% nos controles; alimentar 40,3% × 17,4%), teoria viral e autoimunidade (imunocomplexos circulantes em 32–50%).
| Classificação (AAO-HNS 1995) | Critérios |
|---|---|
| Certa | DM definida + confirmação histopatológica |
| Definida | Duas ou mais crises de vertigem de pelo menos 20 minutos · surdez documentada audiometricamente pelo menos uma vez · zumbido ou pressão auricular |
| Provável | Um episódio definido de vertigem · surdez documentada ao menos uma vez · acufenos (zumbido) ou pressão auricular |
| Possível | Episódio de vertigem sem surdez documentada, ou surdez sensorioneural flutuante/fixa com desequilíbrio, mas sem episódios definidos |
A vertigem que conta é espontânea, rotatória, ≥20 minutos, acompanhada de desequilíbrio (que pode durar dias).

Nenhum tratamento mudou prospectivamente o curso da doença. Motivos: etiologia desconhecida, grande efeito placebo, recaídas e remissões espontâneas, e a vertigem desaparece em ~70% ao longo dos anos. O alvo principal é a vertigem.
Sedar o eixo vestíbulo-tronco: cinarizina, prometazina, diazepam. Evitar cinarizina prolongada (efeitos extrapiramidais, sobretudo em idosos).
Restrição de sal + diuréticos (furosemida, amilorida, hidroclorotiazida): base histórica, não científica. Betaistina, com ou sem diurético, é o meio preferido; estudos mostram melhora a curto prazo de vertigem, perda auditiva e zumbido. Refratários: cinarizina, propranolol (se enxaqueca), corticoide.
DM unilateral com audição ruim e vertigem incapacitante. Controle da vertigem ~90%; cocleotoxicidade em 15–25%. Protocolo: 40 mg/mL, intervalos semanais (até 3–4 aplicações), audiometria semanal, VENG antes e ao final, anestesia tópica, repouso de 1 h. É a primeira opção invasiva, menos agressiva.
~90% entram em remissão longa. Não destrutivas: descompressão do saco endolinfático (Moffat: controle em 81%, sem grupo-controle) e neurectomia vestibular (90–95%, preserva audição, risco de fossa posterior). Destrutiva: labirintectomia (audição inútil; anacusia certa). DM bilateral com surdez severa a profunda: implante coclear.


| Tabela 2.16.3 | Labirintectomia | Neurectomia vestibular |
|---|---|---|
| Internação | 3–5 dias | 3–5 dias |
| Controle da vertigem | 95–98% | 90% |
| Perda auditiva | 100% | 15% |
| Lesão do facial | <1% | <1% |
| Fístula liquórica | <1% | 5–7% |
| Hipertensão intracraniana | <1% | 5% |

Critérios: o livro usa a AAO-HNS 1995 (certa/definida/provável/possível, crise ≥20 min). A Bárány Society/AAO-HNS (2015) passou a usar só definida (≥2 crises de 20 min a 12 h + perda neurossensorial em graves/médias documentada + sintomas auditivos flutuantes) e provável. Betaistina: o livro a coloca como manutenção preferida, mas já cita a Cochrane (2001) sem prova suficiente; o ensaio BEMED (2016) não mostrou benefício sobre placebo. Para a prova, fique com o livro.
Anamnese + otoscopia + audiometria para todos. Depois, duas perguntas mudam tudo: é pulsátil? e é unilateral/assimétrico?
O resumo diz "para zumbido pulsátil utiliza-se a antirressonância" — erro de OCR/digitação: é angiorressonância (angio-RM), para avaliar alterações vasculares. O resumo também não cita HII nem bulbo jugular deiscente entre as causas pulsáteis — acrescentados aqui por serem clássicos.
Um é universal, o outro é condicionado a um achado.
Não. O exame mais importante e universal é a audiometria (tonal, vocal + imitanciometria). A RM é o exame de escolha quando há assimetria/unilateralidade para excluir tumor do ângulo pontocerebelar. Leia o enunciado: se pergunta "para pacientes com zumbido" em geral, é audiometria.
Zumbido é sintoma. Etiologia definida e tratável → tratamento específico (a atuação na etiologia precede a amplificação). Não tratável ou idiopático → seguir os próximos passos.
Explicar o que é, as causas e que não é sinal de doença grave (quando for o caso). Desfaz o vínculo de ameaça (límbico). Pilar do tratamento.
Com perda auditiva: amplificar (AASI, cirurgia, implante coclear). Sem perda relevante: gerador de som ou som ambiental neutro contínuo.
Exposição a ruído, ATM, tireoide, HAS, perfil lipídico, diabetes, hipoglicemias, depressão, ansiedade, hiperacusia. Revisar medicações ototóxicas.
Terapia cognitivo-comportamental: a intervenção com melhor evidência para reduzir o incômodo e o impacto na qualidade de vida (não necessariamente a intensidade).
No zumbido com perda auditiva, melhorar a audição tem efeito mascarador: o zumbido ocorre nas mesmas frequências da perda, e ao ouvir os sons ambientes o zumbido fica menos perceptível. Além disso tem papel preventivo na reorganização cortical — por isso a indicação cada vez mais precoce. Opções: AASI convencional, cirurgia (ex.: estapedectomia) ou implante coclear (surdez profunda, sobretudo com zumbido incapacitante associado a surdez neurossensorial).
Baseado em orientação + enriquecimento sonoro (gerador de som ou som ambiental): um som neutro contínuo, de baixa intensidade, reduz o contraste entre zumbido e silêncio e ajuda a bloquear a chegada do sinal ao nível cortical/límbico → habituação. A TRT (Tinnitus Retraining Therapy, Jastreboff) é a versão estruturada: aconselhamento diretivo + terapia sonora.
| Causa | O que o livro faz | Efeito esperado no zumbido |
|---|---|---|
| PAIR | Afastar do ruído, PCA/EPI; AASI quando indicado. Sem tratamento clínico ou cirúrgico. | Progressão para ao cessar a exposição; lesão irreversível |
| Ototoxicidade | Prevenir e monitorar; ajustar ou trocar a droga; sequela: AASI ou implante coclear | Regride nas lesões de estria vascular (salicilatos, diuréticos de alça); persiste nas de célula ciliada |
| Schwannoma | Observação seriada, cirurgia ou radiocirurgia conforme tamanho, idade e audição | O livro não quantifica; o ponto é diagnosticar cedo pelo zumbido unilateral |
| Ménière | Sal/diurético, betaistina; crise: cinarizina/prometazina/diazepam; GIT; cirurgia | Betaistina reduziu zumbido a curto prazo em alguns estudos (evidência fraca) |
"Está consagrado o uso de antidepressivos para o tratamento do zumbido, independentemente da sua etiologia" — FALSO. Antidepressivos não são tratamento consagrado do zumbido em si (revisões sistemáticas não mostram benefício consistente). Tratam depressão/ansiedade comórbidas, que são fatores agravantes — isso sim ajuda o paciente.
O resumo afirma que "o tratamento para depressão [é] fundamental para a melhora do zumbido". Ajuste: tratar depressão/ansiedade quando presentes é importante para o sofrimento, mas não é tratamento do zumbido. Também sem comprovação: reposição de zinco e vitaminas, suspensão de cafeína e chocolate. Sem medicamento aprovado especificamente para zumbido.
"Incapacitante em 10%" → é 5%. "Prevalência de 25%" → é 17% (33% idosos). 25% é quem procura médico.
"A grande maioria teve ablação do zumbido após secção do VIII par" → falso: 60% persistem.
Subjetivo = comum, só o paciente ouve. Objetivo = raro, som real do corpo. A prova inverte.
Paraganglioma, anemia, tuba patente e hipertireoidismo não são causas de não pulsátil (Q2-II). ATM aparece nos dois grupos.
Antidepressivos não são consagrados para zumbido, muito menos "independentemente da etiologia".
"Metade desenvolve zumbido" → falso: a maioria (74%). E cirurgia não cria zumbido novo.
"Associação com presbiacusia não é frequente" → falso: é a causa nº 1 (27% no HCPA).
"Atuação na etiologia precede amplificação sonora" → verdadeiro.
Só via aérea: serve para acompanhar, não para diagnosticar PAIR. Repouso auditivo de 14 h. Rotinas · 2.12
Regra do livro: lesões ototóxicas são na maioria irreversíveis. Reversíveis: salicilatos, diuréticos de alça, eritromicina. Estreptomicina, gentamicina e tobramicina = vestibulotóxicas. Rotinas · 2.13
Nome incorreto: nasce da porção vestibular, é benigno e 95% esporádico/unilateral. Bilateral = NF2. TC só vê >6 mm; RM com gadolínio é o exame. Rotinas · 2.14
Definida = ≥2 crises ≥20 min + audiometria + zumbido/pressão. Provável = 1 crise. Possível = sem surdez documentada. Certa = histopatologia. Rotinas · 2.16
"Sempre que unilateral, investigar lesão retrococlear" e "audiometria em todos" → verdadeiros.
No HCPA, presbiacusia (27%) > PAIR (21%). Muitos livros citam ruído como nº 1; na prova antiga essa frase (Q6-c) não era o gabarito da INCORRETA, que era a de subjetivo/objetivo.
Reescritas da prova antiga (Q1–Q6). As marcas circuladas no PDF são de um aluno e várias estão erradas (Q3 e Q5, por exemplo) — resolva pelo conteúdo.
Por quê: questão de números. Todas as outras trazem um dado errado. A C traduz o modelo de plasticidade central (reorganização cortical após desaferentação).
17 · 33 · 25 · 5 · 60 — geral, idosos, procuram médico, incapacitante, persistem após secção.
Por quê: I traz um intruso na lista de ototóxicos; II mistura causas pulsáteis na lista de não pulsáteis; III é literal do conteúdo de amplificação.
Numa lista de causas, basta um item errado para a assertiva ser falsa. Procure o intruso.
Por quê: só a II é falsa (palavras absolutas "consagrado" e "independentemente da etiologia"). O aluno circulou E, esquecendo que orientação + enriquecimento sonoro é pilar do tratamento.
"Consagrado", "sempre", "independentemente" — desconfie, e confirme se o conteúdo realmente sustenta o absoluto.
Por quê: as três frases resumem a fisiopatologia: dano coclear periférico (II) gera zumbido na frequência da perda (I), e o sistema límbico modula a percepção (III).
Palavras cautelosas ("geralmente", "parecem", "pode") tendem a tornar a assertiva verdadeira.
Por quê: a única falsa é a da otosclerose — a maioria tem zumbido (74% na série de Ayache), não "metade". O aluno circulou B, que marca Ménière como falsa — erro: zumbido faz parte da tétrade (vertigem, hipoacusia, plenitude, zumbido).
Em V/F, ache primeiro a frase de que você tem certeza absoluta (aqui, Ménière = V) e elimine sequências.
Por quê: a definição foi trocada — o que é raro e vem do próprio corpo é o zumbido objetivo. O subjetivo é a imensa maioria.
Em "INCORRETA", quando duas parecem discutíveis, escolha a que erra um conceito-definição (inversão), não a que depende de série estatística.
Por quê: a pergunta é "para pacientes com zumbido" — o exame universal e mais importante é a audiometria. Neste caso, por ser unilateral, a RM virá depois para excluir lesão retrococlear; os sintomas depressivos são fator agravante a abordar.
Audiometria para todos; RM para os assimétricos.
| kHz | 0,25 | 0,5 | 1 | 2 | 3 | 4 | 6 | 8 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| OD (dB) | 10 | 10 | 10 | 20 | 40 | 50 | 30 | 10 |
| OE (dB) | 10 | 10 | 15 | 20 | 40 | 45 | 50 | 55 |
Qual o diagnóstico MAIS PROVÁVEL?
Por quê: trabalhador exposto a máquinas + perda neurossensorial em 3–4 kHz com recuperação em 8 kHz (entalhe, nítido na OD) = PAIR.
"Recupera em 8 kHz" é a assinatura da PAIR.
Por quê: vias sobrepostas = neurossensorial; OD normal (≤25 dB) e OE 40 dB = unilateral. Neurossensorial unilateral + tontura + zumbido = Ménière (lembrar de RM pela assimetria).
Vertigem + perda auditiva = labirinto coclear também (Ménière, labirintite). Vertigem sem perda = neurite/VPPB.
Por quê: objetivo = som real, audível ao estetoscópio; angio-RM é o exame vascular do pulsátil. O paraganglioma é tumor hipervascular → pulsátil.
Pulsátil → pense em vaso; unilateral não pulsátil → pense em nervo (RM).
Por quê: só cerca de 25% procuram médico; 80% não se incomodam.
A maioria tem zumbido sem sofrimento — o problema clínico é o vínculo emocional, não o som.
Por quê: pulsátil + mulher jovem obesa + cefaleia + obscurecimento visual + melhora com compressão jugular = HII. Risco de perda visual: fundo de olho (papiledema), RM/angio-RM venosa (estenose de seio transverso, excluir trombose), depois punção lombar com pressão de abertura.
Zumbido pulsátil que some com compressão da jugular = origem venosa (HII, bulbo jugular).
Por quê: na série de Ayache, nenhum paciente desenvolveu zumbido novo após estapedectomia.
Otosclerose: cirurgia melhora audição e zumbido — às vezes o paciente opera "pelo zumbido".
Por quê: zumbido e perda unilaterais/assimétricos, com discriminação vocal pior do que o limiar tonal explicaria (sinal retrococlear) → excluir schwannoma vestibular. RM com gadolínio é o exame de escolha.
Discriminação vocal ruim para o limiar = pense retrococlear.
Por quê: III é falsa — EOA estão alteradas em ~64% dos pacientes com zumbido e audiometria normal (vs ~37% controles): dano coclear subclínico.
Audiometria normal + zumbido → peça EOA.
Por quê: amplificação sonora = efeito mascarador + prevenção da reorganização cortical, por isso indicada precocemente.
Tratamento com evidência: tratar causa, orientar, amplificar/enriquecer som, TCC.
Por quê: perda de peso reduz o coxim de gordura peritubário → tuba permanece aberta → autofonia e ruído respiratório; deitar aumenta congestão venosa e fecha a tuba.
Emagrecimento + autofonia + MT que "respira" = tuba patente.
Por quê: I e III são frases quase literais do capítulo 2.14. II troca TC por RM e inventa o limiar; IV inverte a origem (vestibular) e o julgamento do nome (incorreto).
Zumbido unilateral + discriminação ruim para o limiar = RM com gadolínio.
Por quê: o livro diz que as lesões ototóxicas são "na maioria das vezes, irreversíveis" (destroem células ciliadas externas). A reversibilidade é exceção das drogas que agem na estria vascular.
Estria vascular = reversível; célula ciliada = irreversível.
Por quê: sem via óssea não se identifica lesão neurossensorial. A audiometria ocupacional serve para acompanhamento e controle; o diagnóstico exige audiometria tonal aéreo-óssea.
Diagnóstico de PAIR = aéreo-óssea + 14 h de repouso; nexo causal = médico do trabalho.
Por quê: ≥2 crises de vertigem de pelo menos 20 minutos + surdez documentada audiometricamente + zumbido ou pressão auricular = definida.
Certa = lâmina; definida = 2 crises; provável = 1 crise; possível = falta audiometria ou crise.
Por quê: a GIT é indicada na DM principalmente unilateral com audição ruim e vertigem incapacitante, e o livro diz que se deve sempre começar pelos aminoglicosídeos intratimpânicos como alternativa menos agressiva. Controle ~90%, cocleotoxicidade 15–25%.
Refratário unilateral com audição ruim → gentamicina intratimpânica antes de qualquer cirurgia.
Por quê: o livro lista zumbido entre os sintomas da cóclea e define: subjetivo = só o paciente detecta; objetivo = raro, detectado também pelo médico.
Cóclea: hipoacusia, zumbido, diplacusia, algiacusia, pressão. Canais: vertigem, tontura, desequilíbrio.
Responda em voz alta antes de tocar. Se errar, volte à seção.
Percepção de som sem estímulo externo correspondente — percepção auditiva fantasma.
17% · 33% · 5%. (25% procuram médico; 94% na câmara anecoica.)
Objetivo = raro, som real do corpo, às vezes audível pelo examinador. Subjetivo = imensa maioria.
Paraganglioma (glomus), fístula/MAV, HII, bulbo jugular deiscente, anemia, hipertireoidismo — além de mioclonia palatina/tensor do tímpano, tuba patente, ATM.
Persiste em ~60% — prova de componente central.
Lesão ciliada → desaferentação → hiperatividade/reorganização central → límbico/autônomo.
Presbiacusia 27%, PAIR 21%. Depois Ménière 8%, metabólica 7%.
Próxima à região de maior perda auditiva.
Pelo livro: aminoglicosídeos, antineoplásicos (cisplatina, vincristina, metotrexato, mostarda nitrogenada), diuréticos de alça, anti-inflamatórios (salicilatos, indometacina, ibuprofeno), betabloqueadores (propranolol), quinino/contraceptivo oral, antissépticos tópicos. (Resumo inclui antidepressivos. BZD não.)
Audiometria tonal e vocal + imitanciometria, mesmo sem queixa auditiva.
RM (com gadolínio) para lesão retrococlear — schwannoma vestibular.
Angiorressonância (ou angio-TC) + TC de ossos temporais; hemograma e TSH.
Maioria (74%). Estapedectomia: abolição 55,9% + diminuição 32,4%; nenhum zumbido novo.
Tratar causa → orientação → AASI/enriquecimento sonoro → fatores agravantes → TCC. Não consagrados: antidepressivos para o zumbido em si, zinco, vitaminas, suspender cafeína/chocolate.
12–18 meses; resultados após ~3 meses; exige adesão e aparelho caro.
Zumbido até 70% (agudo, contínuo, unilateral); perda unilateral 95%. RM com gadolínio (TC só >6 mm). Discriminação pobre desproporcional; PEATE com onda V atrasada.
≥2 crises de vertigem ≥20 min + surdez documentada na audiometria ao menos uma vez + zumbido ou pressão auricular. Estádios pela média de 0,5–1–2–3 kHz: ≤25 · 26–40 · 41–70 · >70 dB.
Pelo menos metade, geralmente bilateral. Audiometria aéreo-óssea após 14 h de repouso auditivo (gota em 3–4–6 kHz, recupera em 8 kHz). Sem tratamento clínico/cirúrgico: prevenção e AASI.
Percepção fantasma por desaferentação. Subjetivo é a imensa maioria; objetivo (som real do corpo) é raro.
Geral, idosos, procuram médico, incapacitante, persistem após secção do VIII par.
Lesão ciliada → reorganização central → límbico/autônomo. Emoção modula a percepção.
Presbiacusia 27%, PAIR 21%, Ménière, otosclerose (maioria tem zumbido). Frequência do zumbido perto da maior perda.
Unilateral/assimétrico → RM com gadolínio (schwannoma: zumbido em até 70%). Pulsátil → angio-RM/TC. Sempre revisar medicações ototóxicas.
PAIR (zumbido ≥50%, gota 4 kHz, só prevenção) · ototoxicidade (25 dB, maioria irreversível) · schwannoma (zumbido unilateral, RM) · Ménière (≥2 crises ≥20 min, betaistina, GIT).
Tratar etiologia primeiro; orientar; AASI/enriquecimento sonoro (12–18 meses). Antidepressivos não são tratamento consagrado do zumbido.