← Início
▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
Cai na Prova 1 · 17/09Aula 27/08 · Otávio Piltcher

Rinites &
rinossinusites.

Da unidade mucociliar à órbita e ao cérebro: rinite alérgica e não alérgica, resfriado, rinossinusite viral × pós-viral × bacteriana, crônica, fístula liquórica e as complicações que mandam internar. Revisada pelo livro dos professores (Rotinas em ORL, 2015).

Viral
≤ 10 dias
Bacteriana
3 de 5 sinais
Crônica
> 12 sem
Complicada
TC c/ contraste
FRONTAL ÓRBITA ÓRBITA ETMOIDE MAXILAR MAXILAR ● COMPLEXO OSTIOMEATAL · MEATO MÉDIO lâmina papirácea
Corte coronal esquemático
01 / Anatomia e semiologia

Nariz e seios, como uma unidade.

Antes de qualquer rinite ou sinusite, entenda por que o seio adoece. Os seios paranasais (maxilar, etmoidal anterior e posterior, frontal e esfenoidal) são cavidades aeradas revestidas pela mesma mucosa respiratória do nariz e drenam para a fossa nasal por óstios estreitos. Por isso processos dessa região raramente ficam restritos ao nariz ou só aos seios, e o nome mudou de sinusite para rinossinusite. Rotinas · Semiologia nasossinusal

Seios paranasais em vista medial, anterior e lateral, com os locais de drenagem
Onde cada seio abre. Em A (vista medial, concha média cortada), repare que maxilar, frontal e células etmoidais anteriores abrem no hiato semilunar do meato médio; etmoide posterior abre no meato superior e esfenoide no recesso esfenoetmoidal. B e C mostram a relação dos seios com a órbita: o etmoide é a parede medial dela. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 3.1.

Quem drena onde

EstruturaDrenagemPor que importa
Maxilar, frontal, etmoide anteriorMeato médio (complexo ostiomeatal / hiato semilunar)"Encruzilhada": um edema pequeno aqui bloqueia 3 seios de uma vez. Secreção purulenta saindo pelo meato médio confirma rinossinusite daquele lado.
Etmoide posterior, esfenoideMeato superior / recesso esfenoetmoidalEsfenoidite: dor retro-orbitária/occipital, risco de complicação (seio cavernoso, nervo óptico).
Ducto nasolacrimalMeato inferiorNão drena seio. Lacrimejamento na obstrução.
Raízes de pré-molares/molares superioresAssoalho do seio maxilarÚnica exceção à origem nasal: sinusite odontogênica (contaminação direta por raízes dentárias contaminadas ou fístulas).
Desenvolvimento dos seios (útil em pediatria)

Maxilar e etmoide já existem ao nascer → sinusite etmoidal é a típica da criança pequena (e a principal fonte de complicação orbitária). Antes do seio frontal se formar, a órbita só faz limite com seios nas paredes inferior e medial; depois, com o frontal também em cima Rotinas · cap. 4.16. Frontal só aparece por volta dos 6–8 anos → tumor de Pott e complicações intracranianas de origem frontal são de adolescentes e adultos jovens. O raio X de seios é ainda pior em menores de 6 anos Rotinas · cap. 4.4.

Transporte mucociliar

A unidade mucociliar é formada pelo epitélio respiratório pseudoestratificado ciliado, células caliciformes e glândulas submucosas. O muco é varrido pelos cílios sempre em direção ao óstio natural, depois para a rinofaringe e é deglutido. Segundo o Piltcher, é o grau de lesão dessa unidade e o tempo para ela se recuperar que definem a convalescença do paciente. Rotinas · cap. 4.4

Microscopia eletrônica dos cílios e esquema do epitélio respiratório
Epitélio respiratório. À esquerda, microscopia eletrônica mostrando o "tapete" de cílios. À direita, o esquema: células colunares ciliadas intercaladas com células mucosas (caliciformes) sobre a lâmina basal. Produção de muco e batimento ciliar precisam estar em equilíbrio; se um falha, há estase. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.4.1 (ver também Fig. 3.3).
1
Agressão da mucosa

Na RSA o principal fator é a resposta inflamatória aguda à infecção viral, seguida ou não de bactéria. Anatomia e alergia podem participar como indutores.

2
O vírus destrói o revestimento

Destruição ciliar, mais muco, exposição de terminações neurais, edema e fechamento dos óstios de drenagem.

3
Hipóxia e estase

Seio sem ventilação e sem drenagem; muco parado vira meio de cultura.

4
Superinfecção em poucos

Evoluem para bacteriana cerca de 2% dos adultos e 5–15% das crianças. Rotinas · cap. 4.4

5
Recuperação lenta

A resolução dessas alterações pode demorar 10 a 30 dias. Por isso tosse e secreção residual depois de 10 dias nem sempre significam bactéria.

Os fatores locais da RSA (cai literal, Q16)

1. Patência do óstio natural · 2. Função/atividade mucociliar · 3. Quantidade e qualidade da secreção. O capítulo do Piltcher resume em dois equilíbrios básicos: funcionamento da unidade mucociliar e ventilação das cavidades nasais e paranasais Rotinas · cap. 4.4. Nos agudos, as infecções (virais e bacterianas) são o principal agente; nos crônicos, manda a resposta inflamatória desorganizada, associada ou não a doenças genéticas do cílio ou do muco (discinesia ciliar, fibrose cística).

Semiologia: o que o exame mostra

Rinoscopia anterior com espéculo nasal
Rinoscopia anterior com espéculo. Sem espéculo, o generalista pode usar o otoscópio com o maior otocone: vê o septo anterior, a cabeça da concha inferior e a cor da mucosa. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 3.2.
Endoscópio rígido dentro da fossa nasal em corte sagital
Endoscopia nasal rígida. A ótica passa entre as conchas e alcança o meato médio, que o otoscópio não vê. Não é rotina em quadro agudo típico, mas é obrigatória na dúvida diagnóstica, na cronicidade ou na suspeita de lesão. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 3.7.

Cor da mucosa

  • Rósea: normal
  • Vermelha com secreção: rinite aguda
  • Azulada/pálida: alérgico

Secreção que "fecha" diagnóstico

  • Pus saindo do meato médio = rinossinusite de um ou mais seios daquele lado
  • Purulenta unilateral com forte mau cheiro = na prática, corpo estranho ou processo expansivo
  • Rinorreia clara unilateral → pensar em fístula liquórica

Exames

  • Transiluminação: fácil, mas baixa sensibilidade e especificidade
  • Raio X: desaconselhado por todas as diretrizes para RSA (muitos falso-positivos e falso-negativos)
  • TC: poucos falso-negativos, muitos falso-positivos; só em suspeita de complicação, casos crônicos, confirmação e obrigatória para planejamento cirúrgico
  • RM: complementa TC em suspeita de neoplasia/extensão
Rinorreia: 6 perguntas e 6 diagnósticos Rotinas · Semiologia

Pergunte: há quanto tempo? Varia no dia? Sintomas associados (prurido, espirros, lacrimejamento, dor de garganta)? Anterior ou posterior? Unilateral ou bilateral? Tem odor? Diferenciais: rinite alérgica, rinite não alérgica, resfriado/gripe, rinossinusite aguda ou crônica, corpo estranho e fístula liquórica. A cor da secreção isolada não define etiologia: só ajuda junto com tempo, exame e, eventualmente, exames. Lembre também: obstrução nasal bilateral no recém-nascido é emergência (não sabe respirar pela boca).

?
Por que uma criança com fibrose cística ou discinesia ciliar primária tem rinossinusite de repetição?
Pense em:

Nos fatores locais. Qual deles cada doença quebra?

Resposta:

Fibrose cística altera a qualidade da secreção (muco espesso e desidratado) e discinesia ciliar altera a função mucociliar. Os dois levam a estase no seio mesmo com óstio aberto. No livro, ambas aparecem no "círculo genético" dos fatores associados à rinossinusite crônica (Fig. 4.5.3).

?
Sinusite maxilar unilateral, fétida, em adulto com dor dentária e tratamento de canal recente. O que muda?
Pense em:

Qual a única exceção à regra de que a rinossinusite começa na fossa nasal?

Resposta:

Rinossinusite odontogênica: contaminação direta do seio maxilar pelas raízes dentárias ou fístula oroantral. Flora com anaeróbios e tratamento da causa dentária. E não esqueça: secreção purulenta unilateral e muito fétida também pode ser corpo estranho ou tumor.

?
O plexo venoso da concha inferior e do septo explica qual sintoma?
Pense em:

O que acontece com a resistência nasal quando esses vasos enchem?

Resposta:

Obstrução nasal. Mediadores como bradicinina e histamina dilatam o plexo venoso da concha inferior e do septo (área da válvula nasal) e o fluxo aéreo cai. É o alvo dos vasoconstritores; na rinite alérgica o ciclo nasal fica exagerado, com obstrução alternante. Rotinas · cap. 4.3

02 / Rinite alérgica

Rinite alérgica.

Rinite alérgica é a inflamação do nariz e estruturas adjacentes por exposição a alérgenos, mediada por IgE (hipersensibilidade tipo I). Clinicamente: um ou mais de rinorreia, espirros, prurido e congestão. É a doença crônica mais comum do mundo, hereditária, sem preferência por sexo ou etnia, com início dos 5 aos 20 anos (pico na infância e adolescência). No Brasil: 25,7% aos 6–7 anos e 29,6% aos 13–14 anos. Rotinas · cap. 4.1

Prurido (nariz, palato, olhos, ouvidos)EspirrosRinorreia claraObstrução nasalOlho: prurido, lacrimejamento, hiperemiaHiposmia se congestão intensa
1
Sensibilização

Primeiro contato com o alérgeno → resposta Th2 → IgE específica que se fixa em mastócitos.

2
Fase imediata (minutos)

Reexposição → degranulação do mastócito → histamina, leucotrienos → prurido, espirros, rinorreia aquosa.

3
Fase tardia

Marco da doença segundo o livro: acúmulo de eosinófilos, aumento de moléculas de adesão, quimiocinas, citocinas, histamina e leucotrienos → obstrução persistente e hiper-reatividade.

Classificação ARIA

Classificação ARIA da rinite alérgica: intermitente ou persistente, leve ou moderada/grave
ARIA em dois eixos. As setas cruzadas mostram que os eixos são independentes: pode haver intermitente grave e persistente leve. Olhe o conectivo: intermitente usa "ou", persistente usa "e". Na intensidade, basta 1 item alterado para moderada/grave. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.1.1.
EixoCategoriaCritério
DuraçãoIntermitente< 4 dias/semana OU < 4 semanas seguidas
Persistente≥ 4 dias/semana E ≥ 4 semanas seguidas
IntensidadeLeveSono normal, atividades diárias (escola, trabalho, esporte) normais, sem sintomas indesejáveis
Moderada/grave1 ou mais: sono anormal, comprometimento das atividades, sintomas indesejáveis

Clínica e exame físico

História

  • Início 5–20 anos
  • Um dos pais alérgico: risco dos filhos pode passar de 80% (número do livro)
  • Rinite alérgica em 58% ou mais dos asmáticos; também eczema, urticária, alergia digestiva
  • Rinorreia anterior → espirros e assoar; posterior → roncos, pigarro
  • Disfunção tubária: estalidos; otite média secretora
  • Sistêmicos: mal-estar, cansaço, irritabilidade, sono agitado

Face e rinoscopia

  • Edema palpebral e cianose periorbitária (estase venosa)
  • Linhas de Dennie-Morgan (pregas na pálpebra inferior)
  • Prega acima da ponta nasal (saudação alérgica)
  • Conchas pálidas ou hiperemiadas, edemaciadas, secreção hialina
  • Orofaringe com grânulos hiperemiados

Obstrução crônica

  • Rosto alongado, lábios sem selamento
  • Eminências malares planas, narinas estreitas, mandíbula retraída
  • Palato em ogiva, dentição alterada
Endoscopia da fossa nasal esquerda com hipertrofia de concha inferior e secreção hialina
Endoscopia na rinite alérgica. À direita da imagem, a concha inferior esquerda volumosa ocupando a fossa; à esquerda, o septo com desvio discreto; secreção hialina. O otoscópio só veria a cabeça dessa concha; o endoscópio mostra corpo das conchas e meato médio. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.1.2.
Teste cutâneo de puntura no antebraço com vários alérgenos
Prick-test. Cada marcação no antebraço é um alérgeno diferente, testados ao mesmo tempo; leitura em 20–30 minutos. Feito por especialista, em ambiente preparado para reação adversa. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.1.3.

Diagnóstico: clínico

O diagnóstico de rinite é essencialmente clínico; o de rinite alérgica é a fusão da história com testes que demonstram IgE específica na pele (prick) ou no sangue (RAST/ImmunoCAP). Quem realmente precisa de investigação detalhada é o paciente com rinite perene com sintomas moderados a graves, o mais refratário. Rotinas · cap. 4.1

Prick-test
20–30 min
várias substâncias ao mesmo tempo
IgE específica sérica
>85%
sensib./espec. dos testes novos · quando não dá prick (dermatite extensa)
Citologia alérgica
10–100%
eosinófilos
Citologia infecciosa
80–100%
neutrófilos
Imagem
NÃO
RX/TC não diagnosticam rinite alérgica
IgE total
não ajuda
não auxilia o diagnóstico
Cai na prova (Q13)

Rinite alérgica não precisa de confirmação radiológica. E lembre a frase do livro: muitos assintomáticos têm IgE específica positiva clinicamente irrelevante (sensibilização sem doença). No "teoria versus prática", o autor critica chamar toda inflamação nasal de "rinite" e tratá-la como alérgica.

Tratamento

Controle ambiental (irritantes, fumaça, ácaros, baratas, animais, pólens, fungos) + lavagem nasal com soro isotônico ou hipertônico (a medida mais conservadora e simples: sem efeitos adversos e muito barata). Depois, medicação: Rotinas · cap. 4.1 e 7.4

Corticoide tópico nasal
mometasona, fluticasona, budesonida · 1×/dia
Monoterapia mais efetiva = padrão-ouro, 1ª linha. Eficaz em todos os sintomas, inclusive congestão; mais efetivo que anti-H1 oral + antileucotrieno juntos. Início em ~12 h (3–4 h em alguns). Sem efeito no crescimento nas doses recomendadas. Gestante: budesonida (única categoria B da FDA). Glaucoma: acompanhar pressão intraocular. Adversos: irritação, espirros, secura, gosto ruim, epistaxe; raros perfuração septal e candidíase.
Anti-H1 2ª geração
loratadina, desloratadina, cetirizina, fexofenadina, bilastina
1ª escolha entre os anti-histamínicos (não sedativos), inclusive em crianças. Início de ação rápido. Fraco na obstrução. Tópico: azelastina.
Anti-H1 1ª geração
dexclorfeniramina, prometazina
"Superados" na rinite alérgica: sedação, efeito anticolinérgico, interações.
Antileucotrieno
montelucaste
O livro dá eficácia em rinorreia, espirros, prurido e obstrução, com grande ação na rinite + asma e na intolerância ao AAS. Seguro até em < 1 ano, administrado à noite (cap. 7.4).
Descongestionante
tópico (oximetazolina, nafazolina) ou oral (pseudoefedrina)
Alivia a congestão, não age em prurido e espirros. Tópico: não usar por mais de 5–7 dias → taquifilaxia, rebote, rinite medicamentosa; os α2 seletivos reduzem o fluxo da mucosa para 30–40% e, a longo prazo, podem perfurar o septo. Oral: insônia, irritabilidade, palpitação.
Cromoglicato dissódico
tópico, várias vezes/dia
Estabiliza mastócito. Controla espirros, rinorreia e prurido; pouco efeito na obstrução. Efeito pleno em 2–4 semanas. Gosto amargo. Muito seguro em crianças.
Imunoterapia alérgeno-específica
mínimo de 3 anos
Segundo a OMS, única forma de tratamento capaz de alterar a evolução natural. Tendência de indicar no início da doença. Feita por especialista, em ambiente adequado.

Tabela 4.1.1 · Eficácia dos medicamentos nas rinites Rotinas · Tab. 4.1.1

Tipo de riniteAnti-histamínicoCorticoide tópicoAnticolinérgicoAntileucotrieno
Alérgica+++++++++
Infecciosas+++ (só com descongestionante)*+++++++
Eosinofílica não alérgica+++ (só com descongestionante)++++++
Idiopática+++ (só com descongestionante)++++++
Ocupacional+++ (se alérgica)++++++ (se alérgica)
Do idoso+++++
GestacionalNão aconselhávelSomente no último mêsNão aconselhável
No esporte+++ (só com descongestionante)+++
Gustativa++ (só com descongestionante)++++
Medicamentosa+++ (só com descongestionante)+++
Por fármacos

– sem efeito · + pouco eficaz · ++ eficácia média · +++ eficácia alta. *Há estudos com azelastina tópica e desloratadina com efeito sem descongestionante. Fonte: Mion e Mello, em Rotinas (2015).

Livro × literatura: antileucotrieno e herança

Antileucotrieno. O livro (Tabela 4.1.1) dá +++ ao antileucotrieno na rinite alérgica, igual ao corticoide tópico. Diretrizes mais recentes (ARIA) colocam o montelucaste abaixo do corticoide tópico e do anti-H1 oral, e a FDA emitiu alerta (2020) de efeitos neuropsiquiátricos. Para a prova: fique com o livro na tabela, mas lembre que o próprio livro diz que o corticoide tópico é a 1ª linha e é mais eficaz que anti-H1 + antileucotrieno juntos.

Herança. O livro diz que, com um dos pais alérgico, o risco dos filhos pode passar de 80%. A literatura costuma citar ~30–50% com um dos pais e ~60–80% com ambos. Para a prova, > 80% (livro).

?
Adolescente com espirros e coriza clara há 3 anos, pior no inverno, dorme mal por obstrução diária há meses. Classifique e trate.
Pense em:

Duração: dias/semana e semanas seguidas. Intensidade: basta 1 item alterado.

Resposta:

Persistente moderada/grave (sintomas diários há mais de 4 semanas e sono prejudicado). Controle ambiental + lavagem nasal + corticoide tópico nasal diário; associar anti-H1 de 2ª geração se prurido/espirros persistirem. É exatamente o perfil (perene, moderado a grave) que o livro diz precisar de investigação alérgica detalhada e discussão de imunoterapia.

?
Por que o anti-histamínico sozinho decepciona o paciente cuja principal queixa é nariz entupido?
Pense em:

Olhe a Tabela 4.1.1: anti-H1 tem "++" na alérgica. Qual mediador predomina na fase tardia?

Resposta:

A obstrução vem da fase tardia, com infiltrado eosinofílico e edema, não só da histamina. O anti-H1 controla bem prurido, espirros e rinorreia; quem trata a inflamação, e portanto a congestão, é o corticoide tópico ("eficaz para todos os sintomas, incluindo a congestão").

03 / Rinites não alérgicas

Mesmos sintomas, sem IgE.

Rinites não alérgicas têm os mesmos sintomas (rinorreia, prurido, obstrução, espirros; às vezes hiposmia e roncos), mas não são mediadas por IgE específica: prick-test e IgE sérica (RAST) negativos. Diagnóstico clínico e de exclusão da alérgica. Começam mais tarde e sem antecedentes familiares. Dividem-se em infecciosas (viral, bacteriana, fúngica; ver resfriado) e não infecciosas (Quadro 4.2.1). A citologia nasal ajuda a diferenciar. Rotinas · cap. 4.2

Alérgica

  • Início 5–20 anos
  • História familiar e outras atopias
  • Prurido e espirros marcantes
  • Prick/IgE específica positivos
  • Citologia: eosinófilos

Não alérgica (ex.: idiopática)

  • Início adulto (idiopática: mulher 40–60 anos)
  • Antecedentes familiares inexistentes
  • Obstrução, secreção retronasal, rinorreia profusa; espirros e prurido geralmente ausentes
  • Prick/IgE específica negativos
  • Gatilhos inespecíficos: perfume, cloro, solvente, fumaça, temperatura, umidade

Tabela 4.2.1 · Quem tem qual rinite (ORL de hospital terciário) Rotinas · Tab. 4.2.1

CriançasAdultosIdosos
Rinite alérgica66%56%12,4%
Rinite idiopática15%20,5%44%
Eosinofílica não alérgica8,5%13,5%24,2%
Outras rinites10,5%10%19,4%

Tipos (Quadro 4.2.1) e mecanismo principal (Tabela 4.2.2)

TipoMarca registradaMecanismoTratamento-chave (livro)
Idiopática (ex-vasomotora)A mais comum das não alérgicas; mulher 40–60 anos; odores fortes, irritantes, temperatura e umidadeNeuralCorticoide tópico; curso curto de corticoide oral se obstrução grave; azelastina tópica
Eosinofílica não alérgica (RENA)Eosinofilia nasal com prick e IgE normais; > 20–30 anos; espirros, rinorreia, prurido persistentes; 50% hiper-reatividade brônquica, ~30% pólipos, alguns intolerantes ao AASEosinofílicoCorticoide tópico; cirurgia dos pólipos se preciso; evitar AAS e AINE
IrritativaQuímicos, gases, diesel, poluentes; obstrução, rinorreia aquosa e espirros conforme a concentraçãoNeural (reflexo parassimpático)Afastar o agente + corticoide tópico ± descongestionante oral
OcupacionalIrritantes do trabalho: obstrução e ardência, depois rinorreia profusaNeuralMáscaras, aspiradores e filtros de ar
MedicamentosaUso prolongado de vasoconstritor tópico; frequência elevada; congestão com mucosa edemaciada, vermelha e friávelPor medicamento (rebote de vasodilatação)Tratar a causa inicial; suspender o descongestionante; corticoide tópico ou sistêmico; descongestionante sistêmico; cirurgia se alteração anatômica permanente
Induzida por fármacosAlfa e betabloqueadores: reserpina, guanetidina, fentolamina, metildopa, IECA, prazosina; também AAS, AINE, clorpromazina, betabloqueador colírio, anticoncepcional oralPor medicamento (↓ tônus simpático)Revisar medicações
HormonalMenstruação, ACO com estrogênio alto, hipotireoidismo, acromegaliaHormonal (receptor estrogênico → parassimpático)Tratar a causa
GestacionalCongestão nas últimas ≥ 6 semanas, sem espirros, prurido ou rinorreia; some 2 semanas após o parto; 30–40% das gestantes; 2º–3º trimestreHormonal (estrogênio)Lavagem nasal; corticoide tópico na menor dose e menor tempo, preferir budesonida; outros só por curto período e com o obstetra
Do idosoMaioria anérgica após 65 anos; rinorreia clara, profusa; sintomas bilateraisNeural (predomínio parassimpático, acetilcolina)Lavagem; ipratrópio tópico (não disponível no Brasil); anti-H1 2ª geração, anti-H1 tópico, antileucotrieno; nunca anti-H1 de 1ª geração
Do atletaRara; rebote de obstrução após exercício longo (corredor, ciclista)Rebote pós-noradrenalinaAnti-H1 2ª geração e/ou corticoide tópico (não sedativos e permitidos)
GustativaRinorreia clara e profusa ao comer comida quente/condimentada; em quem já tem idiopáticaNeural (colinérgico)Anticolinérgico tópico diário ou antes das refeições
Rinite medicamentosa: a mais cobrada Rotinas · cap. 4.2

Descongestionante tópico altera a fisiologia nasal e causa efeito rebote de vasodilatação, com mais congestão depois de cada uso. O livro diz evitar por períodos superiores a 7 dias (no cap. 4.1: não usar por mais de 5–7 dias). Conduta em 4 passos: (1) investigar e tratar a causa que levou ao uso (rinite alérgica, desvio septal, hipertrofia de conchas); (2) suspender o vasoconstritor tópico; (3) corticoide tópico nasal ou sistêmico, ± descongestionante sistêmico; (4) cirurgia nasal se a alteração anatômica for permanente.

Pegadinhas
  • Rinorreia/obstrução unilateral no idoso não é rinite do idoso (que é bilateral): o livro manda pensar em neoplasia ou alteração anatômica. Em criança com secreção fétida unilateral, corpo estranho.
  • Rinorreia clara unilateral após trauma/cirurgia: fístula liquórica (seção 09).
  • Descongestionante tópico: o livro fala em 5–7 dias (máximo 7). Algumas fontes usam 3–5 dias. Para a prova, até 7 dias.
  • Gestante: a Tabela 4.1.1 diz corticoide tópico "somente no último mês", mas o texto do cap. 4.2 permite budesonida na menor dose e menor tempo. Se cair, a 1ª medida é lavagem nasal e, se preciso, budesonida.
  • RENA não é "alergia com teste falso-negativo": é eosinofilia com IgE normal, associada a asma, pólipos e intolerância ao AAS.
?
Mulher, 32 anos, 'viciada' em nafazolina há 2 anos, nariz sempre entupido e mucosa vermelha e friável. Conduta?
Pense em:

O que o vasoconstritor faz com o tônus vascular depois que o efeito passa? E por que ela começou a usar?

Resposta:

Rinite medicamentosa. Conduta do livro: investigar e tratar a causa inicial da obstrução (rinite alérgica, desvio septal, hipertrofia de conchas), suspender o vasoconstritor tópico, corticoide tópico nasal ou sistêmico, descongestionante sistêmico se preciso, e cirurgia nasal se a alteração anatômica for permanente.

?
Homem de 72 anos com gotejamento de coriza clara 'como uma torneira' nas refeições e no frio. Que remédio evitar?
Pense em:

Qual sistema autonômico predomina no idoso? Quais efeitos adversos pesam nessa idade?

Resposta:

Rinite do idoso (predomínio parassimpático) com componente gustativo. Não prescrever anti-H1 de 1ª geração (sedação, retenção urinária, problemas de acomodação visual) e cuidado com descongestionante sistêmico (cardiovascular, SNC, retenção urinária). Lavagem nasal, anticolinérgico tópico (ipratrópio, que o livro lembra não estar disponível no Brasil) e, se preciso, anti-H1 de 2ª geração. Sempre revisar medicações (rinite por fármacos).

04 / Resfriado comum e gripe

A IVAS que ninguém deve tratar com antibiótico.

Adultos têm 2 a 4 resfriados por ano; crianças, 6 a 8. O principal agente do resfriado (nasofaringite aguda) é o rinovírus (~metade dos casos); o influenza responde por 5–15% dos resfriados, então resfriado e gripe se sobrepõem. Mais comum no outono e inverno. O diagnóstico é clínico. Rotinas · cap. 4.3

Pirâmide do espectro das infecções de vias aéreas superiores
IVAS como espectro. Os mesmos vírus (lista à esquerda) produzem desde infecção assintomática (base larga) até doença grave (ápice). A faixa do meio, a maior, é o resfriado autolimitado. Quem decide onde o paciente cai é o hospedeiro: idade, imunidade, estado nutricional. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.3.1.

Resfriado comum

  • Cefaleia, espirros e dor de garganta no início → rinorreia, obstrução, tosse, mal-estar
  • Piora até o 3º dia, dura 7–10 dias; alguns sintomas passam de 3 semanas
  • Febre rara no adulto (mais em criança)
  • Início gradual; tosse produtiva; prurido/lacrimejamento comum

Gripe (influenza)

  • Início súbito: febre, cefaleia, tosse, dor de garganta, mialgia intensa, fraqueza, inapetência
  • Tosse + febre = melhor preditor: VPP ~80% para influenza
  • Tosse seca; fadiga muito comum; vômito/diarreia ocasional em criança
  • Influenza A (H1N1): pandemias, síndromes graves
Sintoma no resfriado (Tab. 4.3.1)Probabilidade
Obstrução/congestão nasal80–100%
Espirros50–70%
Dor ou irritação na garganta50%
Tosse40%
Rouquidão30%
Cefaleia25%
Fadiga/mal-estar20–25%
Febre0,1%
Cor da secreção não é bactéria Rotinas · cap. 4.3

Não há evidência que sustente usar cor ou pus para prescrever antibiótico. A secreção vai de hialina → amarela → verde durante a própria infecção viral pelo aumento de leucócitos, principalmente neutrófilos. A mudança reflete a gravidade da inflamação, não a etiologia.

Tratamento e prevenção (Tabela 4.3.3, nível SORT)

RecomendaçãoSORT
Antibióticos não devem ser usados no resfriado comumA
Antigripais de venda livre não devem ser usados em < 4 anosB
Pelargonium sidoides, lavagem nasal com soro e zinco podem reduzir sintomas em criançasB
Codeína não é eficaz para tosse em adultosA
Anti-histamínico isolado não melhora sintomas em adultosA
Descongestionantes, anti-H1 + descongestionante e ipratrópio intranasal podem melhorar sintomasB
AINE reduz a dor do resfriado em adultos (naproxeno também ajuda na tosse)A
Pelargonium sidoides pode reduzir gravidade e duração em adultosB

Trate o sintoma que mais incomoda (não há "receita-padrão"): AINE para quem tem dor no corpo, descongestionante para quem tem congestão. Profilaxia: a principal medida é lavar as mãos (sabonete comum é igual ao antisséptico); vitamina C só encurta a recuperação, não previne; zinco nas primeiras 24 h reduz duração (náusea, gosto metálico).

05 / Rinossinusite aguda

Viral até que se prove o contrário.

Capítulo do próprio Piltcher. Rinossinusite é inflamação da mucosa do nariz e dos seios paranasais; o sufixo "ite" só significa inflamação. Prevalência estimada de 10–15% ao ano, doença comum e associada a muitos gastos, porque parte dos resfriados compromete os seios e ~2% dos adultos e até 5–15% das crianças evoluem para bacteriana. Rinossinusite não é sinônimo de bactéria: há RSA viral, fúngica, alérgica etc. Rotinas · cap. 4.4

Critério diagnóstico

RSA: ≥ 2 sintomas, 1 obrigatório Rotinas · cap. 4.4

Dois ou mais sintomas, dos quais um deve ser:

  • Obstrução/congestão nasal ou
  • Descarga nasal (gotejamento anterior ou posterior)

associado ou não a pressão/dor facial e/ou alteração do olfato. Outra proposta usa 1 sintoma maior + ≥ 2 menores (febre, halitose, tosse, pressão nos ouvidos, dor dentária). Todas essas definições são evidência categoria D. Limite do "agudo": até 4 semanas na diretriz canadense e até 90 dias (12 semanas) na europeia.

Viral × pós-viral × bacteriana (EPOS, como o livro apresenta)

Diagrama de conjuntos: IVAS viral/RSA viral contém RSA pós-viral, que contém RSAB
A figura que resume o capítulo. O conjunto grande é a IVAS viral/RSA viral; dentro dele, um grupo menor vira pós-viral; e só uma fração pequena é RSAB. O tamanho das elipses é a mensagem: bacteriana é minoria e pode surgir como complicação de qualquer fase. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.4.2 (adaptada de Fokkens et al., EPOS).

RSA viral

  • Quadros de até 10 dias
  • Evolução média de 7–10 dias; pode durar mais sem recaída nem complicação
  • Secreção amarela/verde é compatível: cor não define bactéria
  • Tratamento: sintomático (ver resfriado)

RSA pós-viral

  • Sintomas que duram mais de 10 dias
  • Mucosa ainda em recuperação (10–30 dias)
  • Sem os critérios de bactéria
  • Existe justamente para evitar antibiótico só pelo tempo

RSA bacteriana (RSAB)

  • Percentual pequeno; pode complicar qualquer fase, a qualquer momento
  • Considerar só com 3 dos 5 sinais abaixo
  • Tempo isolado não é critério: vale o tipo de evolução (gravidade, recaída) + exame físico
RSAB = 3 dos 5 Rotinas · cap. 4.4
  1. Qualquer secreção com predominância de um lado ou francamente purulenta no cavum
  2. Dor intensa de aspecto unilateral
  3. Febre > 38 °C
  4. VHS/PCR elevados
  5. Recaída dos sinais e sintomas ("dupla piora")

"Presença de sintomas por mais de 10 dias, isoladamente, não deve mais ser critério para RSAB e para uso de antimicrobiano."

Livro × literatura: definição de pós-viral

O livro (Rotinas) define pós-viral = sintomas por mais de 10 dias. O EPOS também inclui na pós-viral a piora após o 5º dia, e a IDSA usa como bacteriana "> 10 dias sem melhora", "início grave (febre ≥ 39 °C + pus por 3–4 dias)" ou "dupla piora". Para a prova: viral ≤ 10 dias, pós-viral > 10 dias, bacteriana = 3 dos 5 critérios.

1
Dias 1–3: resfriado

Coriza, obstrução, dor de garganta. Pico dos sintomas por volta do 3º dia.

2
Dias 3–10: melhora gradual

Esperado. Secreção espessa/amarelada ainda é compatível com viral.

3
A recaída ("dupla piora")

Paciente melhorava e volta a piorar. É 1 dos 5 critérios; somada a febre > 38 °C e dor unilateral intensa, fecha 3.

4
> 10 dias

Por definição, pós-viral. Só vira bacteriana se somar 3 critérios.

Diagnóstico é clínico. E os exames?

A punção maxilar (via meato inferior ou fossa canina) é o padrão-ouro, mas invasiva: só em imunossuprimidos, febre de origem indeterminada, falha terapêutica, complicações. A endoscopia nasal é parte da investigação do especialista. Pense em números a partir da probabilidade pré-teste clínica de 20%: Rotinas · cap. 4.4

Probabilidade pré-teste clínica
20%
ponto de partida
Raio X simples
20→48%
S 76% · E 79% · não individualiza o seio
Endoscopia nasal
20→78%
S 82,7% · E 94% · VPP 93%
TC (3 cortes coronais)
20→75%
S 95,1% · E 92,6% (para RSA, não RSAB)
Punção maxilar
padrão-ouro
invasiva · casos específicos
Ultrassonografia
sem papel
no diagnóstico da RSA
Endoscópio flexível passando pela fossa nasal até a hipofaringe em corte sagital
Endoscópio flexível. Imagem de menor qualidade que o rígido, mas mais aceito por adultos e crianças e alcança rinofaringe, faringe e laringe. Qualquer dos dois permite ver o meato médio e colher cultura dirigida, que tem boa correlação com o material do seio maxilar (a cultura de rinofaringe, não). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 3.8.
Regra de ouro da prova (Q14, Q17, Q29)
  • Raio X de seios não deve ser solicitado para diagnosticar RSA: leva a certeza só de 20 para 48%. É ainda pior em menores de 6 anos. O livro se diz "surpreso" que siga comum nas emergências.
  • TC: sensível demais para o resfriado. Em resfriado comum, a TC mostra oclusão infundibuloetmoidal em 70%, alteração maxilar em 87%, etmoidal em 70% e frontal em 39%. Não define o tipo de conteúdo, irradia e custa caro: só na suspeita de complicação ou no planejamento cirúrgico.
  • RM: só na suspeita de complicação orbitária ou intracraniana em que a TC não foi suficiente.
  • Punção e cultura: nunca "imprescindíveis".

Microbiologia e fatores de risco

Haemophilus influenzaeStreptococcus pneumoniaeMais raramente: Moraxella catarrhalisStreptococcus pyogenesFalha: H. influenzae β-lactamase +, Moraxella, pneumococo resistente

O livro cita o H. influenzae primeiro: a vacinação contra cepas de pneumococo tem aumentado a proporção de Haemophilus. Fatores de risco para RSA: inverno e outono, convívio com crianças em idade escolar e fumo passivo. Anatomia (concha bolhosa, células de Haller, desvio septal) e rinite alérgica ainda carecem de evidência inequívoca, mas nos recorrentes o consenso é tratar a alteração anatômica e controlar a alergia de base. Rotinas · cap. 4.4

?
Criança de 5 anos com coriza amarelo-esverdeada há 4 dias e febre de 37,8 °C. A mãe pede antibiótico 'porque o catarro está verde'. O que responder?
Pense em:

Tempo de evolução, recaída e os 5 critérios de bactéria.

Resposta:

É RSA viral (≤ 10 dias, sem recaída, sem febre > 38 °C, sem dor unilateral intensa). A cor reflete neutrófilos, não bactéria. Conduta: lavagem nasal com soro, antitérmico/analgésico, hidratação, sem antigripal de venda livre (menor de 4 anos não; ela tem 5, mas o benefício é pequeno), e orientar sinais de retorno (recaída, febre alta, edema palpebral, cefaleia intensa). Explique à mãe que "ite" é inflamação, não bactéria.

?
Olhando os números acima: por que a endoscopia nasal confirma rinossinusite bacteriana muito melhor que o raio X de seios da face?
Pense em:

O raio X mostra uma sombra no seio. A endoscopia mostra o quê? Pense no que você enxergaria olhando dentro do nariz com uma câmera.

Resposta:

Porque a endoscopia vê o pus; o raio X só vê uma sombra.

Raio X: mostra o seio "velado" (opaco) ou com nível de líquido. Só que isso aparece em quase todo resfriado viral, porque o vírus também enche o seio de secreção e incha a mucosa. Então o raio X não diferencia vírus de bactéria. Na criança (sobretudo abaixo de 6 anos) é ainda pior, porque os seios nem estão totalmente formados.

Endoscopia nasal: uma câmera fina entra no nariz e olha o meato médio, que é a "saída" por onde drenam os seios maxilar, frontal e etmoidal anterior. Se aparece pus escorrendo dali, é sinal direto de infecção bacteriana naquele seio.

O que os números dizem: antes de qualquer exame, só com a clínica, a chance de ser bacteriana é ~20%. Se o raio X vier alterado, essa chance sobe só para ~48% (continua um "cara ou coroa"). Se a endoscopia mostrar pus, sobe para ~78%. VPP de 93% (valor preditivo positivo) quer dizer: quando a endoscopia é positiva, em 93% das vezes realmente existe infecção bacteriana no seio.

Para a prova: raio X de seios da face não serve para diagnosticar rinossinusite. O diagnóstico é clínico; a endoscopia ajuda quando há dúvida; a TC fica para complicação ou cirurgia.

06 / Tratamento da RSA

Sintomático primeiro, antibiótico com critério.

A decisão parte da história natural de cada tipo (viral, pós-viral, bacteriana) e do quanto cada intervenção (expectante, tópica isolada, antibiótico oral) muda de fato essa história e as complicações. Rotinas · cap. 4.4

Viral e pós-viral

Medidas para alívio sintomático até a resolução espontânea (média de 7–10 dias, podendo durar mais sem recaída ou complicação). As opções são as do resfriado:

Lavagem nasal
SF isotônico ou hipertônico
Remove secreção e crostas. Para todos.
AINE / analgésico
conforme dor e febre
AINE reduz a dor do resfriado (SORT A).
Descongestionante
oral ou tópico por poucos dias
Alívio momentâneo da congestão; tópico nunca prolongado.
Corticoide tópico nasal
mometasona 200 µg 2×/dia
O livro cita como opção isolada nas 48 h anteriores ao antibiótico em casos leves e não complicados. O EPOS também o recomenda na pós-viral (recomendação que o capítulo não detalha).

Bacteriana: o antibiótico muda pouco

NNT (metanálise 2008)
15
sinais não identificam quem mais se beneficia
JAMA (adultos, amoxicilina)
só no 7º dia
sem diferença no 3º e 10º dias
Melhora satisfatória
80% × 90%
controle × antibiótico
Prevenção de complicação
sem evidência
há complicações mesmo em uso de ATB

Somando resistência, efeitos adversos e custo, a tendência é conduta mais expectante. A observação ativa ("watchful waiting") exige: dor leve e febre abaixo de 38,3 °C, e a possibilidade fundamental de reavaliação. Educar o paciente sobre prós e contras é primordial.

Amoxicilina · 1ª escolha
45 mg/kg/dia (dose habitual) · adulto 500 mg 3×/dia por 10 dias
Escolha empírica, pela microbiologia. Especialmente se baixa probabilidade de pneumococo resistente. Espectro estreito não perde para largo espectro no início e tem menos efeito adverso e custo.
Reavaliar em 48–72 h
amoxicilina 90 mg/kg/dia ± clavulanato, ou maior espectro
Pesa na decisão a lista de fatores de risco ao lado.
Falha terapêutica (7º dia)
amoxicilina 4 g/dia + clavulanato ou levofloxacino
Cobre H. influenzae β-lactamase +, Moraxella, pneumococo resistente, e ainda S. aureus e anaeróbios. Cefalosporinas e macrolídeos não cobrem bem pneumococo e Haemophilus.
Alergia a amoxicilina (livro)
sulfametoxazol-trimetoprim, macrolídeo ou quinolona oral
Só funcionam se o pneumococo for sensível. No cap. 7.5, macrolídeos ficam reservados para alergia.
Duração
10 dias (maioria dos ensaios)
6–10 dias não foi melhor que 3–5 dias (azitromicina ou cefuroxima) após 3 semanas.
Quando trocar para maior espectro / dose dobrada Rotinas · cap. 4.4
  • Idade < 2 anos ou > 65 anos
  • Quadro clínico grave que não permita falha; não resposta ao 1º antibiótico
  • Sinusite frontal ou esfenoidal (mais chance de complicação)
  • Sintomas acima de 4 semanas
  • Alcoolismo, doença ou terapia imunossupressora
  • Institucionalizados; crianças em creche
  • Uso de betalactâmico nos últimos 3 meses
Watchful waiting
< 38,3 °C
+ dor leve + reavaliação possível
Reavaliação
48–72 h
troca de espectro ou dose
Falha
7º dia
não melhora = persistência sem nenhuma melhora gradual · piora = progressão ou sinais novos
Na falha, também
rever
diagnóstico, complicação, coleta de material, etiologia
Livro × literatura: alérgico à penicilina

O livro (Rotinas) lista sulfametoxazol-trimetoprim, macrolídeos ou quinolonas como 1ª linha no alérgico a amoxicilina, ressalvando que só funcionam com pneumococo sensível. A IDSA (2012) não recomenda SMX-TMP nem macrolídeo por alta resistência, e prefere doxiciclina ou quinolona respiratória no adulto. Para a prova: se perguntarem "segundo o livro", as três classes; se a alternativa disser que macrolídeo/cefalosporina têm boa cobertura para pneumococo e Haemophilus na falha, é falsa (o próprio livro diz isso).

Teoria versus prática Rotinas · cap. 4.4

Estima-se que pelo menos 60% dos casos tipicamente virais, com poucos dias de evolução, recebem antimicrobiano (no cap. 7.5, "mais de 50%" das IVAS virais). A mensagem do Piltcher: tratar RSA como bacteriana por rotina "não é mais tolerável".

07 / Fluxograma

Viral, bacteriana ou complicada?

Toque em cada passo. É a sequência que resolve as vinhetas da prova: é rinossinusite? → tem complicação? → há quanto tempo e fecha 3 critérios? → observar ou tratar? → melhorou no 7º dia?

1
Passo 01
Preenche critério de rinossinusite?
≥ 2 sintomas, 1 obrigatório entre obstrução/congestão e descarga nasal (± dor facial, ± olfato).
SIM
Rinossinusite aguda clínica. Nenhum exame de imagem é necessário para seguir.
NÃO
Outro diagnóstico: rinite alérgica (prurido/espirros), corpo estranho (purulenta unilateral fétida), neoplasia, fístula liquórica (clara unilateral).
2
Passo 02 · SEMPRE ANTES
Tem sinal de complicação?
Edema/eritema orbitopalpebral, quemose, proptose, dor ocular, oftalmoplegia, queda da acuidade visual; cefaleia persistente, febre persistente, alteração do estado mental, sinais neurológicos focais, rigidez de nuca; edema mole na testa (tumor de Pott); falha de tratamento prévio.
SIM → COMPLICADA
TC com contraste de órbitas e seios (ou RM); exame oftalmológico completo; ATB EV com cobertura de gram+, gram− e anaeróbios, de preferência internado; se SNC: TC de seios e crânio com contraste, RM se coleção, cirurgia sinusal ± neurocirurgia (seções 10 e 11).
NÃO
Seguir para classificação temporal.
3
Passo 03
Viral, pós-viral ou bacteriana?
Conte os dias e procure os 5 critérios: secreção unilateral/purulenta no cavum, dor intensa unilateral, febre > 38 °C, VHS/PCR ↑, recaída.
≤ 10 DIAS, < 3 CRITÉRIOS
Viral → sintomático, lavagem, analgesia. Orientar retorno.
> 10 DIAS, < 3 CRITÉRIOS
Pós-viral → sintomático; tempo sozinho não indica antibiótico.
≥ 3 DOS 5 CRITÉRIOS
RSA bacteriana, em qualquer momento da evolução.
> 12 SEMANAS
Rinossinusite crônica → endoscopia ± TC; tratar inflamação.
4
Passo 04
Bacteriana: observar ou tratar?
Dor leve + febre < 38,3 °C + reavaliação possível permitem observação ativa (ou corticoide tópico isolado por 48 h em caso leve). Senão, antibiótico empírico.
INÍCIO
Amoxicilina 45 mg/kg/dia (adulto 500 mg 3×/dia, 10 dias).
REAVALIAÇÃO 48–72 H + FATOR DE RISCO
Amoxicilina 90 mg/kg/dia ± clavulanato: < 2 ou > 65 anos, grave, frontal/esfenoidal, > 4 semanas, imunossupressão/alcoolismo, institucionalizado, creche, betalactâmico em 3 meses, não resposta.
5
Passo 05
7º dia: melhorou?
Não melhora = persistência sem nenhuma melhora gradual. Piora = progressão ou sinais novos.
SIM
Completar o curso.
NÃO / PIOROU
Reconfirmar diagnóstico e buscar complicação (volta ao passo 2). Sem ATB até aqui: iniciar. Já em ATB: amoxicilina 4 g/dia + clavulanato ou levofloxacino; considerar coleta de material.
08 / Rinossinusite crônica

> 12 semanas: inflamação, não infecção.

Rinossinusite crônica (RSC): inflamação da mucosa do nariz e seios que persiste por mais de 12 semanas. É considerada a segunda doença crônica mais prevalente: 5–15% por questionário de sintomas (Brasil, Europa, EUA) e 2–4% quando se exige diagnóstico médico. O mito de que toda RSC evolui para pólipo caiu. Rotinas · cap. 4.5

Diagrama: polipose nasal como subconjunto da rinossinusite crônica
Duas doenças diferentes. A polipose é um subconjunto da RSC: só um grupo de pacientes sem pólipos evolui para com pólipos, e a fisiopatologia é distinta. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.1.
Diagnóstico: clínico + endoscopia Rotinas · cap. 4.5

≥ 2 sintomas: obstrução nasal/congestão facial · rinorreia anterior/posterior · hiposmia/anosmia · dor ou pressão facial. Obrigatório: obstrução/congestão ou rinorreia.

Endoscopia: secreção purulenta nos meatos · edema/obstrução do meato médio · pólipos.

Sintomas menores: otalgia, tontura, halitose, dor dental, pigarro, disfonia, tosse, sonolência, distúrbio do sono. Rinorreia costuma ser menor e às vezes só retronasal. Em crianças, tosse com piora noturna é frequente.

Endoscopia com edema de concha média no meato médio direito
Edema no meato médio. A seta aponta a concha média edemaciada, que fecha a "saída" dos seios anteriores: é o achado endoscópico da RSC sem pólipo. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.4.
Endoscopia com pólipos nasais no meato médio esquerdo
Pólipos no meato médio. Massas lisas, translúcidas e brilhantes, como "uvas descascadas" (seta). Obstruem o fluxo de ar até o epitélio olfatório, daí a anosmia/hiposmia típica da RSCcPN. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.5.
Modelo inflamatório Th1 na RSC sem pólipos e Th2/Th17 na RSC com pólipos
Por que um faz pólipo e o outro não. Sobre predisposição genética, biofilme, superantígeno, fungo ou vírus disparam resposta excessiva. Th1 (TNF, IL-8, neutrófilos, ↑TGF-β1) → mucosa responde com fibrose → RSC sem pólipos. Th2 (IL-5, IgE, eosinófilos, ↓TGF-β1) ou Th17edema → pólipos bilaterais. Em chineses, a RSCcPN é Th1/Th17. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.2.

RSC sem pólipos (RSCsPN)

  • Resposta Th1, neutrófilos → fibrose
  • Metanálises: corticoide tópico + irrigação salina (isotônica ou hipertônica)
  • Macrolídeo em dose baixa e tempo prolongado (imunomodulador, sobretudo Th1): controverso, melhor em quem não tem IgE aumentada
  • Lisados bacterianos: 1 estudo só
  • Cirurgia na falha clínica, para abrir, drenar e aerar (sem tempo mínimo definido)
  • Pós-operatório: corticoide tópico + irrigação; hipoclorito de sódio 0,05% ou xilitol no soro foram superiores ao soro puro

RSC com pólipos (RSCcPN)

  • Resposta Th2 ou Th17, eosinófilos → edemapólipos bilaterais
  • Obstrução exuberante, pressão facial, anosmia/hiposmia
  • Metanálises: corticoide tópico + corticoide oral; irrigação salina indicada em todos
  • Anti-IgE em polipose com asma grave
  • Cirurgia se persiste: exérese dos pólipos + abrir, drenar e aerar
  • Pós-operatório: corticoide tópico e oral, anti-IL-5; macrolídeo se IgE não aumentada
Conceito que cai (Q16) Rotinas · cap. 4.5

"O papel da inflamação na RSC é muito maior que o da infecção." Antibiótico apenas se houver infecção aguda sobreposta, como coadjuvante, cobrindo aeróbios e anaeróbios estritos. O exemplo clássico de erro citado pelo livro: uso repetido e longo de antibiótico numa doença que não tem infecção como fator etiológico. A frase "crônicas guardam relação com agentes infecciosos e agudas com resposta inflamatória" está invertida.

Imagem na crônica

TC coronal de seios paranasais com pansinusopatia em paciente com polipose
TC coronal, janela óssea: pansinusopatia. Maxilares e etmoides tomados por material com densidade de partes moles e fossas nasais ocupadas; só restam pequenas bolhas de ar. É o padrão da RSC com polipose, e é a TC que o cirurgião usa como mapa. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.6.
  • TC de seios paranasais = padrão-ouro: excluir causas que perpetuam a inflamação (tumores), estadiar a extensão e estudar a anatomia antes da cirurgia.
  • RM: suspeita de complicação orbitária ou intracraniana.
  • Radiografia: baixa sensibilidade e especificidade, não indicada em rinossinusite.
  • Pólipo unilateral em adulto: descartar tumor (papiloma invertido, neoplasia). Pólipo em criança: lembrar fibrose cística.

Fatores associados

Diagrama de fatores associados à rinossinusite crônica, com círculo interno genético
Dois círculos. No interno (genética): discinesia ciliar, fibrose cística, polipose nasal, intolerância ao AAS e asma, mais ligados à RSCcPN. No externo: granulomatose de Wegener, alteração hormonal, fatores iatrogênicos e locais, cigarro, poluição, baixo nível socioeconômico, imunodeficiência, rinite alérgica e refluxo faringolaríngeo. Investigar e excluir o que for possível. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.5.3.
Atualização além do livro

O livro cita anti-IgE (polipose + asma grave) e anti-IL-5 no pós-operatório. Hoje também está aprovado o dupilumabe (anti-IL-4Rα) para RSCcPN grave não controlada. Não é foco da prova.

?
Homem de 45 anos, asmático, perdeu o olfato há 1 ano, nariz entupido dos dois lados e piora da falta de ar quando toma AAS. O que você espera na endoscopia e qual o 1º tratamento?
Pense em:

Círculo genético da Fig. 4.5.3: asma, intolerância ao AAS, polipose. Th1 ou Th2?

Resposta:

RSC com pólipos bilaterais (resposta Th2, eosinofílica). Tratamento clínico do livro: irrigação salina + corticoide tópico nasal + corticoide oral, evitar AAS/AINE; TC para estadiar e planejar; cirurgia se persistir; anti-IgE se asma grave. Antibiótico só se agudização infecciosa.

09 / Fístula liquórica nasal

Rinorreia clara de um lado só.

Fístula liquórica nasal (FLN) é uma comunicação entre o espaço subaracnóideo e os seios paranasais ou a cavidade nasal (abertura em aracnoide, dura-máter, osso e mucosa). O liquor sai pelo nariz: rinoliquorreia, com aspecto de "água de rocha", geralmente unilateral. O risco é a meningite, por isso diagnóstico e tratamento precoces. Rotinas · cap. 4.7

Etiologia

  • Traumática: acidental ou cirúrgica (iatrogênica); às vezes trauma de décadas atrás
  • Não traumática com causa: congênita (meningocele, meningoencefalocele), tumoral, hipertensiva (HIC), inflamatória
  • Espontânea primária (idiopática): mulheres, IMC elevado, 40–50 anos; alta recidiva, pouca meningite
  • Oculta: meningites de repetição (pneumocócicas) sem rinorreia evidente, com trauma craniano prévio

Localização

  • Base anterior: etmoide, lâmina cribriforme, esfenoide, frontal
  • Fossa média: esfenoide com grande expansão lateral (além do forame redondo)
  • Paradoxal: osso temporal; liquor desce pela tuba auditiva até nariz ou faringe

Diagnóstico 1: é liquor?

Glicose no líquido nasal
≥ 30 mg/dL
= liquor (com glicemia normal) · colher ~1,5 mL em frasco limpo, envio imediato
Pseudofístula
< 30 mg/dL
rinorreia parassimpática após lesão simpática (trauma/cirurgia)
Glicofita
NÃO usar
baixa especificidade: positiva com lágrima
Padrão-ouro
β2-transferrina
ou β-traço-proteína · só em liquor e endolinfa · pouca amostra · pouco disponível
Fluoresceína intratecal
5% · 0,5–1 mL
solução EV estéril (nunca a oftálmica); cor amarelo-esverdeada no endoscópio

A fluoresceína diluída em água destilada (solução hipodensa) sobe rápido às cisternas com o paciente sentado (minutos); diluída no próprio liquor (hiperdensa) exige Trendelenburg e horas de espera. Nas doses corretas, a complicação é praticamente nula; as descritas vêm de solução inadequada ou dose alta. Marcador radioativo intratecal está em desuso.

Diagnóstico 2: onde está?

TC de alta resolução
50–82%
detecta o defeito ósseo
Cisternotomografia
~80%
localiza · invasiva · só se rinoliquorreia comprovada e TC+RM não localizaram
TC + RM T2 juntas
96%
acurácia · S 95% · E 100% · exames de eleição
Cisternotomografia coronal mostrando meningocele frontal com contraste intratecal
Cisternotomografia. O contraste injetado no espaço subaracnóideo (branco) desce pela linha média e entra na base anterior do crânio: é a meningocele frontal, o trajeto da fístula. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.7.1.
TC coronal de meningocele etmoidal
TC (Fig. 4.7.2A). Paciente com quatro meningites prévias e rinoliquorreia intermitente. Procure a falha óssea no teto do etmoide com tecido de partes moles descendo para a cavidade nasal. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.7.2A.
RM ponderada em T2 de meningocele etmoidal
RM em T2 (Fig. 4.7.2B). O liquor fica branco (hiperintenso) em T2 e dá para ver o saco de meninge herniado na base do crânio, sem precisar de contraste. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.7.2B.

Tratamento: o objetivo é prevenir meningite

Clínico

  • Fase aguda do trauma craniencefálico acidental
  • Baixar a pressão liquórica: cabeceira elevada, punção lombar, laxantes, diurético (acetazolamida)
  • Antibiótico profilático: controverso
  • Vacina antipneumocócica de rotina em FLN ativa, prévia ou possível (cirurgia extensa de base de crânio)

Cirúrgico

  • Endoscópico endonasal: resultado igual ou melhor que craniotomia, com morbimortalidade muito menor, sem UTI
  • Craniotomia se aberturas extensas, exposição cerebral, tumor que exige via neurológica; via externa na FLN do seio frontal inacessível
  • Chave do sucesso: achar o orifício na meninge (nem sempre coincide com o defeito ósseo); fluoresceína ajuda
  • Enxertos variados (fáscia, gordura, músculo, osso, cartilagem, retalho septal) sem diferença de resultado; cola biológica
  • Sucesso > 90%; dreno lombar desnecessário (97% sem ele)

Espontânea primária

  • Recidiva ~25% (8% após reintervenção) × 8% nas demais
  • Meningite 15% × 60% nas demais
  • Pode precisar de derivação ventriculoperitoneal ou lomboperitoneal (HIC, recidiva, parede lateral de grande esfenoide, fístulas múltiplas)
?
Mulher de 45 anos, obesa, com "coriza de água" pingando da narina direita ao se inclinar, sem trauma. Como provar que é liquor, e qual exame não usar?
Pense em:

Perfil da fístula espontânea primária. O que existe só no liquor e na endolinfa?

Resposta:

Perfil clássico de fístula espontânea primária (mulher, IMC alto, 40–50 anos). Provar liquor: β2-transferrina ou β-traço-proteína (padrão-ouro); alternativa acessível: glicose ≥ 30 mg/dL no líquido coletado em frasco limpo. Não usar glicofita (positiva até com lágrima). Depois, localizar com TC de alta resolução + RM T2; vacina antipneumocócica; cirurgia endoscópica com fluoresceína; atenção à recidiva e à possível hipertensão intracraniana.

10 / Complicações orbitárias

Quando o seio invade a órbita.

Por que o seio "transborda"? O osso entre a mucosa e a órbita é finíssimo (a lâmina papirácea tem poucos milímetros), mais poroso na criança, e há falhas naturais: forames etmoidais anterior e posterior, esfenopalatino, lâmina cribriforme e suturas não consolidadas. Pelo menos 75% das complicações orbitárias vêm de rinossinusite aguda: órbita aguda obriga a investigar o nariz. Outras causas: trauma, infecção de face, picada de inseto, blefarite, conjuntivite, dacriocistite, bacteremia. Rotinas · cap. 4.16

Esquema da drenagem venosa da órbita: veias oftálmicas, angular, facial, plexo pterigóideo e seio cavernoso
A estrada venosa. Siga da veia angular/facial (pálpebra) pela veia oftálmica superior até o seio cavernoso, e para baixo ao plexo pterigóideo. Essas veias são avalvuladas: com congestão nasal, o sangue reflui e leva a infecção por tromboflebite retrógrada à pálpebra, à órbita e ao seio cavernoso. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.16.2.

Classificação de Chandler (Quadro 4.16.1)

EstágioChandlerVelasco e Cruz
1Celulite pré-septalNão é orbitária (é palpebral)
2Celulite orbitáriaCelulite orbitária
3Abscesso subperiostealAbscesso subperiosteal
4Abscesso orbitárioAbscesso orbitário
5Trombose do seio cavernosoNão é orbitária (é intracraniana)

Chandler é a mais citada e usada. Mas o capítulo defende a de Velasco e Cruz: o limite anatômico da órbita é o septo orbitário (continuação da periórbita), então pré-septal é palpebral e trombose de seio cavernoso é complicação intracraniana.

1
Celulite pré-septal (Chandler I)

Edema e eritema palpebral, olho em si normal. O livro alerta: pela via venosa comum, dificilmente aparece isolada; costuma vir com celulite orbitária ou abscesso. Por isso o capítulo trata pré-septal e orbitária juntas como "orbitopalpebrais", com condutas semelhantes.

2
Celulite orbitária (II)

Inflamação da gordura intraorbitária, sem coleção: quemose, proptose, dor e calor, ± restrição da motilidade.

3
Abscesso subperiosteal (III)

Coleção entre a periórbita e o osso (geralmente medial, junto ao etmoide): desloca o globo, limita a motilidade.

4
Abscesso orbitário (IV)

Pus dentro da órbita: proptose importante, oftalmoplegia, queda visual, alteração de fundo de olho e reflexo pupilar. Maior risco de sequela visual e de ir ao SNC.

5
Trombose do seio cavernoso (V)

Via veias oftálmicas; olho contralateral acometido em ~48 h. Hoje classificada como complicação intracraniana (seção 11).

Não é sempre uma escada Rotinas · cap. 4.16

Celulite, abscesso subperiosteal e abscesso intraorbitário costumam ser um continuum, e o comprometimento ocular piora conforme forma abscesso. Mas nem todo subperiosteal é mais grave que uma celulite, e quadros graves não precisam passar pelos brandos. Em criança pequena ou com seio muito obstruído, a complicação orbitária pode ser a primeira manifestação, sem queixa nasal.

Diagnóstico

TC com contraste axial: celulite orbitária, abscesso subperiosteal e abscesso orbitário à direita
TC com contraste, cortes axiais, lado direito do paciente (à esquerda da imagem). (A) Celulite orbitária: gordura da órbita "suja", globo levemente empurrado, sem coleção. (B) Abscesso subperiosteal: coleção junto à parede medial, colada ao etmoide velado. (C) Abscesso orbitário: órbita e partes moles tomadas, proptose evidente e etmoide doente. É isso que a TC separa e que decide a cirurgia. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.16.1.

Exame

  • Rinoscopia anterior e nasofibroscopia com coleta de cultura (swab dirigido do meato médio)
  • Exame oftalmológico completo documentado: nervos II, III, IV, VI, motricidade, fundo de olho, reflexo pupilar, campo visual
  • A apresentação inicial define urgência × emergência

Imagem

  • Na simples suspeita: TC com contraste de órbitas e seios paranasais ou RM é mandatória
  • TC diferencia celulite, subperiosteal, intraorbitário e até complicação intracraniana
  • RM discrimina melhor gordura, músculo, nervo e coleção, mas nem sempre está acessível
  • USG ocular: ajuda em abscesso anterior, falha no ápice, seios e crânio

Tratamento

Fluxograma de conduta nas complicações orbitárias de rinossinusite
Fluxograma do livro. Tudo começa com TC com contraste. A pergunta que divide é: alteração do estado geral, do SNC, visual ou oftalmoplegia? Não → tratamento domiciliar; sim → hospitalar. Nos dois ramos, reavalie em 24–48 h (boa resposta e sem abscesso orbitário?): em casa, se não → internar; no hospital, se não → considerar cirurgia. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.16.3.
Princípios Rotinas · cap. 4.16
  • Tratar a rinossinusite: lavagem nasal e descongestionante tópico.
  • Antibiótico sistêmico empírico cobrindo gram-positivos (S. aureus, Streptococcus), gram-negativos (H. influenzae) e anaeróbios (Peptostreptococcus, Fusobacterium, Propionibacterium). Swab do meato médio orienta se falhar.
  • De preferência internado com ATB EV, qualquer que seja a gravidade.
  • Exceção ambulatorial (alguns autores): celulite orbitopalpebral em bom estado geral, sem oftalmoplegia, sem alteração visual, sem sinal de SNC (cefaleia, tontura, náusea, vômito) → amoxicilina-clavulanato 500/125 mg (ou 50/12,5 mg/kg/dia) VO 8/8 h por 14 dias, reavaliação em 24–48 h ou antes se piorar.
  • Internado: avaliar pelo menos 2×/dia (SNC, acuidade visual, motricidade, pupilas). Melhora importante + 48 h afebril → passa para VO, total de pelo menos 14 dias.
Esquemas EV sugeridos no livro (internados)Criança
1. Clindamicina 600 mg 8/8 h + ceftriaxona 2 g 1×/dia, 14 dias25–40 mg/kg/dia + 40–80 mg/kg
2. Oxacilina 1 g 6/6 h + ceftriaxona 2 g 1×/dia, 14 dias100 mg/kg/dia + 40–80 mg/kg/dia
3. Amoxicilina-clavulanato 1 g EV 8/8 h50 mg/kg/dia
4. Oxacilina 1 g 6/6 h + ciprofloxacino 400 mg 12/12 h, 14 dias100 mg/kg/dia + 10 mg/kg
5. Cefuroxima 750 mg 8/8 h + metronidazol 500 mg 8/8 h, 14 dias100 mg/kg/dia + 22,5 mg/kg/dia

Abscesso subperiosteal

  • Pode ser tratado clinicamente antes de drenar; drenagem precoce sem urgência oftalmológica é controversa
  • Em < 4 anos: abscesso pequeno (< 1 mL), medial, sem alteração visual, sem envolvimento sistêmico importante e com resposta ao ATB EV em 24–48 hnão precisa de cirurgia

Abscesso orbitário

  • Drenagem de urgência em centro cirúrgico (risco visual e de SNC)
  • Sempre que houver comprometimento visual ou orbitário significativo: drenar (endoscópica nasal, transconjuntival, transpalpebral ou combinada) e/ou descompressão orbitária

Corticoide sistêmico

  • Questionável
  • A favor: pode reduzir pressão intraocular com proptose/edema, por curto período
  • Contra: pode retardar a resolução, aumentar necrose e reduzir penetração do ATB no abscesso
Younis: drenar se 1 dos 5 Rotinas · cap. 4.16
  1. Abscesso na tomografia
  2. Acuidade visual igual ou pior que 20/60 na avaliação inicial
  3. Complicação orbitária grave na chegada (cegueira ou ausência de reflexo pupilar aferente)
  4. Piora das alterações orbitárias apesar do tratamento clínico
  5. Sem melhora em 48 h de tratamento clínico
Coleta de cultura (Q18-II)

Se for colher secreção (swab dirigido do meato médio, punção, material cirúrgico) para cultura e antibiograma, colher antes do antibiótico, desde que não atrase o tratamento; senão, iniciar direto ATB de amplo espectro. E lembre do cap. 4.17: toda complicação orbitária obriga a descartar complicação intracraniana associada, pela clínica e pela imagem.

?
Criança de 6 anos com resfriado há 7 dias, agora com edema e vermelhidão da pálpebra superior direita. Como separar os casos que podem ir para casa?
Pense em:

A pergunta central do fluxograma 4.16.3.

Resposta:

Abra a pálpebra e faça o exame oftalmológico completo: acuidade, motricidade (e dor ao mover), proptose, quemose, pupilas, fundo de olho; e procure sinais de SNC. Faça TC com contraste. Se bom estado geral, sem oftalmoplegia, sem alteração visual e sem sinal de SNC: alguns autores permitem amoxicilina-clavulanato VO 8/8 h por 14 dias com reavaliação em 24–48 h. Qualquer desses sinais, abscesso orbitário ou falta de resposta → internar, ATB EV, e considerar cirurgia. Na dúvida (criança não colabora), trate como grave.

11 / Complicações intracranianas

Quando o seio chega ao cérebro.

Raras, mas devastadoras. Mortalidade de 4–10% em adultos e 10–20% em crianças; sequelas neurológicas em 25% (epilepsia, déficit cognitivo, perda visual e auditiva). Correspondem a 15–20% das complicações das rinossinusites; 10% dos abscessos intracranianos têm origem sinusal; 3,7–11% dos internados por rinossinusite fazem complicação do SNC. Rotinas · cap. 4.17

Quem e como

  • Sexo masculino, 2ª e 3ª décadas (adolescentes e adultos jovens: sistema venoso diploico muito vascularizado)
  • Criança: mais ligada à RSA; adulto: à RSC; imunodeprimido: fúngica invasiva
  • Descrito com diabetes e insuficiência renal crônica, mas a maioria é hígida

Vias e germes

  • Extensão direta (deiscência, erosão, forames) ou hematogênica por tromboflebite retrógrada pelas veias diploicas, a mais frequente
  • Seios de origem: sobretudo frontoetmoidal e esfenoidal
  • Germes: S. aureus, S. pneumoniae e anaeróbios

Clínica e diagnóstico

  • Assintomáticas em 15% no início; ou febre alta + cefaleia intensa
  • A maioria: náusea, vômitos, rigidez de nuca, alteração do estado mental
  • Diagnóstico por TC e RM; punção lombar (quando indicada) para cultura do LCS
  • Associadas a complicação orbitária, sobretudo em crianças
Fluxograma de tratamento das rinossinusites com complicação intracraniana
Fluxograma do livro. O primeiro quadro lista os 6 gatilhos de internação: cefaleia persistente, alteração do estado mental ou sinal neurológico focal, falha de tratamento prévio, tumor de Pott, celulite orbitária, febre persistente. Depois: cultura + ATB EV → TC de seios e crânio com contraste. Com coleção: RM de crânio → cirurgia sinusal → drenagem neurocirúrgica. Sem coleção: sinais meníngeos? Sim → punção lombar + cirurgia sinusal; não → reavaliar em 48 h e repetir TC se não melhorar. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.17.1.

Frequência em ordem decrescente (revisão europeia): empiema subdural > abscesso cerebral > meningite > empiema epidural > trombose de seio cavernoso. Definições do livro: empiema = pus dentro de cavidade natural ou virtual; abscesso = coleção parenquimatosa de pus em cavidade formada pela infecção.

Tabela 4.17.2 · Complicações intracranianas Rotinas · Tab. 4.17.2

ComplicaçãoSeio de origemClínicaPontos do livro
MeningiteEsfenoide, etmoide, frontalFebre alta, cefaleia, alteração do estado mental, sinais meníngeosGerme principal: S. pneumoniae. Diagnóstico pelo LCS; punção só sem sinal de HIC. Cefalosporina de 3ª geração + metronidazol EV. Sequelas comuns.
Empiema epiduralFrontalExpansão lenta; cefaleia, febre, dor e edema do couro cabeludoDura aderida ao osso. TC: coleção que não ultrapassa as suturas. S. aureus e Streptococcus. Drenagem neurocirúrgica + cirurgia endoscópica sinusal + ATB EV.
Empiema subduralFrontal, etmoideRapidamente progressivo; emergência neurocirúrgica; cefaleia, febre, rigidez de nuca, déficit, rebaixamento, choque sépticoA mais frequente. Punção lombar contraindicada (HIC). TC: crescente hipodenso que pode ultrapassar suturas. ATB EV 2–6 semanas + drenagem do empiema e dos seios. Mortalidade ~25%, morbidade 30%.
Abscesso cerebralFrontalFase assintomática → cefaleia, febre, déficit focal; lobo frontal: alteração de humor e comportamentoTromboflebite e implantação séptica na junção branca-cinzenta. RM: lesão cística com realce anelar. Diferencial: metástase e glioblastoma. Punção contraindicada. Ruptura geralmente fatal. ATB EV + drenagem dos seios.
Trombose de seio cavernosoEsfenoide, etmoide, frontal ou evolução de complicação orbitáriaQuemose, edema periorbitário, proptose, papiledema, ↓ acuidade, oftalmoplegia, febre alta9% das CICs. Via veias oftálmicas superior e inferior; olho contralateral em ~48 h pelo seio intercavernoso. Mortalidade ~30%, sequela em 50%. ATB em altas doses 3–4 semanas + drenagem dos seios.
Trombose do seio sagital superiorFrontalEstado geral muito comprometido, febre alta, sinais meníngeos, déficitsGeralmente associada a empiema subdural/epidural ou abscesso.
TC de crânio sem contraste com empiema subdural em crescente
Empiema subdural, TC sem contraste (A). Faixa hipodensa em crescente na convexidade à esquerda da imagem e o sistema ventricular desviado: efeito de massa de uma coleção que corre livre no espaço subdural. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.17.2A.
TC de crânio com contraste mostrando captação periférica do empiema subdural
Mesmo caso com contraste (B). A borda da coleção capta contraste (linha branca fina), marcando a membrana inflamatória. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.17.2B.
RM de abscesso cerebral frontal: T1 sem e com contraste, T2, sagital e coronal
Abscesso cerebral frontal na RM. (A) T1 sem contraste: área hipointensa frontal. (B) T1 com contraste: realce em anel. (C) T2: edema perilesional extenso (branco). (D e E) sagital e coronal com contraste: veja no coronal como o abscesso fica logo acima do teto da órbita e dos seios, o caminho da infecção. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.17.3.
Tumor de Pott (Pott's puffy tumor) Rotinas · cap. 4.17

Osteomielite do osso frontal com abscesso subperiosteal: a infecção do seio frontal (aguda ou crônica) acomete a tábua anterior e gera um edema mole e flutuante na testa (descrito por Percivall Pott, 1775). Germe principal: S. aureus. Mais em adolescentes e adultos jovens. Diagnóstico e planejamento por TC. Tratamento: antibiótico EV por no mínimo 6 semanas + desbridamento do osso + sinusectomia endoscópica para manter a drenagem pérvia. Pode vir com complicação intracraniana: é um dos gatilhos de internação do fluxograma.

Teoria versus prática

Na complicação orbitária, lembre da CIC pouco sintomática concomitante: exame neurológico completo e, conforme o caso, TC e RM de crânio. E no idoso com lesão anelar e edema perilesional, antes de fechar glioblastoma ou metástase, pense em abscesso de origem sinusal: nessa idade o abscesso costuma ser pouco sintomático.

?
Adolescente de 14 anos com sinusite frontal, febre, abaulamento mole na testa e cefaleia forte. Qual o nome e o que fazer?
Pense em:

Osso frontal + coleção subperiosteal. Por onde a infecção vai para dentro do crânio? Quantas semanas de ATB?

Resposta:

Tumor de Pott (osteomielite frontal com abscesso subperiosteal), com cefaleia forte sugerindo CIC associada (empiema epidural ou subdural, abscesso frontal) pelas veias diploicas. Fluxograma 4.17.1: internar, colher cultura, ATB EV (cobrir S. aureus, pneumococo e anaeróbios), TC de seios e crânio com contraste, RM se coleção, cirurgia sinusal + neurocirurgia. Para o Pott: ATB EV ≥ 6 semanas, desbridamento e sinusectomia endoscópica. Punção lombar não se houver empiema subdural ou abscesso.

12 / Números que caem

Decore estes.

Rotinas · caps. 4.1–4.17

Rinite alérgica 6–7 a (BR)
25,7%
prevalência
Rinite alérgica 13–14 a (BR)
29,6%
prevalência
RA em asmáticos
≥ 58%
associação
Um dos pais alérgico
> 80%
risco nos filhos (livro)
Início da RA
5–20 a
pico infância/adolescência
ARIA persistente
≥ 4 d/sem E ≥ 4 sem
intermitente: < 4 OU < 4
Prick-test leitura
20–30 min
Eosinófilos · neutrófilos
10–100 · 80–100%
citologia alérgica · infecciosa
Descongestionante tópico
≤ 5–7 dias
fluxo mucoso cai a 30–40% (α2)
Cromoglicato · imunoterapia
2–4 sem · ≥ 3 a
efeito pleno · duração mínima
Idiopática · RENA
40–60 a · 50%/30%
mulheres · asma/pólipos
Rinite gestacional
30–40%
≥ 6 sem finais · some em 2 sem
Idoso: alérgica × idiopática
12,4% × 44%
anérgico após 65 a
Resfriados/ano
2–4 · 6–8
adulto · criança · rinovírus ~50%
Tosse + febre (influenza)
VPP ~80%
resfriado: pico 3º d, dura 7–10 d
RSA prevalência
10–15%/ano
comum e cara
Evolui p/ bacteriana
~2% · 5–15%
adulto · criança
Recuperação mucociliar
10–30 dias
após IVAS viral
Viral · pós-viral
≤ 10 d · > 10 d
agudo: até 12 sem (EU) / 4 sem (Canadá)
RSAB
3 de 5
unilateral/cavum · dor unilateral · > 38 °C · VHS/PCR · recaída
Watchful waiting
< 38,3 °C
+ dor leve + reavaliação
NNT antibiótico
15
80% × 90% melhoram
Amoxicilina
45 / 90 mg/kg
habitual / dobrada · adulto 500 mg 3×/d 10 d
Falha
4 g/d amox-clav
ou levofloxacino
Reavaliação / falha
48–72 h / 7º d
RX · endoscopia · TC
48 · 78 · 75%
a partir de 20% pré-teste
Endoscopia
S 82,7 · E 94
VPP 93%
TC no resfriado
87% maxilar
70% infundíbulo · 70% etmoide · 39% frontal
Crônica
> 12 semanas
5–15% questionário · 2–4% diagnóstico médico
Fístula: glicose
≥ 30 mg/dL
padrão-ouro: β2-transferrina
Fístula espontânea
25% · 15%
recidiva · meningite (60% nas demais)
Órbita por RSA
≥ 75%
das complicações orbitárias
Ambulatorial orbitopalpebral
14 dias
amox-clav 8/8 h · reavaliar 24–48 h
Younis
≤ 20/60
drenar · ou sem melhora em 48 h
Subperiosteal sem cirurgia
< 1 mL
medial · < 4 anos · resposta 24–48 h
CIC mortalidade
4–10 · 10–20%
adulto · criança · sequelas 25%
Subdural · cavernoso
~25% · ~30%
mortalidade
Tumor de Pott
≥ 6 sem
ATB EV · S. aureus
13 / Pegadinhas de prova

Leia a negação.

Palavras absolutas e frases invertidas
  • "Rinite alérgica necessita de confirmação radiológica" → falso. Diagnóstico clínico (± prick/IgE específica).
  • "IgE total elevada confirma rinite alérgica" → falso, não auxilia.
  • "A etiologia mais comum da rinossinusite é bacteriana" → falso, é viral.
  • "Doença comum, porém associada a poucos gastos" → falso.
  • "Crônicas = infecciosas; agudas = inflamatórias" → invertido.
  • "Sintomas > 10 dias definem bacteriana" → falso: > 10 dias é pós-viral; bacteriana exige 3 dos 5.
  • "Secreção amarela/verde indica antibiótico" → falso (neutrófilos).
  • "Punção maxilar é imprescindível" → falso; padrão-ouro só em casos específicos.
  • "Raio X de seios confirma o diagnóstico/etiologia" → falso.
  • "Antibiótico precoce previne complicações" → sem evidência.
  • "Cefalosporinas e macrolídeos cobrem bem pneumococo e Haemophilus na falha" → falso.
  • "Corticoide sistêmico nunca deve ser usado na complicação" → falso (questionável, não proibido).
  • "Na complicação orbitária, pedir raio X de seios e cavum" → falso: TC com contraste de órbitas e seios (ou RM).
  • "Todo abscesso subperiosteal deve ser drenado de imediato" → falso: pequeno, medial, sem alteração visual e com resposta em 24–48 h pode ser clínico.
  • "Punção lombar no empiema subdural/abscesso cerebral" → contraindicada.
  • "Glicofita confirma fístula liquórica" → falso.
  • "Anti-histamínico é o tratamento mais eficaz da rinite alérgica" → falso, corticoide tópico.
  • "Imunoterapia é sintomática" → falso, é a única que altera a evolução natural.

Não confunda: Chandler × Velasco e Cruz

  • Chandler: 5 estágios, da pré-septal ao seio cavernoso
  • Velasco e Cruz: só 3 orbitárias (celulite, subperiosteal, orbitário)
  • Pré-septal é palpebral; cavernoso é intracraniano

Não confunda: TC × RM

  • RSA não complicada: nenhuma
  • Complicação orbitária: TC com contraste de órbitas e seios (ou RM)
  • RSC e pré-operatório: TC de seios (padrão-ouro)
  • SNC: TC de seios e crânio com contraste; RM se coleção
  • Fístula: TC de alta resolução + RM T2

Não confunda: germes

  • RSA: H. influenzae e pneumococo (+ raramente Moraxella, S. pyogenes)
  • Órbita: gram+ (S. aureus, strepto), gram− (Haemophilus), anaeróbios
  • SNC: S. aureus, pneumococo, anaeróbios; meningite = pneumococo; Pott = S. aureus
  • RSC agudizada: aeróbios + anaeróbios estritos
14 / Questões da prova antiga

O que já caiu.

Questões da prova antiga (S26) do seu tema, com gabarito resolvido pelo conhecimento e explicações conferidas no livro dos professores. Na Q18 o OCR perdeu a alternativa E, que foi reconstruída.

Prova antiga · Q13
Todas as alternativas a seguir apresentam elementos para diagnóstico da rinite alérgica, EXCETO:
Prova antiga · Q14
Menina de 10 anos é trazida ao pronto atendimento com 3 dias de febre, tosse, rinorreia amarelada, dor de garganta e mal-estar. A mãe está preocupada porque, há 2 meses, a filha foi tratada para sinusite com amoxicilina por 14 dias. Bom estado geral, febril (38 °C), hiperemia de orofaringe sem exsudato, rinorreia amarelada. Restante normal. A conduta deve ser:
Prova antiga · Q15
Sobre rinossinusite, está correto afirmar:I. É popularmente chamada de 'sinusite', mas a nomenclatura atual preconiza 'rinossinusite', pois processos inflamatórios dos seios paranasais também comprometem a mucosa nasal, onde, na maioria dos casos, se dá o começo do processo.II. Apesar de se tratar de uma doença comum, com prevalência estimada de 10–15% de casos ao ano, está associada a poucos gastos.III. Rinossinusite não é sinônimo de processo bacteriano, podendo haver também rinossinusites agudas virais e fúngicas, por exemplo. Sendo que a etiologia mais comum é por agentes bacterianos.
Prova antiga · Q16
Sobre a fisiopatologia das rinossinusites agudas, julgue V ou F:( ) O desenvolvimento de rinossinusites agudas está relacionado com três fatores locais principais: patência do óstio natural do seio, atividade mucociliar e quantidade/qualidade das secreções nasais.( ) A unidade mucociliar é formada pelo epitélio respiratório pseudoestratificado ciliado com células caliciformes e glândulas submucosas.( ) As rinossinusites crônicas guardam relação significativa com agentes infecciosos, enquanto os processos agudos têm fisiopatologia por alterações das respostas inflamatórias.( ) Os processos virais levam a alterações da unidade mucociliar diretamente ou pela resposta inflamatória, modificações que podem levar de 10–30 dias para completa resolução.
Prova antiga · Q17 (reconstruída do OCR)
João, 10 anos, com obstrução nasal, descarga nasal amarelada principalmente à direita, forte pressão facial e tosse. Os sintomas iniciaram há 12 dias, mas pioraram a partir do 6º dia. Temperatura axilar 38,8 °C. Rinoscopia: secreção amarelada à direita, mucosa hiperemiada e edemaciada; drenagem de secreção na orofaringe. Endoscopia nasal: secreção purulenta drenando do meato médio à direita. Nega betalactâmico nos últimos 3 meses e comorbidades. Está correto afirmar:
Prova antiga · Q18 (alternativa E reconstruída)
Ainda sobre João: retorna 5 dias depois, com pouca melhora, dor no olho direito e vermelhidão. Ao exame, à direita: edema palpebral, quemose e proptose com deslocamento do globo. Quais condutas são adequadas?I. Está indicada a hospitalização e a avaliação otorrinolaringológica e oftalmológica.II. Se optar pela coleta de secreções para definição etiológica e antibiograma, deve ser realizada antes do início da terapia antimicrobiana; caso contrário, administrar antibióticos de largo espectro e com boa penetração no SNC.III. Corticoide oral nunca deve ser utilizado pelo risco de imunossupressão diante de quadro infeccioso.IV. Como exame de imagem, está indicado o raio X dos seios da face e de cavum.V. Como exame de imagem, está indicada a TC contrastada das órbitas e seios paranasais, também útil em caso de indicação cirúrgica; ressonância magnética se suspeita de complicação no SNC.
Prova antiga · Q29
Pré-escolar de 4 anos com 5 dias de tosse, secreção e obstrução nasal, com leve melhora. Hoje iniciou febre e queda do estado geral. Exame: eufônico, hiperemia de faringe com drenagem posterior de secreção; vestíbulo nasal com crostas amareladas. O diagnóstico de rinossinusite é confirmado por:
15 / Quiz inédito

Teste seu raciocínio.

Questões novas no estilo da prova: assertivas, V/F, INCORRETA e vinhetas de conduta — todas com números e frases do livro dos professores.

Sobre o diagnóstico da rinossinusite aguda, analise:I. O raio X de seios da face deve ser solicitado para diferenciar rinossinusite viral de bacteriana.II. Febre acima de 38 °C, dor intensa unilateral e piora após melhora inicial são sinais que sugerem etiologia bacteriana.III. A TC de seios paranasais é reservada principalmente para suspeita de complicações, doença crônica e planejamento cirúrgico.
Assinale a sequência correta dos estágios da classificação de Chandler para complicações orbitárias:
Sobre a rinite alérgica, assinale a alternativa INCORRETA:
Mulher, 34 anos, previamente hígida, com congestão nasal, rinorreia e dor facial bilateral leve há 4 dias. Temperatura 37,6 °C. Refere secreção esverdeada desde ontem e pede antibiótico. Sem alterações oculares ou neurológicas. Melhor conduta:
Menino de 5 anos com resfriado há 6 dias evolui com edema e eritema da pálpebra superior esquerda. Ao exame, abre o olho, sem proptose, sem quemose, motilidade ocular preservada e indolor, acuidade visual normal. Afebril, bom estado geral. Sobre o caso, é correto:
Sobre a rinossinusite crônica, julgue V ou F:( ) Define-se por sintomas persistentes por 12 semanas ou mais.( ) O antibiótico prolongado é o pilar do tratamento, dada a natureza predominantemente infecciosa da doença.( ) A forma com pólipos associa-se a resposta Th2, eosinofilia, asma e intolerância ao ácido acetilsalicílico.( ) A TC de seios paranasais é o exame de imagem padrão-ouro para estadiamento e planejamento cirúrgico.
Adolescente de 15 anos, tratado ambulatorialmente para sinusite frontal há 1 semana, chega com febre, cefaleia intensa, vômitos e abaulamento amolecido e doloroso na região frontal. Sem alterações oculares. A hipótese e a conduta mais adequadas são:
Rotinas · assertivas
Sobre os exames complementares na rinossinusite aguda, considerando uma probabilidade pré-teste clínica de 20%, analise:I. A radiografia simples de seios paranasais tem sensibilidade de 76% e especificidade de 79%, elevando a certeza diagnóstica de 20 para cerca de 48%.II. A endoscopia nasal apresenta sensibilidade de 82,7%, especificidade de 94% e valor preditivo positivo de 93%, elevando a possibilidade diagnóstica de 20 para 78%.III. A tomografia computadorizada com três cortes coronais eleva o diagnóstico presuntivo de 20 para 75%, e sua especificidade se refere à rinossinusite bacteriana.
Rotinas · INCORRETA
Segundo o capítulo de rinossinusite aguda de Rotinas em Otorrinolaringologia, a rinossinusite aguda bacteriana deve ser considerada na presença de três dos sinais e sintomas listados. Assinale a alternativa que NÃO é um desses critérios:
Rotinas · vinheta de conduta
Homem de 40 anos, hígido, com RSA bacteriana, iniciou amoxicilina 500 mg 8/8 h. No 7º dia mantém exatamente os mesmos sintomas, sem nenhuma melhora gradual, sem sinais oculares ou neurológicos. Conforme o livro, a conduta mais adequada é:
Rotinas · vinheta orbitária
Menina de 3 anos com etmoidite evolui com edema orbitopalpebral à esquerda. A TC com contraste mostra abscesso subperiosteal medial de cerca de 0,5 mL. Acuidade visual e reflexo pupilar normais, motricidade preservada, bom estado geral. Iniciou antibiótico endovenoso, com melhora clara em 36 horas. Segundo o capítulo de complicações orbitárias, a conduta é:
Rotinas · V ou F
Sobre as complicações intracranianas das rinossinusites, julgue V ou F:( ) O empiema subdural é descrito como a complicação intracraniana mais frequente e a punção lombar é contraindicada pelo aumento da pressão intracraniana.( ) O empiema epidural tem expansão lenta e, na tomografia, a coleção não ultrapassa as linhas de sutura.( ) A via de disseminação mais frequente é a tromboflebite retrógrada pelas veias diploicas avalvuladas.( ) Na trombose do seio cavernoso, o olho contralateral costuma ser acometido em cerca de 48 horas, e a mortalidade gira em torno de 30%.
Rotinas · vinheta diagnóstica
Mulher de 43 anos, obesa, sem trauma, com rinorreia clara unilateral à direita há 3 meses, que piora ao inclinar a cabeça, e um episódio prévio de meningite pneumocócica. Qual a melhor sequência diagnóstica, segundo o livro?
16 / Revisão relâmpago

Recordação ativa.

Para rodar na véspera: responda em voz alta antes de tocar.

?
Quais os 3 fatores locais da RSA?
Resposta:

Patência do óstio natural, função mucociliar, quantidade/qualidade da secreção. O livro resume em dois equilíbrios: unidade mucociliar e ventilação.

?
Quais seios drenam no meato médio?
Resposta:

Maxilar, frontal e etmoide anterior (complexo ostiomeatal).

?
Tétrade da rinite alérgica?
Resposta:

Prurido, espirros em salva, rinorreia hialina, obstrução nasal. Mediada por IgE.

?
Rinite alérgica precisa de imagem?
Resposta:

Não. Diagnóstico clínico ± prick-test/IgE específica.

?
Melhor monoterapia da rinite alérgica?
Resposta:

Corticoide tópico nasal.

?
Única terapia que muda a história natural da RA?
Resposta:

Imunoterapia alérgeno-específica.

?
Forma mais comum de rinite não alérgica?
Resposta:

Idiopática (ex-vasomotora).

?
Critério clínico de rinossinusite?
Resposta:

≥ 2 sintomas, 1 obrigatório: obstrução/congestão ou rinorreia; ± dor facial, ± olfato.

?
Viral × pós-viral pelo tempo?
Resposta:

Livro: viral até 10 dias; pós-viral > 10 dias. Agudo até 12 semanas (Europa) ou 4 semanas (Canadá).

?
Quais são os 5 critérios de RSA bacteriana?
Resposta:

Secreção unilateral ou purulenta no cavum · dor intensa unilateral · febre > 38 °C · VHS/PCR elevados · recaída. Precisa de 3 dos 5.

?
Raio X de seios serve para RSA?
Resposta:

Não: leva a certeza de 20 para só 48%. Endoscopia vai a 78% (VPP 93%). TC só se complicação, crônica ou cirurgia.

?
ATB de 1ª escolha na RSA bacteriana?
Resposta:

Amoxicilina 45 mg/kg/dia (adulto 500 mg 3×/dia, 10 dias); dose dobrada ± clavulanato se fator de risco (< 2/> 65 anos, ATB em 3 meses, imunossupressão, creche, institucionalizado, frontal/esfenoidal, > 4 semanas, falha).

?
Rinossinusite crônica: tempo e pilar do tratamento?
Resposta:

Mais de 12 semanas; irrigação salina + corticoide tópico (inflamação > infecção); corticoide oral na polipose.

?
Chandler em ordem?
Resposta:

Pré-septal → celulite orbitária → abscesso subperiosteal → abscesso orbitário → trombose do seio cavernoso.

?
Conduta na complicação orbitária pós-septal?
Resposta:

TC com contraste de órbitas e seios, exame oftalmológico completo, internação com ATB EV cobrindo gram+, gram− e anaeróbios, avaliar 2×/dia; cirurgia se abscesso orbitário, acuidade ≤ 20/60, piora ou ausência de melhora em 48 h.

?
O que é Pott's puffy tumor?
Resposta:

Osteomielite do osso frontal com abscesso subperiosteal (abaulamento mole na testa), S. aureus, adolescente; ATB EV ≥ 6 semanas + desbridamento + sinusectomia; buscar complicação intracraniana.

?
Rinite medicamentosa: os 4 passos do tratamento?
Resposta:

Tratar a causa que levou ao uso · suspender o vasoconstritor tópico · corticoide tópico ou sistêmico (± descongestionante sistêmico) · cirurgia se alteração anatômica permanente.

?
Rinorreia clara unilateral: como provar que é liquor?
Resposta:

Glicose ≥ 30 mg/dL no líquido nasal; padrão-ouro é a β2-transferrina (ou β-traço-proteína). Glicofita não serve. Topodiagnóstico: TC de alta resolução + RM T2 (acurácia 96%).

?
Complicação intracraniana mais frequente e a que não se pode puncionar?
Resposta:

Empiema subdural (frontal/etmoide), rapidamente progressivo, crescente na TC que ultrapassa suturas; punção lombar contraindicada, como no abscesso cerebral. Mortalidade ~25%.

17 / Take-home

Pontos essenciais.

1

Unidade mucociliar

Rinossinusite nasce do desequilíbrio entre função mucociliar e ventilação: óstio fechado, cílio destruído, muco espesso. Começa no nariz (exceto a odontogênica) e leva 10–30 dias para se recuperar.

2

Rinite alérgica é clínica

Prurido, espirros, rinorreia clara e obstrução, via IgE. Sem imagem, sem IgE total. Corticoide tópico é o padrão-ouro; imunoterapia (≥ 3 anos) é a única que altera a evolução natural.

3

Rinite sem IgE existe

Idiopática é a mais comum das não alérgicas (e 44% no idoso). Vasoconstritor tópico por mais de 7 dias = rinite medicamentosa. Unilateral nunca é "rinite": pense em tumor, corpo estranho ou fístula.

4

Resfriado é viral

Até 10 dias: sintomático, lavagem, AINE. Secreção verde é neutrófilo. Antibiótico no resfriado: SORT A contra. Mais de 10 dias sem critérios = pós-viral, ainda sem antibiótico.

5

Bacteriana = 3 de 5

Secreção unilateral/purulenta no cavum, dor intensa unilateral, febre > 38 °C, VHS/PCR ↑, recaída. Amoxicilina 45 mg/kg/dia; dose dobrada ± clavulanato nos fatores de risco. Nada de raio X.

6

Crônica é inflamação

Mais de 12 semanas, com ou sem pólipos (Th1/fibrose × Th2-Th17/edema). Irrigação + corticoide tópico; oral na polipose; TC para estadiar e operar; antibiótico só na agudização.

7

Olho: TC com contraste

75% das complicações orbitárias vêm de RSA. Exame oftalmológico completo + TC com contraste de órbitas e seios; ATB EV cobrindo gram+, gram− e anaeróbios; cirurgia por visão, abscesso orbitário ou falha em 48 h.

8

Cabeça: pense em SNC

Cefaleia persistente, febre persistente, alteração mental, déficit focal, tumor de Pott ou celulite orbitária = internar, cultura, ATB EV e TC de seios e crânio com contraste; RM se coleção. Empiema subdural é o mais frequente.