Obstrução das vias aéreas em crianças — por que o lactente obstrui com 1 mm de edema, como localizar a lesão pelo estridor, as anomalias congênitas e as emergências que não perdoam (crupe, epiglotite, traqueíte, corpo estranho).
O resumo da aula é curto e focado em anomalias congênitas. A prova, porém, costuma cobrar raciocínio clínico de emergência. Esta nota parte da anatomia porque tudo no tema deriva de três fatos: a via aérea infantil é estreita, alta e com cartilagens moles.
| Estrutura | Lactente | Adulto | Consequência clínica |
|---|---|---|---|
| Posição da laringe Rotinas · 6.14 | Alta: cricoide na altura de C4; a epiglote toca o palato | Cricoide entre C6 e C7 | Epiglote em contato com o palato explica a respiração nasal exclusiva nos primeiros 6 meses e a capacidade de mamar e respirar ao mesmo tempo; intubação mais difícil |
| Epiglote | Longa, estreita, em ômega, flácida | Plana, firme | Colapsa para dentro na inspiração (base da laringomalácia) |
| Ponto mais estreito | Subglote (anel da cricoide) | Glote | A cricoide é o único anel cartilaginoso completo: não expande. Edema da mucosa frouxa subglótica reduz a luz para dentro |
| Diâmetro subglótico Rotinas · 6.14 | 5 a 7 mm no RN; ≤ 4 mm = estenose (na prática, um tubo 3,5 deve passar sem dificuldade) | ~15 mm | Mucosa do RN mais frouxa e menos fibrosa → edema e obstrução fáceis durante a manipulação |
| Cartilagens | Imaturas, complacentes | Rígidas (calcificam com a idade) | Malácias (laringo/traqueo/broncomalácia): colapso dinâmico |
| Língua, occipício, tonsilas | Língua grande; occipício proeminente; tecido linfoide em crescimento | Proporcionais | Flexão cervical passiva em decúbito; roncos/estertor por hipertrofia adenotonsilar |
| Reserva respiratória | Consumo de O₂ alto, CRF baixa, musculatura fatigável | Maior | Descompensa rápido: agitação → exaustão → parada |

| Característica | Lactente | Adulto |
|---|---|---|
| Posição da cricoide | 4ª vértebra cervical | 7ª vértebra cervical |
| Posição do hioide | Sobre a cartilagem tireoide | Acima da cartilagem tireoide |
| Processo vocal da aritenoide | 1/2 da glote | 1/4 a 1/7 da glote |
| Cuneiformes | Proeminentes | Pouco visíveis |
| Epiglote | Posterior e tubular (tende ao ômega) | Verticalizada |
| Tecido submucoso supraglótico | Frouxo | Aderido |
Ao nascer, a laringe tem cerca de um terço do tamanho adulto; aritenoides e cuneiformes são relativamente maiores, as pregas ariepiglóticas são redundantes e o ângulo entre epiglote e glote é mais agudo, o que predispõe a obstrução mais rápida. Rotinas · 6.14


A resistência ao fluxo num tubo é inversamente proporcional à quarta potência do raio (fluxo laminar). Em fluxo turbulento (criança chorando, agitada) a dependência piora para ~r⁵.
Por isso acalmar a criança é tratamento: choro transforma fluxo laminar em turbulento e multiplica a resistência. Brinque com a calculadora abaixo.
Onde fica o edema do vírus parainfluenza, qual o diâmetro dessa região e qual é a potência do raio na fórmula.
Subglote estreita + anel cricoide rígido + Poiseuille. O edema da laringotraqueíte se instala na mucosa frouxa subglótica, que não tem para onde expandir. Na criança com ~4–5 mm, 1 mm de edema reduz o raio pela metade → resistência ×16 (×32 se chorar). No adulto, com ~15 mm, o mesmo edema aumenta a resistência menos de 2× (~1,8×): ele sente rouquidão, não obstrução.
Regime de fluxo, pressão negativa inspiratória e colapso de estruturas moles.
Choro aumenta o fluxo e a turbulência (R ∝ 1/r⁵) e gera pressão intraluminal mais negativa na inspiração, que colapsa a via aérea extratorácica mole (supraglote). Numa luz já crítica (epiglotite, crupe grave), isso pode converter obstrução parcial em total. Por isso: criança no colo dos pais, O₂ sem máscara forçada, sem abaixador de língua, sem punção antes de a via aérea estar segura.
| Ruído | Frequência | Localização provável | Piora |
|---|---|---|---|
| Ronco / estertor | Baixa (grave); principalmente inspiratório | Nariz, faringe (na criança, sobretudo hiperplasia adenotonsilar) | Sono (relaxamento muscular faríngeo) |
| Estridor | Alta (agudo, "piante") | Laringe, traqueia | Vigília, agitação, choro, exercício. Exceção do livro: a papilomatose laríngea piora durante o sono Rotinas · 6.14 |
| Sibilo Fora do resumo | Alta, musical, expiratório | Brônquios / vias intratorácicas | Asma, bronquiolite, CE brônquico |
O livro adapta de Zwartenkot e colaboradores duas perguntas simples. Lembre que estridor é sintoma, não diagnóstico: é o som da turbulência do ar num local parcialmente obstruído.
| Dado | O que sugere |
|---|---|
| Estridor já presente ao nascimento | Obstrução fixa: membrana laríngea, estenose subglótica congênita |
| Prematuro obstruído sem estridor | Não gera pressão negativa suficiente para vibrar os tecidos (musculatura fraca): ausência de ruído não exclui obstrução |
| Quadro instantâneo ou agudamente progressivo | Infecção ou corpo estranho |
| "Laringites" graves e recidivantes na emergência | Podem esconder estenose subglótica e/ou refluxo gastresofágico |
| Progressão lenta, com gravidade crescente | Papilomatose laríngea e hemangioma subglótico |
| Dificuldade alimentar, aspiração, baixo ganho de peso | Necessidade de intervenção |
| Cianose respiratória; dificuldade que persiste e atrapalha o sono | Sempre gravidade (diferenciar da cianose cardiovascular, que independe do esforço) |
| Imagem prévia com malformação pulmonar, cardíaca ou de grandes vasos | Pronta avaliação sob anestesia geral |
O livro lembra que "estridor raramente é emergência": tranquilizar os pais ajuda a colher a história, e a impressão deles sobre a gravidade deve ser levada em conta.
Toque na fase do ruído para ver onde está a lesão e o porquê fisiológico.
Idade de início (ao nascer? semanas? súbito?), fase do ruído, relação com choro/decúbito/mamada/sono, febre, engasgo, intubação prévia, hemangioma cutâneo, cirurgia cardíaca, ganho de peso.
Avalia a dinâmica (laringomalácia, mobilidade das pregas vocais). Para o livro, é suficiente e segura na maioria das crianças com estridor de característica extratorácica sem sinais de gravidade (tipicamente laringomalácia leve de consultório/ambulatório). Rotinas · 6.14
Quando os achados do consultório não explicam a gravidade, há suspeita de lesão intratorácica ou a criança vem de enfermaria/UTI com comorbidades. Motivo: lesão sincrônica em ~40% dos casos, que pode passar despercebida. Também é onde se gradua estenose subglótica, se palpa a região interaritenóidea (fendas) e se retira corpo estranho. Rotinas · 6.14
RX cervical AP/perfil (sinal da torre, do polegar, partes moles pré-vertebrais); TC/angio-RM (anéis vasculares, extensão de hemangioma — RM com gadolínio); videodeglutograma (aspiração); investigação de refluxo. parte fora
Anomalias congênitas da laringe colocam a criança em risco de via aérea instável; o manejo depende de diagnóstico precoce, avaliação precisa e tratamento adequado Resumo.
Em lactentes, as principais causas de estridor são laríngeas. Somando anomalias congênitas, trauma interno da laringe e infecções, cerca de 70% das causas de estridor em menores de 30 meses são de terreno otorrinolaringológico. Em emergência pediátrica predominam infecções e corpo estranho; em serviço terciário de ORL pediátrica, as malformações congênitas:
| Causa de estridor (< 30 meses) | Lubianca (n = 125) | Holinger (n = 219) |
|---|---|---|
| 1º Laringomalácia | 58% | 60% |
| 2º Estenose subglótica | 19% | 20% |
| 3º Paralisia de pregas vocais | 12% | 13% |
| Outras | 11% | 7% |
Toque em cada card para expandir.
Anomalia congênita mais comum da laringe e principal causa de estridor não infeccioso na infância. Colapso das estruturas supraglóticas na inspiração. Rotinas · 6.14
3ª anomalia congênita mais comum da laringe (12–13% dos estridores nas séries do livro, atrás de laringomalácia e estenose subglótica). Uni ou bilateral. Rotinas · 6.14
2ª causa de estridor no lactente (19–20%). Congênita: luz < 4 mm na cricoide no RN a termo e < 3 mm no prematuro. Adquirida: pós-intubação. Tema completo na seção 04. Rotinas · 6.15
Hemangiomas são os tumores mais comuns da infância; os subglóticos são relativamente raros. Meninas 2–3:1. Cerca de 50% têm hemangioma cutâneo de cabeça e pescoço. Rotinas · 6.14
Tumor benigno mais frequente da laringe na criança, com alta morbidade pelo número de intervenções e traqueostomias. HPV 6 e 11. Exceção à regra do sono: piora a respiração dormindo. Rotinas · 6.14
Falha de recanalização glótica. 95% anteriores. Associadas à síndrome 22q11.2.
Divertículos mucosos do sáculo laríngeo: obstrução, choro abafado e disfagia.
Defeito na fusão do sulco laringotraqueal. Sintoma dominante: aspiração.


| Comorbidade | Frequência na laringomalácia | Por que importa |
|---|---|---|
| Refluxo gastroesofágico | 65 a 100% | Ciclo vicioso: obstrução → pressão negativa intratorácica → refluxo → edema supraglótico → mais colapso. Consenso: tratar RGE em todos com sintomas alimentares (cabeceira elevada, mamadeira antiaerofagia, IBP ou bloqueador H2 + pró-cinético; fundoplicatura em casos selecionados) |
| Doença neurológica | 20 a 45% | Epilepsia, hipotonia, atraso, paralisia cerebral, Chiari. Precisam de cirurgia com mais frequência; alguns não resolvem com supraglotoplastia e vão para traqueostomia |
| Lesão sincrônica de via aérea | 7,5 a 64% | Mais comum: traqueomalácia, seguida de estenose subglótica. Doença leve/moderada + outra lesão = 4,8 vezes mais chance de cirurgia |
| Cardiopatia congênita | ~10% | Doença mais grave; até 34% precisam de cirurgia |
| Síndromes/anomalias congênitas | 8 a 20% (até 40% nos graves operados) | Menor sucesso cirúrgico. Com micrognatia (CHARGE, Pierre Robin): a base da língua empurra a epiglote para trás e a supraglotoplastia isolada não corrige → às vezes traqueostomia até crescer ou distração mandibular |
A decisão é individualizada, considerando a saúde geral e o desenvolvimento. Polissonografia não é rotina na avaliação inicial; pode ser usada nos graves.
| Alteração vista na endoscopia | Cirurgia (livro) | Tipo na classificação de Olney Fora do livro |
|---|---|---|
| Prolapso/redundância de tecido posterior (mucosa sobre aritenoides e cuneiformes) | Ressecção desse tecido, geralmente associada à secção das ariepiglóticas | Tipo 1 |
| Pregas ariepiglóticas curtas | Simples secção das ariepiglóticas, uni ou bilateral (no serviço dos autores, bilateral de rotina) | Tipo 2 |
| Retroprojeção da epiglote obstruindo a supraglote | Glossoepiglotopexia (tratamento de escolha) | Tipo 3 |





| Entidade | Nível | Estridor | Pista-chave | Diagnóstico | Tratamento |
|---|---|---|---|---|---|
| Laringomalácia | Supraglote | Inspiratório | Piora mamando/chorando/supino; choro normal | Laringoscopia flexível | Conservador; supraglotoplastia ~10% (sucesso ~94%) |
| Paralisia bilateral | Glote | Insp./bifásico | Arnold-Chiari/hidrocefalia; insuficiência respiratória aguda | Fibrolaringoscopia em respiração espontânea + imagem de SNC, tórax e abdome | Intubação/TQT; definitivo só após ≥ 12 meses |
| Paralisia unilateral | Glote | Leve/ausente | Choro rouco/fraco, aspiração; trauma de parto, cirurgia cardíaca/torácica | Laringoscopia flexível | Em geral sem tratamento específico |
| ESG | Subglote | Bifásico | Intubação prévia; crupe recorrente | Endoscopia rígida (Myer-Cotton) | Dilatação ↔ reconstrução c/ costela |
| Hemangioma subglótico | Subglote | Bifásico | Hemangioma "em barba"; piora nos 1ºs meses | Endoscopia (lesão assimétrica, compressível); TC; biópsia desnecessária | Corticoide sistêmico ou propranolol; laser CO₂; TQT se obstrução aguda |
| Membrana | Glote anterior | Bifásico | Obstrução + disfunção vocal ao nascer; 22q11 | Fibrolaringoscopia + laringoscopia direta sob AG | Conforme extensão; stent de Keel; ~40% TQT |
| Cisto sacular | Supraglote | Inspiratório | Choro abafado, disfagia | Laringoscopia acordado | Excisão cervical anterior |
| Fenda posterior | Interaritenóidea → | Variável | Aspiração, pneumonias | Endoscopia rígida | Endoscópico / aberto |
| Papilomatose | Glote | Progressivo | Disfonia progressiva, "asma" que não melhora | Laringoscopia + biópsia | Excisões repetidas |
Fase do estridor (qual nível?), relação com posição e alimentação, e o que define gravidade.
Laringomalácia, confirmada por laringoscopia flexível (epiglote em ômega, ariepiglóticas curtas). Como ganha peso e não tem apneia/cianose: observação e orientação — tende a piorar até o pico (6ª–8ª semana) e resolver entre 18 e 24 meses; tratar refluxo se houver sintomas alimentares (Rotinas). Sinais de retorno imediato: dificuldade de mamar/perda de peso, pausas respiratórias, cianose, retrações importantes (indicariam supraglotoplastia).
O quadro é típico de hemangioma subglótico. O livro diz que a biópsia não costuma ser necessária e pode provocar sangramento de grau variável, numa luz de poucos milímetros. O diagnóstico é endoscópico (tumor assimétrico, compressível, liso, avermelhado ou vinhoso), a extensão é vista na TC de pescoço e tórax (o resumo cita RM), e o tratamento inicial é clínico: corticoide sistêmico ou propranolol.
Papilomatose respiratória recorrente (HPV 6/11). Disfonia progressiva numa criança sempre exige visualização da laringe (nasofibrolaringoscopia). O "chiado" é estridor por obstrução glótica. Tratamento: excisões endoscópicas repetidas; evitar traqueostomia.
Esta seção segue o capítulo 6.15 Estenose de laringe, de Cláudia Schweiger (a professora da aula) e Denise Manica. A frase de abertura do capítulo resume a ênfase: a estenose de laringe pode se apresentar como situação ameaçadora à vida ou se transformar nela por manejo inadequado. Rotinas · cap. 6.15
Na criança a subglote é especialmente vulnerável porque é cercada de cartilagem em 360 graus (a cricoide): o edema e a cicatriz só têm para onde crescer, para dentro da luz.
O tubo em contato com a mucosa causa abrasão, que pode lesar a membrana basal e o tecido conectivo.
Quando a pressão do tubo supera a pressão de perfusão capilar da mucosa (18–25 mmHg na criança). Tubo grosso ou cuff hiperinsuflado fazem exatamente isso.
Atingem o pericôndrio: pericondrite e condrite, com tecido de granulação.
O tecido cicatricial estreita a luz em maior ou menor grau: estenose de laringe. Ainda não se sabe por que alguns cicatrizam com epitelização e outros com fibrose.

| Grau | Obstrução da luz | Conduta resumida (Quadro 6.15.2, ESG isolada) |
|---|---|---|
| I | 0 a 50% | Observação ou incisões radiais com laser de CO₂ + dilatação; a maioria não precisa de tratamento |
| II | 51 a 70% | Endoscópico ou reconstrução laringotraqueal em tempo único com enxerto anterior; muitas não precisam de tratamento |
| III | 71 a 99% | Ressecção cricotraqueal parcial em tempo único ou RLT em dois tempos + stent |
| IV | Sem luz detectável | Idem grau III |


| Tipo | Descrição | Articulações cricoaritenóideas |
|---|---|---|
| I | Banda (sinéquia) interaritenóidea, com comissura posterior normal (fica um túnel posterior abaixo da banda) | Normais |
| II | Cicatriz na região interaritenóidea e na comissura posterior | Mobilidade normal |
| III | Cicatriz na comissura posterior | Uma articulação comprometida (fixa) |
| IV | Cicatriz na comissura posterior | Ambas comprometidas (fixas) |

Antes de operar: avaliação pulmonar, de refluxo gastresofágico e de risco de aspiração é fundamental para o sucesso. Não existe tratamento ideal para todos; cada caso é individualizado, e muitas vezes é preciso combinar técnicas endoscópicas e abertas. A maioria das ESG grau I e muitas grau II não exigem tratamento.



Monnier acrescentou à classificação os dois piores indicadores prognósticos depois da cirurgia: comorbidades e envolvimento glótico.
| Myer-Cotton | ESG isolada | ESG + comorbidades | ESG + envolvimento glótico | ESG + comorbidades + glote |
|---|---|---|---|---|
| I (≤ 50%) | Incisões radiais com laser de CO₂ + dilatação ou observação | |||
| II (51–70%) | TE ou RLT-TU (EA) | TE ou RLT-DT (EA) | RLT-TU ou RCTP-TU ou RLT-DT + stent (EA ou EP) | RLT-DT + stent (EA e/ou RCTP-DT) |
| III (71–99%) e IV (sem luz) | RCTP-TU ou RLT-DT + stent | RCTP-DT ou RLT-DT + stent | RCTP-DT estendida + stent ou RLT-DT com stent prolongado | |
TE, tratamento endoscópico · RLT, reconstrução laringotraqueal · RCTP, ressecção cricotraqueal parcial · TU, tempo único · DT, dois tempos (com traqueostomia mantida) · EA/EP, enxerto anterior/posterior. Como ler: quanto maior o grau e quanto mais "piores indicadores" (comorbidade, glote), mais a conduta migra de endoscópica para aberta, de tempo único para dois tempos e de enxerto para ressecção.
A glote produz a voz e protege a via aérea inferior, então todo procedimento que alarga a glote posterior pode custar aspiração e disfonia intensa: é preciso equilibrar respiração, voz e deglutição. Procedimentos mais usados: aritenoidectomia parcial uni ou bilateral, cordopexia, cordotomia e enxerto de cartilagem posterior. O manejo deve ocorrer só em centros com equipe multidisciplinar e material adequado. Rotinas · cap. 6.15
| Complicação frequente | Prevenção | Na emergência |
|---|---|---|
| Deslocamento da cânula | Maturação do estoma, suturas de ancoragem | Reinserir; tubo endotraqueal pelo estoma |
| Obstrução da cânula | Aspiração periódica e troca da cânula | Aspirar/trocar; cânula mais longa ou TOT pelo estoma contorna a obstrução |
| Traqueo/broncomalácia | — | Pressão positiva ajuda; broncoscopia flexível avalia |
O resumo não aborda as causas agudas, mas elas são o núcleo prático do tema (e o que mais vira vinheta de conduta). O livro trata do assunto de forma curta, no fim do capítulo 6.14 ("corpos estranhos" e "causas infecciosas de estridor") — o que ele diz está marcado com o selo dourado; o restante é complemento de ORL pediátrica consolidada. Fora do resumo
Tosse ladrante + rouquidão + estridor inspiratório após pródromo de resfriado. Criança em bom estado.
Criança toxemiada, febre alta de início abrupto, salivando, em posição do tripé, voz abafada, sem tosse.
Pródromo de crupe viral → piora súbita com febre alta, toxemia e secreção traqueal purulenta espessa. Não responde à adrenalina.
Engasgo súbito (síndrome de penetração) enquanto comia/brincava, seguido de tosse, sibilância ou estridor. Pico 1–3 anos.
Febre + torcicolo/limitação da extensão cervical + disfagia/sialorreia após IVAS, em menor de 5 anos.
O diagnóstico dessas doenças é clínico. A radiografia só entra se a criança estiver estável, e nunca deve atrasar a abordagem da via aérea. Mesmo assim, os sinais abaixo são clássicos de prova.





| Critério | Crupe viral | Epiglotite | Traqueíte bacteriana | Corpo estranho | Abscesso retrofaríngeo |
|---|---|---|---|---|---|
| Idade | 6 m–6 a (pico 2 a) | 2–7 a (clássico) | 3–8 a | 1–3 a | < 5 a |
| Agente | Parainfluenza | H. influenzae b | S. aureus | Amendoim, grãos, brinquedos | Estrepto, estafilo, anaeróbios |
| Início | Gradual, pródromo viral 1–2 d | Abrupto, horas | Crupe → piora súbita | Súbito, engasgo | Dias, pós-IVAS |
| Febre / estado | Baixa · bom estado | Alta · toxemiada | Alta · toxemiada | Ausente · variável | Alta · prostrada |
| Tosse | Ladrante | Ausente | Presente, produtiva | Súbita, paroxística | Ausente/leve |
| Voz | Rouca | Abafada | Rouca | Disfonia se laríngeo | Abafada |
| Sialorreia / postura | Não · deita | Sim · tripé, não deita | Não · pode deitar | Não | Sim · torcicolo, hiperextensão |
| Estridor | Inspiratório (bifásico se grave) | Inspiratório, baixo (tardio) | Bifásico | Bifásico (laringe/traqueia) ou sibilo (brônquio) | Pouco comum |
| RX | AP: sinal da torre | Perfil: sinal do polegar | Margens traqueais irregulares | Normal ou aprisionamento aéreo | Pré-vertebral alargado |
| Adrenalina nebulizada | Responde | Não é o tratamento | Não responde | Não | Não |
| Conduta-chave | Dexametasona ± adrenalina neb. | Via aérea no CC + ceftriaxona | Broncoscopia + intubação + ATB | Broncoscopia rígida | TC contraste + ATB EV ± drenagem |
O que a epiglote inflamada impede e o que a subglote inflamada produz.
Tosse ladrante e capacidade de deglutir. Crupe = tosse ladrante, deglute, bom estado. Epiglotite = sem tosse, não deglute (saliva escorre), toxemia, tripé. Febre alta + sialorreia + ausência de tosse tem alto valor para epiglotite.
Não. O efeito da adrenalina dura ~2 h e pode haver rebote. Deve ter recebido dexametasona (que começa a agir em ~2–6 h) e ficar em observação por 2–4 h; alta só sem estridor em repouso, sem retrações, SpO₂ normal, boa aceitação oral e família confiável.
Toque em cada passo. A ordem importa: primeiro estabilidade, depois toxemia/sialorreia, depois engasgo, por fim crupe e sua gravidade. Fora do resumo
Por quê: a via aérea extratorácica (supraglote) colapsa na inspiração. Ruído expiratório indica lesão intratorácica (traqueia torácica, brônquios).
Extratorácica fecha ao puxar o ar; intratorácica fecha ao soltar.
Por quê: I e III estão no resumo e no livro. II usa a pegadinha "a grande maioria": só ~10% precisam de supraglotoplastia, e a resolução espontânea ocorre entre 18 e 24 meses (Rotinas, cap. 6.14).
Laringomalácia: benigna e autolimitada; cirurgia só com repercussão — retardo de crescimento, dificuldade alimentar com baixo ganho de peso, tiragem importante, cianose ou necessidade de intubação (Rotinas).
Por quê: crupe viral moderado (Westley: estridor em repouso 2 + retração leve 1 = 3). Corticoide para todos; adrenalina nebulizada quando há estridor em repouso; observar pelo risco de rebote.
Adrenalina "compra tempo" (~2 h); o corticoide resolve o edema. Nunca uma sem a outra no crupe moderado.
Por quê: quadro clássico de epiglotite (toxemia, sialorreia, tripé, voz abafada, sem tosse, Hib não vacinada). Prioridade absoluta é a via aérea em ambiente controlado, sem agitar a criança.
Epiglotite: "não examine, não deite, não pique — leve ao centro cirúrgico".
Por quê: a única falsa é a terceira — a biópsia não costuma ser necessária (diagnóstico endoscópico) e pode provocar sangramento (Rotinas, 6.14). As demais conferem com o livro: ~50% têm hemangioma cutâneo de cabeça e pescoço; sintomas começam por volta dos 2 meses, com estridor bifásico; o propranolol é eficaz e seguro; a ESG adquirida é causada principalmente por entubação (Rotinas, 6.15).
"Bebê com mancha vermelha em barba + crupe que não passa" = hemangioma subglótico até prova em contrário.
Por quê: papilomatose respiratória é causada por HPV de baixo risco oncogênico 6 e 11. 16 e 18 são os de alto risco (câncer de colo, orofaringe).
6 e 11 = verrugas/papilomas; 16 e 18 = câncer.
Por quê: história de engasgo + achados localizados = corpo estranho brônquico até prova em contrário. Amendoim é radiotransparente; a broncoscopia rígida é diagnóstica e terapêutica.
História de engasgo manda na conduta — não o RX.
Por quê: estridor bifásico (subglote) + tosse ladrante + início após semanas de vida com piora progressiva (fase proliferativa) + hemangioma cutâneo em barba.
Crupe antes dos 6 meses ou recorrente = pense em lesão estrutural subglótica (hemangioma, ESG).
Por quê: IV tem duas palavras absolutas ("nunca", "sempre") e contradiz o livro: o tratamento definitivo da bilateral deve ser adiado pelo menos 12 meses, porque a maioria dos pacientes sem comorbidade melhora espontaneamente (o resumo fala em até 50% em 1 ano). Observação do livro: a paralisia é a 3ª anomalia congênita mais comum da laringe, e a unilateral é sobretudo por trauma de parto.
Palavras absolutas ("nunca", "sempre") em medicina quase sempre marcam a assertiva falsa.
Por quê: pródromo de crupe → piora com febre alta, toxemia e secreção purulenta, refratária à adrenalina, com tosse e sem sialorreia. Conduta: broncoscopia (remoção de membranas), frequentemente intubação, ATB antiestafilocócico.
"Crupe que não responde à adrenalina e ficou tóxico" = traqueíte bacteriana (S. aureus).
Por quê: suspeita de abscesso retrofaríngeo (< 5 anos, torcicolo, pré-vertebral alargado). A TC com contraste diferencia celulite × abscesso e mostra extensão (mediastino, grandes vasos).
Linfonodos retrofaríngeos involuem por volta dos 5 anos — por isso o abscesso retrofaríngeo é doença do pré-escolar.
Por quê: diâmetro 4 → 2 mm significa raio 2 → 1 mm (metade). R ∝ 1/r⁴ → 2⁴ = 16. A área de secção cai 75%.
Mesmo 1 mm num adulto de 15 mm aumenta a resistência menos de 2 vezes.
Por quê: a cesárea não elimina o risco (há casos após cesárea e transmissão intrauterina) e o risco absoluto de doença é baixo — não é indicada rotineiramente só por isso. Note as palavras absolutas "toda" e "elimina".
Criança com rouquidão persistente = olhar a laringe.
Por quê: o resumo afirma que o diâmetro do tubo é o fator mais crítico: deve permitir vazamento de ar sob pressão subglótica < 20 cmH₂O. Outros fatores: composição do tubo, duração da intubação, agitação e condições que lesam a mucosa (refluxo, queimaduras). Atenção à fonte: no capítulo 6.15 (Cláudia Schweiger), quem recebe destaque é o tempo de entubação — o risco basal de estenose sobe 50% a cada 5 dias — junto com as doses extras de sedação. Numa questão baseada no livro, a resposta seria o tempo.
Vazamento abaixo de 20 cmH₂O = tubo com folga suficiente para não isquemiar a subglote.
Por quê: o livro é explícito — "uma estenose subglótica isolada não altera a voz a não ser que seja muito grave". Voz ou choro fracos indicam comprometimento glótico; voz abafada indica lesão supraglótica.
Voz normal + estridor bifásico + intubação prévia = pense em subglote.
Por quê: a ordem do livro é laringomalácia (58–60%) > estenose subglótica (19–20%) > paralisia de pregas vocais (12–13%). A paralisia é a 3ª anomalia congênita mais comum da laringe, o que torna III falsa.
Decore a escada: malácia, estenose, paralisia. E some: ~70% dos estridores em menores de 30 meses são de causa otorrinolaringológica.
Por quê: o estridor que persiste por mais de 72 horas após a extubação (ou que começa depois desse período) mostrou-se acurado para o diagnóstico de estenose subglótica por entubação — é exatamente nesses pacientes que o livro indica a endoscopia. E o exame que define local, natureza e grau é a endoscopia rígida sob anestesia geral com ventilação espontânea, que ainda permite palpar as aritenoides à procura de estenose glótica posterior.
Estridor > 72 h depois da extubação: olhe a via aérea, não repita corticoide.
Por quê: Myer-Cotton: I ≤ 50% · II 51–70% · III 71–99% · IV sem luz. Sessenta por cento é grau II; sem comorbidade e sem glote acometida, o quadro de Monnier prevê tratamento endoscópico ou RLT em tempo único com enxerto anterior. Lembre ainda que a maioria dos grau I e muitos grau II não exigem tratamento.
Quanto maior o grau e mais "piores indicadores" (comorbidade, glote), mais a conduta migra de endoscópica para aberta e de tempo único para dois tempos.
Por quê: a única falsa é a quarta — não há evidência que justifique polissonografia de rotina na avaliação inicial; ela é reservada a casos graves (monitorar impacto no sono e efeito da supraglotoplastia) e a formas de aparecimento tardio, obesos ou craniofaciais. As demais são literais do capítulo: início nas primeiras 2 semanas com pico na 6ª–8ª; RGE em 65–100%; teoria neurológica (integração sensitivo-motora do reflexo adutor laríngeo); cirurgia em ~10%, com sucesso de ~94% e revisão em ~20%.
Tratar o refluxo faz parte do tratamento da laringomalácia com sintomas alimentares — o consenso do livro.
Responda em voz alta antes de tocar. Se errar, volte à seção correspondente.
Subglote (anel da cricoide) — único anel completo, não distensível.
1/r⁴ (laminar); 1/r⁵ (turbulento). Raio pela metade = ×16.
Inspiratório = supraglote/extratorácica; bifásico = glote/subglote (lesão fixa); expiratório = traqueia intratorácica/brônquios.
Ronco: baixa frequência, nariz/faringe, piora no sono. Estridor: alta frequência, laringe/traqueia, piora com agitação e melhora no sono.
Laringomalácia (58–60% nas séries do livro) — piora com alimentação, choro e supino, alivia em prona. Início nas 2 primeiras semanas, pico na 6ª–8ª, resolução em 18–24 meses; ~10% operam (sucesso ~94%).
Epiglote em ômega, pregas ariepiglóticas curtas, prolapso das cartilagens cuneiformes (laringoscopia flexível acordado).
3ª causa de estridor. Bilateral = SNC (principal: Arnold-Chiari) e pode exigir intubação/TQT de urgência; tratamento definitivo adiado pelo menos 12 meses. Unilateral = periférica, sobretudo trauma de parto, em geral sem tratamento específico.
< 4 mm na cricoide (< 3 mm no prematuro). Adquirida: principalmente por entubação, e mais grave que a congênita. Estridor bifásico; voz normal se isolada.
Hemangioma cutâneo de cabeça e pescoço em ~50%; sintomas por volta dos 2 meses, crescimento por 6–10 meses; biópsia não costuma ser necessária (sangra); corticoide sistêmico ou propranolol; laser de CO₂ nas lesões lateroposteriores.
95% anteriores (glote); 22q11. Obstrução + disfunção vocal proporcionais à extensão; ~40% precisam de traqueostomia temporária.
Aspiração/pneumonias; broncoscopia/esofagoscopia rígida. 4 tipos.
Resumo: diâmetro do tubo, com vazamento sob pressão < 20 cmH₂O. Livro (6.15): tempo de entubação (+50% de risco a cada 5 dias) e doses extras de sedação; a lesão começa quando a pressão do tubo supera a perfusão capilar (18–25 mmHg).
Parainfluenza; sinal da torre (AP); dexametasona para todos + adrenalina nebulizada se moderado/grave, observar 2–4 h.
Hib; toxemia, sialorreia, tripé, voz abafada, sem tosse, sinal do polegar. Não examinar orofaringe, não deitar, não puncionar — via aérea no centro cirúrgico.
S. aureus; crupe que piora, fica tóxico e não responde à adrenalina. Broncoscopia + ATB + intubação.
História de engasgo súbito; broncoscopia rígida (RX normal não exclui).
Quando o estridor persiste por mais de 72 h após a extubação ou começa depois desse período — achado acurado para estenose subglótica por entubação (Rotinas, 6.15).
I ≤ 50% · II 51–70% · III 71–99% · IV sem luz. Grau I e muitos II não precisam de tratamento; III e IV vão para ressecção cricotraqueal ou reconstrução laringotraqueal com enxerto e stent. Monnier acrescenta comorbidades e envolvimento glótico como piores prognósticos.
Ulceração superficial + isquemia/necrose (pressão > perfusão capilar, 18–25 mmHg) → úlceras profundas (+ infecção) → pericondrite/condrite e tecido de granulação → fibroblastos → colágeno → estenose (Fig. 6.15.1).
RGE (65–100%), doença neurológica (20–45%), lesão sincrônica (traqueomalácia é a mais comum; 4,8× mais cirurgia), cardiopatia (~10%, até 34% operam) e síndromes com micrognatia (CHARGE, Pierre Robin) — piores resultados.
Ariepiglóticas curtas → secção (bilateral no serviço dos autores); redundância posterior → ressecção do tecido + secção das pregas; retroprojeção da epiglote → glossoepiglotopexia.
Subglote de 4 mm + 1 mm de edema = raio pela metade = resistência ×16 (×32 chorando). Acalmar a criança é tratamento.
Inspiratório = supraglote; bifásico = glote/subglote; expiratório = intratorácico. Ronco = nariz/faringe, piora no sono.
58–60% dos estridores no lactente; piora mamando/chorando/supino e alivia em prona; começa nas 2 primeiras semanas, pico na 6ª–8ª, resolve em 18–24 meses; só ~10% operam. Trate o refluxo se houver sintoma alimentar.
ESG (< 4 mm; pós-entubação — tempo de tubo é o que o livro destaca: +50% a cada 5 dias), hemangioma (lesão cutânea, endoscopia sem biópsia, corticoide/propranolol) e crupe (dexa ± adrenalina).
Epiglotite: não examine, não deite, não puncione. Crupe tóxico refratário = traqueíte bacteriana (S. aureus).
Corpo estranho: broncoscopia rígida mesmo com RX normal. Febre + torcicolo < 5 anos = retrofaríngeo → TC com contraste.