Do diapasão ao audiograma: onde está a lesão (condução × neurossensorial), qual doença combina com a curva e o que fazer — no adulto (PAIR, presbiacusia, ototóxicos, surdez súbita, schwannoma vestibular, otosclerose) e na criança (triagem neonatal, causas, reabilitação). Revisada e corrigida pelo livro dos professores, Rotinas em Otorrinolaringologia (caps. 1 e 2.9–2.15), com as figuras do livro.
Toda a prova de hipoacusia gira em torno de uma pergunta topográfica: a lesão está no caminho mecânico que leva a vibração até a cóclea (perda condutiva) ou no transdutor/nervo que converte vibração em impulso elétrico (perda neurossensorial)? O diapasão e o audiograma servem para responder exatamente isso.


O livro organiza os sintomas cardeais pela origem Rotinas · cap. 1: orelha externa (otalgia, otorreia, hipoacusia condutiva, prurido); orelha média (otalgia, otorreia, hipoacusia condutiva, autofonia); labirinto anterior/cóclea (hipoacusia sensório-neural, zumbido, diplacusia, algiacusia, pressão); labirinto posterior (vertigem, tontura, desequilíbrio); nervo facial (paralisia facial).
Toda vez que a onda passa de meio aéreo para sólido/líquido, a maior parte da energia seria refletida.
Concentrar a mesma força numa área menor aumenta a pressão (somado ao efeito de alavanca dos ossículos). É isso que se perde numa perfuração, efusão ou otosclerose → perda condutiva que raramente passa de ~60 dB.
O órgão de Corti fica na rampa média, banhado em endolinfa (produzida pela estria vascular). 1 fileira de células ciliadas internas (verdadeiras transdutoras, aferência) e 3 fileiras de externas (amplificador coclear, em contato com a membrana tectória — são as que geram as otoemissões e as primeiras a morrer por ruído/ototóxicos). A deflexão dos cílios despolariza a célula → potencial de ação no nervo coclear.
Nervo coclear → núcleos cocleares → tronco → córtex temporal. A projeção é bicortical, predominantemente contralateral — por isso lesão cortical unilateral praticamente não causa surdez.


Tonotopia coclear e onde a energia mecânica/as drogas chegam primeiro.
A espira basal da cóclea codifica as altas frequências e é a região mais exposta: recebe primeiro a onda (maior estresse mecânico e metabólico) e as células ciliadas externas da base são as mais vulneráveis a radicais livres. Resultado: curvas descendentes em agudos — e a fala fica “ouvida, mas não entendida”, porque as consoantes (informação) estão nos agudos e as vogais (volume) nos graves.
Tudo que bloqueia ou enrijece o caminho mecânico.
Lesão da cóclea ou do nervo — em geral irreversível.
O roteiro do livro para a queixa de surdez: idade, profissão, história familiar, início dos sintomas, uni ou bilateralidade, queixas associadas (zumbido, tontura, dor ou supuração), doenças sistêmicas (diabetes, HAS, hipercolesterolemia, disfunção tireoidiana, insuficiência renal), uso de medicamentos ototóxicos e caráter progressivo ou instalação súbita. Depois: exame otorrinolaringológico de rotina e provas acumétricas com diapasão (512 ou 256 Hz). O livro também lembra o perfil de quem procura: família do idoso que não reconhece a perda, pais angustiados após falha na triagem neonatal e o paciente com surdez súbita.
| Pergunta | Por que importa |
|---|---|
| Idade e profissão | Idoso → presbiacusia; exposição ocupacional → PAIR (anamnese ocupacional obrigatória). |
| Início súbito ou insidioso | Súbito (≤ 72 h) = urgência (surdez súbita). Insidioso → presbiacusia, PAIR, otosclerose, schwannoma. |
| Flutuante × progressiva | Flutuante com vertigem e plenitude → Ménière; flutuante em criança → otite com efusão. |
| Uni ou bilateral / simétrica? | Perda NS unilateral ou assimétrica → afastar lesão retrococlear (RM). |
| Sintomas associados | Otalgia, otorreia, paralisia facial, vertigem, zumbido (acúfeno), nistagmo. |
| História pregressa | Antecedentes pré/peri/pós-natais; TCE, barotrauma, ruído, drogas ototóxicas; doenças metabólicas, autoimunes; IST; infecções (caxumba, rubéola, sarampo, meningite). |
| História familiar | Genética (conexina 26, otosclerose — autossômica dominante). |
O livro insiste: antes de reconhecer a doença, é preciso consolidar o padrão normal. Tracione o pavilhão para retificar o conduto e segure o otoscópio apoiando a mão na cabeça do paciente (se ele se mexer, o espéculo acompanha). A membrana timpânica normal tem cinco características:



A acumetria é o exame que mais cai em vinheta. O livro é explícito Rotinas · cap. 1: “o exame padrão-ouro para determinar o tipo de perda auditiva é a audiometria. Entretanto, a surdez súbita não admite atraso no início do tratamento na espera de um exame audiológico”. Por isso o médico deve fazer o diagnóstico diferencial já na primeira consulta, com otoscopia (na surdez súbita, geralmente normal) e acumetria com diapasão de 512 ou 256 Hz — “o exame mais esclarecedor”. São três testes: comparação das vias aéreas, Weber e Rinne.
| Teste | Técnica | Resultados possíveis |
|---|---|---|
| Comparação das vias aéreas (VAs) | Diapasão vibrando, aproximado de cada orelha; comparar a intensidade percebida. | VAD = VAE · VAD > VAE (mais audível à direita) · VAD < VAE (mais audível à esquerda) |
| Weber | Diapasão apoiado na linha média da região frontal; perguntar onde ouve. | Indiferente (ouve na cabeça toda) · lateralizado para a direita · lateralizado para a esquerda |
| Rinne | Diapasão apoiado na cortical óssea retroauricular e, logo em seguida, aproximado da mesma orelha; comparar. | Positivo: mais audível próximo da orelha · Negativo: mais audível apoiado atrás da orelha. Resultados independentes para cada orelha. |
| Teste | Achado na perda neurossensorial |
|---|---|
| Comparação das vias aéreas | Som mais audível na orelha sem a perda (ex.: VAE > VAD) |
| Weber | Percepção do som na orelha sem a perda (ex.: lateralizado para a esquerda) |
| Rinne | Som mais audível com o diapasão próximo da orelha bilateralmente (Rinne positivo bilateral) |

Weber à direita = condutiva D ou NS E. Qual das duas o Rinne elimina?
Rinne + à direita descarta condutiva D. Sobra perda neurossensorial à esquerda (Weber foi para o lado bom).
Rinne − na D mostra componente condutivo nessa orelha. O Weber concorda?
Sim: condutiva lateraliza para o lado ruim. Perda condutiva à direita. (Se o Weber fosse para a esquerda com Rinne − à D, pensar em cofose D com Rinne falso-negativo.)
Quais situações dão Rinne + nas duas orelhas e Weber central?
Audição normal OU perda neurossensorial bilateral simétrica — a acumetria sozinha não distingue. Precisa de audiometria. (É exatamente o idoso com presbiacusia.)
Rinne − nas duas = componente condutivo nas duas.
Perda condutiva bilateral (simétrica — por isso o Weber fica central). Ex.: otite média com efusão bilateral, otosclerose bilateral.
Audiometria tonal: tons puros, determina o limiar (menor intensidade ouvida) por frequência, pela VA (fone) e pela VO (vibrador na mastoide, testada de 500 a 4.000 Hz). Audiometria vocal: com palavras — SRT/LRF (limiar de reconhecimento de fala, deve ser compatível com a média tonal) e IRF (índice de reconhecimento de fala, % de palavras corretas; cai muito em lesões neurais/retrococleares).
| Média tonal (VA) | Grau (Lloyd & Kaplan, 1978) | Impacto na fala |
|---|---|---|
| ≤ 25 dB | Normal | Sem dificuldade significativa |
| 26–40 dB | Leve | Dificuldade com fala fraca ou distante |
| 41–55 dB | Moderada | Dificuldade na conversação normal |
| 56–70 dB | Moderadamente severa | Fala precisa ser forte; difícil em grupo |
| 71–90 dB | Severa | Só entende fala gritada ou amplificada |
| ≥ 91 dB | Profunda | Pode não entender nem amplificada; depende de leitura labial |
Por onde passa cada via até chegar ao mesmo destino.
As duas vias terminam na mesma cóclea. Se a cóclea está lesada, ambas caem igualmente (VA ≈ VO, sem gap). A VA passa por tudo que a VO passa e mais a orelha externa/média — logo, VA nunca pode ser significativamente melhor que a VO; se parecer, é erro técnico/mascaramento.
Mesmo sem tímpano e ossículos, o som ainda chega à cóclea pelo osso.
Não. A perda máxima por mecanismo condutivo fica em torno de 60 dB (o crânio conduz som intenso até a cóclea). Perda maior que isso implica componente neurossensorial → mista ou NS.
Timpanometria + reflexo estapediano. Avalia orelha média.
“Teste da orelhinha”. Avalia as células ciliadas externas.
Potencial evocado auditivo de tronco encefálico. Avalia a via até o tronco.
Quando a topografia não fecha.
Rotinas · cap. 2.12 Definição do livro: diminuição progressiva da acuidade auditiva em função da exposição continuada a elevados níveis de pressão sonora. Pode ser ocupacional ou recreativa (discotecas, shows). Diferente do trauma acústico, em que a perda é causada por um som abrupto de grande intensidade; na PAIR a exposição é prolongada e de menor intensidade. Frase que cai literal: “a PAIR representa a doença profissional irreversível mais prevalente em todo o mundo”.
Especialmente das células ciliadas externas e da estrutura neural, com início na região da cóclea responsável pelas frequências de 3 a 6 kHz.
Após exposições intensas e de curta duração (concerto de rock). A perda costuma ser reversível após poucos dias.
Irreversível: perda de CCE, degeneração das fibras nervosas cocleares e tecido cicatricial (zonas mortas) no órgão de Corti. Pode haver degeneração neural induzida por ruído mesmo sem alteração de limiares e com CCE preservadas (Hirose e Liberman).
Dano físico imediato proporcional à intensidade: pode romper membrana timpânica, cadeia ossicular, membranas da orelha interna e órgão de Corti. A ruptura timpânica pode absorver parte da energia que chegaria à orelha interna.
Risco significativo com exposição crônica a ruído acima de 85 dB por pelo menos 8 horas por dia; quanto maior a intensidade, menor o tempo necessário. A NR-15 (Portaria MTb 3.214/1978) fixa os limites:
| Nível dB(A) | Máx. exposição diária |
|---|---|
| 85 | 8 horas |
| 86 · 87 · 88 | 7 h · 6 h · 5 h |
| 89 | 4 h 30 min |
| 90 | 4 horas |
| 91 · 92 · 93 · 94 | 3 h 30 · 3 h · 2 h 30 · 2 h |
| 95 · 98 | 1 h 45 · 1 h 15 |
| 100 | 1 hora |
| 102 · 104 · 105 · 106 | 45 · 35 · 30 · 25 min |
| 108 · 110 · 112 · 114 | 20 · 15 · 10 · 8 min |
| 115 | 7 minutos |


Rotinas · cap. 2.11 Perda da capacidade de perceber ou definir sons como parte do envelhecimento. Causa mais comum de deficiência auditiva em adultos, afetando ~30% dos indivíduos entre 60 e 69 anos. Definição que cai literal: perda auditiva do tipo neurossensorial, bilateral, simétrica entre as orelhas e de progressão lenta, conforme o avançar da idade.


| Tipo | Lesão | Pista audiológica |
|---|---|---|
| 1 · Sensorial | Perda de células sensoriais na extremidade basal da cóclea; não se estende a outras regiões. É a causa menos importante de perda relacionada ao envelhecimento. | Rebaixamento nos agudos (queda abrupta) |
| 2 · Neural | Perda progressiva de neurônios ao longo de toda a cóclea e também nas vias centrais | Baixo índice de reconhecimento de fala |
| 3 · Estrial | Atrofia irregular da estria vascular, sobretudo giros médio e apical | Curva plana ou queda suave nos agudos, reconhecimento de fala preservado |
| 4 · Condutivo-coclear | Hipotética, diagnóstico de exclusão: alteração de ressonância do ducto coclear + menor elasticidade da membrana basilar | Traçado gradual descendente |
| 5 · Mista | Combinação de dois ou mais tipos — o achado mais comum na prática | Sobreposição dos traçados |
| 6 · Indeterminada | Traçados sem correlação histológica consistente — ~25% dos casos | — |



Rotinas · cap. 2.13 Afecções iatrogênicas por drogas que lesam a orelha interna, no sistema auditivo (surdez definitiva ou reversível) e/ou vestibular (vertigem, náuseas e vômitos, nistagmo, até ataxia). As lesões são, na maioria das vezes, irreversíveis: destruição progressiva das células ciliadas externas da cóclea; no vestíbulo, células ciliadas das cristas das ampolas e das máculas do sáculo e utrículo.
| Grupo | Cocleotóxico | Vestibulotóxico |
|---|---|---|
| Aminoglicosídeos | Amicacina · Neomicina · Canamicina · Netilmicina | Estreptomicina · Gentamicina · Tobramicina |
| Outros antibióticos | Eritromicina (reversível) · Cloranfenicol (tópico) | Ampicilina e cefalosporinas · Minociclina · Vancomicina · Lincomicina · Espectinomicina |
| Antineoplásicos | Cisplatina · Mostarda nitrogenada · Metotrexato · Vincristina | — |
| Diuréticos (de alça) | Furosemida · Ácido etacrínico · Bumetanida | — |
| Anti-inflamatórios | Salicilatos · Indometacina · Ibuprofeno | — |
| Betabloqueadores | Propranolol · “Proctolol” (practolol) | — |
| Outros | Quinino · Contraceptivo oral | — |
| Desinfetantes e antissépticos tópicos | Clorexidina · Benzalcônio · Iodo · Iodine · Iodofórmio · Álcoois (etanol, propilenoglicol) — cocleo e vestibulotóxicos quando atingem a orelha média com MT perfurada | |

Aminoglicosídeos e cisplatina ligam-se aos polifosfoinositídeos da membrana da célula ciliada → bloqueio de canais de cálcio → lesão.
Complexo metabólito-ferro oxidativo gera H₂O₂, O₂⁻ e HO⁻ → alterações ciliares, edema, vacuolização, enucleação e apoptose.
Alteram composição iônica e hídrica da endolinfa; afastada a droga, cessa a alteração → reversível.
Gotas e antissépticos atravessam a membrana da janela redonda e matam células ciliadas cocleares e vestibulares.






| Auditivos | Vestibulares |
|---|---|
| Surdez neurossensorial · Zumbido · Plenitude auricular | Vertigens · Desequilíbrios · Nistagmo · Náuseas e vômitos · Oscilopsia (“osciloscopia” no livro: incapacidade de fixar o olhar, embaçamento) · Marcha atáxica · Dificuldade para caminhar no escuro · Intolerância à rotação da cabeça |

“Ferramentas simples e capazes de orientar a conduta, ainda na emergência, mesmo sem a comprovação audiométrica, permitindo não retardar o início do tratamento.” NS inferida por: conduto livre, MT normal, Weber para a orelha oposta, Rinne positivo.
Perda em graves = melhor potencial de recuperação; perdas planas e profundas = pior prognóstico.
Tempo e forma de início, trauma ou infecção viral antes, caráter progressivo ou flutuante, sintomas vestibulares, outros déficits neurológicos.
RM com gadolínio: sensibilidade e especificidade ~100% para tumores de até 3 mm. Sem gadolínio (ex.: insuficiência renal): sequências T2 CISS/FIESTA, sem perda de sensibilidade e mais custo-efetivas. TC contrastada tem baixa sensibilidade para tumores < 1,5 cm; PEATE só se limiares melhores que 75 dB (bom para tumores > 1 cm).
Alguns serviços pedem glicemia, colesterol, triglicerídeos, tireoide, VDRL/FTA-ABS (e VDRL no liquor se forte suspeita de otossífilis), Lyme; mas a diretriz norte-americana faz forte recomendação contra exames laboratoriais de rotina.
| Terapia | Grau | Recomendação |
|---|---|---|
| Corticoterapia oral | B | Opção |
| Corticoterapia intratimpânica | B | Opção |
| Oxigenoterapia hiperbárica | B | Recomendação |
| Outros (vasodilatadores, trombolíticos, vasoativas, antivirais) | B | Recomendação contra |
| Fator | Como pesa |
|---|---|
| Atraso diagnóstico | Pior, sobretudo > 1 semana |
| Severidade da perda | Severa/profunda: pior |
| Curva audiométrica | Graves: melhor · plana/profunda: pior |
| Vertigem | Pior prognóstico comprovado |
Graus da tabela: opção = pequena vantagem de um tratamento sobre outro; recomendação = benefícios superam riscos, evidência não forte; recomendação contra = riscos superam benefícios.
Fluxograma prático do paciente que chega dizendo “acordei sem ouvir de um lado”.
Rotinas · cap. 2.14 Tumor benigno das células de Schwann que envolve o nervo vestibulococlear no ângulo pontocerebelar e no meato acústico interno. “Neuroma do acústico” é nome incorreto: o tumor surge mais comumente da porção vestibular do VIII par.



Rotinas · cap. 2.9 Osteodistrofia que acomete exclusivamente o osso temporal — ao contrário de osteoporose, osteogênese imperfeita e doença de Paget —, mais comumente a cápsula ótica e a platina do estribo. Há aumento da atividade osteoclástica e osteoblástica, com proliferação óssea anormal, mais espessura, celularidade e vascularização. Locais acometidos em ordem decrescente: porção anterior da platina > porção posterior > giro basal da cóclea > janela redonda, podendo atingir toda a cóclea e o conduto auditivo interno.






“Todas as opções terapêuticas visam melhorar a qualidade auditiva, porém não têm efeito sobre a evolução da doença.”
Rotinas · cap. 2.10 Disacusia congênita = constatação da perda auditiva, parcial ou total, ao nascer ou nos primeiros dias após o nascimento. Quando bilateral, permanente e ≥ 40 dB NA, tem grande impacto no desenvolvimento da linguagem. Atenção ao conceito que o livro sublinha: surdez congênita não é sinônimo de surdez genética — a genética pode se manifestar a qualquer momento, inclusive na vida adulta.
Congênitas e pós-natais.
Todas também são fatores de risco (JCIH).
O livro traz uma tabela extensa de síndromes e lócus gênicos (300–500 genes envolvidos; > 120 genes nas não sindrômicas). Para o médico geral, o que precisa ficar:
| Herança | Síndrome | Marca clínica |
|---|---|---|
| Autossômica dominante | Waardenburg (PAX3, MITF, SOX10…) | Olhos claros/azul brilhante ou heterocromia, mecha branca frontal, distopia cantal, base nasal alargada; perda moderada a profunda |
| Stickler (colágenos) | Miopia precoce, descolamento de retina, catarata, face plana, micrognatia, fenda palatina, artropatia; disacusia NS ou mista | |
| Branquio-oto-renal (Melnick-Fraser) | Cistos/fístulas cervicais (2º arco branquial), malformação de orelha (microtia, apêndices), perda NS, condutiva ou mista | |
| Treacher-Collins · Apert | Hipoplasia malar, fissuras palpebrais caídas, coloboma, micrognatia → perda condutiva (microtia, ossículos). Apert: cranioestenose, sindactilia; disacusia sobretudo por disfunção tubária/otite secretora | |
| Autossômica recessiva | Usher | Perda auditiva + retinite pigmentosa. Tipo I: NS profunda + disfunção vestibular + retinite precoce; tipo II (mais prevalente): moderada a severa, vestíbulo normal; tipo III: progressiva |
| Pendred (SLC26A4) | Hipoacusia + bócio — com função tireoidiana normal em muitos casos | |
| Jervell & Lange-Nielsen (KCNQ1, KCNE1) | Perda NS profunda bilateral + displasia cocleossacular (Scheibe) + arritmia cardíaca → morte súbita a partir do 2º–3º ano de vida | |
| Ligadas ao X | Alport (COL4A5 em 85%) | Hematúria desde a infância, atinge mais meninos, insuficiência renal por volta dos 50 anos; perda NS progressiva e simétrica, frequências médias e altas, começando no fim da infância/adolescência; lenticone anterior |
| Norrie · Otopalatodigital | Norrie: alterações oculares graves e cegueira. Otopalatodigital: displasia esquelética, perda condutiva, fenda palatina, orelhas pequenas de baixa implantação |


As duas formas de investigação, segundo o livro, são a análise dos fatores de risco do Joint Committee on Infant Hearing (2007) e a TAN universal. A avaliação deve ser feita nas primeiras 24–48 horas de vida ou, no máximo, até 1 mês, independentemente de fatores de risco. Metas: diagnóstico antes dos 3 meses e intervenção antes dos 6 meses — é quando os resultados são melhores.


| Entidade | Tipo | Lateralidade | Curva | Pista | Conduta |
|---|---|---|---|---|---|
| PAIR | NS | Bilateral simétrica | Entalhe 3–6 kHz, recupera 8 kHz | Ruído ocupacional, zumbido | Prevenção; AASI |
| Presbiacusia | NS | Bilateral simétrica | Descendente, sem recuperação em 8 kHz | ≥ 60 a, “ouço mas não entendo” | AASI; IC se profunda |
| Ototoxicidade | NS (± vestibular) | Bilateral | Descendente em agudos | Aminoglicosídeo, cisplatina, IR | Suspender/ajustar; reabilitar |
| Surdez súbita | NS | Unilateral | ≥ 30 dB em 3 freq. | ≤ 72 h, plenitude, zumbido | Corticoide já + audiometria + RM |
| Schwannoma vestibular | NS retrococlear | Unilateral/assimétrica | IRF desproporcionalmente ruim | Zumbido unilateral (70%), desequilíbrio (50%) | RM com contraste; < 2 cm com boa audição: cirurgia ou observar |
| Ménière | NS | Unilateral (início) | Ascendente (graves), flutuante | Vertigem em crises + zumbido + plenitude | Restrição de sal, diurético |
| Otosclerose | Condutiva (→ mista) | Bilateral ~70% | Gap + Carhart 2 kHz | Mulher jovem, gestação, Willis | AASI ou estapedotomia |
| Otite média c/ efusão | Condutiva | Bi ou uni | Gap leve–moderado; timpanometria B | Criança, flutuante | Observação; tubo de ventilação |
| Rolha de cerúmen | Condutiva | Uni ou bi | Gap leve | Otoscopia | Remoção |
As marcações do aluno na prova digitalizada não são gabarito — cada resposta abaixo foi resolvida pelo conteúdo.
Por quê: Weber para a E tem duas leituras — condutiva E ou NS D (são as “duas hipóteses” do enunciado). A queixa e a VA D < VA E dizem que a orelha ruim é a direita; o Rinne + bilateral elimina componente condutivo em qualquer lado. Sobra NS à direita, com o Weber indo para o lado bom.
Receita: (1) Weber aponta dois suspeitos; (2) o Rinne do lado para onde o Weber foi decide — Rinne − ali = condutiva daquele lado; Rinne + = NS do outro lado.
Por quê: a PAIR é a doença profissional irreversível mais prevalente. Trocar uma palavra (irreversível → reversível) é o padrão de pegadinha dessa prova.
Em “assinale a INCORRETA”, circule a negação no enunciado antes de ler as alternativas.
Por quê: idoso + “ouço mas não entendo” + dificuldade de localizar a fonte + progressão lenta = presbiacusia. A hidroclorotiazida é distrator: o diurético ototóxico clássico é o de alça, não o tiazídico.
Dificuldade de localizar o som: localização depende da comparação fina entre as duas orelhas em agudos — justamente o que a presbiacusia destrói.
Por quê: o componente condutivo na OD cria gap → Rinne − à direita; a OE é normal → Rinne +. No Weber, a prova considera que o componente condutivo “puxa” para o lado afetado (direita).
Na vida real o Weber na perda mista é variável: lateraliza para o lado afetado se predomina o condutivo e para o lado bom se predomina o NS (reserva coclear muito ruim). Em questão de múltipla escolha, escolha a alternativa com o Rinne coerente e depois elimine pelo Weber.
O audiograma original não foi preservado na digitalização da prova; esta é uma reconstrução ilustrativa compatível com a resposta indicada.
Por quê: na OD (vermelho) a VO (<) está abaixo de 25 dB → há componente NS; e a VA (O) está ainda mais abaixo, com gap → há componente condutivo. VO rebaixada + gap = mista. A OE (azul) está dentro da normalidade.
Ordem de leitura: cor (qual orelha) → VO (cóclea está boa?) → distância VA–VO (há gap?).
Por quê: mesmo raciocínio da Q24. E atenção ao contexto: perda NS unilateral progressiva + zumbido unilateral em adulto jovem → pedir RM para afastar schwannoma vestibular.
Zumbido unilateral + perda NS assimétrica = RM até prova em contrário.
Por quê: exposição ocupacional (máquinas) + entalhe bilateral simétrico em 3–4 kHz com recuperação em 8 kHz. A média tritonal é normal — por isso só olhar 500–2.000 Hz engana.
8 kHz é o “desempate”: recupera → PAIR; continua caindo → presbiacusia/ototóxico.
Por quê: Rinne + bilateral e Weber central ocorrem tanto em audição normal quanto em NS bilateral simétrica (presbiacusia). O diapasão não quantifica — precisa de audiometria.
Quando a banca oferece “insuficiente”, cheque se o achado é ambíguo — no diapasão, a combinação ambígua é exatamente esta.
Por quê: I é a definição literal; III é literal do livro: a RM é “o único exame diagnóstico, além da audiometria, universalmente realizado”, para afastar tumor do ângulo pontocerebelar (2,7–10%). II é falsa: bilateral em < 2%, e quando ocorre é geralmente sequencial.
“Maioria”, “sempre”, “nunca” são as palavras que costumam tornar assertivas falsas.
Por quê: na neuropatia auditiva as CCE funcionam (EOA presentes), mas a via neural não conduz (PEATE alterado). Por isso RN com IRDA — como egressos de UTI — fazem PEATE automático.
EOA + / PEATE − = neuropatia auditiva. Pense em hiperbilirrubinemia e prematuridade.
Por quê: diuréticos de alça atuam na estria vascular e a perda costuma ser reversível (salvo associação/doses altas em insuficiência renal). As demais são verdadeiras.
Reversíveis para lembrar: salicilatos, diuréticos de alça, quinino, eritromicina. Irreversíveis: aminoglicosídeos e cisplatina.
Por quê: mulher jovem, piora na gestação, paracusia de Willis, história familiar, otoscopia normal = otosclerose. Audiometria: condutiva com entalhe de Carhart na VO (~2 kHz).
O entalhe de Carhart não é lesão coclear real: desaparece após a estapedotomia.
Por quê: Weber para o lado bom + Rinne + bilateral + otoscopia normal = perda NS esquerda de instalação súbita. A acumetria autoriza tratar sem esperar a audiometria; tempo até o tratamento é fator prognóstico.
Surdez súbita = otoscopia + diapasão na emergência → corticoide no mesmo dia.
Por quê: vários IRDA (UTI > 5 dias, ventilação, ototóxico, peso < 1.500 g). Risco de neuropatia auditiva → PEATE. Perdas podem ser tardias/progressivas → monitorar.
Sem risco → EOA. Com risco → PEATE-A.
Por quê: média VA = (50+55+60)/3 = 55 dB → moderada (41–55). Média VO ≈ 13 dB (normal) com gap ≈ 42 dB → condutiva. Teste na calculadora da seção 04.
Tipo = VO + gap. Grau = média da VA.
Por quê: II é falsa — existe janela de plasticidade; quanto mais precoce, melhor. IV é falsa — GJB2 é a principal causa não sindrômica; surdez + bócio é a síndrome de Pendred (SLC26A4).
Síndromes em uma linha: Usher = olho · Pendred = tireoide · Alport = rim · Jervell-Lange-Nielsen = coração (QT) · Waardenburg = pigmento.
Por quê: o livro é explícito — “a dose recomendada é de 1 mg/kg/dia, com dose máxima de 60 mg/dia de prednisona ou prednisolona […] dose única pela manhã, e a duração do tratamento, de 7 a 14 dias em dose plena, seguida de redução progressiva pelo mesmo período”. Os maiores benefícios aparecem quando o tratamento começa nas primeiras duas semanas.
Contraindicou o sistêmico (DM, HAS descontrolada, glaucoma)? Pense em intratimpânico — no Brasil, metilprednisolona 40 mg/mL, 0,5 mL por semana.
Por quê: I é a Tabela 2.13.1 (e o texto acrescenta que a netilmicina é o aminoglicosídeo de menor ototoxicidade). II é o critério literal de ototoxicose. III é o segundo mecanismo descrito (alteração iônica da endolinfa, que cessa com a suspensão). IV é a rotina de monitoração — com as EOA como grandes aliadas, sobretudo na UTI neonatal.
Regra de bolso para a tabela: as “E-G-T” (Estreptomicina, Gentamicina, Tobramicina) derrubam o equilíbrio; as demais derrubam a audição.
Por quê: o livro afirma que a audiometria ocupacional “pode ser utilizada no acompanhamento e controle da perda auditiva, porém não fornece diagnóstico da PAIR, pois a falta da via óssea não permite a identificação de lesão neurossensorial”. Lembre ainda que o diagnóstico definitivo de nexo causal cabe ao médico do trabalho.
Se a questão der uma audiometria “só via aérea”, ela nunca permite dizer o tipo de perda — só o grau.
Por quê: a última é falsa — a forma histológica é muito mais comum: há focos otoscleróticos na platina em 7% dos homens e 10% das mulheres brancas, mas apenas 12% desses desenvolvem fixação da platina e perda auditiva. As demais são literais: gap > 25 dB com via óssea preservada indica cirurgia (sucesso ~95%); reflexo ausente já no início (útil para diferenciar da deiscência de canal semicircular superior); osteodistrofia exclusiva do osso temporal, autossômica dominante de penetrância e expressão variáveis.
Dois “15/25” para não trocar: Rinne fica negativo com gap > 15 dB (512 Hz); a cirurgia se indica com gap > 25 dB.
Por quê: perda NS unilateral progressiva + zumbido unilateral + discriminação pobre desproporcional = suspeita de schwannoma vestibular (90% dos tumores do APC; perda auditiva unilateral em 95% dos casos). O livro indica RM com contraste venoso — sensibilidade de 100% no CAI e no APC, contra 36% e 68% da TC contrastada. A “teoria versus prática” do capítulo cobra exatamente isso: valorizar assimetria de audição e zumbido unilateral.
Se o tumor for < 2 cm com boa audição: cirurgia com preservação auditiva ou observação (decisão do paciente). > 2 cm em < 65 anos saudável: cirurgia. > 65 anos, < 3 cm ou orelha única: radiocirurgia.
Por quê: frase literal do capítulo 2.10. A avaliação deve ser feita nas primeiras 24 a 48 horas de vida ou, no máximo, até 1 mês, independentemente de fatores de risco.
Fluxo em uma linha: sem risco → EOA → falhou 2× → PEATE. Com risco → já começa por PEATE.
Responda em voz alta antes de revelar. Errou? Volte à seção correspondente.
Positivo: VA > VO → normal ou neurossensorial. Negativo: VO > VA → condutiva (ou mista) — exceto falso-negativo na cofose unilateral.
Condutiva → lado ruim. Neurossensorial → lado bom.
Normal ou NS bilateral simétrica — acumetria insuficiente, pedir audiometria.
≤ 25 dB; 500, 1.000 e 2.000 Hz.
26–40 leve · 41–55 moderada · 56–70 mod. severa · 71–90 severa · ≥ 91 profunda.
Condutiva: VO normal + gap. NS: VO rebaixada colada à VA. Mista: VO rebaixada + gap.
OD vermelho: VA O, VO <. OE azul: VA X, VO >.
> 85 dB crônico; entalhe 3–4–6 kHz (gota em 4 kHz) com recuperação em 8 kHz; irreversível; prevenção.
Perda NS, bilateral, simétrica, de progressão lenta com a idade; 1ª causa de deficiência auditiva no adulto; tratamento principal AASI.
NS ≥ 30 dB em 3 frequências consecutivas em ≤ 72 h; 90% idiopática, ~60% recupera espontaneamente. Corticoide (prednisona 1 mg/kg/dia, máx. 60 mg, 7–14 dias + desmame igual) o quanto antes + audiometria + RM (único exame universal além da audiometria).
Reversíveis (livro): salicilatos/aspirina, diuréticos de alça e eritromicina — agem na estria vascular ou têm efeito transitório. Irreversíveis: aminoglicosídeos e cisplatina (destroem células ciliadas externas). Critério de ototoxicose: perda NS de 25 dB em ≥ 1 frequência de 250 a 8.000 Hz.
Mulher (2:1), branca, perda inicia ~20 anos e aparece aos 30–40, bilateral em ~70%, paracusia de Willis, sinal de Schwartz, otoscopia normal; condutiva pior nos graves com entalhe de Carhart (VO 2 kHz), reflexo estapédico ausente já no início, timpanometria A→As. Cirurgia se gap > 25 dB com via óssea preservada.
Sem risco: EOA. Com risco: PEATE automático (detecta neuropatia auditiva). Regra 1–3–6 meses.
CMV (principal causa infecciosa; PCR na saliva do RN, tratar com ganciclovir); GJB2/GJB6 (conexina 26), mutação 35delG em 70% das recessivas — não sindrômica.
NS severa–profunda bilateral sem benefício com AASI; janela de plasticidade nos primeiros ~3 anos; após meningite, antecipar (ossificação).
A via óssea pula orelha externa e média. VO normal + gap = condutiva; VO caída sem gap = NS; VO caída + gap = mista.
Condutiva → Weber para o lado ruim e Rinne − nele. NS → Weber para o lado bom e Rinne + bilateral. Central + Rinne + = insuficiente.
NS bilateral simétrica, gota em 4 kHz com recuperação em 8 kHz, otoscopia normal, sem tratamento — prevenção.
NS bilateral simétrica lenta; “ouço mas não entendo”; exame físico normal; AASI é o tratamento principal.
≥ 30 dB, 3 frequências, ≤ 72 h. 90% idiopática. Otoscopia + diapasão → corticoide já → audiometria + RM.
TAN universal antes de 1 mês (EOA; PEATE se há fator de risco), diagnóstico até 3 meses e intervenção até 6. CMV e conexina 26 (35delG) lideram. 27,3–50% dos RN com perda não têm fator de risco.
Schwannoma vestibular: 90% dos tumores do APC, perda NS unilateral em 95%, discriminação pobre desproporcional, PEATE com retardo da onda V. RM com contraste tem sensibilidade ~100%; TC só vê > 6 mm.
AD de penetrância variável, mulher branca, ~70% bilateral, paracusia de Willis, reflexo estapédico ausente desde cedo. Estapedotomia se gap > 25 dB com via óssea preservada (sucesso ~95%); AASI sempre como alternativa.