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▦ MED06663 · Otorrinolaringologia · UFRGS
Cai na Prova 1 · 17/09 Aula 27/08 · Otávio Piltcher Rotinas · cap. 6.1 · 6.2 · 4.10 Adenotonsilites

Faringo­tonsilites
& adenoide.

A dor de garganta é quase sempre viral. O trabalho do médico é achar o estreptococo do grupo A sem dar antibiótico para todo mundo, reconhecer o abscesso e saber quando indicar a cirurgia.

Viral em < 3 anos
75%
EBHGA 2–12 anos (BR)
24%
ATB oral EBHGA
10 dias
Paradise
7 · 5 · 3
ADENOIDE (faríngea) TUBÁRIA TUBÁRIA PALATINA PALATINA LINGUAL anel de Waldeyer
01 / Anatomia e função

O anel de Waldeyer.

A faringe é "guardada" por um anel de tecido linfoide (MALT) que fica exatamente na entrada das vias aérea e digestiva. É o primeiro contato imunológico com o que respiramos e comemos, e por isso inflama tanto na infância.

Tonsila faríngea

  • = adenoide, na parede posterossuperior da rinofaringe, entre os toros das duas tubas
  • Sem cápsula; mais pregas e fendas do que criptas; epitélio respiratório
  • Hipertrofia → obstrução nasal, ronco, OME (tuba)

Tonsilas peritubárias

  • Pequenos aglomerados em torno do óstio faríngeo da tuba auditiva (Gerlach)

Tonsilas palatinas

  • = amígdalas, entre pilares anterior e posterior
  • Sede das faringotonsilites, abscesso periamigdaliano

Tonsila lingual

  • Base da língua; fecha o anel inferiormente
  • Também: bandas laterais e folículos da parede posterior

Pense, depois revele

?
O que as tonsilas produzem que as torna "primeira linha de defesa"?
Pense em:

Criptas, imunoglobulinas, a molécula que "fecha" a IgA.

Resposta:

Secretam imunoglobulinas nas criptas — são capazes de produzir as cinco classes (IgA, IgG, IgM, IgD e IgE) — e produzem a cadeia J, que completa a estrutura da IgA secretora, a qual migra para o restante da via aérea superior.

?
Por que a faringite bacteriana é rara antes dos 3 anos?
Pense em:

Imunidade passiva.

Resposta:

Proteção pela IgG materna. Em < 3 anos, ~75% das faringotonsilites são virais e a febre reumática é raríssima — por isso não se testa rotineiramente para EBHGA nessa faixa.

?
Qual a bactéria mais encontrada nas tonsilas de pessoas sem infecção — e por que isso importa?
Resposta:

Streptococcus viridans (flora normal). Faz interferência bacteriana: inibe crescimento/aderência de patógenos. Antibiótico repetido desequilibra essa flora e seleciona resistência — mais um motivo para não tratar toda dor de garganta.

Contexto: dor de garganta é a 3ª principal queixa em emergências; faringotonsilites agudas ≈ 5% das consultas. São IVAS autolimitadas — a maioria melhora em 3 a 4 dias. Transmissão por gotículas de saliva (escolas), incubação de 1 a 4 dias. Rotinas · cap. 6.1

O que o livro acrescenta sobre o anel Rotinas · cap. 4.10 · 6.2

MALT
50%
de todo o tecido linfoide
Pico de atividade
3–10
anos (aumento fisiológico)
Adenoide
↓ puberdade
involução lenta
Palatinas
mais tarde
involuem depois da adenoide
02 / Semiologia do trato aerodigestivo alto

Como examinar a garganta.

O capítulo de semiologia do livro é curto, mas define a rotina de exame e as queixas. Três ideias cobráveis: começa pela palpação cervical, oroscopia sem provocar reflexo nauseoso e "faringite" não quer dizer bactéria. Rotinas · cap. 5

Sequência do exame

1
Palpação cervical, por trás do paciente

Identificar músculos, cartilagens, glândulas salivares, tireoide e os grupos de linfonodos. Descrever tamanho, consistência, mobilidade e sinais inflamatórios (calor, rubor).

2
Oroscopia

Fonte de luz; abaixador de língua no terço anterior e médio da língua (evita reflexo nauseoso). Paciente relaxa a língua e respira pela boca. Inspecionar óstios dos ductos de Stensen (parótida) e Wharton (submandibular). Palpar língua, bochechas e, bidigitalmente, o soalho.

3
Orofaringe

Formato e dimensão das tonsilas, parede posterior, movimento e sensibilidade do palato mole. Palpar as lojas amigdalianas e a base da língua.

4
Naso e hipofaringe: exame indireto

A rinoscopia posterior com espelho foi substituída pela nasofaringoscopia (endoscópio rígido ou flexível pela fossa nasal). Hipofaringe: nasofibroscopia flexível ou endoscópio rígido de 70° pela boca (laringoscopia indireta).

5
Sempre o pescoço

Queixas de boca, faringe e laringe exigem exame do pescoço: pode ser sede de metástase ou de extensão de infecção para espaços profundos.

Examinador palpando o pescoço do paciente por trás
Palpação cervical. O examinador fica atrás do paciente e palpa com as polpas digitais dos dois lados ao mesmo tempo, comparando. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 5.2A.
Grupos de linfonodos cervicais sobre foto de perfil
Grupos de linfonodos a pesquisar. Submentoniana/submandibular, jugulocarotídeo, compartimento anterior e cadeia posterior. Na faringite por EBHGA, o achado típico é o jugulocarotídeo alto (subângulo mandibular), doloroso; cadeia posterior aumentada lembra mononucleose. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 5.2B.
Cavidade oral em corte sagital e vista anterior, com tonsilas faríngea, palatina e lingual
Cavidade oral: corte sagital e vista anterior. No corte, localize as três tonsilas do anel: faríngea (adenoide, no teto da rinofaringe, perto do óstio da tuba), palatina (entre os arcos palatoglosso e palatofaríngeo) e lingual (base da língua). Na vista anterior, a palatina aparece entre os dois pilares. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 5.3.
Esquema sagital com nasofaringe, orofaringe e hipofaringe
Segmentos da faringe. Nasofaringe (acima do palato mole, sempre aberta, com óstio da tuba e fossa de Rosenmüller), orofaringe (palato mole até o hioide) e hipofaringe (hioide até a borda inferior da cricoide: seio piriforme, parede posterior e pós-cricoide). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 5.6.
Fotografia endoscópica da orofaringe com tonsila palatina, palato mole e úvula
O que se vê na oroscopia. Palato mole, úvula, tonsilas palatinas nas lojas e parede posterior da faringe. É aqui que se gradua o tamanho das tonsilas (Brodsky, seção 09). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 5.7.

Principais queixas, na leitura do livro

QueixaO que o livro enfatiza
Odinofagia (dor ao engolir)Causa aguda mais comum: vírus, depois bactérias, raramente fungos. "Faringite/faringotonsilite" indica só inflamação, sem etiologia bacteriana implícita: o médico deve nomear "tonsilite viral" ou "bacteriana". Também: xerostomia (Sjögren, radioterapia, respiração bucal, fármacos), trauma, corpo estranho, neoplasia.
DisfagiaOrofaríngea × esofágica. Temporária: inflamação/infecção aguda. Longa duração: obstrução mecânica (corpo estranho, neoplasia) ou doença neuromuscular. Também Zenker, osteófitos, radioterapia.
Ronco e apneia~60% dos homens > 50 anos roncam. "Todo apneico é um roncador." Polissonografia é o padrão-ouro da SAHOS.
EstridorExtratorácico → inspiratório; intratorácico → expiratório; lesão fixa (estenose subglótica) → bifásico. Endoscopia sob anestesia: mnemônico SPECS-R (severidade, progressão, alimentação, cianose, sono, radiologia).
HalitoseCausas da boca = 90% (má higiene, gengivite, saburra lingual, caseum amigdalino); fisiológicas (jejum); sistêmicas (diabetes, rim, fígado).
03 / Etiologia

Viral × bacteriana.

Viral em < 3 anos
75%
cai após a puberdade
EBHGA · Brasil
24%
crianças 2–12 anos
Bacterianas
~30%
do total (conclusão do cap.)
EBHGA mais freq.
3–15
anos · tabela: 5–15

A maioria é viral: adenovírus, rinovírus, influenza, parainfluenza, Coxsackie, VSR, herpes simples e Epstein-Barr. Entre as bactérias, o estreptococo β-hemolítico do grupo A (EBHGA, S. pyogenes) é o único para o qual o antibiótico está definitivamente indicado — para prevenir complicações supurativas e não supurativas (sobretudo a febre reumática).

Tabela 6.1.1, reorganizada Rotinas · Tab. 6.1.1

O livro avisa: esses dados sugerem a etiologia com baixa sensibilidade e especificidade. Servem para suspeitar, não para confirmar.

DadoSugere EBHGASugere vírus
Idade5–15 anos (faixa de maior incidência 3–15)< 3 anos; adultos
InícioSúbito, dor de garganta intensaGradual, com pródromo gripal
Febre≥ 38 °CVariável
Sintomas "de resfriado"Ausentes (sem tosse, sem coriza)Tosse, coriza, obstrução nasal, espirros, rouquidão, conjuntivite
OrofaringeHiperemia, exsudato, petéquias no palato, úvula edemaciadaEstomatite ulcerativa, aftas/vesículas (Coxsackie, herpes)
LinfonodosCervicais anteriores e subângulo mandibular, dolorososDifusos; posteriores → pensar em EBV
OutrosCefaleia, náusea, vômitos, dor abdominal (crianças); exantema escarlatiniforme; hipertrofia tonsilarDiarreia/sintomas gastrintestinais, exantema viral
EpidemiologiaInverno / início da primavera; contato com caso de estreptoSurtos; herpangina no verão
Pegadinha nº 1 — "pus na amígdala": o livro coloca o exsudato entre os achados que sugerem EBHGA, mas a presença de placa/exsudato não confirma etiologia bacteriana. Adenovírus e EBV dão exsudato exuberante. O livro é explícito: diagnóstico baseado só em sinais clínicos é impreciso e não recomendado → suspeita clínico-epidemiológica + cultura ou teste rápido, nunca "vi pus, dei amoxicilina". Rotinas · cap. 6.1
A única exceção em que a clínica basta: paciente afebril com conjuntivite, tosse, rouquidão, coriza, exantema ou diarreia → etiologia viral fortemente sugerida, sem teste. Rotinas · cap. 6.1

Os vírus que a prova gosta

Adenovírus

O vírus que "imita" o estrepto.

Quadro: febre alta, exsudato tonsilar, adenopatia.
Chave: febre faringoconjuntival — faringite + conjuntivite (surtos em piscinas/creches).
Conduta: sintomáticos.

Coxsackie A — herpangina

Vesículas no palato mole de criança no verão.

Quadro: febre, odinofagia, vesículas/úlceras pequenas (halo eritematoso) em palato mole, pilares, úvula — região posterior da boca.
Idade/época: 3–10 anos, verão/outono.
Variante: doença mão-pé-boca (lesões em palmas/plantas).
Diferencial: herpes simples (gengivoestomatite) acomete a boca anterior (gengivas, lábios, língua).

Epstein-Barr — mononucleose

Adolescente, exsudato, cansaço e baço grande.

Tríade: febre + faringotonsilite exsudativa (tonsilas muito aumentadas) + linfonodomegalia (cervical posterior/generalizada).
Outros: astenia/mal-estar marcados, esplenomegalia, hepatomegalia, edema palpebral, petéquias em palato.
Lab: linfocitose com linfócitos atípicos (> 10%), transaminases ↑, monoteste (Paul-Bunnell).
Armadilha: rash maculopapular após amoxicilina/ampicilina.

EBHGA — escarlatina

Faringite estreptocócica + exotoxina pirogênica.

Exantema: micropapular áspero ("lixa"), acentuado em dobras (sinal de Pastia), palidez perioral (Filatov).
Língua: em framboesa/morango; descamação lamelar na convalescença.
Conduta: igual à faringite por EBHGA.
Agentes bacterianos, como o livro lista Rotinas · cap. 6.1
EBHGA 20–30% das etiologias bacterianas · S. aureus 20% · hemófilos 15% · moraxela 15% · pneumococo 1% · anaeróbios, clamídia e micoplasma. "Com exceção de situações individuais, aparentemente não há necessidade de diagnóstico e tratamento de faringotonsilites causadas por bactérias que não o EBHGA."
Livro × literatura: o livro (Rotinas) lista hemófilos, moraxela e S. aureus entre as causas bacterianas. Diretrizes mais recentes os tratam como colonizantes da orofaringe (relevantes em recorrência e abscesso, por produzirem β-lactamase), não como causas clássicas de faringite aguda. Para a prova, a lista e os percentuais do livro.
04 / Diagnóstico

Escore, teste e cultura.

Consenso: a faringotonsilite estreptocócica é suspeitada por dados clínicos e epidemiológicos e confirmada por cultura ou teste rápido de antígeno. Rotinas · cap. 6.1

Como o livro trata os escores: o Rotinas não apresenta Centor nem McIsaac. Diz que "os critérios e escores exclusivamente clínicos para diagnóstico de infecção estreptocócica são imprecisos e têm pouco valor preditivo" e que isso não justifica dar antibiótico a quem tem coriza, obstrução nasal, rouquidão ou tosse. Também: as diretrizes contraindicam ASLO, proteína C-reativa e leucograma para diagnosticar EBHGA. Rotinas · cap. 6.1

Centor modificado (McIsaac) — calcule

Escore de Centor / McIsaac
1 ponto por critério · ajuste pela idade
0
RISCO BAIXO
Probabilidade de EBHGA ≈ 1–10%
Não testar, não dar antibiótico. Sintomáticos.
McIsaacProb. EBHGA (aprox.)Conduta
≤ 1≈ 1–10%Não testar, não tratar
2–3≈ 11–35%Teste rápido (± cultura) → tratar só se positivo
≥ 4≈ 50%Testar e tratar se positivo; empírico só é aceito onde não há teste (e mesmo assim sobretrata ~metade)
Livro × literatura: o escore de Centor/McIsaac não está no livro nem no resumo; ficou aqui por ser o instrumento clássico de outras provas e da atenção primária. Para a prova de ORL, a resposta do livro é: escore clínico não confirma nem exclui EBHGA; confirme com cultura ou teste rápido. Em crianças o escore é ainda menos preciso (IDSA recomenda testar quando o quadro é compatível e não há sintomas virais).

Testes Rotinas · cap. 6.1

Cultura de orofaringe

  • Padrão-ouro
  • Sensibilidade 90–95%
  • Swab das duas tonsilas + parede posterior, sem tocar língua/bochecha
  • Maior desvantagem: tempo até o resultado (24–48 h)

Teste rápido (antígeno)

  • Especificidade ~95% · sensibilidade ~75%
  • Positivo → trata, não precisa de cultura
  • Negativo em criança/adolescentefazer cultura
  • Negativo em adulto → costuma bastar (baixa incidência e risco muito baixo de FR)
  • Resultado na própria consulta; custo pode limitar
?
Por que o teste rápido positivo dispensa cultura, mas o negativo na criança não?
Pense em:

Especificidade alta → poucos falsos-positivos. Sensibilidade moderada → falsos-negativos.

Resposta:

Especificidade ~95%: positivo é confiável (SpPIn). Sensibilidade ~75%: 1 em 4 infecções passa despercebida. Na criança, onde há incidência maior e risco real de febre reumática, o negativo precisa de cultura. No adulto, a baixa prevalência torna o falso-negativo pouco relevante.

?
Quem NÃO testar para EBHGA?
Resposta:

(1) Pacientes com características clínicas e epidemiológicas claras de quadro viral (tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite, aftas); (2) crianças < 3 anos — incidência baixa de EBHGA e febre reumática rara (exceto contexto especial, p. ex. irmão com estrepto). Também não se faz controle de cura em assintomáticos pós-tratamento.

?
Sem teste rápido nem cultura disponíveis, o que o livro recomenda?
Resposta:

Reavaliar em 48–72 h todo paciente com faringotonsilite aguda. Como a febre reumática é prevenida mesmo com antibiótico iniciado até ~9 dias após o início dos sintomas, há tempo para observar sem perder a janela de prevenção. Rotinas · cap. 6.1

05 / Conduta

Dor de garganta: fluxograma.

Toque em cada passo. A ordem importa: primeiro descarte gravidade, depois decida se testa.

1
Passo 01
Há sinal de alarme?
Trismo, voz abafada ("batata quente"), sialorreia, desvio de úvula, abaulamento unilateral, torcicolo/rigidez cervical, estridor, dispneia, toxemia, edema cervical.
SIM
Pensar em abscesso periamigdaliano / parafaríngeo / retrofaríngeo, epiglotite, Lemierre. Via aérea, ORL, TC contrastada se profundo, drenagem + ATB EV.
NÃO
Faringotonsilite aguda não complicada → passo 2.
2
Passo 02
Quadro claramente viral ou < 3 anos?
Tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite, aftas/vesículas, diarreia?
SIM
Não testar, não tratar. Analgésico/antitérmico, hidratação. Reavaliar em 48–72 h se febre persistir.
NÃO
Calcular Centor/McIsaac → passo 3.
3
Passo 03
Suspeita de EBHGA → teste rápido ou cultura
Suspeita clínico-epidemiológica (Tab. 6.1.1). Colher swab das duas tonsilas e da parede da faringe, sem tocar outros locais da boca.
POSITIVO
Tratar (passo 5). Cultura desnecessária.
NEGATIVO
Passo 4.
Quem usa escore (Centor/McIsaac ≤ 1)

Sem teste, sem antibiótico. O livro não usa escore: considera-o impreciso.

4
Passo 04
Teste negativo: criança ou adulto?
CRIANÇA/ADOL.
Cultura. Positiva → tratar. Negativa → sintomáticos.
ADULTO
Negativo basta. Sintomáticos.
Sem teste disponível

Reavaliar em 48–72 h (a janela de prevenção da FR é de ~9 dias).

5
Passo 05
EBHGA confirmado: tratar
SEM ALERGIA
Amoxicilina VO 10 dias ou penicilina V 10 dias ou penicilina G benzatina IM dose única.
ALERGIA
Não imediata: cefalexina/cefadroxila 10 d (até 20% têm reação cruzada). Imediata (anafilaxia, tipo I): sem cefalosporinaazitromicina 5 d, claritromicina 10 d ou clindamicina 10 d. Sulfonamidas: nunca.
06 / Tratamento

Por que e como tratar.

Viral

Alívio sintomático — analgésicos/antitérmicos e hidratação. Reavaliação clínica em 48–72 h se a febre não remitir. Rotinas · cap. 6.1

EBHGA — objetivos do antibiótico Rotinas · cap. 6.1

1
Prevenir febre reumática

O motivo principal. O livro: o emprego correto de antibacterianos até nove dias após o início do quadro é capaz de impedir a febre reumática — exige erradicação, por isso 10 dias de via oral.

2
Prevenir complicações supurativas

Abscesso periamigdaliano, retrofaríngeo, adenite cervical supurada.

3
Encurtar a fase aguda e diminuir a transmissão

Frase do livro. Detalhe da literatura (não está no livro): reduz sintomas em ~1 dia; após 24 h de ATB a criança deixa de transmitir.

GNPE e o antibiótico. O livro diz, de forma genérica, que o antimicrobiano "reduz o risco de sequelas supurativas e não supurativas" e só afirma com todas as letras que impede a febre reumática (até 9 dias). A literatura é clara em que não há evidência de prevenção da glomerulonefrite pós-estreptocócica. Frase de prova "o antibiótico previne febre reumática e GNPE" → trate como FALSA; "reduz o risco de sequelas não supurativas" → verdadeira (é a frase do livro).

Tabela 6.1.2 — antibióticos para faringotonsilite estreptocócica Rotinas · Tab. 6.1.2

1ª escolha: penicilina ou amoxicilina, por via oral, 10 dias, mesmo que o paciente fique assintomático nos primeiros dias. A penicilina G benzatina IM está indicada, segundo o livro, para quem não adere ao tratamento oral pelo prazo recomendado.

Fármaco / viaDoseDuração
Não alérgicos à penicilina
Penicilina V / oralCrianças: 250 mg 2 ou 3×/dia · adolescentes e adultos: 250 mg 4×/dia ou 500 mg 2×/dia10 dias
Amoxicilina / oral50 mg/kg 1×/dia (máx. 1.000 mg) ou 25 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 500 mg/dose)10 dias
Penicilina G benzatina / IM< 27 kg: 600.000 UI · > 27 kg: 1.200.000 UI1 dose
Alérgicos à penicilina
Cefalexinaa / oral20 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 500 mg/dose)10 dias
Cefadroxilaa / oral30 mg/kg 1×/dia (máx. 1 g)10 dias
Clindamicina / oral7 mg/kg/dose 3×/dia (máx. 300 mg/dose)10 dias
Azitromicinab / oral12 mg/kg 1×/dia (máx. 500 mg)5 dias
Claritromicinab / oral7,5 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 250 mg/dose)10 dias

a Evitar em pacientes com hipersensibilidade imediata à penicilina. b Resistência do EBHGA a esses fármacos é bem documentada e varia geográfica e temporalmente. Fonte da tabela no livro: Shulman et al. (IDSA 2012).

Regras do texto do livro Rotinas · cap. 6.1

Alergia

  • Novos macrolídeos (claritro, azitro) são efetivos, com estudos até de erradicação superior à penicilina, mas a resistência deve restringir seu uso aos alérgicos à penicilina.
  • Cefalosporinas de 1ª geração (cefalexina, cefadroxila) por 10 dias: alternativa aceitável, sobretudo em alérgicos; até 20% dos sensíveis à penicilina também o são às cefalosporinas.
  • Hipersensibilidade imediata (anafilática, tipo I) → não usar cefalosporina.

Não fazer / situações especiais

  • Sulfonamidas: não usar (ineficazes contra EBHGA), mesmo disponíveis nos postos.
  • Cursos curtos (≤ 5 dias) com cefalosporinas de 1ª/2ª geração e claritromicina já erradicaram o estreptococo em estudos, mas não há evidência definitiva para recomendar.
  • Tonsilites recorrentes e crônicas: pensar em produtores de β-lactamase e anaeróbios → amoxicilina + clavulanato, cefalosporina de 2ª geração ou clindamicina (sem consenso).
ATB oral
10 d
amoxi / Pen V · livro
Pen G benzatina
1 dose
IM · corte 27 kg
Azitromicina
5 d
única exceção de duração
Reação cruzada
até 20%
penicilina × cefalosporina
Parar Pen no D3 / D5
50/30%
recidiva · resumo, não livro
Livro × literatura (benzatina): o livro (Rotinas) diz que a penicilina G benzatina está indicada "para os que não aderem ao tratamento oral". A IDSA/AHA a colocam como 1ª escolha equivalente à amoxicilina/penicilina V, preferida onde a febre reumática é endêmica. Para a prova, a frase do livro (benzatina = quem não adere); de todo modo, as três opções da tabela estão corretas.
Livro × livro (janela da febre reumática): o cap. 6.1 diz que o antibiótico até 9 dias após o início do quadro impede a febre reumática. O cap. 7.5 (Antimicrobianos) cita até 7 dias, segundo a OMS, para iniciar a penicilina. Para a prova de faringotonsilite, 9 dias (frase do capítulo e da conclusão); se a questão citar a OMS, 7 dias.

O que o capítulo de Antimicrobianos cobra Rotinas · cap. 7.5

Quadro 7.5.1 · Grupos de antimicrobianos mais usados em ORL
BetalactâmicosPenicilina G · penicilina V · isoxazolilpenicilinas (oxacilina, dicloxacilina) · ampicilina, amoxicilina, amoxicilina + clavulanato · ampicilina + sulbactam · cefalosporinas · carbapenêmicos
Macrolídeos e lincosamidasAzitromicina, claritromicina · clindamicina
Aminoglicosídeos
GlicopeptídeosVancomicina, teicoplanina
OutrosCloranfenicol · tetraciclinas · quinolonas
07 / Situações especiais

Não é qualquer amigdalite.

EntidadeAgenteAchado-chaveConduta
MononucleoseEBVAdolescente; tonsilas muito aumentadas com exsudato; adenopatia posterior; esplenomegalia; astenia; linfócitos atípicosSintomáticos (odinofagia intensa pode desidratar); sem amoxicilina; evitar esporte de contato 3–4 sem; corticoide só se obstrução de via aérea
HerpanginaCoxsackie AVesículas/úlceras em palato mole, pilares, úvula; criança; verãoSintomáticos, hidratação
Febre faringoconjuntivalAdenovírusFaringite exsudativa + conjuntivite + febreSintomáticos
DifteriaCorynebacterium diphtheriaePseudomembrana acinzentada, aderente, sangra ao destacar, ultrapassa tonsilas (úvula, palato); "pescoço taurino"; não vacinadoSoro antidiftérico + penicilina ou eritromicina; isolamento; notificação compulsória; risco de miocardite, neurite, obstrução
Angina de Plaut-VincentFusobacterium + espiroquetas (Treponema/Borrelia vincentii)Úlcera unilateral com pseudomembrana facilmente destacável; halitose fétida; má higiene oral; adolescente/adulto jovem; pouca febrePenicilina ou metronidazol + higiene oral
EscarlatinaEBHGA (toxina eritrogênica)Rash em lixa, Pastia, Filatov, língua em framboesaComo faringite estreptocócica
CandidíaseCandidaPlacas brancas removíveis; imunossupressão, corticoide inalatório, ATBNistatina/fluconazol

No livro, as "situações especiais" são só mononucleose e abscesso peritonsilar. Herpangina, febre faringoconjuntival, difteria, Plaut-Vincent, escarlatina e candidíase vêm da literatura geral e do resumo.

Mononucleose em detalhe Rotinas · cap. 6.1

Clínica, pelo livro

  • EBV, altamente linfotrópico: edema difuso do anel de Waldeyer e linfonodos cervicais, axilares e inguinais
  • Odinofagia intensa (pode desidratar); tonsilas palatinas e faríngea aumentadas → pode haver obstrução importante da via aérea
  • Início rápido, sintomas por semanas, frequentemente com tratamento antibiótico malsucedido
  • Mal-estar, astenia, temperatura normal ou elevada, tonsilas muito aumentadas com exsudato, hepatomegalia e esplenomegalia
  • A maioria dos casos não é diagnosticada: muitas crianças já têm IgG anti-VCA (infecção passada)

Laboratório, pelo livro

  • Cultura das tonsilas: para infecção bacteriana coexistente
  • Hemograma: leucocitose (às vezes intensa) e linfocitose; pesquisa de linfócitos atípicos
  • Anti-VCA: IgM > 1:10 e IgG > 1:320 = infecção aguda ou recente
  • Monoteste (anticorpos heterófilos IgM, Paul-Bunnell): comum e barato, mas não fidedigno na fase inicial e em crianças < 5 anos
?
Adolescente de 16 anos com "amigdalite purulenta" recebe amoxicilina e, no 3º dia, surge exantema maculopapular difuso. Alergia a penicilina?
Pense em:

Onde estavam os linfonodos? Baço palpável? Muito cansaço?

Resposta:

Provável mononucleose (EBV): o rash por amino-penicilina é uma reação imunológica típica da infecção aguda e não significa alergia verdadeira permanente. Pedir hemograma (linfocitose com atípicos), monoteste/sorologia VCA-IgM, transaminases. Suspender amoxicilina, sintomáticos, afastar de esportes de contato (risco de ruptura esplênica).

?
Por que o monoteste negativo não exclui mononucleose numa criança de 3 anos?
Resposta:

O livro: o monoteste (anticorpos heterófilos, Paul-Bunnell) não é fidedigno na fase inicial da doença e em crianças menores de 5 anos. Nesses casos, pedir anti-VCA: IgM > 1:10 e IgG > 1:320 indicam infecção aguda ou recente. Rotinas · cap. 6.1

Percentuais (não estão no livro): o resumo diz "hepatomegalia (até 50%) e esplenomegalia, rash cutâneo (até 10%)"; o livro só cita hepato e esplenomegalia, sem números. A literatura atual indica o inverso nos órgãos: esplenomegalia ≈ 50% e hepatomegalia ≈ 10–15% (hepatite laboratorial, com transaminases elevadas, é comum). O rash espontâneo ocorre em ~5–10%, mas sobe muito (classicamente 70–90%; estudos recentes ~30%) após amoxicilina/ampicilina.

Difteria

  • Membrana acinzentada, aderente, sangra ao remover
  • Ultrapassa os limites da tonsila
  • Toxemia, edema cervical ("pescoço taurino")
  • Não vacinado

Plaut-Vincent

  • Unilateral, úlcera necrótica
  • Pseudomembrana destacável
  • Hálito fétido, má higiene dentária
  • Pouco comprometimento sistêmico
08 / Complicações

Supurativas × não supurativas.

A classificação do livro Rotinas · cap. 6.1
Não supurativas: febre reumática (rara em adultos) e glomerulonefrite aguda, geralmente 1 a 3 semanas após a infecção.
Supurativas: abscesso peritonsilar, abscesso retrofaríngeo e adenite/abscesso cervical.
O EBHGA preocupa ainda por infecções purulentas e invasivas, escarlatina, e por ser altamente transmissível em creches e escolas.

Supurativas — espaços profundos

Abscesso periamigdaliano

A mais comum. Adolescente/adulto jovem.

Onde: entre a cápsula da tonsila palatina e o músculo constritor superior; geralmente polo superior.
Clínica (livro): processo mais grave que a faringotonsilite aguda: dor de garganta unilateral intensa, sialorreia, trismo, febre e comprometimento do estado geral. Da literatura: voz de "batata quente", otalgia reflexa, trismo por irritação do pterigóideo medial.
Exame: abaulamento do palato mole/pilar anterior, tonsila deslocada medialmente, desvio da úvula para o lado contralateral.
Diagnóstico: clínico; TC contrastada se dúvida (celulite × abscesso) ou suspeita de extensão.
Tratamento: drenagem (punção aspirativa ou incisão) + antibiótico cobrindo estrepto e anaeróbios (amoxicilina-clavulanato, clindamicina, ou penicilina + metronidazol), analgesia, hidratação. Recorrência → indicação de amigdalectomia.

Abscesso parafaríngeo

Espaço lateral, vizinho da carótida e jugular.

Clínica: febre, trismo, tumefação cervical no ângulo da mandíbula, abaulamento da parede lateral da faringe (tonsila medializada sem abaulamento do palato).
Riscos: trombose jugular, erosão carotídea, mediastinite.
Conduta: TC contrastada, internação, ATB EV, drenagem (frequentemente externa).

Abscesso retrofaríngeo

Criança pequena (< 5 anos).

Por que criança: linfonodos retrofaríngeos (Rouvière) involuem após ~5 anos.
Clínica: febre, odinofagia, sialorreia, rigidez/dor à extensão cervical (torcicolo), estridor, abaulamento da parede posterior.
Imagem: RX cervical perfil com alargamento pré-vertebral; TC contrastada confirma.
Risco: obstrução de via aérea, mediastinite. Drenagem + ATB EV.

Síndrome de Lemierre

Faringite → tromboflebite séptica da jugular.

Agente: Fusobacterium necrophorum (anaeróbio).
Quem: adolescente/adulto jovem hígido.
Quadro: faringite que "melhora" e, dias depois, febre alta com calafrios + dor/edema cervical ao longo do ECM (tromboflebite da veia jugular interna) + êmbolos sépticos pulmonares (nódulos cavitados).
Conduta: TC/US com contraste, hemoculturas, ATB EV prolongado com cobertura anaeróbia (penicilina/ampicilina-sulbactam + metronidazol); anticoagulação é controversa.

Também supurativas: adenite/abscesso cervical, otite média, sinusite, mastoidite.

Livro × literatura: o livro (Rotinas) diz que o abscesso peritonsilar é "na maioria das vezes causado por estafilococo dourado ou por flora múltipla de germes anaeróbios". Diretrizes e séries mais recentes descrevem infecção polimicrobiana com predomínio de EBHGA e anaeróbios (Fusobacterium, Prevotella), S. aureus em minoria. Para a prova, a frase do livro (estafilococo dourado ou anaeróbios); na prática, o ATB cobre estrepto + anaeróbios. Parafaríngeo e Lemierre não aparecem no capítulo. Rotinas · cap. 6.1

Não supurativas — imunomediadas

Febre reumática

  • No livro: 1–3 semanas após a infecção (literatura: 2–4 sem); só após faringite, não pele
  • Mimetismo molecular (proteína M)
  • Critérios de Jones: cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos
  • PREVENIDA por ATB até 9 dias (livro)
  • Rara em adultos (livro)

GNPE

  • ~1–2 sem após faringite (3–6 sem após impetigo)
  • Cepas nefritogênicas; hematúria, edema, HAS, C3 ↓
  • NÃO é prevenida pelo ATB

PANDAS

  • TOC/tiques de início abrupto após EBHGA em crianças
  • Controverso — sem consenso diagnóstico
  • Não indica amigdalectomia nem profilaxia rotineiras
Nota: o livro situa FR e GNA juntas em "1 a 3 semanas" (use esse número na prova). Didaticamente, na literatura: GNPE ~10 dias; FR ~2–4 semanas (média ~18 dias). Escarlatina e síndrome do choque tóxico estreptocócico são manifestações toxigênicas.
09 / Hipertrofia do anel de Waldeyer

Amígdala e adenoide grandes.

Hipertrofia adenotonsilar é o problema mais frequente do anel de Waldeyer. As manifestações mais frequentes são ronco e apneia. As hipertrofias faríngea (adenoide) e palatinas são as mais prevalentes; peritubárias e lingual têm menor expressão clínica. Rotinas · cap. 6.2

Quadro 6.2.1 · Manifestações

  • Ronco · apneia
  • Dificuldade de aprendizado · distúrbios de comportamento
  • Déficit de crescimento · enurese
  • Distúrbios de fala
  • Alterações musculoesqueléticas e ortodônticas
  • Alterações cardiovasculares

Quadro 6.2.2 · Exame físico

  • Impressão geral: alterações posturais, hipotonia da musculatura da face, lábio inferior evertido, fenda labial, olheiras
  • Posturais: escápulas aladas, pectus excavatum, hipercifose, pé plano
  • Ortodônticas: mordida cruzada, mordida aberta, palato ogival, apinhamento dentário, cáries

Classificação de Brodsky — tonsilas palatinas Rotinas · Tab. 6.2.1 · Fig. 6.2.1

Cinco graus (0 a 4) conforme quanto da luz da orofaringe as tonsilas ocupam (Brodsky e Koch).

GrauTonsilas palatinas
0Dentro da loja tonsilar, não perceptíveis na oroscopia
1Obstrução da orofaringe de até 25%
2Obstrução de 25 a 50%
3Obstrução de 50 a 75%
4Obstrução maior que 75% da luz da orofaringe
Cinco fotos de oroscopia mostrando tonsilas palatinas graus 0 a 4 de Brodsky
Brodsky das palatinas, graus 0 a 4. As setas apontam as tonsilas. Compare o espaço escuro entre as tonsilas e a úvula: amplo no grau 0–1 (tonsilas escondidas atrás dos pilares), metade no grau 2, estreito no grau 3 e quase ausente no grau 4, em que as tonsilas praticamente se tocam na linha média ("kissing tonsils"). Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 6.2.1.
Armadilhas do exame (livro): (1) não provocar reflexo nauseoso — ele projeta as tonsilas medialmente e faz parecer que são maiores; (2) ver os polos inferiores — a hipertrofia pode ser só inferior e obstruir em decúbito dorsal com polos superiores de tamanho normal; (3) rinoscopia anterior com espéculo não avalia a rinofaringe. Rotinas · cap. 6.2

Classificação de Brodsky — tonsila faríngea (adenoide) Rotinas · Tab. 6.2.2 · Fig. 6.2.2

Avaliada por radiografia simples de cavum ou videonasofibroendoscopia, com os mesmos critérios percentuais das palatinas.

GrauTonsila faríngea (TF)
0Sem hiperplasia da TF
1Até 25%
225–50%
350–75%
4Acima de 75%
Cinco imagens endoscópicas da rinofaringe mostrando adenoide graus 0 a 4 de Brodsky
Brodsky da adenoide pela nasofibroscopia, graus 0 a 4. A imagem é a visão da fibra pela fossa nasal olhando a coana. A área escura central é a luz da rinofaringe; a massa clara que desce do teto é a adenoide. Grau 0: coana livre. Graus 1–2: a adenoide ocupa o terço/metade superior. Grau 3: sobra só uma faixa inferior. Grau 4: a coana fica praticamente toda ocupada. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 6.2.2.

Exames complementares Rotinas · cap. 6.2 · 4.10

ExamePapel
Endoscopia nasal flexívelPadrão-ouro para hiperplasia de adenoides (cap. 4.10). Avalia coana, conchas, septo, função velofaríngea, oro e hipofaringe; permite diagnóstico diferencial; correlaciona-se melhor com os sintomas do que o RX. Praticamente sem complicações, mas desconfortável na criança.
RX de cavum (perfil)Se bem feito, boa correlação com a endoscopia em grau de obstrução (cap. 6.2), mas não faz diagnóstico diferencial e tem sensibilidade inadequada para análise criteriosa (cap. 4.10) → triagem. Sugere-se digitalizado em perfil, como na cefalometria.
TC / RMSem indicação na rotina; só se houver diferencial com tumor ou malformação.
PolissonografiaPadrão-ouro para apneia do sono; cara e pouco acessível. Pré-operatória reservada a alto risco (malformações de via aérea, cardiopatas/pneumopatas, obesos, déficit neurológico, história incoerente com exame) e à SAOS residual pós-operatória.
Oximetria noturnaTriagem: baixo custo, alta sensibilidade para dessaturação. PSG simplificada tem VPP alto e VPN baixo (negativo não exclui).
EcocardiogramaEstimativa da pressão pulmonar. Reservado a suspeita de hipertensão pulmonar: < 2 anos, síndrome de Down, muitas dessaturações na PSG/oximetria, episódios de cianose ou sinais de insuficiência cardíaca. (Cateterismo é o mais fidedigno, mas invasivo.)

Complicações da hipertrofia adenotonsilar Rotinas · cap. 6.2 · 4.10

1
Distúrbio respiratório do sono → SAOS

A obstrução adenotonsilar, mais aparente no sono, é a causa primária do distúrbio respiratório do sono na criança. Pais frequentemente negam apneias; filmagem do sono ou PSG confirmam. Consequências: comportamento, desenvolvimento neuropsicomotor, desempenho escolar.

2
Hipertensão pulmonar e cor pulmonale

As complicações mais graves (risco de vida). Hipertrofia adenotonsilar é uma das principais causas de HP em crianças, com pronta remissão após a cirurgia; descrita em 1965 (Noonan): respiração estertorosa, estridor, sonolência, hipertrofia ventricular direita no ECG, cardiomegalia, às vezes edema pulmonar e IC. HP por hipertrofia → indicação cirúrgica absoluta.

3
Síndrome do respirador oral (SRO)

Obstrução nasal crônica pela adenoide → respiração predominantemente oral na infância → alterações dos órgãos fonoarticulatórios, estética facial, ossos da face, dentes e postura; também cardiopulmonares, endócrinas, nutricionais, comportamento, escola e sono.

4
Orelha média (tuba auditiva)

O livro cita alterações da orelha média por obstrução da tuba auditiva ou por a adenoide ser foco de bactérias → otite média com efusão e OMA de repetição.

5
Voz, deglutição, olfato e apetite

Voz amortecida e anasalada (hiponasal, "voz amigdaliana"); disfagia para sólidos > líquidos, mastiga de boca aberta; olfato e paladar diminuídos → inapetência.

Conteúdo × continente: por que algumas crianças sofrem mais Rotinas · cap. 4.10

A adenoide (conteúdo) cresce ao mesmo tempo em que a nasofaringe (continente) muda com o crescimento do crânio e da face. A criança de 3 anos já tem ~90% do crânio; a relação face:crânio passa de 1:8 no recém-nascido para 1:2 no adulto, com crescimento facial muito rápido nos primeiros 4 anos. A face cresce para a frente e para baixo, e a nasofaringe, pequena e achatada na criança, fica maior e mais ogival.

Tomografias coronais da face em recém-nascido, 1 ano, 4 anos e 8 anos
Crescimento facial em TC coronal: (A) recém-nascido, (B) 1 ano, (C) 4 anos, (D) 8 anos. Veja as fossas nasais e os seios maxilares ganhando altura e largura ao longo da infância: o "continente" aumenta, e por isso a mesma adenoide obstrui mais aos 3–4 anos do que aos 8. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.10.1.
Quadro 4.10.1 · Tipo facialDescriçãoCom adenoide grande
MesofacialHarmonia, terços proporcionais, musculatura equilibrada; equilíbrio vertical × horizontalMenor comprometimento
BraquifacialMédio-facial largo, crescimento horizontal, musculatura potente (masseter hipertrofiado)Menor comprometimento
DolicofacialPredomínio vertical, crescimento vertical, ângulo goníaco e do plano mandibular aumentados, mordida aberta esquelética, musculatura hipotônica e estiradaQuadros mais graves: mais alteração dos órgãos fonoarticulatórios, da estética facial e osteodentária
Fotos de frente e perfil de três crianças com tipos faciais diferentes
Tipologia facial na ectoscopia. Três crianças de frente e de perfil. Observe a altura do terço inferior da face, o selamento labial e a projeção do mento: a face mais alongada, com lábios entreabertos e mento retraído, corresponde ao padrão dolicofacial, o que mais sofre com a respiração oral (a "face adenoideana" clássica). Síndromes com via aérea estreita (Robin, Down, Treacher Collins) agravam o quadro. Fonte: Rotinas em Otorrinolaringologia (Piltcher et al., 2015), Figura 4.10.2.

Quadro 4.10.2 · Manifestações por idade Rotinas · Quadro 4.10.2

IdadeO que aparece
0–2 anosRespiração ruidosa, ronqueira nasal, "nariz de porquinho", roncos, apneia obstrutiva, sono agitado, dificuldade para mamar, rinorreia, déficit de ganho ponderal
2–4 anosLábios entreabertos, baba, palato ogival/atrésico, mordida aberta ou cruzada, face sonolenta, problemas de linguagem oral, voz amigdaliana, enurese noturna, atraso de crescimento
4–6 anosFace alongada e inexpressiva, postura com cabeça e ombros projetados, acorda para beber água, cefaleia matinal, sonolência diurna, desatenção, hiperatividade, inapetência, mastiga de boca aberta
7 anos → adolescênciaEscrita e desempenho escolar ruins, boca seca, hiperplasia gengival, gengivite, halitose, baixo rendimento esportivo; adolescente: halitose e "dificuldade para beijar"

Tratamento clínico e interdisciplinar Rotinas · cap. 4.10

Decisão terapêutica (10 pontos do livro): grau e duração da obstrução (adenoide, fossas nasais, tonsilas palatinas, língua) · grupos especiais (obesos, Down, malformação facial, doença neurológica) · alergia respiratória · tipologia facial (dolicofacial pior) · saúde odontológica · saúde fonoarticulatória · postura · qualidade de vida e SAOS · escola e infecções recorrentes · crescimento ponderoestatural.
10 / Recorrência e cirurgia

Quando operar.

Critérios de Paradise (tonsilite de repetição) Rotinas · cap. 6.1

Em 1 ano
> 7
episódios ("mais que sete vezes ao ano")
Últimos 2 anos
5/ano
episódios
Últimos 3 anos
3/ano
episódios
Mal documentados
12 m
de observação
E cada episódio acompanhado de ≥ 1 de: febre > 38 °C · adenopatia cervical dolorosa · exsudato tonsilar · teste positivo para EBHGA (teste rápido ou cultura). Diretrizes (IDSA, AAP) recomendam a tonsilectomia para crianças que atendem esses critérios. Episódios não bem documentados → observação por 12 meses, pela resolução espontânea natural. Rotinas · cap. 6.1
Livro × literatura: o livro (Rotinas) escreve "mais que sete vezes ao ano". O critério original de Paradise e a AAO-HNS usam ≥ 7 episódios em 1 ano (7 já preenche) e acrescentam adenopatia > 2 cm. Para a prova, a redação do livro; numa questão com exatamente 7 episódios, leia com cuidado o que a alternativa afirma.
Fora de Paradise, a tonsilectomia também pode ser útil em recorrência com: febre periódica, estomatite aftosa, intolerância ou hipersensibilidade a vários antibióticos ou história de abscesso peritonsilar. Rotinas · cap. 6.1

Indicações de adenotonsilectomia Rotinas · cap. 6.2

De modo geral, o livro lista: roncos e/ou apneias (preferencialmente documentados), tonsilites de repetição, abscesso peritonsilar, suspeita de neoplasia (assimetria das tonsilas palatinas) e halitose. Segundo o consenso da AAO (2011), as duas causas mais comuns de indicação são distúrbios respiratórios do sono (do ronco primário à apneia obstrutiva) e infecção tonsilar recorrente.

Obstrutivas

  • Ronco/apneia, distúrbio respiratório do sono — a hipertrofia adenotonsilar é sua principal causa; a cirurgia melhora comportamento, escola e qualidade de vida
  • Hipertensão pulmonar por hipertrofia → indicação absoluta
  • Cor pulmonale, déficit de crescimento, disfagia

Infecciosas e outras

  • Tonsilite de repetição que preenche Paradise (benefício nos casos graves, não nos leves, por 2 anos)
  • Abscesso peritonsilar
  • Assimetria tonsilar (suspeita de neoplasia)
  • Halitose (caseum nas criptas)
Pérolas do cap. 6.2: a adenotonsilectomia é o procedimento cirúrgico mais realizado em pediatria; houve queda de ~30% após os anos 1970, e hoje talvez seja menos indicada do que deveria (medo de sangramento, baixa remuneração). Tonsilectomia = remoção completa, incluindo a cápsula, dissecando o espaço peritonsilar. Coagulograma e hemograma não são necessários em criança hígida sem história compatível; crianças com SAHOS merecem investigação cardiorrespiratória. Não há prejuízo imunológico.

Adenoidectomia Rotinas · cap. 4.10

Absolutas × relativas

  • Absolutas: maior risco de mortalidade ou morbidade, principalmente com SAOS
  • Relativas: interferem na qualidade de vida ou risco moderado de morbidade
  • Indicada a quem tem saúde/qualidade de vida comprometidas e não melhora com mudança de hábitos e tratamento clínico
  • Alterações moderadas/graves dos órgãos fonoarticulatórios, postura e dentes = critérios complementares

Fatores de risco (cuidados especiais)

  • Fissura palatina submucosa (aparente ou oculta), úvula bífida, hipotonia/paralisia do palato
  • Malformações craniofaciais, déficit neurológico
  • Vasos cervicais anômalos (síndrome velocardiofacial)
  • Instabilidade cervical (Down, acondroplasia)
  • Refluxo nasal de líquidos e voz hipernasal (risco de piorar a insuficiência velofaríngea)
Complicações
< 5%
maiores e menores
Internação
~12 h
recuperação tranquila
Sindrômicos, Down
UTI
risco respiratório pós-op

Complicações mais comuns: hemorragia imediata e pós-operatória, desidratação, edema de via aérea, estenose/aderências, acentuação da disfunção velofaríngea e anestésicas. São menores quando se faz só a adenoidectomia. Rotinas · cap. 4.10

Pós-operatório (literatura, complementa o livro): na tonsilectomia a hemorragia pode ser primária (< 24 h) ou secundária (5–10 dias, queda da escara). O livro não trata a fenda submucosa como contraindicação absoluta, e sim como fator de risco que exige planejamento especial.
11 / Números que caem

Decore isto.

Dor de garganta
queixa em emergência
Faringotons. aguda
~5%
das consultas
Duração usual
3–4 d
autolimitada
Incubação
1–4 d
gotículas
Viral < 3 anos
75%
dos casos
EBHGA BR 2–12 a
24%
das faringotons.
Idade EBHGA
5–15
anos (3–15)
Ig nas criptas
5
classes + cadeia J
Cultura · sens.
90–95%
padrão-ouro
Teste rápido · sens.
75%
espec. 95%
Reavaliar
48–72 h
sem teste / febre
ATB oral
10 d
amoxi / Pen V
Benzatina
27 kg
600 mil × 1,2 milhão UI
Azitromicina
5 d
12 mg/kg/dia
Reação cruzada
20%
penicilina × cefalosporina
Janela FR
9 d
cap. 6.1 (OMS/cap. 7.5: 7 d)
Bacterianas
~30%
das faringotonsilites
Anti-VCA
1:10 · 1:320
IgM · IgG = aguda/recente
Monoteste falha
< 5 a
e fase inicial
Não supurativas
1–3 sem
após infecção
Paradise
7·5·3
1 · 2 · 3 anos
Sem documentação
12 m
observar
Brodsky
0–4
25 · 50 · 75%
Anel ativo
3–10 a
pico fisiológico
MALT
50%
do tecido linfoide
Face : crânio
1:8 → 1:2
RN → adulto
Adenoidectomia
< 5%
complicações · ~12 h
Eco se
< 2 a
Down, cianose, IC, dessaturação
Roncam
60%
homens > 50 anos
Halitose
90%
causa na boca
Mono · esplenomeg.
~50%
literatura, não livro
Retrofaríngeo
< 5 a
linfonodos de Rouvière
12 / Pegadinhas de prova

Frases que derrubam.

"Exsudato tonsilar confirma etiologia bacteriana." → FALSO. Vírus (adenovírus, EBV) dão placas. Diagnóstico é clínico-epidemiológico + teste.
"O tratamento antibiótico previne febre reumática e glomerulonefrite." → FALSO para GNPE.
"Teste rápido negativo exclui EBHGA em crianças." → FALSO: negativo em criança/adolescente exige cultura. Em adulto, basta.
"Teste rápido positivo deve ser confirmado por cultura." → FALSO: especificidade ~95%, trata direto.
"Deve-se testar todas as crianças com dor de garganta, independentemente da idade." → FALSO: < 3 anos e quadros virais evidentes não se testam.
"Se o paciente ficar assintomático no 3º dia, pode suspender a amoxicilina." → FALSO: 10 dias para erradicar (recidiva 50% se parar no D3).
"Rash após amoxicilina = alergia à penicilina." → Pense em mononucleose.
"Abscesso periamigdaliano se trata com antibiótico oral e retorno." → FALSO: drenagem + ATB.
"A úvula desvia para o lado do abscesso." → FALSO: desvia para o lado oposto (é empurrada).
"Todos os agentes bacterianos da faringite devem ser tratados." → FALSO: só EBHGA tem indicação definitiva.
"PANDAS é indicação consagrada de amigdalectomia." → FALSO: entidade controversa.
"A adenotonsilectomia só se indica por infecção de repetição." → FALSO: pelo livro, as duas causas mais comuns são distúrbio respiratório do sono e infecção recorrente; também abscesso peritonsilar, assimetria (neoplasia) e halitose.
"ASLO, PCR e leucograma ajudam a diagnosticar faringite estreptocócica." → FALSO: as diretrizes contraindicam esses exames.
"Sulfametoxazol-trimetoprima é opção para EBHGA por estar disponível nos postos." → FALSO: sulfonamidas são ineficazes.
"Retirar amígdalas e adenoide compromete a imunidade da criança." → FALSO: sem repercussão negativa na imunidade celular e humoral.
"O reflexo nauseoso ajuda a expor as amígdalas para graduá-las." → FALSO: projeta as tonsilas medialmente e superestima o tamanho.
"A radiografia de cavum é o padrão-ouro para adenoide." → FALSO: padrão-ouro é a endoscopia nasal flexível; RX serve de triagem.
13 / Questões

Treino no estilo da prova.

Prova antiga: nenhuma das 30 questões da prova antiga (S26) foi sobre faringotonsilites. O tema cai na Prova 1 (17/09). As questões abaixo são inéditas, no mesmo estilo: INCORRETA/EXCETO, assertivas combinadas, V/F, vinhetas de conduta e associações agente × quadro. As questões 14 a 18 foram escritas a partir de frases e números do livro Rotinas.
1) Menino de 7 anos com dor de garganta de início súbito há 1 dia, febre de 38,7 °C e dor abdominal. Sem tosse ou coriza. Ao exame: hiperemia e exsudato tonsilar bilateral, petéquias em palato e linfonodos cervicais anteriores dolorosos. Qual a conduta mais adequada?
2) Sobre a faringotonsilite pelo estreptococo β-hemolítico do grupo A, assinale a alternativa INCORRETA:
3) Adolescente de 17 anos com febre, dor de garganta e cansaço intenso há 6 dias. Tonsilas muito aumentadas com exsudato, linfonodomegalia cervical posterior e baço palpável. Considere:
I – Um hemograma com linfocitose e linfócitos atípicos reforça a hipótese diagnóstica.
II – Se surgir exantema após amoxicilina, está caracterizada alergia verdadeira à penicilina, contraindicando betalactâmicos por toda a vida.
III – Deve-se orientar afastamento de esportes de contato pelo risco de ruptura esplênica.
4) Mulher de 20 anos com faringite há 5 dias, com piora nas últimas 48 h: dor de garganta intensa à esquerda, sialorreia, trismo e voz abafada. Ao exame, abaulamento do palato mole e do pilar anterior à esquerda, com úvula desviada para a direita. A conduta é:
5) Atribua V ou F:
( ) Não se recomenda testar rotineiramente para EBHGA crianças menores de 3 anos.
( ) A presença de placas purulentas nas tonsilas confirma a etiologia bacteriana, dispensando teste.
( ) A cultura de orofaringe é o padrão-ouro, com sensibilidade de 90–95%.
( ) O teste rápido tem sensibilidade de ~95% e especificidade de ~75%.
( ) Macrolídeos são alternativa para pacientes com hipersensibilidade à penicilina.
6) Criança de 4 anos, em janeiro, com febre, recusa alimentar e odinofagia. Ao exame, pequenas vesículas e úlceras com halo eritematoso em palato mole, pilares amigdalianos e úvula, sem exsudato e com gengivas normais. O agente mais provável é:
7) Qual das seguintes crianças preenche os critérios de Paradise para amigdalectomia por faringotonsilite recorrente?
8) Rapaz de 18 anos teve faringite há 8 dias. Evoluiu com febre alta com calafrios, dor e edema no pescoço à direita ao longo do esternocleidomastóideo e dispneia. A TC de tórax mostra múltiplos nódulos pulmonares periféricos cavitados. Agente e complicação mais prováveis:
9) Criança de 6 anos, sem vacinação, com febre baixa, prostração e odinofagia. Nas tonsilas, placa acinzentada que se estende à úvula e ao palato. Há edema cervical volumoso. Sobre a principal hipótese, é INCORRETO afirmar:
10) Sobre as complicações não supurativas da infecção por EBHGA:
I – A febre reumática ocorre semanas após a faringite e pode ser prevenida com antibiótico iniciado até cerca de 9 dias do início dos sintomas.
II – O tratamento precoce da faringite previne a glomerulonefrite pós-estreptocócica.
III – PANDAS é entidade consensual e indicação consagrada de amigdalectomia.
IV – A escarlatina decorre de exotoxina pirogênica estreptocócica.
11) Menino de 4 anos, respirador oral, com ronco alto, pausas respiratórias durante o sono e hipoacusia. À otoscopia, membranas timpânicas opacas com nível líquido bilateral. Sobre o quadro, assinale a CORRETA:
12) Adolescente de 14 anos com teste rápido positivo para EBHGA. Relata urticária generalizada e edema de glote após penicilina no passado. A melhor opção é:
13) Homem de 35 anos com dor de garganta, febre de 38,4 °C, tosse e exsudato tonsilar. Sem linfonodos cervicais palpáveis. Pelo escore de McIsaac, a pontuação e a conduta são:
Rotinas · INCORRETA
14) Sobre o diagnóstico da faringotonsilite estreptocócica segundo Rotinas em Otorrinolaringologia, assinale a alternativa INCORRETA:
Rotinas · assertivas
15) Sobre o tratamento antimicrobiano da faringotonsilite por EBHGA, conforme a Tabela 6.1.2 e o texto do livro, considere:
I – A amoxicilina pode ser prescrita como 50 mg/kg 1×/dia (máximo 1.000 mg) por 10 dias.
II – A penicilina G benzatina é feita em dose única: 600.000 UI abaixo de 27 kg e 1.200.000 UI acima de 27 kg.
III – A azitromicina é usada por 10 dias, como os demais esquemas.
IV – Pacientes com hipersensibilidade imediata à penicilina não devem ser tratados com cefalosporinas.
Rotinas · vinheta de conduta
16) Menina de 5 anos com ronco alto todas as noites, pausas respiratórias presenciadas, respiração oral e enurese. Na oroscopia, as tonsilas palatinas ocupam cerca de 60% da luz da orofaringe. Qual a conduta e a classificação corretas?
Rotinas · V/F
17) Sobre hipertrofia adenotonsilar e cirurgia, atribua V ou F:
( ) Diagnosticada hipertensão pulmonar decorrente de hipertrofia adenotonsilar, a indicação cirúrgica torna-se absoluta.
( ) O reflexo nauseoso durante a oroscopia deve ser provocado para expor melhor as tonsilas.
( ) A adenotonsilectomia é o procedimento cirúrgico mais realizado na faixa etária pediátrica.
( ) A adenotonsilectomia reduz de forma importante a imunidade celular e humoral da criança.
( ) A polissonografia é o exame padrão-ouro para documentar apneias do sono.
Rotinas · EXCETO
18) Menino de 6 anos com 4 episódios de faringotonsilite por ano nos últimos 3 anos, todos com febre > 38 °C e exsudato registrados em prontuário. Segundo o livro, são situações que apoiam a indicação de tonsilectomia, EXCETO:
14 / Revisão relâmpago

Véspera da prova.

Responda em voz alta antes de abrir. Errou? Volte à seção.

1
Componentes do anel de Waldeyer?

Adenoide (faríngea), peritubárias, palatinas, lingual e o tecido linfoide da parede posterior da orofaringe.

2
Única faringite bacteriana com indicação definitiva de ATB?

EBHGA (S. pyogenes).

3
4 critérios do Centor + ajuste de McIsaac?

Febre > 38, ausência de tosse, linfonodos anteriores dolorosos, edema/exsudato tonsilar; +1 (3–14 a), 0 (15–44), −1 (≥ 45).

4
TR negativo: criança × adulto?

Criança/adolescente → cultura. Adulto → basta.

5
Sensibilidade da cultura e do TR?

Cultura 90–95%. TR sens ~75%, espec ~95%.

6
Quem não testar?

< 3 anos e quadros claramente virais.

7
Esquemas de 1ª linha para EBHGA?

Amoxicilina ou Pen V VO 10 dias; Pen G benzatina IM dose única (600 mil < 27 kg / 1,2 milhão ≥ 27 kg).

8
Alergia imediata à penicilina?

Azitromicina 5 d, claritromicina 10 d ou clindamicina 10 d.

9
O ATB previne o quê — e o que não?

Previne FR e supurativas; não previne GNPE.

10
Tríade EBV + armadilha terapêutica?

Febre, faringite exsudativa, adenopatia posterior (+ esplenomegalia, linfócitos atípicos). Rash com amoxicilina.

11
Abscesso periamigdaliano: 4 sinais e conduta?

Trismo, voz de batata quente, sialorreia, úvula desviada para o lado oposto. Drenagem + ATB (estrepto + anaeróbios).

12
Lemierre: agente e lesão?

Fusobacterium necrophorum; tromboflebite séptica da jugular interna + êmbolos pulmonares.

13
Difteria × Plaut-Vincent?

Difteria: membrana acinzentada aderente, sangra, não vacinado. Plaut-Vincent: úlcera unilateral, membrana destacável, halitose, fusoespiroquetas.

14
Critérios de Paradise?

Mais que 7 no último ano, 5/ano nos últimos 2 anos ou 3/ano nos últimos 3 anos; cada episódio com febre > 38 °C, adenopatia cervical dolorosa, exsudato ou teste + para EBHGA. Mal documentados: observar 12 meses.

15
Brodsky: o que separa os graus 1, 2, 3 e 4?

Percentual de obstrução: até 25%, 25–50%, 50–75%, > 75%. Grau 0 = tonsilas dentro da loja. Mesmos cortes para a adenoide (volume da tonsila faríngea).

16
Padrão-ouro para adenoide, para apneia e para EBHGA?

Adenoide: endoscopia nasal flexível (RX de cavum = triagem). Apneia: polissonografia (oximetria = triagem). EBHGA: cultura de orofaringe.

17
Indicações de adenotonsilectomia listadas pelo livro?

Roncos/apneias documentados, tonsilites de repetição, abscesso peritonsilar, suspeita de neoplasia (assimetria) e halitose. Hipertensão pulmonar por hipertrofia = absoluta.

18
Hipertrofia de adenoide: 4 consequências?

Ronco/apneia/SAOS, respiração oral, voz anasalada e amortecida, otite média (tuba), fácies adenoideana (palato ogival, face alongada, mordida aberta/cruzada). Graves: hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

15 / Take-Home

Pontos essenciais.

1

A maioria é viral

75% em < 3 anos. Tosse, coriza, conjuntivite, aftas → sem teste, sem ATB. Exsudato não define bactéria.

2

Escore decide quem testar

Centor/McIsaac ≥ 2 → teste rápido. Positivo trata; negativo em criança → cultura; em adulto, basta.

3

10 dias ou uma injeção

Amoxicilina/Pen V 10 dias ou benzatina IM única. Alergia imediata: azitro 5 d ou clinda.

4

Trata-se pela febre reumática

Janela de ~9 dias. GNPE não é prevenida. PANDAS é controverso.

5

Reconheça o espaço profundo

Trismo + batata quente + úvula desviada = periamigdaliano → drenar. Criança com torcicolo = retrofaríngeo. Jugular + pulmão = Lemierre.

6

Cirurgia: 7·5·3 e sono

Paradise (documentado; senão, observar 12 meses) para infecção. Distúrbio do sono e infecção recorrente são as duas causas mais comuns; HP por hipertrofia é indicação absoluta.

7

Gradue com Brodsky

0 a 4 pelos cortes de 25 · 50 · 75%, iguais para palatina e adenoide. Adenoide: endoscopia nasal é o padrão-ouro; RX de cavum, triagem.

8

Respirador oral cobra caro

Ronco, apneia, enurese, escola, face alongada com palato ogival e mordida cruzada — pior no dolicofacial. Tirar amígdala e adenoide não derruba a imunidade.