A dor de garganta é quase sempre viral. O trabalho do médico é achar o estreptococo do grupo A sem dar antibiótico para todo mundo, reconhecer o abscesso e saber quando indicar a cirurgia.
A faringe é "guardada" por um anel de tecido linfoide (MALT) que fica exatamente na entrada das vias aérea e digestiva. É o primeiro contato imunológico com o que respiramos e comemos, e por isso inflama tanto na infância.
Criptas, imunoglobulinas, a molécula que "fecha" a IgA.
Secretam imunoglobulinas nas criptas — são capazes de produzir as cinco classes (IgA, IgG, IgM, IgD e IgE) — e produzem a cadeia J, que completa a estrutura da IgA secretora, a qual migra para o restante da via aérea superior.
Imunidade passiva.
Proteção pela IgG materna. Em < 3 anos, ~75% das faringotonsilites são virais e a febre reumática é raríssima — por isso não se testa rotineiramente para EBHGA nessa faixa.
Streptococcus viridans (flora normal). Faz interferência bacteriana: inibe crescimento/aderência de patógenos. Antibiótico repetido desequilibra essa flora e seleciona resistência — mais um motivo para não tratar toda dor de garganta.
O capítulo de semiologia do livro é curto, mas define a rotina de exame e as queixas. Três ideias cobráveis: começa pela palpação cervical, oroscopia sem provocar reflexo nauseoso e "faringite" não quer dizer bactéria. Rotinas · cap. 5
Identificar músculos, cartilagens, glândulas salivares, tireoide e os grupos de linfonodos. Descrever tamanho, consistência, mobilidade e sinais inflamatórios (calor, rubor).
Fonte de luz; abaixador de língua no terço anterior e médio da língua (evita reflexo nauseoso). Paciente relaxa a língua e respira pela boca. Inspecionar óstios dos ductos de Stensen (parótida) e Wharton (submandibular). Palpar língua, bochechas e, bidigitalmente, o soalho.
Formato e dimensão das tonsilas, parede posterior, movimento e sensibilidade do palato mole. Palpar as lojas amigdalianas e a base da língua.
A rinoscopia posterior com espelho foi substituída pela nasofaringoscopia (endoscópio rígido ou flexível pela fossa nasal). Hipofaringe: nasofibroscopia flexível ou endoscópio rígido de 70° pela boca (laringoscopia indireta).
Queixas de boca, faringe e laringe exigem exame do pescoço: pode ser sede de metástase ou de extensão de infecção para espaços profundos.





| Queixa | O que o livro enfatiza |
|---|---|
| Odinofagia (dor ao engolir) | Causa aguda mais comum: vírus, depois bactérias, raramente fungos. "Faringite/faringotonsilite" indica só inflamação, sem etiologia bacteriana implícita: o médico deve nomear "tonsilite viral" ou "bacteriana". Também: xerostomia (Sjögren, radioterapia, respiração bucal, fármacos), trauma, corpo estranho, neoplasia. |
| Disfagia | Orofaríngea × esofágica. Temporária: inflamação/infecção aguda. Longa duração: obstrução mecânica (corpo estranho, neoplasia) ou doença neuromuscular. Também Zenker, osteófitos, radioterapia. |
| Ronco e apneia | ~60% dos homens > 50 anos roncam. "Todo apneico é um roncador." Polissonografia é o padrão-ouro da SAHOS. |
| Estridor | Extratorácico → inspiratório; intratorácico → expiratório; lesão fixa (estenose subglótica) → bifásico. Endoscopia sob anestesia: mnemônico SPECS-R (severidade, progressão, alimentação, cianose, sono, radiologia). |
| Halitose | Causas da boca = 90% (má higiene, gengivite, saburra lingual, caseum amigdalino); fisiológicas (jejum); sistêmicas (diabetes, rim, fígado). |
A maioria é viral: adenovírus, rinovírus, influenza, parainfluenza, Coxsackie, VSR, herpes simples e Epstein-Barr. Entre as bactérias, o estreptococo β-hemolítico do grupo A (EBHGA, S. pyogenes) é o único para o qual o antibiótico está definitivamente indicado — para prevenir complicações supurativas e não supurativas (sobretudo a febre reumática).
O livro avisa: esses dados sugerem a etiologia com baixa sensibilidade e especificidade. Servem para suspeitar, não para confirmar.
| Dado | Sugere EBHGA | Sugere vírus |
|---|---|---|
| Idade | 5–15 anos (faixa de maior incidência 3–15) | < 3 anos; adultos |
| Início | Súbito, dor de garganta intensa | Gradual, com pródromo gripal |
| Febre | ≥ 38 °C | Variável |
| Sintomas "de resfriado" | Ausentes (sem tosse, sem coriza) | Tosse, coriza, obstrução nasal, espirros, rouquidão, conjuntivite |
| Orofaringe | Hiperemia, exsudato, petéquias no palato, úvula edemaciada | Estomatite ulcerativa, aftas/vesículas (Coxsackie, herpes) |
| Linfonodos | Cervicais anteriores e subângulo mandibular, dolorosos | Difusos; posteriores → pensar em EBV |
| Outros | Cefaleia, náusea, vômitos, dor abdominal (crianças); exantema escarlatiniforme; hipertrofia tonsilar | Diarreia/sintomas gastrintestinais, exantema viral |
| Epidemiologia | Inverno / início da primavera; contato com caso de estrepto | Surtos; herpangina no verão |
O vírus que "imita" o estrepto.
Vesículas no palato mole de criança no verão.
Adolescente, exsudato, cansaço e baço grande.
Faringite estreptocócica + exotoxina pirogênica.
Consenso: a faringotonsilite estreptocócica é suspeitada por dados clínicos e epidemiológicos e confirmada por cultura ou teste rápido de antígeno. Rotinas · cap. 6.1
| McIsaac | Prob. EBHGA (aprox.) | Conduta |
|---|---|---|
| ≤ 1 | ≈ 1–10% | Não testar, não tratar |
| 2–3 | ≈ 11–35% | Teste rápido (± cultura) → tratar só se positivo |
| ≥ 4 | ≈ 50% | Testar e tratar se positivo; empírico só é aceito onde não há teste (e mesmo assim sobretrata ~metade) |
Especificidade alta → poucos falsos-positivos. Sensibilidade moderada → falsos-negativos.
Especificidade ~95%: positivo é confiável (SpPIn). Sensibilidade ~75%: 1 em 4 infecções passa despercebida. Na criança, onde há incidência maior e risco real de febre reumática, o negativo precisa de cultura. No adulto, a baixa prevalência torna o falso-negativo pouco relevante.
(1) Pacientes com características clínicas e epidemiológicas claras de quadro viral (tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite, aftas); (2) crianças < 3 anos — incidência baixa de EBHGA e febre reumática rara (exceto contexto especial, p. ex. irmão com estrepto). Também não se faz controle de cura em assintomáticos pós-tratamento.
Reavaliar em 48–72 h todo paciente com faringotonsilite aguda. Como a febre reumática é prevenida mesmo com antibiótico iniciado até ~9 dias após o início dos sintomas, há tempo para observar sem perder a janela de prevenção. Rotinas · cap. 6.1
Toque em cada passo. A ordem importa: primeiro descarte gravidade, depois decida se testa.
Sem teste, sem antibiótico. O livro não usa escore: considera-o impreciso.
Reavaliar em 48–72 h (a janela de prevenção da FR é de ~9 dias).
Alívio sintomático — analgésicos/antitérmicos e hidratação. Reavaliação clínica em 48–72 h se a febre não remitir. Rotinas · cap. 6.1
O motivo principal. O livro: o emprego correto de antibacterianos até nove dias após o início do quadro é capaz de impedir a febre reumática — exige erradicação, por isso 10 dias de via oral.
Abscesso periamigdaliano, retrofaríngeo, adenite cervical supurada.
Frase do livro. Detalhe da literatura (não está no livro): reduz sintomas em ~1 dia; após 24 h de ATB a criança deixa de transmitir.
1ª escolha: penicilina ou amoxicilina, por via oral, 10 dias, mesmo que o paciente fique assintomático nos primeiros dias. A penicilina G benzatina IM está indicada, segundo o livro, para quem não adere ao tratamento oral pelo prazo recomendado.
| Fármaco / via | Dose | Duração |
|---|---|---|
| Não alérgicos à penicilina | ||
| Penicilina V / oral | Crianças: 250 mg 2 ou 3×/dia · adolescentes e adultos: 250 mg 4×/dia ou 500 mg 2×/dia | 10 dias |
| Amoxicilina / oral | 50 mg/kg 1×/dia (máx. 1.000 mg) ou 25 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 500 mg/dose) | 10 dias |
| Penicilina G benzatina / IM | < 27 kg: 600.000 UI · > 27 kg: 1.200.000 UI | 1 dose |
| Alérgicos à penicilina | ||
| Cefalexinaa / oral | 20 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 500 mg/dose) | 10 dias |
| Cefadroxilaa / oral | 30 mg/kg 1×/dia (máx. 1 g) | 10 dias |
| Clindamicina / oral | 7 mg/kg/dose 3×/dia (máx. 300 mg/dose) | 10 dias |
| Azitromicinab / oral | 12 mg/kg 1×/dia (máx. 500 mg) | 5 dias |
| Claritromicinab / oral | 7,5 mg/kg/dose 2×/dia (máx. 250 mg/dose) | 10 dias |
a Evitar em pacientes com hipersensibilidade imediata à penicilina. b Resistência do EBHGA a esses fármacos é bem documentada e varia geográfica e temporalmente. Fonte da tabela no livro: Shulman et al. (IDSA 2012).
| Quadro 7.5.1 · Grupos de antimicrobianos mais usados em ORL | |
|---|---|
| Betalactâmicos | Penicilina G · penicilina V · isoxazolilpenicilinas (oxacilina, dicloxacilina) · ampicilina, amoxicilina, amoxicilina + clavulanato · ampicilina + sulbactam · cefalosporinas · carbapenêmicos |
| Macrolídeos e lincosamidas | Azitromicina, claritromicina · clindamicina |
| Aminoglicosídeos | — |
| Glicopeptídeos | Vancomicina, teicoplanina |
| Outros | Cloranfenicol · tetraciclinas · quinolonas |
| Entidade | Agente | Achado-chave | Conduta |
|---|---|---|---|
| Mononucleose | EBV | Adolescente; tonsilas muito aumentadas com exsudato; adenopatia posterior; esplenomegalia; astenia; linfócitos atípicos | Sintomáticos (odinofagia intensa pode desidratar); sem amoxicilina; evitar esporte de contato 3–4 sem; corticoide só se obstrução de via aérea |
| Herpangina | Coxsackie A | Vesículas/úlceras em palato mole, pilares, úvula; criança; verão | Sintomáticos, hidratação |
| Febre faringoconjuntival | Adenovírus | Faringite exsudativa + conjuntivite + febre | Sintomáticos |
| Difteria | Corynebacterium diphtheriae | Pseudomembrana acinzentada, aderente, sangra ao destacar, ultrapassa tonsilas (úvula, palato); "pescoço taurino"; não vacinado | Soro antidiftérico + penicilina ou eritromicina; isolamento; notificação compulsória; risco de miocardite, neurite, obstrução |
| Angina de Plaut-Vincent | Fusobacterium + espiroquetas (Treponema/Borrelia vincentii) | Úlcera unilateral com pseudomembrana facilmente destacável; halitose fétida; má higiene oral; adolescente/adulto jovem; pouca febre | Penicilina ou metronidazol + higiene oral |
| Escarlatina | EBHGA (toxina eritrogênica) | Rash em lixa, Pastia, Filatov, língua em framboesa | Como faringite estreptocócica |
| Candidíase | Candida | Placas brancas removíveis; imunossupressão, corticoide inalatório, ATB | Nistatina/fluconazol |
No livro, as "situações especiais" são só mononucleose e abscesso peritonsilar. Herpangina, febre faringoconjuntival, difteria, Plaut-Vincent, escarlatina e candidíase vêm da literatura geral e do resumo.
Onde estavam os linfonodos? Baço palpável? Muito cansaço?
Provável mononucleose (EBV): o rash por amino-penicilina é uma reação imunológica típica da infecção aguda e não significa alergia verdadeira permanente. Pedir hemograma (linfocitose com atípicos), monoteste/sorologia VCA-IgM, transaminases. Suspender amoxicilina, sintomáticos, afastar de esportes de contato (risco de ruptura esplênica).
O livro: o monoteste (anticorpos heterófilos, Paul-Bunnell) não é fidedigno na fase inicial da doença e em crianças menores de 5 anos. Nesses casos, pedir anti-VCA: IgM > 1:10 e IgG > 1:320 indicam infecção aguda ou recente. Rotinas · cap. 6.1
A mais comum. Adolescente/adulto jovem.
Espaço lateral, vizinho da carótida e jugular.
Criança pequena (< 5 anos).
Faringite → tromboflebite séptica da jugular.
Também supurativas: adenite/abscesso cervical, otite média, sinusite, mastoidite.
Hipertrofia adenotonsilar é o problema mais frequente do anel de Waldeyer. As manifestações mais frequentes são ronco e apneia. As hipertrofias faríngea (adenoide) e palatinas são as mais prevalentes; peritubárias e lingual têm menor expressão clínica. Rotinas · cap. 6.2
Cinco graus (0 a 4) conforme quanto da luz da orofaringe as tonsilas ocupam (Brodsky e Koch).
| Grau | Tonsilas palatinas |
|---|---|
| 0 | Dentro da loja tonsilar, não perceptíveis na oroscopia |
| 1 | Obstrução da orofaringe de até 25% |
| 2 | Obstrução de 25 a 50% |
| 3 | Obstrução de 50 a 75% |
| 4 | Obstrução maior que 75% da luz da orofaringe |

Avaliada por radiografia simples de cavum ou videonasofibroendoscopia, com os mesmos critérios percentuais das palatinas.
| Grau | Tonsila faríngea (TF) |
|---|---|
| 0 | Sem hiperplasia da TF |
| 1 | Até 25% |
| 2 | 25–50% |
| 3 | 50–75% |
| 4 | Acima de 75% |

| Exame | Papel |
|---|---|
| Endoscopia nasal flexível | Padrão-ouro para hiperplasia de adenoides (cap. 4.10). Avalia coana, conchas, septo, função velofaríngea, oro e hipofaringe; permite diagnóstico diferencial; correlaciona-se melhor com os sintomas do que o RX. Praticamente sem complicações, mas desconfortável na criança. |
| RX de cavum (perfil) | Se bem feito, boa correlação com a endoscopia em grau de obstrução (cap. 6.2), mas não faz diagnóstico diferencial e tem sensibilidade inadequada para análise criteriosa (cap. 4.10) → triagem. Sugere-se digitalizado em perfil, como na cefalometria. |
| TC / RM | Sem indicação na rotina; só se houver diferencial com tumor ou malformação. |
| Polissonografia | Padrão-ouro para apneia do sono; cara e pouco acessível. Pré-operatória reservada a alto risco (malformações de via aérea, cardiopatas/pneumopatas, obesos, déficit neurológico, história incoerente com exame) e à SAOS residual pós-operatória. |
| Oximetria noturna | Triagem: baixo custo, alta sensibilidade para dessaturação. PSG simplificada tem VPP alto e VPN baixo (negativo não exclui). |
| Ecocardiograma | Estimativa da pressão pulmonar. Reservado a suspeita de hipertensão pulmonar: < 2 anos, síndrome de Down, muitas dessaturações na PSG/oximetria, episódios de cianose ou sinais de insuficiência cardíaca. (Cateterismo é o mais fidedigno, mas invasivo.) |
A obstrução adenotonsilar, mais aparente no sono, é a causa primária do distúrbio respiratório do sono na criança. Pais frequentemente negam apneias; filmagem do sono ou PSG confirmam. Consequências: comportamento, desenvolvimento neuropsicomotor, desempenho escolar.
As complicações mais graves (risco de vida). Hipertrofia adenotonsilar é uma das principais causas de HP em crianças, com pronta remissão após a cirurgia; descrita em 1965 (Noonan): respiração estertorosa, estridor, sonolência, hipertrofia ventricular direita no ECG, cardiomegalia, às vezes edema pulmonar e IC. HP por hipertrofia → indicação cirúrgica absoluta.
Obstrução nasal crônica pela adenoide → respiração predominantemente oral na infância → alterações dos órgãos fonoarticulatórios, estética facial, ossos da face, dentes e postura; também cardiopulmonares, endócrinas, nutricionais, comportamento, escola e sono.
O livro cita alterações da orelha média por obstrução da tuba auditiva ou por a adenoide ser foco de bactérias → otite média com efusão e OMA de repetição.
Voz amortecida e anasalada (hiponasal, "voz amigdaliana"); disfagia para sólidos > líquidos, mastiga de boca aberta; olfato e paladar diminuídos → inapetência.
A adenoide (conteúdo) cresce ao mesmo tempo em que a nasofaringe (continente) muda com o crescimento do crânio e da face. A criança de 3 anos já tem ~90% do crânio; a relação face:crânio passa de 1:8 no recém-nascido para 1:2 no adulto, com crescimento facial muito rápido nos primeiros 4 anos. A face cresce para a frente e para baixo, e a nasofaringe, pequena e achatada na criança, fica maior e mais ogival.

| Quadro 4.10.1 · Tipo facial | Descrição | Com adenoide grande |
|---|---|---|
| Mesofacial | Harmonia, terços proporcionais, musculatura equilibrada; equilíbrio vertical × horizontal | Menor comprometimento |
| Braquifacial | Médio-facial largo, crescimento horizontal, musculatura potente (masseter hipertrofiado) | Menor comprometimento |
| Dolicofacial | Predomínio vertical, crescimento vertical, ângulo goníaco e do plano mandibular aumentados, mordida aberta esquelética, musculatura hipotônica e estirada | Quadros mais graves: mais alteração dos órgãos fonoarticulatórios, da estética facial e osteodentária |

| Idade | O que aparece |
|---|---|
| 0–2 anos | Respiração ruidosa, ronqueira nasal, "nariz de porquinho", roncos, apneia obstrutiva, sono agitado, dificuldade para mamar, rinorreia, déficit de ganho ponderal |
| 2–4 anos | Lábios entreabertos, baba, palato ogival/atrésico, mordida aberta ou cruzada, face sonolenta, problemas de linguagem oral, voz amigdaliana, enurese noturna, atraso de crescimento |
| 4–6 anos | Face alongada e inexpressiva, postura com cabeça e ombros projetados, acorda para beber água, cefaleia matinal, sonolência diurna, desatenção, hiperatividade, inapetência, mastiga de boca aberta |
| 7 anos → adolescência | Escrita e desempenho escolar ruins, boca seca, hiperplasia gengival, gengivite, halitose, baixo rendimento esportivo; adolescente: halitose e "dificuldade para beijar" |
De modo geral, o livro lista: roncos e/ou apneias (preferencialmente documentados), tonsilites de repetição, abscesso peritonsilar, suspeita de neoplasia (assimetria das tonsilas palatinas) e halitose. Segundo o consenso da AAO (2011), as duas causas mais comuns de indicação são distúrbios respiratórios do sono (do ronco primário à apneia obstrutiva) e infecção tonsilar recorrente.
Complicações mais comuns: hemorragia imediata e pós-operatória, desidratação, edema de via aérea, estenose/aderências, acentuação da disfunção velofaríngea e anestésicas. São menores quando se faz só a adenoidectomia. Rotinas · cap. 4.10
Por quê: quadro de alta probabilidade de EBHGA (McIsaac 5: febre, sem tosse, linfonodos, exsudato, idade 3–14). A diretriz manda confirmar: TR positivo → trata; TR negativo em criança → cultura, porque a sensibilidade do TR é ~75%.
Adulto com TR negativo: para. Criança com TR negativo: cultura.
Por quê: o antibiótico previne febre reumática e complicações supurativas, mas não há evidência de que previna GNPE.
Leia o "e" nas alternativas: uma metade verdadeira não salva a frase.
Por quê: mononucleose por EBV. Linfocitose atípica é típica (I). O rash por amino-penicilina na mono não é alergia IgE verdadeira (II falsa, com o absoluto "por toda a vida"). Esplenomegalia → risco de ruptura (III).
Adenopatia posterior + esplenomegalia + astenia = EBV até prova em contrário.
Por quê: trismo, voz de "batata quente", sialorreia e desvio contralateral da úvula = abscesso periamigdaliano. Diagnóstico clínico; tratamento é drenagem + antibiótico (amoxicilina-clavulanato, clindamicina ou penicilina + metronidazol).
A úvula é empurrada para longe do abscesso.
Por quê: (1) V — baixa incidência e FR rara. (2) F — vírus também fazem placas. (3) V. (4) F — os valores estão invertidos: especificidade ~95%, sensibilidade ~75%. (5) V — azitromicina/claritromicina (e clindamicina).
Número invertido (sens × espec) é pegadinha clássica — o TR é bom para confirmar, fraco para excluir.
Por quê: vesículas na orofaringe posterior em criança no verão = herpangina (enterovírus, Coxsackie A).
Posterior = Coxsackie (herpangina). Anterior = herpes.
Por quê: Paradise = ≥ 7 em 1 ano, ≥ 5/ano em 2 anos ou ≥ 3/ano em 3 anos, cada episódio com febre > 38 °C, adenopatia cervical dolorosa, exsudato ou teste positivo.
7 · 5 · 3 em 1 · 2 · 3 anos — e sem documentação, não conta.
Por quê: jovem, faringite prévia, dor/edema cervical (jugular interna) e êmbolos sépticos pulmonares = Lemierre por F. necrophorum.
Lemierre: "a faringite que foi para a jugular e depois para o pulmão".
Por quê: a pseudomembrana da difteria é acinzentada, firmemente aderente, sangra ao ser removida e ultrapassa os limites da tonsila.
Destacou fácil = exsudato banal. Aderente e sangra = difteria.
Por quê: I correta (janela de ~9 dias). II falsa (GNPE não é prevenida). III falsa — "consensual" e "consagrada" são palavras absolutas para uma entidade controversa. IV correta.
"Consagrado", "sempre", "nunca" — desconfie, como na questão de antidepressivos no zumbido da prova antiga.
Por quê: a adenoide fica junto ao óstio faríngeo da tuba; hipertrofiada, obstrui mecanicamente e funciona como reservatório bacteriano → OME/OMA recorrente.
Criança com OME persistente: sempre olhe a adenoide.
Por quê: hipersensibilidade imediata (anafilaxia, tipo I) contraindica penicilinas e, pelo livro, cefalosporinas não devem ser usadas. Opções: azitromicina 5 d, claritromicina 10 d, clindamicina 10 d.
Azitromicina é a exceção de duração: 5 dias. O resto, 10.
Por quê: febre +1; tosse presente 0; linfonodos 0; exsudato +1; idade 15–44 → 0. Total 2 → teste rápido; tratar só se positivo (adulto: TR negativo basta).
O critério é ausência de tosse. Tosse presente = zero nesse item.
Por quê: o livro é explícito: "as mais recentes diretrizes contraindicam a realização do teste da antiestreptolisina O (ASLO), proteína C-reativa e leucograma para o diagnóstico de infecção pelo EBHGA". O diagnóstico é suspeita clínico-epidemiológica + cultura ou teste rápido.
ASLO marca contato prévio com o estreptococo, não infecção aguda — por isso não serve para decidir antibiótico.
Por quê: a azitromicina é a exceção de duração: 5 dias (12 mg/kg/dia, máx. 500 mg) — por isso III é falsa. As demais reproduzem a tabela e o texto: amoxicilina 10 dias; benzatina dose única com corte em 27 kg; anafilaxia à penicilina contraindica cefalosporina (até 20% de reatividade cruzada).
Na tabela do livro, só dois esquemas fogem dos 10 dias: benzatina (1 dose) e azitromicina (5 dias).
Por quê: Brodsky: 1 = até 25%, 2 = 25–50%, 3 = 50–75%, 4 = > 75%. O livro pede roncos/apneias preferencialmente documentados e avaliação dos dois componentes (palatinas pela oroscopia, faríngea por endoscopia nasal — padrão-ouro — ou RX de cavum como triagem). Enurese está no Quadro 6.2.1 de manifestações.
Os cortes de Brodsky são os mesmos para palatina e adenoide: 25 · 50 · 75%.
Por quê: (1) V — "diagnosticada a HP como decorrente de hipertrofia adenotonsilar, a indicação cirúrgica torna-se absoluta". (2) F — o reflexo projeta as tonsilas medialmente e superestima o tamanho. (3) V — cirurgia mais realizada em pediatria. (4) F — sem repercussão negativa sobre a imunidade. (5) V — PSG é o padrão-ouro (oximetria é triagem).
Hipertensão pulmonar por hipertrofia é a única indicação que o capítulo chama de absoluta.
Por quê: o livro sequer aceita a ASLO para diagnosticar infecção por EBHGA — muito menos como critério cirúrgico. As outras opções são exatamente as do capítulo: Paradise documentado e, fora dele, febre periódica, estomatite aftosa, intolerância/hipersensibilidade a vários antibióticos e história de abscesso peritonsilar.
Sem episódios bem documentados, a recomendação é observar por 12 meses — a doença tende à resolução espontânea.
Responda em voz alta antes de abrir. Errou? Volte à seção.
Adenoide (faríngea), peritubárias, palatinas, lingual e o tecido linfoide da parede posterior da orofaringe.
EBHGA (S. pyogenes).
Febre > 38, ausência de tosse, linfonodos anteriores dolorosos, edema/exsudato tonsilar; +1 (3–14 a), 0 (15–44), −1 (≥ 45).
Criança/adolescente → cultura. Adulto → basta.
Cultura 90–95%. TR sens ~75%, espec ~95%.
< 3 anos e quadros claramente virais.
Amoxicilina ou Pen V VO 10 dias; Pen G benzatina IM dose única (600 mil < 27 kg / 1,2 milhão ≥ 27 kg).
Azitromicina 5 d, claritromicina 10 d ou clindamicina 10 d.
Previne FR e supurativas; não previne GNPE.
Febre, faringite exsudativa, adenopatia posterior (+ esplenomegalia, linfócitos atípicos). Rash com amoxicilina.
Trismo, voz de batata quente, sialorreia, úvula desviada para o lado oposto. Drenagem + ATB (estrepto + anaeróbios).
Fusobacterium necrophorum; tromboflebite séptica da jugular interna + êmbolos pulmonares.
Difteria: membrana acinzentada aderente, sangra, não vacinado. Plaut-Vincent: úlcera unilateral, membrana destacável, halitose, fusoespiroquetas.
Mais que 7 no último ano, 5/ano nos últimos 2 anos ou 3/ano nos últimos 3 anos; cada episódio com febre > 38 °C, adenopatia cervical dolorosa, exsudato ou teste + para EBHGA. Mal documentados: observar 12 meses.
Percentual de obstrução: até 25%, 25–50%, 50–75%, > 75%. Grau 0 = tonsilas dentro da loja. Mesmos cortes para a adenoide (volume da tonsila faríngea).
Adenoide: endoscopia nasal flexível (RX de cavum = triagem). Apneia: polissonografia (oximetria = triagem). EBHGA: cultura de orofaringe.
Roncos/apneias documentados, tonsilites de repetição, abscesso peritonsilar, suspeita de neoplasia (assimetria) e halitose. Hipertensão pulmonar por hipertrofia = absoluta.
Ronco/apneia/SAOS, respiração oral, voz anasalada e amortecida, otite média (tuba), fácies adenoideana (palato ogival, face alongada, mordida aberta/cruzada). Graves: hipertensão pulmonar e cor pulmonale.
75% em < 3 anos. Tosse, coriza, conjuntivite, aftas → sem teste, sem ATB. Exsudato não define bactéria.
Centor/McIsaac ≥ 2 → teste rápido. Positivo trata; negativo em criança → cultura; em adulto, basta.
Amoxicilina/Pen V 10 dias ou benzatina IM única. Alergia imediata: azitro 5 d ou clinda.
Janela de ~9 dias. GNPE não é prevenida. PANDAS é controverso.
Trismo + batata quente + úvula desviada = periamigdaliano → drenar. Criança com torcicolo = retrofaríngeo. Jugular + pulmão = Lemierre.
Paradise (documentado; senão, observar 12 meses) para infecção. Distúrbio do sono e infecção recorrente são as duas causas mais comuns; HP por hipertrofia é indicação absoluta.
0 a 4 pelos cortes de 25 · 50 · 75%, iguais para palatina e adenoide. Adenoide: endoscopia nasal é o padrão-ouro; RX de cavum, triagem.
Ronco, apneia, enurese, escola, face alongada com palato ogival e mordida cruzada — pior no dolicofacial. Tirar amígdala e adenoide não derruba a imunidade.